O Fenômeno Erro-Dor

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É lógico que o homem procure a sua vantagem. Mas os sentidos que o guiam podem facilmente enganá-lo a respeito da sua vantagem, e dirigi-lo para um bem-estar imediato que representa um prejuízo futuro. O fato é que o homem não sabe qual é a sua verdadeira utilidade, que em geral não é a imediata que ele escolhe porque é mais visível, mas sim uma outra, a longo prazo; nem sabe qual é o caminho para atingi-la. Então é facílimo que ele escolha o caminho errado.

Acontece assim que ele, ao invés de ir ao encontro da Lei para que esta venha ao seu encontro, ele vai de encontro à Lei, de modo que esta reage contra ele. A Lei não permite ser torcida e opõe resistência quem não segue a sua vontade e corrente de forcas. Essa resistência contra o ser que quereria subjugá-las em favor do seu “eu”, é o que chamamos a reação da Lei. Esta é como a corrente dum rio, que representa um impulso para que tudo avance na sua direção. Como tudo o que existe, nós estamos nesse rio – a Lei.

O resultado de tudo isto é que, se o ser seguir os impulsos da Lei acompanhando o seu caminho, esta o envolve em sua corrente e com isso o ajuda. Mas se, pelo contrário, o ser quer seguir somente os seus impulsos, com outra vontade para outro caminho, eis que a Lei com a sua corrente contrária resiste, não o ajuda, mas o arrasta e persegue, porque a vontade dela é que tudo avance para os seus objetivos.

Muitas vezes o sucesso é devido ao peso de uma série de circunstâncias que em concordância obedecem a uma vontade que nos favorece, sem que ela seja a nossa. Isto nos escapa no que chamamos de imponderável. Mas o imponderável é a Lei, e a sua vontade é a sua corrente, que nos ajuda quando seguimo-la. No caso oposto muitas vezes o fracasso é devido ao peso de uma série de circunstâncias que, de acordo umas com as outras, obedecem a uma vontade que está contra nós, até vencer a nossa e todos os nossos esforços. Eis aí o outro imponderável tremendo, que se manifesta como um fardo, dirigido pelas mãos de Deus.

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O Esforço da Reconstrução

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A sabedoria da Lei nos mostra que, com a revolta, surgiu não somente o modelo do fenômeno da queda, mas também do endireitamento-salvação, que o corrige. Esse segundo modelo estava implícito no primeiro, contido, latente, à espera de tornar-se atual, logo que o ser apertasse o botão da revolta.

Observamos que o universo, assim como, mais de perto de nós, a natureza, funcionam por repetição dos tipos de fenômenos ou modelos que antes construíram, e que depois voltam como hábitos adquiridos, e assim continuam ecoando em série na economia do todo. Podemos por isso considerar o caso erro-dor, que aqui estudamos, uma repetição menor do modelo do fenômeno da revolta-endireitamento ou queda-salvação.

Como no ciclo involutivo-evolutivo o ser está constrangido a voltar para o S para fugir aos sofrimentos que encontrou no AS, assim no deslocamento de ida e volta do fenômeno erro-dor, o ser está constrangido a voltar para a Lei pela dor, que não pode terminar até que tenha acabado todo o trabalho de recuperação. Em ambos os casos vigora a mesma lógica pela qual não se pode fugir aos efeitos do mau funcionamento da máquina, até que seja eliminada a causa que é a desordem. Para quem sai do caos não é fácil funcionar organicamente na ordem.

Com o seu esforço o ser tem de reconstruir a sua inteligência, a qual é necessária para chegar àquele funcionamento. Ele quer fugir a este esforço, mas não pode, até que, com a sua dura experiência, conquiste de novo a inteligência perdida; ele, com seus movimentos errados, continuará chocando-se com a Lei e recebendo dor.

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O Automatismo da Lei

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Quando falamos que a Lei reage contra o rebelde, só usamos uma imagem antropomórfica que facilita a compreensão do homem, que concebe em função do seu instinto de luta para dominar.

A Lei não é um “eu” livre e pessoal que queira dominar sobre alguém, mas é uma vontade determinística e impessoal que automaticamente exige a realização dos princípios que a constituem. Por isso não há lugar para a ideia de que exista na Lei uma específica vontade inimiga, de vingança contra o ser, porque ele errou, de ofensa e reação punitiva no sentido humano. Tal ideia é fruto da forma mental do homem que concebe tudo à sua imagem e semelhança.

A Lei não odeia e não pune, mas só restabelece equilíbrios quando eles são violados. A Lei é somente um absoluto e universal princípio de ordem, que tem de se realizar, regendo o funcionamento de todo fenômeno.

Dada essa estrutura da Lei, há efeitos necessários, já marcados com antecedência, que têm de se verificar como consequência de cada movimento, conforme sua natureza. Não se pode negar o fato de que vemos a Lei de ordem reagir e aparecer a dor quando violamos a ordem. Mas se olharmos melhor, veremos que quem gera a fricção, que é sofrimento, quem com a sua ação errada movimenta a reação da Lei e estabelece a forma e medida dessa reação, é o ser com a sua revolta.

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O Erro e sua Correção

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Uma vez estabelecido o jogo da ação do ser contra a Lei, e da reação da Lei contra o ser, isto é, do erro e da dor, o problema da ética aparece por si mesmo, como norma de conduta indispensável para evitar esse choque, filho da revolta, conduzindo tudo para a ordem da Lei.

Esta é a gênese, o ponto de partida e a finalidade da ética.

Um dos efeitos da revolta foi a queda do estado orgânico do S no estado de separatismo do AS. A unidade se pulverizou em muitas unidades menores. Nasceram assim os “eus” não mais fundidos em unidade orgânica, mas separados uns dos outros, em posição de antagonismo, como os encontramos nas diferentes individuações de nosso universo, entre as quais a personalidade humana.

Nestes níveis inferiores, próximos do AS, vigora o princípio do egocentrismo e do separatismo, que o encontramos em nosso mundo. Esta é a razão pela qual este é regido pela lei da luta. É por isso que o homem, por sua natureza, é espontaneamente levado a agredir tudo para subjugar, para que vença somente o seu “eu”.

Que acontece então quando o homem se encontra perante, a Lei?

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A Ética Científica

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A nova ética é teórica e prática ao mesmo tempo, no sentido que, enquanto ela se justifica até às suas primeiras origens porque as suas raízes se encontram nos princípios do S que regem a criação, tal ética se realiza até às suas últimas consequências práticas dentro do AS, em nossa vida de cada dia.

Ética completa porque vai do S ao AS, do absoluto de Deus ao relativo da criatura, e assim tudo abrange de um ao outro polo ao existir.

Ética universal porque contém todos os tempos, todos os planos de evolução, todas as éticas relativas; universal porque colocada no quadro geral do todo, desde as primeiras origens até atingir as últimas finalidades e a conclusão da obra de Deus.

Ética máxima porque na sua substância coincide com a Lei de Deus, e ao mesmo tempo mínima porque rege o universo até aos seus mínimos pormenores.

Ética que está acima de todas as divisões do relativo, é verdadeira para todos, acima de todos os partidos e religiões, independente da orientação e posição étnica, política, filosófica ou religiosa do sujeito. Ética verdadeira porque imparcial e positiva, não mais empírica concebida em função do homem, moral biológica, concebida em função das leis da vida, da evolução e do funcionamento orgânico do universo.

Ética à qual não se pode fugir, só pelo fato de ser descrente, cético ou ateu materialista. Não adianta negar, rebelar-se, pensar e agir com outra psicologia. A Lei continua funcionando igual para todos. Ela vence os vencedores do mundo, porque é mais poderosa e inteligente do que a força e a astúcia deles. Ela sabe se fazer compreender por todos, também pelo tipo involuído e ignorante, porque fala a linguagem da dor, linguagem que todo homem compreende, qualquer que seja a sua raça, nível social, crença ou forma mental. A cada erro segue automaticamente a dor corretora, pela qual cada um tem de se corrigir à sua custa. Trata-se de uma lei que está dentro da substância das coisas, sempre funcionando, que ninguém pode agredir e destruir, inatacável porque invisível, indestrutível porque inatingível. Ela constitui a essência do ser e este não a pode aniquilar, sem com isso ter de se aniquilar a si mesmo.

Trata-se de uma ética racional, que não se baseia no princípio de autoridade, mas na lógica e na demonstração das razões pelas quais é nossa vantagem obedecer. Sem mistérios são oferecidas as provas do motivo por que se afirma, porque temos de operar duma forma e não de outra, se explicam e justificam as consequências necessárias e inevitáveis de cada ato nosso.

Assim ela é também uma ética utilitária, porque impõe virtudes que levam ao bem e à felicidade de quem as pratica, deste modo não oprimindo, mas reconhecendo o direito à vida e à expansão.

Ela é uma ética objetiva, impessoal, que está acima dos instintos e forma mental da qual depende a ética comum, ética da própria vida e não só em função do homem e do momento histórico; não ética subjetiva, pessoal, relativa ao tempo e a quem a definiu para o seu uso, seguindo os seus gostos, os não controlados irracionais impulsos do subconsciente, seja do legislador, seja das massas, que para si estabelecem verdades pelo direito da maioria.

Chegamos assim, a uma ética cientificamente concebida em forma exata, não só racionalmente demonstrada e positivamente acertada e controlada, baseada na lógica dos fatos, mas geometricamente representável e matematicamente calculável, porque suscetível de expressão gráfica dos fenômenos da ética em forma de linhas e de campos de forças. Isto nos permite medir o valor quantitativo e qualitativo dos diferentes impulsos do ser, e das correspondentes reações da Lei, como também a extensão das superfícies dos campos de forças cobertos ou volume do dinamismo conquistado pela positividade ou negatividade na luta entre S e AS no caminho evolutivo ou involutivo.

A ética, assim, pode ser estudada como um momento vivo do grande fenômeno do dualismo universal, como um dinamismo de contínuos choques, isto é, ações e reações entre os dois termos opostos ( + e – ) do Todo, isto é: a Lei e o ser rebelde, o S e o AS. Ética sólida, como um teorema de geometria.

Esta é a ética que aqui oferecemos, a moral da qual o homem moderno precisa; ética séria, a única que os inteligentes, pela sua forma mental crítica e positiva, podem aceitar; moral prática, razoável, honesta, utilitária, que calcula com justiça e por isso convence, que dá o que promete e de tudo explica o porquê, a razão pela qual nos convém obedecer, e o bem que temos o direito de receber em troca do sacrifício que ela nos pede.

Ética evidente, onde tudo está claro, porque cada um pode calcular o efeito dos seus pensamentos e atos. Ética justa, que nos devolve o que lhe apresentamos, conforme o que merecemos, premiando os justos e golpeando os injustos com a dor e a desilusão. Elas se explicam como consequência lógica e automática do caminho errado, para a negatividade, que o ser toma quando desobedece à Lei. Tudo isto é implícito e fatal, pela própria estrutura de todo o fenômeno do universo.

Livro: Queda e Salvação

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A Ética Preventiva

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Uma das características da ética deveria ser preventiva e não repressiva. É inútil chegar depois que o mal foi feito. Uma ética eficiente previne e evita o mal, impede que ele se realize, mais do que reprimi-lo depois com a punição. É o que acontece no S, onde a Lei estabelece qual tem de ser a ordem, os seres compreendendo e obedecendo, e o mal não se verificando. Estamos no terreno da positividade, onde não há lugar para nenhuma forma de negatividade: o mal e a sua punição e repressão. Aqui tudo está previsto e prevenido e naquela ordem a desordem não pode nascer.

Nós existimos nos antípodas, no AS, onde prevalecem princípios opostos. A mesma Lei de Deus irradia do S para o AS, aqui também presente, impulsionando para a sua ordem, mas o biótipo que aqui mora é um rebelde, que quer impor a sua vontade contra a da Lei e, apesar de ser à sua custa, pode fazê-lo, porque ele é livre. Estamos aqui no terreno da revolta, da desordem e da luta. Só o fato de que este é o tipo de ética vigorante em nosso mundo, constituiria uma prova bastante para demonstrar a teoria da queda.

Nós explicamos assim, porque a nossa ética não é filha da compreensão que espontaneamente evita o mal, mas é filha da luta; em vez de ser uma ética positiva, altruísta e educativa, cujo objetivo é realizar o bem, é uma ética negativa, egoísta e defensiva contra o prejuízo do grupo.

Vemos aqui revelarem-se os dois métodos opostos: o do S e o do AS. A nossa ética é também educativa mas na forma emborcada que revela a posição do rebelde do AS, isto é, educativa não a priori, mas a posteriori, deixa o mal acontecer e depois intervém para corrigi-lo. Em outras palavras: para respeitar a liberdade de um ser rebelde, lhe é permitido errar e depois endireitar o erro por intermédio da dor. E é lógico que no mundo do AS, emborcado na negatividade, não haja outro caminho para chegar ao bem, a não ser o da dura lição de sofrimento.

Os seres do S ficaram inteligentes como Deus os criou compreendem que é a sua vantagem permanecer na ordem em obediência à Lei. Os seres do AS com a queda se tornaram ignorantes, o que lhes deixa acreditar que é vantagem existir em posição emborcada na desordem do caos. Mas a Lei continua firme em sua vontade de ensinar, o que neste caso é ainda mais urgente porque se trata da salvação de criaturas extraviadas.

Como é possível ensinar a seres ignorantes, incapazes por isso de compreender onde está a sua vantagem e o seu bem? Como é possível ensinar-lhes senão por intermédio do sofrimento? É a única coisa que conseguem entender, porque aparece depois do erro, como sua consequência, para ensinar a não cometê-lo mais.

Eis a razão pela qual a ética humana é ética a posteriori e não a priori, como a lógica exigiria. Mas tratando-se de um S emborcado no AS, é lógico também que no AS vigore uma lógica emborcada no absurdo. Dada a sua posição o biótipo comum não pode aprender a regra certa da vida, senão pelo caminho do sofrimento. E é o que de fato acontece. Na lógica emborcada do AS, este absurdo é perfeitamente lógico. Explica-se assim a técnica da tentativa, vigorante em nosso mundo; técnica de cegos ignorantes.

A automática condenação para os cidadãos do AS está no fato de que eles não podem chegar à positividade a não ser pelo caminho de negatividade, isto é, à felicidade, senão pelo caminho do sofrimento. Assim o homem tem de aprender à força a ética da sua salvação, constrangido pela dor a seguir a vereda que o leva para a felicidade, que ao mesmo tempo representa o seu maior desejo. Eis em que estranho jogo de absurdos se emborca a lógica do S quando o ser cai de cabeça para baixo no AS, constrangido à força a atingir a realização do seu maior anseio: a felicidade, que o ser vai invocando e procurando desesperadamente, mas que a cegueira em que ele decaiu lhe impede de ver onde o seu alvo está situado!

Tudo é absurdo enquanto o ser usa a psicologia do AS, mas volta a ser lógico, tão logo seja visto e julgado com a psicologia do S. E de fato a dor corrige o erro, ensina e ilumina a consciência, destrói a ignorância e reconstrói a sabedoria, reabsorve a negatividade do AS e reconstitui a positividade do S. Eis a razão profunda dessa estrutura e técnica, a do erro e sofrimento, com a qual a Lei se realiza em nosso mundo; eis a lógica fatal dessa ética a posteriori, corretiva e não preventiva, como a vigorante em nosso mundo.

Tudo o que existe na Terra assume as qualidades do AS. É por isso que aqui vigora não uma ética interior, mas exterior, não de dentro para fora, porque o ponto de partida é o espírito do S, mas de fora para dentro, porque o ponto de partida é a matéria do AS. Não uma ética de substância, mas de forma, não regra de pensamento, mas de atos, não uma ética baseada nos princípios gerais que orientam nas grandes linhas, respeitando a liberdade de quem compreende, mas uma ética apoiada sobre particularidades materiais, amarrada aos pormenores farisaicos, constrangendo quem não merece liberdade, porque não sabe e não quer compreender.

O deslocamento do S para o AS tudo transformou.

Eis então que, enquanto no S, porque o ser é obediente, tudo é livre e espontâneo, no AS, porque o ser rebelde, tudo é constrangimento à obediência. Isto é o que a criatura gerou com a sua revolta. A Lei ficou inatingível, acima de toda revolta e o ser rebelde ficou preso dentro dela, nem pode fugir. Logo que ele se arrisca a fazê-lo, a tentativa gera a dor que o paralisa. Quanto mais ele procurar rebelar-se, tanto mais a dor o aperta, até que ele tem de desistir.

De fato quem vai chocar-se com as reações da Lei? São os indisciplinados. Para os que obedecem e a seguem ordenadamente, a Lei não reage. Ela então fala somente da bondade de Deus. Para quem quer ficar dentro da ordem, tudo corre bem. São os desordenados que recebem de volta o choque que eles pretendiam lançar contra a ordem. A Lei não agride a ninguém, mas quer ficar íntegra, de pé, e responde com a mesma agressividade, de quando a sua ordem for agredida por uma vontade de desordem.

Livro: Queda e Salvação

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O Caminho da Evolução Universal

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Tudo se vai transformando com a evolução. Quanto mais o ser sobe na escala evolutiva, tanto mais o determinismo se abranda e suaviza, tende a desaparecer, reabsorvido na liberdade que sempre mais se amplia, se expande e prevalece, à medida que o ser se avizinha do seu estado de origem. A planta se liberta mais do que o mineral, o animal mais do que a planta, o homem mais do que o animal, independência e amplitude de movimento cada vez maior, da água dos mares à superfície da Terra, á atmosfera com o voo, e agora no mundo planetário.

O homem possui uma vastidão de escolha que os animais regidos pelo instinto não conhecem, mas isto só na sua parte mais adiantada, a espiritual, enquanto nele sobrevivem os determinismos, que ele tem de aceitar, dos mundos inferiores (estrutura atômica e molecular na parte mineral, o metabolismo no nível vegetal, os instintos no nível animal).

A grande liberdade começa a aparecer só em cima no espírito, gradativamente, em proporção ao desenvolvimento deste, tanto mais quanto mais o ser se aproxima do S. Como a nossa ética e mais adiantada que a das feras, assim a do homem de amanhã será mais adiantada que a do homem de hoje, que as gerações futuras julgarão selvagem, como nós julgamos os nossos antepassados das épocas primárias.

Quanto mais o ser sobe, tanto mais ele se torna consciente e com isso cada vez menos compulsoriamente e mais livremente obediente à Lei. Assim se vai transformando essa ética universal do seu ponto mais baixo no AS, até ao seu ponto mais alto no S. Não é estranha essa maneira de conceber a ética, porque tudo o que existe está fundido em Deus numa só Lei unitária.

Chegamos assim ao conceito duma ética cósmica, em que se revela a presença universal da Lei de Deus, ética que nos seus níveis diferentes sustenta, em todos os seus andares, o edifício do ser, regulando a existência e dirigindo a evolução para reorganizar o caos na ordem. Ela representa a assistência contínua de Deus, no Seu aspecto imanente, ao lado e em favor do ser para que ele siga o caminho fatal de sua salvação.

Ética viva, inteligente, sempre em ação. Ela dirige o contínuo transformismo do relativo, operando pouco a pouco, tudo disciplinando, para reconduzir o caos ao estado orgânico do S, onde tudo estava na devida ordem. Se a revolta tudo deslocou na desordem, é por esse caminho que tudo vai voltando àquela ordem. Os egocentrismos separados, filhos da revelia, têm de fundir-se para colaborar em unidades coletivas sempre maiores até reconstruir a organicidade do Todo, voltando ao S.

Ética estupenda que desce do infinito e do absoluto. Ela expressa a suprema vontade de ordem contida na Lei de Deus. Ética global, presente em todos os níveis da evolução, em formas diferentes, cada uma adaptada à posição de cada ser. Temos assim diversas formas de manifestação da ética: atômica, molecular, celular, dos grupos celulares reunidos em tecidos, de cada órgão, para cada organismo no seu conjunto, do sistema nervoso e cerebral, dos sentidos, psíquica, espiritual, reguladora da ordem de uma determinada unidade. Assim todos os seres, caminhando na grande marcha da evolução, são orientados para um objetivo único, e embora adaptando-se às exigências de cada caso particular do relativo a Lei, dirigindo-os todos por um mesmo princípio, os leva para a unidade.

Agora na Terra está nascendo a nova ética social, internacional, mundial, que terá de reger em unidade o novo organismo coletivo da humanidade. Se a ética do homem primitivo do passado teve de basear-se no princípio da seleção do mais forte, que leva à agressividade e à luta, e se ao ter usado essa ética o homem atual deve o fato de ser o vencedor, dono do planeta, eis que hoje os objetivos que a vida tem de atingir são diferentes e por isso tem de mudar a ética que dirige a conduta do homem.

Assim apareceu a civilização com as suas leis civis e religiosas, e com isso uma nova ética, pela qual furtar e matar, que no mundo selvagem eram virtudes do mais forte, são pelo menos em alguns casos oficialmente reconhecidos como culpa e crime. Isto porque a humanidade começou a encaminhar-se para o estado coletivo social orgânico o da convivência pacífica na colaboração. A humanidade, sem dúvida, está atingindo um novo plano de existência, com a mudança das regras que a dirigem: ética diferente, porque tem de atingir finalidades mais adiantadas, sendo necessário conquistar outras qualidades com outras normas de conduta. Eis por que o Evangelho que as representa não tem somente um significado religioso, mas também social e biológico.

Está sendo construída hoje a nova unidade coletiva constituída pelo estado orgânico da sociedade humana, fato que requer uma nova ordem e uma nova disciplina de cada indivíduo em função do interesse comum: conceitos antes desconhecidos e contraproducentes, hoje úteis e que por isso se valorizam, virtudes novas, mais adiantadas e inteligentes, que tomam o lugar das velhas, da força individual, desorganizada e destruidora, velhas virtudes superadas, socialmente negativas e criminosas, inadmissíveis nas novas condições de vida Ética diferente, em função de outras finalidades a atingir, porque a vida nunca para no seu trabalho de construção e agora quer levantar um outro andar do seu edifício e levar o homem para um mais alto plano de existência regido por leis diferentes, que têm de sobrepor-se ao passado, até apagá-lo.

Assim o método da luta entre egoísmos separados se tornará cada vez mais antivital e por isso condenado e repelido como desordem perigosa dentro da harmonia da nova ordem, dentro da qual é vantagem e interesse de todos ficar unidos em colaboração. A evolução progride pelo caminho da organização em unidades coletivas, cada vez mais vastas e complexas, dos seus elementos. O ponto final desse caminho é o estado orgânico completo do S, que abrange em unidade fundida em Deus todos os seres do universo.

O período da descida foi uma queda no separatismo, ou pulverização da unidade do S, num caos desordenado de elementos, no AS. O atual período de subida é representado por um inverso processo de reunião e fusão dos elementos separados, no originário estado orgânico do S. A humanidade não pôde deixar o caminho da evolução universal e agora tem de galgar um novo degrau em sua escada ascensional.

O Evangelho é exatamente a lei do “ama o teu próximo”, isto é, da convivência pacífica, da colaboração, do altruísmo que funde os egocentrismos rivais até agora em luta. O biótipo, modelo da raça, julgado o melhor, será quem tiver perdido as qualidades desagregantes do involuído egoísta de hoje, as virtudes da fera, substituindo-as pelas do homem civilizado.

É para explicar esse fenômeno e orientar o homem neste sentido, obedecendo às leis da vida, que a evolução está amadurecendo os novos destinos da humanidade. Tudo está pronto para se realizar, e se realizará esse novo destino, logo que a inteligência humana se desenvolver bastante para chegar a compreender.

Livro: Queda e Salvação

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Evangelho: Uma Lei Biológica 

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Eis o conteúdo deste novo tipo de ética, onde é possível  contrapor uma concepção diferente da vida, em que o jogo contra a Lei é um absurdo anti-utilitário, perigoso e contraproducente. Finalmente um lugar onde há justiça, onde é possível ser sincero e honesto sem ter de pagar caro por isso.

Finalmente alguém em que se pode confiar e colaborar com amizade, um amigo que ajuda e não um todo-poderoso que vive só para si, contra o qual teríamos que nos defender. Finalmente um Deus inteligente, não apegado à forma, mas que compreende a substância, que vive ao nosso lado, luta e sofre conosco, que com justiça imparcial é vencedor absoluto dos maus onde quer que eles estejam, sem favorecer grupo algum para condenar todos os demais. Caem assim as barreiras interesseiras humanas: cada um é julgado não pela sua posição terrena, mas segundo o que ele é e merece, e os maus ficam maus e pagam, e os bons ficam bons e recebem, qualquer que seja a sua nação, grupo, partido ou religião.

Deus não é chefe desta ou daquela hierarquia religiosa, por ela monopolizado, armado contra os deuses de todas as outras religiões. Ele é universal, abraça todos, sem preferências e exclusividades; usa a Sua Lei e medida igual para todos e não uma para um grupo e outro para os demais. Sua justiça está acima de todas as injustiças humanas, é universal e não particular; é amiga de todos os justos e não somente dos seguidores de um dado grupo, considerados bons, e inimiga dos seguidores de outros grupos, somente por isso considerados maus. Acabe-se com essa psicologia animal de vencedor e vencido, pela qual tudo o que o primeiro faz está certo, e o que o derrotado faz está errado!

Encontramos nessa ética uma verdade firme, positiva, acima da luta, dos poderes e dos enganados do mundo. Ninguém lhe escapa. Não adianta possuir comando de grande chefe, recursos econômicos, força bélica ou política, nem ser massa de povo que, representando à maioria, faz o que quer. Não há como fugir. As nações têm de pagar como os indivíduos.

Ninguém pode fazer o mal impunemente. A Lei é um torno de ferro que nos prende a todos, nos aperta dentro do canal das consequências das nossas ações, ao longo da linha dos efeitos que têm de amadurecer, sem distância de espaço ou de tempo que os possa parar. Cada um tem de colher o fruto do que semeou. Têm de pagar os grandes e os pequenos homens de todos os partidos ou religiões. É a derrota dos espertalhões do mundo, contra os quais se levanta a lei do merecimento.

O mundo quer outras verdades, em função dos seus interesses. Mas aqui encontramos uma verdade mais profunda que ninguém pode abalar.

Eis a ética por nós sustentada. Ela representa uma revolta à revolta, uma reação contra o AS, para voltar ao S. Isto significa trabalho de retificação para chegar à salvação.

Procuramos aplicar à ética o método positivo da lógica, para convencer os que sabem pensar, oferecendo um produto de razão iluminada e não dos instintos do subconsciente.

Estamos percorrendo o caminho da reconstrução. Com a revolta, o “eu” da criatura (menor), que no S existia em função de Deus (maior), quis realizar o absurdo que Deus (maior) existisse em função do “eu” da criatura (menor). Esse absurdo, isto é, que o maior possa existir em função do menor, constitui o ponto fraco do AS, o que nos garante a vitória final do S.

Essa nova ética não é novo invento, porque, na substância, não é senão a do Evangelho. É, porém, um Evangelho racionalmente demonstrado, compreendido na sua lógica férrea e profunda, e sobretudo tomado a sério para ser vivido e não somente pregado. E é lógico que o Evangelho se encontra na linha que vai para o S. Esta ética não pode então deixar de repeti-lo. Ele, porém, aqui adquire outro sentido e importância. Ele se universaliza, sai dos limites de uma religião e se torna lei biológica, psicológica social, entrando no terreno positivo da ciência, que não poderá mais como até agora, afastar o problema com o seu agnosticismo.

Assim entendida, a doutrina de Cristo não é somente produto histórico, fruto de uma casta sacerdotal, bastando pertencer a outra religião ou ser ateu para não ter mais valor; ela é fruto vivo da vida em evolução, fenômeno sempre presente e atual. O Evangelho expressa uma lei biológica que terá fatalmente que se realizar no futuro. Trata-se de princípios universais, em que neles, acima de tudo, o homem pode acreditar, pensar e realizar-se. São princípios que permanecem independentes de sua aceitação e que ninguém pode alterar ou destruir.

A ética do mundo é relativa e progressiva e, no seu estado atual, representa apenas um nível de vida ou degrau da escada de subida que do AS vai para o S. Assim se deslocam as nossas concepções comuns da ética. Ela se torna um momento do fenômeno do transformismo universal.

É assim que cada plano de vida tem a sua ética diferente. As feras têm a sua ética que não é a do homem. Este tem a sua ética que não é a do super-homem. Dessa forma, desde os mais baixos níveis que se abismam no AS até aos mais altos que se levantam para o S, a ética, concebida no sentido mais vasto, de ordem e regra que dirige a vida do ser, se vai transformando, assumindo qualidades diferentes conforme a sua posição mais atrasada ou adiantada ao longo do caminho da subida, ou regresso do universo decaído para Deus.

Eis então que vemos a ética tornar-se tanto mais determinística e compulsória quanto mais o ser que ela rege se encontra em baixo, perto do AS; e tanto mais livre e convicta, quanto mais o ser que ela rege se encontra no alto, perto do S. Fenômeno que tem a sua lógica e razão profunda.

Não foi Deus quem tirou a liberdade do ser, quando este involuiu pela revolta, mas foi o próprio impulso do ser que tudo emborcou; por ter iniciado um caminho às avessas, não pôde deixar de tudo emborcar, inclusive a sua liberdade na escravidão do determinismo, que é o seu oposto.

 A vontade do ser rebelde era de destruir a Lei para se lhe substituir, mas ela estava acima de toda tentativa de destruição. Aconteceu então que o ser conseguiu só emborcar a sua posição dentro da Lei e relativamente a sua liberdade. Todavia a Lei ficou de pé, mas para o ser não se conservou a forma livre do S, e sim na forma compulsória do AS. Tanto mais o fenômeno ocorreu, quanto mais o ser se aprofundou no AS. Eis a lógica e a razão desse fenômeno.

Tornou-se assim constrangimento á força o que antes era livre aceitação. O ser pôde transformar a ordem em caos no AS, mas além deste a ordem ficou íntegra para lhe impor o regresso do caos à ordem, deterministicamente, impondo ao rebelde louco a sua salvação.

Não se pode admitir o absurdo de um Deus vencido pela Sua criatura, a parte ser mais poderosa do que o todo, uma revolução que pudesse sobrepor-se a Lei e destruir a obra de Deus. Esse fenômeno se explica também como o fato de que com a queda e involução a linha da livre expansão do ser se foi sempre mais curvando sobre si mesma, o seu dinamismo se foi contraindo numa cinética sempre mais apertada em si mesma, até atingir a forma de movimento fechado nas trajetórias do átomo. Os seus elementos não podem sair delas, escravos completos das leis da matéria.

Esta é a ética da queda, obediência forçada no AS, nos antípodas da obediência livre dos espíritos no S. Os cristais têm de orientar as suas moléculas e moldar as suas formas conforme modelos exatamente pré-estabelecidos. No mundo inferior da matéria não se concebe desobediência. Ninguém pode desobedecer à Lei, isto é, a Deus. A obediência se realiza sempre: no AS como no S, mas no AS às avessas, sem liberdade. Assim o resultado automático da revolta foi para o ser ficar aprisionado no determinismo. No homem, que está subindo ao longo do caminho da evolução, há liberdade, mas limitada e logo que cometer erros, serão sempre corrigidos à força pela dor. Permanece a regra geral: perde-se toda a vantagem, logo que se fizer mau uso dela. Quem quer emborcar, acaba emborcando. A violação da Lei gera dor.

Livro: Queda e Salvação

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A Ética do Sistema

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Descortina-se então um mundo novo, que a Terra não conhece e onde tudo é claro, justo e bom, duma sabedoria e duma beleza indescritíveis. Aparece então todo o absurdo da corrente concepção de Deus, pela qual não se pode chegar à obediência a não ser pelo caminho do terror, como exigem os selvagens, enquanto, pelo contrário, é vantagem e festa tornar-se, mesmo que seja em medida mínima, conforme as próprias forças, operários colaboradores de Deus na grande obra da evolução redentora da criatura decaída.

Se o homem concebe tudo às avessas, isto é devido ao fato de que ele está situado no AS. E a sua posição de emborcado que o leva a imaginar um Deus emborcado, que domina à força, que faz mau uso do Seu poder, nos atormentando com punições dolorosas, enquanto a causa dos nossos sofrimentos não é Deus nem a Lei Dele, mas a nossa desordem e desobediência a Ele e à Sua Lei. Deus não pune. Somos nós que nos punimos a nós mesmos.

Somente nós que estamos no AS podemos fazer alguma coisa de negativo, que vai contra a vida e a nossa felicidade. Representa o maior absurdo acreditar que alguma coisa desse gênero possa sair das mãos de Deus, que existe no S, representando o centro de toda a positividade.

Mas quem está situado no AS não pode conceber tudo o que se encontra perfeitamente lógico no S, senão emborcado no absurdo de que está feito o AS. Tal é a lógica do AS, a lógica do absurdo. Eis a ética atual e as suas bases psicológicas.

O tipo de ética que aqui explicamos é diferente. Nela não há lugar para enganos. Encontramos finalmente uma ética sem escapatórias. Ela é sincera, evidente, claramente demonstrada. Nela funciona em toda a hora e lugar, automática e infalível, a justiça de um Deus, que não é fruto pequenino da forma mental do homem, mas está bem acima de nosso mundo, porque junto de Sua bondade.

Deus é tão inteligente que não há astúcia humana que O possa enganar. Embora o primeiro desejo do homem seja o de aproveitar-se da bondade alheia, porque a julga fraqueza, Deus tudo isto previu e arrumou as coisas de maneira tão justa e perfeita, que Ele pode continuar infinitamente bom, sem que por isso seja possível aos seres inferiores explorar esta Sua bondade. Pelo contrário, como estamos demonstrando neste livro, substancialmente vigora uma lei de justiça, soberana e absoluta, pela qual tudo volta à fonte que o gerou e quem faz o mal o faz a si mesmo.

Quem entendeu a lógica e a técnica desse fenômeno sabe uma grande verdade que o mundo não conhece, ignorância que lhe custa caro, isto é, que fazer o mal nunca pode levar à própria vantagem, mas só ao próprio dano; sabe que querer ser astuto para lograr a Deus, significa só querer ser astuto para enganar a si mesmo. Perante tal sabedoria da Lei as armas humanas da força e da astúcia não têm poder algum.

 Finalmente a Lei corta as garras da fera e a justiça triunfa. Os inferiores podem gerar o inferno só para si. Que Deus se possa enganar é um absurdo em que só o involuído na sua ignorância pode acreditar. O que de fato vigora na substância é a lei do merecimento. Isto quer dizer o triunfo da sinceridade, bondade e honestidade, qualidades hoje tão desvalorizadas em nosso mundo que, seguindo a Lei do mais forte, as considera quase imperdoáveis fraquezas de doentes. Este é um Deus em que se pode confiar porque dá prova de ser de fato invencível, mais inteligente, cuja Lei não pode ser torcida: pode-se acreditar Nele e segui-Lo porque Ele sabe garantir a vida a quem segue a Sua Lei, que o inundo julga loucura; pode-se segui-Lo em segurança porque Ele é inviolável justiça que tudo retribui segundo o merecimento.

É interessante observar a técnica dessa luta em que, contra a força e a astúcia do homem, vence a sabedoria e a justiça de Deus. O ponto fraco do método do homem é a sua posição emborcada de cidadão do AS. Ele é forte e astuto, mas o seu egocentrismo separatista o expulsa do terreno do S, que é o do conhecimento, e o deixa isolado na sua ignorância. E no fundo dessa sua ignorância ele continua acreditando saber tudo. A revolta, filha do egocentrismo, significa orgulho; e o orgulho tira a visão. Mas, apesar de cego, o homem se julga bem apto a dirigir-se. Isto o faz um alucinado que acredita nas ilusões do mundo, nas miragens criadas pelos seus desejos, pronto a cair em todas as armadilhas de que o seu ambiente terreno está cheio.

É o exagerado crescimento do “eu”, é o orgulho deixando-o acreditar que bastam a força e a astúcia individual para vencer, sem levar em conta o fator merecimento. Mas só este pode constituir os alicerces firmes da construção de nosso destino e posição na vida, porque só o merecimento representa o verdadeiro valor. Apoiando-se sobre estas bases certas, respeitando os princípios de equilíbrio e ordem da Lei, qualquer posição pode resistir, porque é real e não arrancada com a força ou fingindo fruto de mentira.

Sabemos que esta ética não pode satisfazer os fortes e os astutos do mundo, ser compreendida e aceita por eles, mas somente pelos maduros que a merecem. Nada se pode ganhar de graça e os que não fizeram o esforço necessário para subir, têm de ficar em sua ignorância, com erros e sofrimentos, até ter aprendido toda a lição. Seria fácil demais resolver o problema da evolução e da salvação só porque alguém nos explicou o método com palavras. Os mestres ensinam, mas nós mesmos temos de fazer o trabalho de nosso amadurecimento, temos de aprender à nossa custa pagando as consequências dos erros para não cometê-los mais. É assim que os fortes e os astutos ficam surdos aos conselhos, e, acreditando saber tudo, não querem abrir os olhos para ver e, como é justo, ficam imersos no inferno que merecem.

Acontece então que todos encontram no mesmo ambiente terreno as mesmas oportunidades e os mesmos perigos, mas cada um escolhe segundo o seu tipo, assim revelando a sua natureza e acolhendo as consequências que merece. É lógico que quem entendeu o jogo das ilusões da vida não cai mais nelas. É justo que quem tem cobiça seja por ela atraído e caia nos perigos e que os que não têm cobiça os evitem, porque isto é o que cada um merece e porque é bom que quem não sabe, aprenda.

Assim quem ainda não subiu tem de subir. Quanto mais o ser se encontra atrasado em baixo na escala evolutiva, tanto mais para ele a lei é a força. Mas quanto mais ele progride, tanto mais esta se transforma em justiça. Assim à lei do “eu” separado e rebelde, se substitui a lei do “eu” organizado e disciplinado. A primeira é a dura lei do AS, a segunda é a do S. Tudo isto também é lógico e justo, e corresponde ao merecimento. Para quem com o seu esforço subiu, acima de todas as prepotências humanas funciona uma lei de justiça, que ninguém pode torcer ou enganar. Se o passado e o presente pertencem ao mal, por lei de evolução o futuro pertence ao bem, que não pode deixar de ser o vencedor final. Das profundidades da vida responde uma voz que satisfaz a procura desesperada dos honestos em busca de justiça. Esta voz nos diz que há para todos uma lei de justiça à qual ninguém pode escapar, torcendo-a ou enganando-a.

Livro: Queda e Salvação

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A Nova Ética Racional

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Neste livro, Queda e Salvação, podemos explicar como estamos no momento presente, chegando a este ponto final de nosso caminho, da sua ética, falando da conduta humana, do erro e da dor, da Lei e da redenção.

O caminho é da ética racional, justificada pelo fato de que, por lógica dedução, ela desce dos princípios absolutos de Deus e da Sua primeira criação. É o caminho pelo qual Deus vai progressivamente sempre mais se aproximando de nós. Esta ética é a etapa final, o ponto de chegada deste caminho, é o momento em que Deus aparece entre nós vivo na Sua Lei, para nos salvar, dirigindo-nos e impulsionando-nos para o S. É assim que da teoria da queda chegamos à demonstração desta nova ética racional, que constitui o objetivo deste livro.

A ética hoje vigorante em nosso mundo, e as regras de vida que de fato o homem para si estabelece, não são produtos nem da lógica nem do conhecimento, mas são desabafo de instintos, produto do subconsciente. O ponto de partida desta ética é a fera, o seu ponto de referência é a animalidade. Pelo próprio fato de que a ética ensina a superação do nível biológico da fera, com isso ela reconhece e prova que o homem pertence a esse plano de vida.

Quando os mandamentos dizem: “não matarás”, com isso significam que o desejo do homem é o de matar, e quem quer agir assim é fera. Tanto isto é verdade, que o homem, apesar de todas as leis e sanções penais e religiosas, continua matando.

A ética representa uma tentativa de regular, disciplinar, apagar esses instintos, que demonstram o seu conteúdo fundamental.

As grandes massas humanas vivem nesse nível. Estes instintos encontram-se momentaneamente adormecidos, pois estão sempre prontos a reaparecer, como vimos nas últimas duas guerras, e também fora do terreno bélico, como cada dia vemos na delinquência.

E o que constitui as verdades que vigoram na prática, é a da maioria a cuja vontade os chefes mais iluminados têm de adaptar-se se querem ser obedecidos, caso eles não sejam da mesma raça e não possuam os mesmos instintos. Infelizmente o homem não é de forma alguma civilizado. Se ele assim se considera, é por orgulho. A civilização é apenas um verniz colocado na superfície, pintado por fora. Nos fatos o homem vive a lei a sua animalidade.

Isto não quer dizer que não exista na Terra uma ética superior. Mas ela não é produto do homem, desceu do Alto por revelação, ditada a seres superiores excepcionais que nô-la ensinaram. Mas esta é a ética oficial, a que está nos livros e nas leis, a que se prega, não a que se pratica. Ela representa uma tentativa para civilizar o animal humano.

É a esse convite e ajuda do Alto para se melhorar e subir, que os instintos inferiores gravados no subconsciente responderam com o método dos rebeldes do AS, lutando para eximir-se do esforço evolutivo, para se evadir desse jugo e libertar-se desse constrangimento. Os seres inferiores, ainda criaturas de AS, apegados à sua forma mental de rebeldes, procuraram, pelo contrário, aprender a arte de esquivar-se da disciplina.

Da escola da ética saiu uma contra-escola às avessas, a da sabedoria dos emborcamentos, própria do AS, a da sabedoria das adaptações, sagacidades, astúcias e escapatórias. Seguindo o instinto fundamental que é o do egocentrismo, ao invés de praticar as virtudes para se melhorar, a ética se emborcou na procura e na perseguição dos defeitos do próximo. Assim o homem conseguiu emborcar a lógica do S, na do AS.

Infelizmente o maior trabalho de todas as formas de cristianismo na Terra, isto é, dos seguidores de Cristo, em última análise se transforma, em grande parte, na arte de enganá-Lo, logrando a Deus por achar que aprendeu a evadir das Suas leis e respectivas sanções. Como verdadeiro cidadão do AS, o homem preferiu colocar-se na posição de luta contra a Lei do S, não para se transformar conforme os seus ditames mas para torcê-la, adaptando-a aos seus instintos inferiores. Assim a sabedoria dos deveres se tornou, nas mãos do homem, a sabedoria das escapatórias.

O homem acabou criando para si um Deus à sua imagem e semelhança, conforme a sua forma mental e instintos. Tudo isto foi trabalho despercebido, fruto de instintos, feito sem querer, nem saber, sem má fé, trabalho realizado no passado quando o controle positivo das ciências psicológicas que analisam esses fenômenos era desconhecido; trabalho profundo do subconsciente das massas, do qual as próprias Igrejas fazem parte, porque elas no seu conjunto não podem ser constituídas por biótipos diferentes do comum.

O homem criou para si, apesar das revelações das religiões, uma ideia absurda de Deus, vigorante na prática, produto da forma mental do homem, a única que ele sabe compreender porque corresponde aos seus instintos. A lei dele é a luta pela vida, que impõe a necessidade de vencer se quiser sobreviver. Donde o instinto fundamental do homem de se afirmar contra todos. Eis então que o Deus concebido pelo homem, para ser obedecido, tem de ser antes de tudo o mais forte, o todo-poderoso no sentido humano de arbítrio, embora se contradizendo, impondo com o milagre uma correção à Sua própria Lei, efeito do capricho duma vontade desordenada inadmissível na perfeita organicidade do universo.

Este Deus pode operar graças à vontade, fora da lógica e dos justos equilíbrios do merecimento. Ele é respeitado não pela Sua inteligência, justiça e bondade, mas porque está armado de punições infernais eternas. Isto revela o homem primitivo que não raciocina, não age por convencimento porque compreendeu, mas só pelo terror do seu prejuízo. Este homem não pode ser dirigido pelos caminhos duma inteligência que ele ainda não desenvolveu, mas só pelo temor do mais forte: temor que gera o desejo de escapar à força de Deus. Eis então que Ele se tornou um pobre ser, enganável com astúcias, susceptível de ser amansado com sacrifícios, ofertas e preces.

Ninguém pode sair da sua forma mental e conceber mais do que a sua ignorância permite. Se a psicologia do homem é a de subjugar o fraco e enganar o simplório, e se não possui outro cérebro senão este, como pode ele compreender que Deus está completamente acima desta forma mental?

Outro Deus representa para ele um inconcebível. De tal cérebro humano, filho das necessidades da vida material e feito para resolver os problemas desta, não podia sair outra concepção a não ser esta. O homem comum pensa: quem é o mais forte seja também o mais perigoso, porque a experiência com a qual ele construiu a sua forma mental lhe ensina que quem tem o poder nas mãos costuma fazer dele um uso egoísta, só para a sua vantagem e o dano dos outros. Os chefes que o homem conhece na Terra são, na maioria dos casos, dominadores que escravizam e exploram os seus súditos. Os cidadãos, por experiência milenária, consideram os governantes como patrões, seus naturais inimigos, como o é cada dono para o seu criado. Então é dever defender-se, é mérito e valor usar a inteligência não para obedecer, mas para torcer tais leis inimigas, a elas escapando com a astúcia. Eis o que está no cérebro do involuído.

Mas logo que se desenvolver um pouco a inteligência, aparece o absurdo de tudo isto. Deus não é de maneira nenhuma um chefe desse tipo, Ele não domina para escravizar e explorar as Suas criaturas, as Suas leis são sábias, e benfazejas, obedecer a elas não é dano, mas vantagem. Tal Deus é muito inteligente, justo e bom. Pode-se falar com Ele, porque sabe bem compreender, e o homem honesto nada tem o que temer Dele.

Ele não está morando nos céus qual soberano no meio da Sua corte, olhando de longe para o nosso inferno selvagem só para receber na Sua glória egoísta as nossas humildes homenagens. Mas Ele está sempre presente, vivo entre nós operando ao nosso lado, tomando parte na vida e nas dores dos Seus filhos; não precisa de ministros e intermediários hierárquicos para nos comunicarmos com Ele, e quando falarmos de coração aberto e tivermos o ouvido bastante sensibilizado para ouvir a Sua voz profunda, Ele responde, dizendo-nos coisas maravilhosas, bem diferentes das que dizem os homens.

Livro: Queda e Salvação

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