O caminhar ascensional para Deus

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Quem houver compreendido a estrutura unitária e hierarquicamente escalonada do universo, achará lógicos estes paralelismos. Tudo isto constitui uma confirmação e convence, mesmo porque sacia o desejo instintivo de unificação.

De fato, por instinto, o homem sente uma misteriosa potência nas grandes concepções unitárias, porque elas nos dão o senso de Deus-Uno, elevando-nos a Ele. Poder-se-á objetar que é presunção e profanação buscar levantar os véus do mistério. Mas o mistério é treva, e o homem é feito para a luz e para a compreensão.

Deus nos concedeu a inteligência para que a usemos, para que nos avizinhemos Dele e não para ignorá-Lo. A ignorância é devida à obnubilação na escuridão. O ser decaído é feito para evolver, emergindo de novo no conhecimento.

O progresso é Lei e o homem não pode permanecer em eterna ignorância, mesmo das coisas transcendentais, das quais depende a sua vida e a sua conduta. Diz-se também que investigar deve significar orgulho.  Pode-se indagar com humildade e pode-se compreender com respeito, até mesmo ganhando em veneração, não com espírito de revolta, mas para alcançar, ao contrário, uma evidência mais patente e uma obediência consciente.

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A técnica da criação

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Podemos compreender como na sua fase de espaço-dinâmico, na fase em que a Substância se pôs em estado cinético, pode ter-se originado qualquer fenômeno, quer como energia, quer como matéria, apenas pela diversa aceleração desse espaço.

É sempre o estado cinético que constitui a gênese de qualquer forma na matéria. Assim os sistemas galácticos, planetários ou atômicos, vêm a ser constituídos por campos de espaço fluido-dinâmico girando em torno a um centro, isto é, por vórtices de energia, cuja rotação é determinada pelo estado cinético, segundo o esquema universal, pelo qual tudo, em qualquer nível do ser, tanto no espiritual como no dinâmico, roda em torno ao centro – Deus.

Todo o sistema material, do atômico ao planetário, deste ao galáctico, é gerado como campo centro-giratório, repetindo, assim, o esquema da gênese do universo, que se pode conceber como máximo centro-giratório, porquanto tem por centro – Deus.

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A Substância-pensamento

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Podemos chegar ao conceito de espaço-substância, derivando-o do conceito de energia-substância, e este do de pensamento-substância.

Temos, pois, uma eterna e indestrutível substância que do estado de puro pensamento (espírito, α) pode passar ao de energia, (β), e deste, finalmente, ao de matéria, (γ), involutivamente e evolutivamente, permanecendo ela sempre a substância do Todo, o último irredutível elemento da realidade, que só pode ser Deus, centro do ser, princípio e fim de todas as suas transformações.

Podemos, assim, compreender como a Substância que agora escrevemos com S maiúsculo de sua fase ou aspecto de puro pensamento, conceito abstrato, α, pode mudar-se na sua segunda fase ou aspecto de energia, β , e como desta transformação resulta o espaço-cinético (A Substância-pensamento que se põe em movimento, encaminhando-se para a ação), de que deriva o espaço-matéria, fase conclusiva do processo criador.

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A genética da matéria

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Esta concepção da estrutura do Todo e do processo criador encontra confirmação em algumas das mais recentes teorias científicas, como a do espaço-dinâmico, em que se concebe o espaço, não como uma extensão geométrica, mas substanciado de uma densidade própria e dotado de uma mobilidade, como um fluido.

O homem atribuiu ao espaço, de forma inteiramente arbitrária, os dois atributos de vacuidade e imobilidade, sem saber se eles efetivamente correspondem à realidade física. Há, entretanto, uma única realidade constitutiva do universo físico: o espaço fluido e móvel e o seu movimento.

Os movimentos circulares desta substância conformam os sistemas atômicos e astronômicos, de que resulta a matéria. Os seus movimentos ondulatórios constituem a energia. Assim todos os fenômenos se reduzem a uma mecânica universal, dada pelo movimento do espaço, redutível deste fenômeno fundamental único e básico de que tudo emana no universo – o estado cinético do ser, em que vimos sempre a gênese de todas as coisas.

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O fenômeno da criação

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Ajudar-nos-á a compreender o grande fenômeno da criação, observar o que se passa em nossa mente, quando ela desenvolve semelhantes impulsos com sua manifestação, imprimindo-os no mundo exterior, pois que ela não é mais do que um momento da substância pensante do Todo, que se isolou em um sistema menor, em um “eu sou” subordinado, ao máximo ‘‘eu sou” – Deus.

Antes de agir todos pensam na ação a executar e este é o primeiro momento, o da construção do esquema diretor, pelo qual se imprimem às formas novos estados cinéticos.

Cada forma do ser se reduz a um estado cinético diferente.

Deus criou, pois, pela transformação da substância prima pensante, o espírito (α) em energia, (β), que representa á fase cinética da ação que expressamos pelos verbos, a fase de querer e pôr-se em movimento para depois chegar, enfim, à terceira fase do processo, a de matéria, (γ), a forma, a criação, obra completada.

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O processo criador

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Procuremos agora a compreensão da natureza íntima do chamado processo criador, até mesmo no seu caso máximo, em Deus, do Qual, embora a incomensurável distância, o homem busca imitar a ação, no seio do mesmo sistema e seguindo o mesmo esquema.

A matéria prima da criação, é uma eterna e indestrutível substância de natureza pensante, isto é, que possui, como atributos fundamentais, a inteligência e o conhecimento. Este é o estado originário de que derivou o universo, da mente de Deus, como qualquer obra humana deriva da mente do homem.

Qual é o estado do Todo antes da criação?

Por Todo devemos entender Deus, porque nada pode existir além Dele.

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No Princípio era o Verbo…

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São João iniciou o seu Evangelho com palavras estranhas, refertas de profunda significação e geralmente incompreendidas. Ciência e filosofia, não conseguindo alcançá-las, negligenciam-nas e as resolvem ignorando-lhes a existência. Entretanto, elas contêm a chave do universo. João, ao certo, iluminado por Cristo, as havia compreendido. Procuremos compreendê-las nós também.

Que significa Verbo?

Pelo princípio da unidade do Todo, e dos esquemas de tipo único, segundo os quais o universo é construído, não é absurdo ver, igualmente em nosso minúsculo contingente, os grandes esquemas do ser refletidos escalonadamente, até ao máximo de Deus.

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O caminho percorrido até aqui…

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Iniciamos o estudo do conceito central, do esquema do ser – o “eu sou”.

Isto nos conduziu a observar o fenômeno do egocentrismo cuja significação quisemos esclarecer.

Por esta via chegamos às portas do grande drama da queda dos anjos, devida justamente à rebeldia do “eu”, por excessivo egocentrismo desvirtuado.

Detivemo-nos, então, a contemplar as suas consequências, estudando as origens do mal e da dor. Mas isto nos colocou defronte ao problema inverso da sua finalidade.

Entramos, assim, na visão do grande ciclo constituído do desmoronamento e reconstrução do universo, ciclo que se reconstrói em unidade pela junção das suas duas fases inversas e complementares, involução e evolução.

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Síntese do Amor

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É bom, é lógico, é satisfatório reconhecer no amor o centro do Sistema.

É este princípio de amor o princípio de coesão que mantém una a Divindade, ainda que, para criar, ela se cindisse no seu íntimo (dizemos íntimo, porque nada se pode acrescentar ao Todo, e Deus é o Todo).

É este princípio de amor que também mantém unido o edifício desmoronado e o reconduz à salvação, mesmo que seja através da dor.

Quanto mais se desce nos planos da queda, tanto mais áspera é a dor e tanto mais amarga de ódio.

Quanto mais se sobe na evolução, tanto mais dulcificada pelo amor ela será.

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A essência da queda

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A essência da queda não é, portanto, um ato de punição, mas o afastamento de Deus, desejado pela criatura, que tem fatal necessidade de subir novamente a Ele, se quiser reencontrar a vida. A revolta contra Deus significava revolta contra a própria vida do ser, contra a sua própria existência.

O que poderia resultar desse comportamento, senão a morte, um não-ser, como é para a consciência (qualidade do espírito) a inconsciência (qualidade da matéria)?

Assim a queda foi um desmoronamento de dimensões em planos de vida inferiores, involuídos, em que todos os dons de Deus se contraíram em um estado potencial, de latência, do qual só o sacrifício de ascensão do ser poderá retirá-los, despertando-os para a atualidade.

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