A doença da involução

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Com a queda, o ser deslocou o seu centro de existência, mudando o seu modo de existir da forma pura de substância, como é o espírito, numa forma menos pura, como é a energia, e daí até à mais corrompida e inquinada, a matéria.

Podemos pensar, então, que esses estados interiores do espírito eram apenas as fases previstas de um processo de corrupção progressiva do espírito, que se teriam tornado atuais no caso de uma saída sua do estado de ordem, o que lhe defendia a integridade e a saúde.

Nas normas da Lei, teria existido também este princípio, pelo qual, se o espírito tivesse querido sair da disciplina de um regime sadio de vida, teria adoecido, com a doença da involução, levando-o do espírito à energia e à matéria, que seria o curso da doença. De forma que energia e matéria poderiam ser consideradas como estados de progressiva corrupção ou decadência do estado perfeito de espírito, e este seria então o sentido que deveríamos dar à palavra queda.

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A introversão do Espírito

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Seria o modelo estrutural do espírito, que permitiria, no caso de revolta, à involução, antes, e depois à evolução, pudesse assumir a forma única, como de fato assumiu?

Já dissemos que os espíritos possuíam não uma perfeição absoluta, como a de Deus, mas subordinada e relativa à sua posição, nos vários círculos e suas funções no organismo do Sistema. Caíram, então, na imperfeição e, portanto, na possibilidade de errar e desmoronar, logo que saíram do âmbito daquela posição e função, nas quais constituía a sua perfeição.

Ora, a queda, conforme esta terceira imagem adotada, foi constituída por um processo de introversão, que chamamos contração, significando que o centro vital dos espíritos rebeldes se deslocou para o interior de si mesmos. Com outras palavras, passaram a existir como vibração vital em outros planos de existência cujo despertar interior, lhes fora uma possibilidade prevista pela Lei, em caso de rebelião. Deflagrada a centelha, realizou-se a possibilidade e a existência dos rebeldes se deslocar a planos inferiores de existência. Esse foi o resultado e o significado do deslocamento do “eu” para o interior, causas e efeitos do fenômeno de contração.

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A perfeição na imperfeição.

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A queda tratar-se de uma contração, regresso involutivo, transformismo íntimo, desfazimento interior, tentando, com estas diversas expressões dar uma representação ao fenômeno.

Dissemos, há pouco, que a realização da queda não foi abandonada ao acaso, mas tendo ocorrido segundo uma Lei, pela qual, cada movimento, mesmo deixado à liberdade do ser como possibilidade de ocorrer ou não, tinha sido previsto e enquadrado numa disciplina, unicamente segundo a qual podia desenvolver-se. Então, como se realizou exatamente o fenômeno, que simplesmente exprimimos com as palavras: contração, transformação, desfazimento? Qual a realidade escondida atrás dos seus significados?

A evolução da-nos um sentido de expansão, de superação de limites, de emersão do baixo para o alto, de libertação da prisão. O fenômeno da involução apresenta-se-nos com características opostas. Aparece-nos como um processo de contração, e a evolução, ao contrário, como de expansão, levando-nos a pensar que na estrutura do espírito, no estado puro em que fora criado, quando tudo tinha sido previsto, deviam existir as posições, através das quais se teriam podido operar as transformações, que constituem o processo involutivo e evolutivo.

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A Previsão da Queda

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A queda não se verificou ao acaso, por si mesma.

A Lei, ou seja, o pensamento de Deus, previra-lhe a possibilidade; prova-o o fato de haver determinado o seu decurso e suas consequências, mesmo antes da sua ocorrência.

Por isso, o fenômeno da queda assume cada vez mais características de um incidente, necessariamente deixado à liberdade da criatura, porque essa liberdade devia também necessariamente existir, a fim de satisfazer a outras necessidades do plano. Tudo, portanto, estava sujeito a normas precisas, previsto e correspondente às exigências impostas pela lógica desse plano.

Pode então, dizer-se que a desordem da queda ocorreu ordenadamente, ou seja, sempre contida dentro dos limites estabelecidos pela Lei, que permaneceu sempre senhora do fenômeno. Este jamais se lhe escapou das mãos, tendo sempre permanecido submisso sob o seu controle. Os que veem na queda uma imperfeição inadmissível na perfeição do Sistema, não compreenderam tratar-se de uma imperfeição contida no âmbito da perfeição, regulada e dominada por esta. E isto é lógico. Não é admissível que, após o plano perfeito, pensado por Deus, algo lhe pudesse escapar ao domínio e controle.

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3ª Visão da Queda

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Se o Sistema é o Todo, não se pode imaginar uma superfície que o delimite. Não pode constituir uma propriedade do infinito, estar fechado dentro de fronteiras, que lhe permitam ter uma parte interna e outra externa. Então, não é possível imaginar a queda como uma projeção dos elementos rebeldes fora do Sistema, para formar outra zona externa a ele, o Anti-Sistema. De acordo com esta representação do fenômeno da queda, os espíritos rebeldes não foram lançados fora, mas permaneceram no Sistema.

Então em que consistiu e como ocorreu a queda?

Procuremos compreender imaginando o fenômeno da queda da seguinte forma: com a criação dos espíritos, formaram-se, na substância homogênea, muitos núcleos de pensamentos, constituídos por vibrações, cada uma de seu tipo. Disso nasceu o novo estado diferenciado, formado pelas individuações dos vários “eu”. Ora, muitos pensaram conforme a Lei, assim permanecendo em seu seio, porque constituídos de pura vibração de pensamento. A Lei representava o pensamento de Deus que tudo dirigia e regia; permaneceram na ordem do Sistema os espíritos que continuaram a existir em uníssono com esse pensamento. Mas outros espíritos, ao contrário, pensaram contra a Lei. E porque constituídos de pensamento, acharam-se fora Dela. Desse modo, caíram fora da ordem, na desordem, os espíritos que não quiseram viver sintonizados harmonicamente com o pensamento de Deus, representado pela Lei. Isolaram-se, por isso, num funcionamento próprio antagônico ao do todo.

Esta é uma nova forma de representação do fenômeno da queda que, agora, em termos de imaginação espacial, dir-se-ia: os espíritos foram expulsos. Mas esta é relativa à nossa forma mental e vale apenas para o seu uso. Na realidade, não havia espaço, e, portanto, não podia haver afastamentos espaciais, nem haver saída do Todo. Por isto, os espíritos rebeldes permaneceram no Todo, como estavam antes. Não obstante, surgiria uma diferença, que até agora foi expressa com a ideia de afastamento espacial, isto é, os espíritos que permaneceram obedientes, continuaram a existir na Lei, porque estavam de acordo com Ela, enquanto os desobedientes, tendo-se colocado contra a Lei, de acordo com a sua própria vontade, se acharam fora Dela.

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Posição do Ser na Queda

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Podemos pensar num novo modo de conceber a evolução, começado para cada ser de pontos diferentes ao longo desse caminho. Esses pontos teriam sido determinados pelo ponto de queda de cada ser no Anti-Sistema, situado no círculo correspondente ao do Sistema, em que o ser fora criado e do qual, pela revolta, partiu o impulso para o Anti-Sistema.

Justamente por tratar-se de uma exata inversão de posições, a criatura veio a achar-se, com a queda, no círculo do Anti-Sistema oposto, em relação ao do Sistema. Temos, então, uma série de posições distintas, das quais precisamente podia começar o caminho evolutivo do regresso: posições não causais ou arbitrárias, mas preestabelecidas para cada ser no momento da criação.

Ao indivíduo era deixada a liberdade de desobedecer ou não, mas não a liberdade de cair ao acaso ou onde quisesse; por isso havia sido estabelecida precedentemente a amplitude da queda, se, por acaso, houvesse escolhido o caminho da desobediência.

Podemos admitir, tenha o ser começado o caminho evolutivo, do ponto em que a inversão o havia projetado, correspondente ao ocupado no Sistema e estabelecido por Deus, para cada um, na Sua criação.

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O processo de filiação e queda

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O método usado por Deus no trabalho de salvamento do Anti-Sistema, para levá-lo ao Sistema é feito através das Suas criaturas ou espíritos que permaneceram no estado puro, chamados desta vez a colaborar como veículos de salvação.

Com efeito, em nosso mundo, jamais vemos Deus agir aparecendo diretamente, mas sempre indiretamente, através de Seus instrumentos, encarregados de cumprir missões, como no caso máximo de Cristo, espírito não decaído, a quem foi confiada por Deus a tarefa de redenção de nossa humanidade.

Em casos menores, Deus pode utilizar-se de espíritos decaídos, mais evoluídos que os outros e capazes, por sua posição mais adiantada, de realizar um trabalho de auxílio e salvação em favor de seus irmãos, menos capazes porque mais atrasados. Em tudo o que provém do centro do Sistema, prevalece sempre o método do amor, da colaboração fraterna, da hierarquia e da unidade orgânica.

A transformação criadora, à qual se desvia a gênese do Sistema, foi obtida, pois, com esse método da filiação, o que estabeleceu entre todos os seres um vínculo de parentesco ainda mais estreito do que o representado pelo fato de terem sido constituídos da mesma substância.

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Visão Espacial da Queda

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Estamo-nos esforçando para traduzir nos termos da forma mental corrente e relativa, fechada num limite que estabelece as dimensões do concebível, conceitos próprios de dimensões superiores. Com esses meios, devemos exprimir o inexprimível e tornar concebível o inconcebível. O desenvolvimento da palavra pode melhor dar-nos a expressão de uma imagem em movimento, ao mesmo tempo que aparece já se está desenvolvendo numa imagem sucessiva.

O movimento é o único modo pelo qual o relativo pode aproximar-se do absoluto, perseguindo-lhe a imobilidade. A verdade, em nosso universo, para os decaídos, só pode ser relativa e progressiva. Por isso só podemos oferecer uma imagem relativa e progressiva da visão; não uma representação estática, mas o desenvolvimento de uma representação, que gradualmente se vai desenvolvendo e aperfeiçoando.

Pudemos estabelecer assim o valor a ser dado a estas representações do fenômeno da queda, acrescentando, por fim, que mesmo na forma verbal progressiva, usada aqui, são apenas uma projeção plana da realidade contida na visão, só podendo resultar diminuída, ao projetar-se em nossa dimensão conceitual.

A nossa mente é filha do próprio ambiente e não sabe funcionar além dos limites deste.

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Da afirmação nasce a contradição

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O nosso mundo, se baseia numa contraposição de conceitos opostos, que se completam como dois polos do ser; são contrários, mas só podem existir um em função do outro; lutam, mas justamente na luta se escoram mutuamente, e um não pode dispensar o outro. Ora, tudo isso é dado pelo primeiro modelo Sistema/Anti-Sistema, que aparece reproduzido em todas as formas do ser, dependendo desse fato, todo o nosso modo de conceber. Assim, a afirmação nasce da contradição e só podemos afirmar enquanto existe o termo oposto da negação. Por isso, a negação conduz à afirmação e a afirmação implica na possibilidade da negação.

Não sabemos conceber o infinito e o absoluto, esta é a verdade, senão como o estado inverso ao nosso estado de finito e relativo. O conceito que, em nossa posição de Anti-Sistema, conseguimos formar do Sistema é, para nós, negativo, apesar de tratar-se da coisa mais positiva que pode existir. O fato de só conseguirmos fazer do infinito e do absoluto uma ideia que representa o inverso de nosso finito relativo, e não uma ideia correta e positiva, dá-nos também uma prova de estarmos situados no Anti-Sistema, por efeito da queda.

Vejamos um caso mais particular. Poder-se-ia dizer que o ateísmo representa uma das provas da existência de Deus. O ateísmo é uma negação presumindo afirmação, e só em função dela pode existir. A negação não só presume e prova a afirmação, como faz parte de dois conceitos condicionados reciprocamente, de modo que um não pode existir senão em relação ao outro.

Há mais ainda, porém. A negação, ao negar, enquanto é negação, alimenta e reforça o poder da afirmação apenas com a sua presença. Quando há dois conceitos juntos, dizer não de um lado, significa dizer sim do outro, e quanto mais se diz não de um lado, tanto mais se diz sim do outro. De modo que, em última análise, o não só pode existir para anular a si mesmo, e para reforçar, com a própria negação, a afirmação oposta.

Quem nega, nega em última análise a si mesmo, ou seja, se destrói; e quem afirma, afirma a si mesmo, isto é, se fortalece e constrói. Quem nega uma afirmação, nega a si mesmo em favor dessa afirmação, que se fortalece, crescendo por um meio dessa negação. Os negadores caem nesse erro.

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O milagre

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A psicologia do milagre oferece-nos uma das provas demonstrativas: o homem ainda vive, em grande parte, no Anti-Sistema. Parece estranho a quem não vive na ordem de ideias do Anti-Sistema, feito de revolta, mas na psicologia do Sistema, feito de ordem, que muitos, para crer, exijam o milagre; ou pelo menos este milagre constitui uma grande prova em favor de quem o opera.

Para quem vive nas ideias do Sistema, dá-se o contrário. O fato de exigir o milagre como prova de valor e verdade, mesmo constituindo um conjunto de leis do plano superior às dos planos inferiores de nosso mundo, é comumente entendido como uma imposição a este, provocada por uma vontade para dominá-lo, violando suas leis; isto exprime, exatamente, a psicologia da revolta do ser rebelde caído no Anti-Sistema.

Desse modo, geralmente, é interpretado o milagre e não no sentido de aplicação de leis naturais pertencentes a planos mais altos, que parecem prodigiosos ao involuído ignorante. Este, para crer e respeitar precisa de uma prova de força, de algo excepcional que o maravilhe, do prodígio fora do comum, enquanto lhe passa desapercebido, no plano das coisas naturais, o grande milagre do normal, que acontece todos os dias.

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