Nenhuma Ovelha se Perderá

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

A salvação será efetivamente infalível para todos. Será que Deus não respeitará a vontade do filho rebelde que não queira jamais retornar a Seu aprisco?

Os herdeiros da evolução que não se transformarem em homens novos, santificados pelos princípios evangélicos, não poderão seguir reencarnando em nossa humanidade. Continuarão recebendo da Lei novas oportunidades para se refazerem e voltar também ao Redil divino.

Podemos deduzir que os mecanismos divinos de salvação são infalíveis. Utilizando-se da dor, da nostalgia pelos bens perdidos e do anseio pela perfeição, sentimentos que impregnam toda criatura caída, a Lei reconduzirá todos ao seio do Absoluto. Fugindo do inferno da matéria e suas inevitáveis dores, movido pelo natural instinto de felicidade, o ser não tem outro caminho senão ascender aos planos superiores do espírito. Desse modo acreditamos que todos se salvarão. E temos a garantia da infalível Lei de evolução de que nosso universo físico será completamente extinto, não restando aqui um átomo sequer. (…) Por isso o Cristo garantiu-nos a certeza da salvação para todo o rebanho humano, ao afirmar que ovelha alguma das que o Pai Lhe confiou se perderá.

Ao retomar o conceito de salvação em seu mais elevado significado, em conformidade à queda do espírito, chega-se à perfeita fusão de suas duas conceituações até então conhecidas, a cristã tradicional e a espírita moderna, conferindo-lhes inteira validade. Está certa a salvação consciente, que exige nosso esforço de renovação, apregoada pela doutrina de Kardec; e corretíssima a salvação gratuita, aquela que se opera na intimidade de nosso ser, sob o beneplácito da orientação divina, conforme indicado nos Textos bíblicos.

A primeira traduz nosso necessário empenho no bem e na realização de boas obras; a segunda aguarda nossa total confiança no auxílio e na misericórdia de nosso Pai. O antagonismo entre o fundamentalismo cristão e a razão espírita desfaz-se ante a luz dessa nova concepção. As duas acham-se fixadas em verdades complementares. Agora, não obstante, podem dar-se as mãos na grande obra de redenção da humanidade.

O cristão tradicional, iluminado pelo fideísmo sentimentalista, e o espírita lúcido, abrilhantado pela fé raciocinada, tornam-se justificados pelas posições particulares que defendem. Com essa síntese, podem agora solver suas inúteis contendas religiosas, deixando de antepor-se como fanais da verdade, a combater opiniões aparentemente antagônicas. Felizes e apaziguados, que se eximam dos improfícuos atritos a que se habituaram na arena humana, pois suas crenças são nitidamente complementares, nada mais que diferentes ângulos de visão de uma mesma realidade.

Não se pode negar o imenso valor desses postulados que sanam nossas naturais divergências quando mergulhados na carne. Nada melhor que somar verdades para construir uma síntese que a todos albergue. Conciliamos assim preceitos parciais que adotamos por sagrados, e nada destruímos.

O Bom Ladrão

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

A afirmativa do Cristo dirigida ao bom ladrão, do alto da cruz, afirmando-lhe que naquele mesmo dia estaria com Ele no Paraíso. Como compreender essa assertiva ante os ensinamentos que hoje nos iluminam o espírito?

Essa anotação do Evangelho de Lucas tem sido utilizada pelos estudiosos da Palavra Sagrada, ao longo da história humana, como um álibi para se justificar a salvação exclusiva pela fé. O bom ladrão, embora tivesse cometido atrocidades e jamais se esforçado por praticar os ensinos do divino Mestre, teria encontrado naquela hora extrema sua completa redenção, pelo simples fato de haver reconhecido em Jesus o seu Salvador, alimentando então sincero arrependimento pelos seus atos. Esta fala, se tomada ao pé da letra, produz um contrassenso do ponto de vista da evolução do espírito.

É certo que se pode interpretar o “Paraíso”, simplesmente como um estado de alma, solvendo-se o ilogismo da questão, uma vez que a condição interior de paz se conquista a qualquer momento e lugar. Todavia, se entendermos por “Paraíso” o Absoluto divino, como ressaltam nossos estudos, tal afirmação contradiz frontalmente a lógica que na atualidade nos assiste e o que temos aprendido e observado no campo da realidade.

Ninguém vai aos Céus sem percorrer o paulatino e necessário progresso moral e intelectual ao longo de muitos séculos e incontáveis encarnações. Portanto, o bom ladrão não poderia ter ingressado ex abrupto no Mundo divino, saltando todas as etapas do crescimento espiritual que nos apartam do Absoluto. Sequer o poder do Cristo, que não veio derrogar a Lei, poderia carreá-lo consigo, ferindo gravemente os fundamentos do progresso.

Continuar lendo “O Bom Ladrão”

Redenção dos Pecados e O Cordeiro de Deus

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Como aceitar a peremptória afirmação do fundamentalismo cristão de que Jesus, com Sua morte, Ele promoveu a redenção de nossos pecados? Podemos legitimar essa afirmativa que já se consagrou como um dos principais dogmas do cristianismo? O Evangelho não diz que o Cordeiro de Deus tomou sobre si as nossas dores e morreu em nosso lugar na cruz? Poderia a morte de um justo pagar pelas faltas de outros? Como pode ser isso, se a própria justiça humana jamais concordaria em penalizar alguém por erros alheios?

O nosso inconsciente traz, em seus meandros, registros arquetípicos de nossa falência original. Ao despertarmos para a razão e descobrir a existência de uma Divindade criadora, acorremos a postar-nos em Sua presença como um genuíno devedor, alguém que cometeu um ato condenável, merecedor, por isso, dos justos castigos divinos. Esse prístino psicologismo pode ser facilmente identificado nas mais antigas culturas, sem que se possa explicá-lo senão pelo declínio do espírito.

Em resposta a esse sentimento, adotamos, no início de nossas civilizações, a prática da oblação, a caracterizar todas as seitas religiosas que confeccionamos em nossa história, como uma maneira infantilizada de aplacar-se a pretensa ira de nosso Criador para conosco. Nas sociedades bárbaras do começo, intentávamos ludibriar a Divindade, por vezes na figura de nossos muitos deuses, sacrificando jovens virgens, consideradas inocentes, para que o sangue derramado por elas, no lugar do nosso, pudesse simular a pena a que nos sentíamos condenados. Com a evolução da ética social, substituímos esses ritos macabros pela imolação de certos animais, também vistos como puros, ovelhas e pombos comumente, ou a oferta da melhor parte de nossas colheitas agrícolas, para se atingir o mesmo objetivo.

Continuar lendo “Redenção dos Pecados e O Cordeiro de Deus”

Autorredenção

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Denominemos a salvação pelo nosso esforço próprio de autorredenção, para melhor caracterizá-la. A autorredenção está então na alçada de nossas escolhas. É proporcional ao nosso intento em abandonar os interesses do ego inferior e atender aos anelos do homem novo.

Sujeita-se diretamente à nossa capacidade de superação dos hábitos animalizados que automatizamos por imposição da própria egolatria. Aguarda nosso empenho no aprendizado e prática do amor ao semelhante. E, enfim, induzindo-nos a desautorizar o antigo egocentrismo, espera pela nossa entrega à vontade maior de Deus.

Autorredenção pressupõe, então, fazer morrer efetivamente o personalismo doentio com o qual ainda nos vestimos. Exige a entrega das armas de defesa que confeccionamos na estrada dos séculos, e dos prazeres inferiores aos quais ainda nos apegamos, por serem completamente inadequados aos editos superiores do amor.

E, contando com nossa disposição ao sacrifício, a autorredenção pressupõe alçar com bom ânimo o calvário da nossa evolução pessoal, abraçando com boa vontade as dores que nos restauram as luzes divinas.

Identificamos na autorredenção três momentos decisivos:

Continuar lendo “Autorredenção”

Salvação pela Graça e Salvação pelo Próprio Esforço

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Para melhor elucidar o tema devemos esclarecer, todavia, que identificamos a existência de dois tipos distintos de salvação em ação na intimidade do espírito em evolução: a “salvação pela graça” e a “salvação pelo próprio esforço”.

No período em que o espírito é ainda um completo ignorante, desconhecendo inteiramente suas necessidades, ele é paciente e inteligentemente guiado pela sabedoria divina, que lhe faculta todas as oportunidades para que conquiste valores e evolua. Essa é a salvação pela graça, produto exclusivo da patente atuação da complacência divina a nosso favor. Por meio dela, o Criador nutre com a sabedoria dos instintos a alma em evolução, facultando-lhe, nos pontos em que ela ainda ignora as próprias necessidades, tudo o que requer para viver e progredir. Prepara-lhe organismos adaptados à luta e à sobrevivência, guia-lhe ao necessário sustento, repara-lhe os danos e dá-lhe sempre novos corpos para tornar à arena da carne e evoluir. Sem essa ínsita inteligência, orientadora das formações orgânicas da natureza, o progresso do espírito não seria possível. Ela guia-nos no constante aperfeiçoamento e na contínua aquisição de genuínos valores evolutivos, ajudando-nos ativamente no embate contra as forças adversas e destrutivas que aninhamos no imo pela queda. Essa força salvacionista de Deus sabiamente aproveita o mal que flui de nossas equivocadas intenções para fazer-nos avançar, pois a alma, buscando pela felicidade, foge sempre das condições tormentosas que encontra pelo seu caminho.

Todavia, chega o instante em que o espírito, impulsionado pelas divinas potências redentoras, desperta da inconsciência e conquista a razão. Nesse ponto, a evolução torna-se um movimento consciente, sujeito então à interferência de nossa vontade. Por isso, na fase de evolução consciente em que nos encontramos, nossas escolhas e nosso empenho na reforma dos velhos valores passam a influir preponderantemente em nossa ascese evolucional. Aí sim, nossa jornada ascensional passa a se valer de nosso operante desejo de realizações no bem e a decisiva abdicação do mal. Antes disso, era puro e gratuito dom da graça divina. Agora depende de nós e de nossas obras. Essa é a salvação pelo esforço próprio a que nos referimos.

Ela agora está na alçada de nossas escolhas.

Continuar lendo “Salvação pela Graça e Salvação pelo Próprio Esforço”

A Salvação

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Cientes de que a Lei de evolução trabalha permanentemente para nos resgatar do universo desmoronado em que vivemos, como entender agora a salvação que Jesus nos trouxe?

Precisamos de melhores esclarecimentos, pois o conceito de salvação defendido veementemente pelo antigo cristianismo tem sido objeto de muitas controvérsias, sobretudo no âmbito espírita. Vemos que a exclusiva visão evolucionista adotada pelas escolas espiritualistas em geral, como se fosse a única maneira de se compreender a vida e o universo, entra em formal contradição com a noção de salvação veiculada pelo fundamentalismo cristão.

Será possível conciliar esses dois entendimentos aparentemente antagônicos?

Alicerçada na tradição judaica e especialmente nas lições de Jesus, corroboradas pelos Seus discípulos diretos, a teologia cristã entendeu de fato a salvação como o movimento de recondução do homem ao Reino de Deus, o qual perdera, em razão do pecado cometido pelos seus primeiros pais, Adão e Eva. Tal conceito se responsabiliza inclusive pela própria definição de religião, palavra que se origina do latim re-ligare, ou seja, “religação”, trazendo, desse modo, o significado de restauração de uma pretensa “ligação perdida” com o Criador. Assim o homem, pelo fato de descender do primeiro casal, passou a ver-se como um ser distanciado de Deus, um réprobo, nascido sob o signo do pecado. Portanto, da mesma forma que seus pais originais, fazia-se também um pecador. Logo, justificar-se-ia sua necessidade de ser socorrido e resgatado de um mundo que deixou de ser o Paraíso em decorrência da primeira falta.

A despeito do grave desvio empreendido por nossos primeiros pais, cujas consequências todos haveríamos herdado, Deus teria deixado a promessa de que enviaria Seu Filho dileto para redimir-nos e levar-nos de volta ao Lar perdido. Com o advento do Messias, o salvador prometido, os cristãos convenceram-se de que essa salvação estava enfim efetivada, bastando dar ouvidos às palavras do enviado especial de Deus. Tal conceito nutre até os dias de hoje o cristianismo, em todas as suas vertentes, subsistindo como a crença fundamental da doutrina de Jesus.

Continuar lendo “A Salvação”

Filho de Deus

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Irmão, chegaste até aqui, conduzido pela complacência divina. A Lei de Salvação orientou-te na aquisição das habilidades que terminaram por fazer-te despertar da irracionalidade. Superaste, em parte, a animalidade em que ainda te comprazes. No entanto, irmão, convence-te de que necessitas urgentemente caminhar ainda mais e superar os resíduos de inferioridade que teimam em devorar-te as possibilidades superiores que o Pai conferiu-te por amor.

Faz-se premente compreenderes que o passado que te habilitou na arte da sobrevivência e da luta, acendendo-te a razão e despertando a consciência de ti mesmo, acha-se contaminado pelos resquícios da queda do espírito. Por isso é carga negativa que precisa ser superada. Deixa-a à margem de tua estrada, como um fardo morto que não te é mais útil à jornada redentora de retorno à Casa do Pai. Mira o futuro, irmão, e segue a Lei, a convidar-te sem demora a penetrares nas instâncias superiores da vida, onde conhecerás as blandícias do Paraíso.

A convicção absoluta de que o bem supremo é irrefutável destinação de nosso universo servir-te-á como o necessário estímulo para que superes todas as adversidades que semeaste em tua senda evolutiva, sob o infausto signo da egolatria.

Maltrata-te, não obstante, a renúncia aos prazeres da animalidade e aos favores do ego inferiorizado, pois desconheces as genuínas alegrias da santidade. Vives ainda o tormento da consciência que não quer crescer, temerosa de perder suas parcas alegrias. Pois saiba, irmão, que venturas inimagináveis e júbilos indizíveis aguardam-te no superior reinado da santidade. E ignoras, por ora, quanta paz respira a alma que já aprendeu a abdicar de seus deleites inferiores, e dedica sua vida em prol do bem comum, desfeita no amor sem lindes.

Irmão, não atingiste a redenção final, portanto, as intempéries ainda te são benditas lições, necessárias para preparar-te um futuro de genuína bonança. A escola da dor permanece como educandário indispensável para tua secular ignorância. As vicissitudes persistem como orientação segura para teus incipientes passos, corrigindo-te os permanentes equívocos. As adversidades continuam sendo-te úteis para inibir o mal que ainda insistes em praticar. Inimigos perseguem-te à conta de eficazes instrutores, prontos a aplainar-te as arestas do inadequado comportamento. As enfermidades coíbem-te com insistência os hábitos do abuso. Trevas prosseguem obscurecendo-te os caminhos, porque não sabes ainda deambular na Luz. O mal que não desejas obstaculiza-te a felicidade, excitando-te na urgente conquista do bem genuíno. A fragilidade da carne segue limitando-te as possibilidades, porquanto não estás até então habilitado no uso das magníficas potencialidades que o Pai te confiou. E o atrito da evolução perdura na trilha do tempo, inundando-te de padecimentos, porque a Lei almeja agastar a rudeza das vestes em que ainda te abrigas, para conferir-te o traje das núpcias celestes.

Portanto, irmão, ama a dificuldade e a dor. Recebe com alegria a injúria e a adversidade. Enfrenta com paciência a procela e a sombra. Acolhe a maldade e perdoa teus oponentes. Aceita o atrito evolutivo e as limitações da carne. Estejas certo de que os males que te assediam hoje existem unicamente para apressar teus passos na aquisição do legado divino que dilapidaste.

Aprende a extrair da dor a força amiga pronta a ascender-te aos estratos superiores do espírito. Educaste na arte de saber sofrer, e então te surpreenderás com o apaziguamento de todo teu sofrimento. A dor perderá seu caráter de tormento para se transformar em afirmação de saúde e bem-estar, equilíbrio e ordem, pronta a conferir-te a bem-aventurança dos anjos.

Convence-te de que teus atos te perseguem por irresistível quesito de Lei, devolvendo-te ao campo de expressão o móvel de tuas intenções. Logo, se colhes o mal, é porque semeaste o mal. Esparge o bem, e granjearás inauditos benefícios a teu favor.

Acredita, excitarás, cada vez mais, tremendas reações da Lei se permaneceres conspurcando os tecidos sagrados de tua consciência eterna com os impropérios do desamor. Emprega, portanto, todo teu empenho na prática das virtudes evangélicas para que te faças verdadeiramente feliz e te plenifiquem os poderes celestes.

Mas cuida também, irmão, de socorrer, como podes, aqueles que insistem em permanecer na retaguarda da vil animalidade, esforçando-te para que te faças acompanhar, na ascese rumo ao Infinito, por todos quanto compartilham contigo o trânsito da vida.

Lembra-te sempre: o amor é o único e verdadeiro medicamento capaz de sanar todas as desditas que ainda te assediam na longa romagem dos milênios, de volta ao Coração paterno. Esforça-te ao máximo e serás colhido, sem demora, nas blandícias do Amor.

Faze isso, amigo, e serás agraciado com o egrégio título de Filho de Deus.

Venera, irmão, a Deus nas alturas gloriosas e festeja na Terra, entre os homens de boa vontade, a paz perene dos Céus.

Necessário Exílio

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

A sabedoria das Leis da evolução orientar-nos-á, como sempre o fez, na irrevogável aquisição das novas habilidades do homem do futuro. As características desse novo ser, no entanto, já estão antecipadamente delineadas nos painéis do nosso superconsciente, de onde nos acenam para que, com nosso esforço, conquistemo-las, transformando o que hoje nos é um manancial de virtudes em hábitos automatizados, prontos para ser condicionados no subconsciente como conhecimentos adquiridos.

Os novos tempos aguardam nosso empenho nessas renovadas aquisições, para conferir-nos inimaginável poder e inigualável ventura. Como uma dadivosa oferta do Céu, o progresso espera apenas pela nossa disposição em seguir os passos que o devenir nos indica, para nos brindar com os atributos da perfeição.

Entretanto, como percorremos agora a fase consciente da evolução, as sábias Leis divinas respeitam nossas escolhas, sem coagir-nos a segui-las por simples imposição. Nosso Pai não deseja a Seu lado uma geração de autômatos, mas sim uma comunidade de espíritos livres que se Lhe consorciem pela espontaneidade do amor. Por isso, faculta-nos a liberdade de eleger entre os caminhos da revolta e do desamor ou o roteiro do genuíno bem. Podemos optar por prosseguir na estrada larga da perdição ou penetrar na estreita via da renúncia ao ego inferior, como nos recomendou o Mestre divino. Portanto, a evolução, doravante, encontra-se em nossas mãos, sob o juízo exclusivo de nossa vontade.

Destarte, podemos afiançar-lhes com exatidão, como Jesus garantiu-nos, que somente aqueles que conquistarem a mansidão herdarão a Terra. Logo, o tipo humano guerreiro e instintivo, remanescente do passado, e o congênere astuto e racionalista do presente serão banidos da face do planeta. A era da regeneração, desse modo, será habitada exclusivamente pelos espíritos que, fazendo ruir o ego inferior, fixarem-se nos interesses sublimados do amor evangélico.

Quem recalcitra nos hábitos da animalidade, resistindo aos alvitres do bem, relutante em acompanhar o roteiro evolutivo proposto pela Lei, não poderá prosseguir sua existência em nosso orbe regenerado. Entretanto, não permanecerão para sempre perdidos, pois a complacência divina confere a todos infindas possibilidades para que retornem ao Aprisco celeste. Em razão da inferioridade em que se demoram, serão, infelizmente, deportados para mundos ainda primitivos, nos quais seguirão em experiências reencarnatórias adaptadas às suas ordinárias condições e necessidades evolutivas. Fixados nos interesses aviltantes do ego, vivenciarão outra vez, lamentavelmente, o choro e o ranger de dentes prenunciados pelo Evangelho. Não obstante, como dissemos, não estarão abandonados pela Lei, que continuará socorrendo-os com todos os recursos possíveis, ainda que dolorosos, para que abandonem suas iníquas escolhas e retornem ao abrigo seguro do amor.

Uma Nova Civilização

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

O homem sobreviverá às comoções do início do novo milênio e edificará na Terra uma nova civilização, demarcada pela paz. Com sua bondade dilatada, ele fundará uma sociedade equânime e próspera, pronta a atender as necessidades de todos os filhos do planeta, eliminando definitivamente a fome, a miséria e a guerra das paisagens terrenas.

Sob a bandeira do amor ao semelhante, será, finalmente, implantado na Terra o esperado Estado orgânico. Nesse novo Estado social, cada indivíduo comportar-se-á como uma célula, e o Estado será seu organismo. Desse modo, rompendo a secular inimizade do homem pela coletividade, indivíduo e Estado viverão sob o regime de mútua colaboração. Cada célula humana doará o máximo de si em benefício do organismo social em que vive. Este, por sua vez, tudo fará para amparar e propiciar o desenvolvimento pleno de cada unidade individual. Fundamentado na mútua confiança e no colaboracionismo, o novo Estado apoiar-se-á no amor como sua pedra angular e instituirá o Sermão do Monte como sua carta magna, pronta a reger todas as suas interrelações sociais.

Os antagonismos entre países irmãos deixarão de existir, e haverá de fato uma só nação na Terra, sob a égide de um só pastor: o Cristo de Deus, nosso Redentor.

O trabalho nessa nova sociedade será doação amorosa do indivíduo em prol do bem comum. O regime de explorações e coerções próprio do sistema atual será banido das relações trabalhistas. Todos encontrarão, nesse novo Estado orgânico, plenas condições de desenvolvimento de habilidades, a retornar em múltiplos benefícios para a coletividade. O roubo será naturalmente extinto pela prática da mais absoluta honestidade, a qual brotará espontânea e impreterível como ética de vida para os concidadãos. A propriedade, no entanto, será bem coletivo, pronta a favorecer benefícios para todos, fazendo das riquezas da Terra um patrimônio de direito comum, não por imposição de armas, mas livre adesão ao socialismo cristão. Assim, não haverá mais ricos e pobres, excessos ou privações, fastio ou fome, pois todos saberão compartilhar com a coletividade seu natural direito à propriedade.

Os chefes, nesse novo Estado, caracterizarão aqueles dotados não só de reconhecidas habilidades na condução dos povos, mas igualmente, donos de qualidades que os façam destacar do homem comum. Uma aristocracia espiritual sustentada pela capacidade de amar e pelas virtudes de real sabedoria impor-se-á pela força natural do mérito, na direção da comunidade. Portanto o governante dessa nova sociedade orgânica será eleito pelas suas qualidades e não por tergiversações, escusos favoritismos ou mero populismo como hoje se dá nas nações terrenas.

A arte, elevada à sua máxima expressão, será chamada divina, antecipando ao homem do futuro as belezas do Paraíso. A música, em harmonias sublimes e inimagináveis, alcançará excelsitudes celestiais. A cultura abrirá ao espírito o conhecimento do Absoluto. A literatura falará ao coração humano das emoções da angelitude. E a ciência, enfim, alimentada por espiritualidade superior, desvendará os segredos últimos de Deus e do Universo, auxiliando o homem a unir-se à sua Essência.

O materialismo será definitivamente extinto dos anais epistemológicos, substituído pelas luzes do espiritualismo de cunho cristão. O homem descobrirá finalmente o espírito, sob critérios científicos, e estudará com o escrutínio da ciência o mundo espiritual em que residimos. A morte será vencida e o conhecimento da Eternidade far-se-á irretorquível consolo para toda a humanidade.

Pelo poder da fé, o homem removerá as montanhas da revolta e da ignorância que, em todos os tempos, obstaculizaram-lhe a caminhada rumo ao bem supremo. O Evangelho será resgatado como conhecimento de valor científico, e o Cristo ver-se-á elevado ao patamar de Governador do mundo.

Enfim, vencida a etapa regeneradora da evolução humana, o espírito alcançará as portas do Paraíso, pronto a reassumir seu posto na hierarquia angelical do Reino divino.

Dor: Ferramenta Inevitável

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

O Poverello deixou-nos ainda outras importantes lições, indispensáveis à nossa caminhada evolutiva rumo à santificação. A forma como ele aceitava suas dores é-nos do mesmo modo inigualável exemplo de vida para a superação de nossa relutante inferioridade. Seus biógrafos relatam-nos diversas passagens, corroboradas pelos registros espirituais, nas quais o meigo santo demonstrava a mais absoluta calma e sujeição aos padecimentos que a vida impunha-lhe, acolhendo-os sem revoltas ou o mínimo lamento.

O homem atual, no entanto, rejeita veementemente a dor porque não aprendeu ainda a reconhecer seu tremendo e indispensável valor evolutivo. Movida por essa incompreensão, a ciência humana determinou renhida luta contra a dor. Cega diante dos objetivos sublimes do sofrimento humano, ela ilude-se com a possibilidade de estancar seu inexorável movimento por meios exteriores, momentâneos e irrisórios, os quais jamais alcançam sua real e profunda origem. Sendo necessidade premente da evolução, a dor retornará sempre até que suas causas sejam sanadas no campo profundo da alma.

A fonte primeira de todos os nossos padecimentos está na substância do espírito e sua inata revolta contra a Lei de Deus. Inútil tergiversar em busca de pretensas causas, advindas de fora de nós mesmos. A dor não é uma imperfeição orgânica e muito menos obra de casual fracasso biológico. A impecável Lei divina não permitiria que ela existisse na vida de seus amorosos filhos, sem justa razão e imprescindível necessidade. Afinal, entendemos agora que somente a dor pode agastar os inadequados veículos com os quais o espírito se vestiu, extraindo-lhes recursos para a desejável expansão da consciência. Por isso, não se pode esperar sufocá-la mediante imposições químicas, como o faz insistentemente a moderna medicina dos homens.

Continuar lendo “Dor: Ferramenta Inevitável”