Adesão ao Amor

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Quando Deus criou o ser puro espírito, deixou apenas um ponto incompleto na Sua obra, a fim de que ela fosse completada pela livre adesão do ser. Este deveria, com a aceitação, harmonizar-se com o Sistema e, nele fixando-se em seu posto, dar prova de que sabia fazer bom uso da liberdade e inteligência que Deus lhe dera, compreendendo qual era o seu lugar na ordem da criação.

Elevar o ser ao grau de colaborador da obra de Deus foi ato de amor, ato paralelo ao dom da liberdade, pois que a criatura não podia ser um autômato, ainda que perfeito. A prova era um exame lógico e necessário.

Pode-se objetar: Deus, que sabia com antecipação que na prova muitos falhariam, devia impedi-la. Mas não se poderia evitá-la, senão violentando a liberdade do ser, tornando-o um autômato, incapaz de compreender e dirigir-se conscientemente.

Significaria alterar todo o Sistema, abalando-o pela base.

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Deus é sempre amor

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Com o método da intuição, encaramos os fatos transcendentais, mas sempre fatos. Sem tê-los procurado, concordamos com os enunciados sumários da revelação, o que é uma prova em favor, e não contra a queda espiritual.

Dizíamos que a Lei reage. Mas aquilo a que chamamos dor, que crucia, é atribuído a Deus, a causa de tudo, culpando-O também dela.

Revoltam-se porque acreditam ver em tudo isto uma punição, uma vingança divina.

No entanto a queda não foi vingança, nem punição.

Deus é sempre amor. Deus jamais pune.

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A lógica do Sistema (Deus)

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Não há razão que nos leve a crer que o universo seja uma obra ilógica e que o pensamento de Deus, que tudo guia e sem o qual nada se explica, não deva ser um processo lógico, admitido pela mais avançada ciência materialista de hoje.

A lógica de Deus não poderia ser um outro sistema de lógica?

O fato é que, em nosso universo, comprovamos um só tipo de lógica, que é também a humana, e é este fato que nos torna o universo compreensível. Não existe, pois, razão alguma para crer que a lógica do pensamento de Deus deva obedecer a leis diferentes daquelas a que obedece a lógica humana.

Entre o pensamento do homem, como função primeira do espírito, e o pensamento de Deus deve existir um denominador comum, por mais remoto e profundo que seja dado pela mesma substância que os constituem. Há ideias axiomáticas, não demonstradas, com as quais instintivamente toda a humanidade concorda.

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A Queda e suas conjecturas (6)

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A evolução é o necessário sacrifício da subida, se não quisermos agravar a nossa situação, descendo. Somente nesse sacrifício de ascensão está a salvação.

Sem a queda, porque esse sacrifício?

Talvez para pagar a Deus o dom da vida?

E onde está a liberdade e o amor, quando se é constrangido pela força a pagar tão caro essa vida, que o espírito não pediu a Deus?

Mas que Deus seria esse, que não saberia gerar senão na dor, sendo obrigado a intervir com a redenção, e a criatura só tivesse para oferecer o sofrimento?

Como se vê, se recusamos a teoria da queda, entramos numa insolúvel trama de contradições e absurdos, de que nasce uma triste ideia da divindade.

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A Queda e suas conjecturas (5)

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Os espíritos sabiam os seus limites e não deviam ultrapassá-los; sabiam ser parte de um sistema a ser respeitado, com cuja lei deviam harmonizar-se; sabiam que era dever não ir além dos limites assinalados nem invadir a zona reservada a Deus.

Tudo isso sabiam bem.

Não foi por ignorância que erraram.

O seu ato foi uma revolta consciente, feita, portanto, com plena responsabilidade. Os espíritos podiam ver escrita no pensamento de Deus a norma que lhes era pedido – como seres sempre livres, mas responsáveis – aceitar espontaneamente. Eles não a aceitaram.

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A Queda e suas conjecturas (3)

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À medida que deixamos as causas acessórias e subimos para as mais remotas, o problema se concentra, por inteiro, no momento psicológico da revolta.

Da forma como o homem propõe comumente a questão, parece que não podemos fugir ao seguinte dilema: ou os espíritos eram sábios e, portanto, não podiam cair, porque sabiam as consequências, ou eram ignorantes e, então, não podiam ser culpados da queda nem responsabilizados por ela; em outras palavras: ou Deus criou um espírito que sabia e que, por isso, não podia cair, ou o criou insciente e, então, não o podia punir.

Diz-se, igualmente, que o mal existe de fato, como força inimiga de Deus. Se ela não foi criada por Deus, então Ele, se não é capaz de extingui-la, não é onipotente. Se Ele a criou, foi criada uma obra muito imperfeita, logo Deus não pode ser perfeito na realidade o mal não foi criado por Deus, Que o vencerá.

No fundo, tudo se reduz a compreender a psicologia desse erro.

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A Queda e suas conjecturas (2)

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Nas conjecturas, dizíamos que o mal parece uma força negativa, que atenta contra Deus, uma imperfeição devida a um erro Seu e que Ele, em dado momento, encontra no Sistema, apressando-se a remediá-lo.

Se há um outro Deus que limita o primeiro, então cai o conceito de um Deus absoluto e perfeito, restando para o homem a dor, punição de um Deus vingativo. Essa dor deriva da culpa do primeiro rebelde, que certamente não podia ter consciência completa do bem e do mal, pois, se a tivesse, não teria se prejudicado com a revolta e mergulhado na dor.

E como pode um inconsciente ser responsável e punível, se, ao procurar o próprio bem, erra, sem o saber?

E em nome de que justiça, Deus, que tudo sabe, que de tudo tinha presciência, mesmo desse erro, pode condenar um ser que errou por ignorância a pagar com a dor?

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A Queda e suas conjecturas (1)

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A teoria do desmoronamento nos demonstra que o semiciclo involutivo necessariamente tem de permanecer, pois sem ele faltará o indispensável e lógico complemento do inverso semiciclo evolutivo, que nós vivemos atualmente.

O mal e a dor são realidades indiscutíveis e características do ser decaído em planos inferiores de vida. É uma necessidade lógica que não possa estar em Deus a sua causa que, por conseguinte, só pode estar na criatura.

Sem a teoria do desmoronamento, teria sido Deus quem determinou o semiciclo involutivo, isto é, a inversão do espírito na matéria, da liberdade na escravidão, da luz nas trevas, da felicidade na dor etc.

Como poderia o próprio Deus chegar a esta absurda contradição de querer subverter o sistema que Ele mesmo criou?

Do ponto de vista da criatura, não teria sido injusto e maldoso (duas qualidades que Deus não pode ter) condená-la ao sacrifício da ascensão sem que ao menos fosse justificado o seu erro inicial?

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Teoria da queda e suas provas (9)

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Qual probabilidade existe no Sistema para que possa verificar-se para o indivíduo, um desastre de tal magnitude, qual seja a sua anulação pela revolta definitiva?

Prontamente respondemos que, embora a destruição de um espírito seja possível, a probabilidade de semelhante destruição, na prática, é apenas teórica.

É verdade que o sistema é construído de maneira que possa chegar até aí, mas não está na lógica das coisas que um espírito se deixe arrastar até esse extremo.

Ser destruído é contra o interesse e a felicidade do ser, é agir contra o princípio do “eu sou”, que o mantém em vida. É verdade que o rebelde, tendo-se colocado no negativo, automaticamente propende para essa anulação. Mas a arma da revolta ele crava na própria carne e, quanto mais ele a utiliza, tanto mais intensifica a própria dor.

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Teoria da queda e suas provas (8)

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No sistema, o princípio do mal e da dor, que se faz sentir em tudo, é utilizado como uma dificuldade a superar, como uma escola para aprender e ascender.

A realidade é que, embora Satanás e seu poder pareçam espantosos, o nosso universo está inteiramente impregnado da presença de Deus imanente, de modo que a vitória está garantida e as portas infernais não prevalecerão.

Todo o grande assalto de Satanás se reduz a um exame das forças do bem, a um sangrento banho de purificação, do qual o espírito sairá triunfante.

Desta forma, encontramos não somente uma justificação para o mal e a dor, mas também o segredo para demoli-los, transformando uma infelicidade em um meio para conquistar a felicidade.

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