A Crucificação do Evolvido

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O que acontece do lado oposto, qual é a atitude natural do involuído como resposta ao ato de amor e de sacrifício com que o evolvido vai ao seu encontro?

É evidente que o evolvido nunca desceria á terra para sua satisfação e que, se ele enfrenta tal sofrimento, é por ser sua missão. Esta é que explica e justifica a sua presença em nosso mundo. Ora, missão quer dizer oferecimento completo de toda a própria atividade e sacrifício, para o bem alheio. Cada qual age conforme sua natureza. Assim o evolvido comporta-se de acordo com a lei do seu plano, lei de amor e de unidade. Mas o que é que podemos, então esperar do involuído, se a lei do seu plano é egocentrismo e separação, é luta e revolta?

Eis, pois, que a resposta natural do involuído é a crucificação do evolvido. Do exame do fenômeno resulta que isto é uma lei biológica natural, fatalmente consequente de todos os elementos que o compõem. O próprio Cristo teve que se submeter a esta lei, como lhe ficam submetidos quantos descem à terra em missão.

O que significará, então, o tão repetido conceito de Cristo ter vindo ao mundo e sofrido a sua paixão para redimi-lo, tomando sobre si os pecados deste?

A evolução é um processo de fatigante ascensão com que o ser, decaído, por sua revolta, no Anti-Sistema, deve, por meio de sua própria experimentação dolorosa, retomar o caminho da evolução até reintegrar-se na ordem do Sistema. Decorre disto que o ser esta automaticamente condenado ao sofrimento, porque o retomar o caminho não é fácil nem gratuito. O sofrimento, assim, constitui a chave da evolução.

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O Poder do Alto

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O encontro entre evolvido e involuído apresenta significação profunda, que deve ser estudada cada vez melhor, e que pode iluminar e completar os postulados da biologia moderna, especialmente no seu aspecto evolucionista, em relação aos desenvolvimentos futuros da vida. Não se trata apenas do embate entre dois biótipos, mas, ainda, de dois planos biológicos e das duas leis que os regem.

Esse estudo torna-se interessante não só para orientação individual e social, mas para a ciência também, porque nos conduz a concepção de uma biologia muito mais ampla, abarcando não apenas, a atual, a animalidade e a humanidade, mas a sua futura espiritualidade, uma biologia compreensiva também dos valores morais, que, por isso, pode assumir a tarefa excelsa de construir uma ótica biológica, racional e positiva, da qual o mundo ressente a falta e de que tem necessidade para resolver muitos problemas até agora insolúveis, largados, hoje, no instinto das massas.

Com este estudo enfrentamos, além da biologia já conhecida, uma outra biologia, a do evolvido, com outras leis e finalidades. Chegamos, assim a conhecer uma biologia muito mais ampla, também no sentido de ser, não a de um só plano de vida, uma biologia estática e fechada no âmbito de um dado plano de evolução, mas dinâmica, em movimento, uma biologia em evolução da qual a nossa atual é apenas uma fase existente em função dos precedentes e das subsequentes.

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O Legislador

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O legislador é um ser superior que aparece excepcionalmente e que, depois, desaparece. Ao seu impulso heroico sucede então o trabalho da ordinária administração, confiado aos tipos comuns que, com maior ou menor diligência, procurarão executar as normas regulamentares. Desaparecido o iniciador, permanecem os discípulos, seguidores e ministros que dirigem em seu nome, os executores que manejam a lei, submergidos no próprio plano até a garganta.

A competição geral tende a nivelar todos à altura evolutiva da lei de seu plano biológico, que não é o do iniciador. Assim o seu trabalho é submetido a um processo de degradação, que porém, é condição da assimilação alheia, processo que exige, em certo momento, que desça outro iniciador para reconstruir um edifício novo no lugar do outro, envelhecido e ameaçando ruína, e assim seguindo, quando também este se tiver tornado velho e ameaçar ruir.

Neste processo, os administradores cumprem a função de avizinhar o ideal ao homem, humanizando um alimento que de outra forma não seria digerido, trazendo a lei de um plano mais elevado para um plano mais baixo. Cumprem eles, também, a função de defender e conservar. Mas toda medalha tem o seu reverso. Isto quer dizer, também cristalizar, significa adaptar e transformar os princípios conforme os próprios instintos e as necessidades do próprio plano biológico.

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Reformar sem Destruir

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Continua a luta que abarca também as relações entre o legislador e os seus súditos. O primeiro parte do princípio de que o homem é um involuído cujos instintos inferiores é preciso domar. Os pontos de referência terrenos da ética humana são a animalidade e os instintos egocêntricos de revolta. O pressuposto natural do moralista é que o homem é um pecador a ser corrigido.

Cristo não veio a terra para redimir a humanidade?

Esta era uma pecadora, carregada de culpas. Mas por quê? Não é possível dar a isto outra explicação razoável, senão a de involução. A finalidade do legislador de normas éticas deve ser, pois, o de fazer emergir do estado de involução, isto é, o de guiar o homem ao longo do caminho da evolução, com uma ética progressiva, adaptada ao grau de desenvolvimento que paulatinamente vai alcançando. O Novo Testamento, que reforma o velho sem destruí-lo, mas levando-o para a frente, confirma este conceito.

Exatamente para fazer evolver é que o legislador se dirige; em primeiro lugar, a combater a animalidade.

Os próprios mandamentos de Moisés são tão aderentes à natureza humana que permanecem, ainda, em vigor. Combatem, antes de mais nada, os instintos do involuído, de revolta e de egoísmo em dano do próximo. Os pais ensinam a seus filhos a não se. rebelarem contra Deus, não matar, não cometer adultério, não furtar, não mentir, não desejar as coisas ou a mulher alheia. Ou seja, não fazer aquilo a que o instinto espontaneamente conduz.

Este instinto é que leva a rebelar-se contra todos, a matar, a trair, a furtar, a mentir, a tomar as coisas e a mulher alheia. Como é claro, os pontos de referência estão no plano do involuído, são suas próprias qualidades definidas pelo próprio Moisés: as da animalidade.

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Evolvido X Involuído

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Na luta entre evolvido e involuído, cada um quereria anular o mundo do outro, para substituir-lhe o próprio. De um lado o separatismo egoísta, de outro o sentido unitário altruísta. Esforço e luta de ambos os lados, porque nenhum dos dois quer aceitar a verdade do outro plano que, para cada qual, torna-se um sofrimento, por não corresponder aos próprios instintos.

Esforço do evolvido para libertar o mundo da animalidade e fazê-lo evolver até a espiritualidade.

Esforço do involuído para conseguir satisfazer seus interesses sob as aparências do ideal, isto é, para neutralizá-lo e torná-lo inócuo na prática, anulando a ação que procura paralisar as necessidades da vida no plano animal. Esforço de astúcias para aparecer o que deveria ser, mas que não é esforço necessário para alcançar os fins que a lei do evolvido condena, mas que o involuído acha fundamentais para a sua existência.

Para ele o ideal é uma história inventada que ele sente não corresponder às medidas de sua vida. Ele não pode deixar que seu valor consista no deixar-se enganar, como lhe parece, pelos ideais, mas no de saber rebelar-se para defender-se do que lhe parece uma limitação. Usará, por isto, todos os seus recursos mentais neste sentido, alcançando, assim, a conquista daquela forma de inteligência inferior que é tudo aquilo que o seu plano de vida pode produzir.

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Inversão de Valores

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Continuemos a observar as qualidades e as atitudes que caracterizam os dois biótipos opostos, o do evolvido e do involuído. O que distingue o primeiro é a sua afirmação unitária, como eu coletivo. O que individualiza o segundo é a sua afirmação separatista; como eu isolado. O evolvido não se interessa pelo próprio eu individual, concebido como isolado do próximo, com este sentindo-se parte no organismo coletivo da humanidade.

Não nutre qualquer ciúme da supremacia alheia, constituindo esta, para ele, a supremacia própria. Contrariamente, um dos efeitos que mais caracteriza o involuído é, exatamente, esta ciumeira de qualquer outro a emergir em seu lugar. Isto porque ele faz do próprio eu o centro do universo, que ele pretende exista em função daquele seu eu.

O instinto do involuído é o de reproduzir o egocentrismo, que é fundamental no sistema, mas em posição emborcada, isto é, não no centro mas na periferia onde ele está situado. O egoísmo manifesta-se, de fato, no involuído a cada passo, em todo seu ato. O Sistema do universo é unitário, enfeixado em torno de um único centro, e o involuído pretende erigir-se em centro autônomo no Anti-Sistema. De fato, o seu valor máximo, é o triunfo pessoal do seu eu, separado de todos os outros, admitidos a coexistir somente em posição de submetidos.

Contrariamente o valor máximo do evolvido é o triunfo coletivo da maior humanidade da qual ele faz parte, e na qual está fundido com todos os outros; coexistentes com ele em posição de colaboradores.

As posições dos dois biótipos constituem a inversão uma da outra. Para o involuído, o que constitui o ideal é o seu triunfo individual, elevado sobre não importa quais ruínas do próximo, a consecução do ápice dos valores sociais, a base da estima, ou, com outras palavras, o sucesso. Em face do vencedor, todos inclinam-se, e a vitória justifica tudo.

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O mundo de rivalidade

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Os princípios descidos do plano do evolvido na forma de ideais, religiões, normas morais, leis sociais etc., representam um fardo que a animalidade procura alijar de si. Esta anela permanecer na plenitude de seu estágio e não se quer mutilar com a evolução que procura destruí-la. Todo progresso para o alto, no plano da animalidade, representa uma renúncia a vida.

Nesse mundo de rivalidade é natural que cada qual procure fazer com que a renúncia seja praticada pelo próximo, o seu rival, antes de ver-se constrangido a praticá-la ele mesmo. Assim é que se explica, em muitos casos, a exaltação dos ideais, uma vez que estes representam um meio para induzir o próximo a esta renuncia, a qual, limitando o seu espaço vital, aumenta o nosso.

Com isto não se quer dizer que não haja sinceros afirmadores dos ideais; mas, fato é que, se disto não decorresse alguma vantagem, muitos não os sustentariam. Nesses casos exige-se que as renúncias sejam vividas pelos outros em nome dos princípios ideais, porque limitando os apetites, quando não eliminam um rival, conseguem distanciá-lo como concorrente do mesmo prato onde preferimos comer sozinhos.

Para o evolvido tudo corre de modo completamente diverso. Uma vez que o seu centro vital esta situado em outro plano, é natural que a vida alcance os seus objetivos  em forma orgânica unitária, pois está situado mais perto do Sistema.

No plano do involuído, a plenitude da vida alcança-se com o triunfo da animalidade, enquanto no plano do evolvido alcança com o triunfo da espiritualidade. Para o involuído, contra as vantagens oferecidas pela prática dos ideais e das virtudes, interpõe-se a barreira representada pelo esforço necessário a subida até aquele plano em que o evolvido, que o alcançou, colhe naturalmente aquelas vantagens. Assim é que, no plano deste, as virtudes que tanto pesam para o involuído, são praticadas espontaneamente, sem esforço, como se verifica com todas as qualidades adquiridas no estado de instinto.

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A moral de agressão

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A natureza predominantemente egocêntrica e isolacionista do involuído, devido a sua posição retrógrada ao longo da escada da evolução, mais próxima do anti-sistema, manifesta-se em toda sua atitude.

A natureza predominantemente orgânica e unitária do evolvido, devido à sua posição mais avançada, mais próxima do Sistema, igualmente manifesta-se em todos seus atos.

A moral do involuído é predominantemente egocêntrica: começa de seus próprios direitos em relação aos outros e dos deveres dos outros para consigo. O regime de luta em que vive o involuído não pode deixar de aparecer a todo seu passo. Disto segue que a sua, porquanto externamente envernizada com a mentira de nobres ideais, é substancialmente uma moral de agressão. O que distingue e revela o involuído, é exatamente o espírito de agressividade, enquanto o que distingue e revela o evolvido, e o espírito de amor.

Num ambiente em que tudo é luta, qualquer coisa que venha a nele cair não pode deixar de ser transformado e utilizado como instrumento de luta. Não se pode dizer que no plano do involuído não existam ideais, religiões, morais, princípios de todo gênero. Leis não faltam. Mas tudo isto não representa a realidade biológica, vivida neste plano, mas a realidade biológica de planos superiores a serem alcançados no futuro, mas, hoje, ainda longínquos. Sua prática na terra é forçada, obtida somente por meio da ameaça das sanções. Nada tem da espontaneidade instintiva que aqui gozam os atos da animalidade.

Os princípios superiores aparecem na terra com um capuz imposto mais ou menos à força, sobre a natureza humana que, sendo bem diversa, procura rebelar-se, lançar longe o pesado fardo e, para evadir, tenta toda contorção possível. Enquanto o desejo primordial do evolvido é o de aderir à Lei, o primeiro desejo da involuído é o de dobrá-la a si mesmo.

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O justo lugar

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Quando a agressividade tenta por a vida em perigo, ela se defenda com todos os meios mais aptos, de conformidade com a elevação do plano em que tenham de funcionar. A mentira, de fato, desaparece espontaneamente no plano do evolvido, onde o dominante espírito de sinceridade elimina  automaticamente o espírito da mentira, caindo este de per si, não havendo mais, naquelas condições nenhuma necessidade do mesmo para viver.

Assim é que a luta torna o plano de vida do involuído um terreno repleto de traições, uma rede de enganos, uma ficção contínua. Para melhor enganar protesta sinceridade. A convivência social, num regime que embora não aparente, é substancialmente feito de luta, continuamente educa e obriga a esta ficção.

Isto permite, a possibilidade de múltiplas interpretações dos aspectos bifrontes de todos nossos atos, levando à formação de uma nossa segunda personalidade fictícia, sobrepondo-se a verdadeira para escondê-la, a qual é a mais considerada no julgamento da opinião pública baseia-se sobre ela e é este julgamento que, em nosso mundo, estabelece o valor do indivíduo.

A opinião pública inconsciente, irracional explosão de instintos elementares quase sempre egoístas e agressores, incompetente a julgar por ignorar as verdadeiras causas, mas assim mesmo sempre pronta a fazê-lo, embora, pela própria ignorância, esteja exposta a ser enganada pela astúcia dos mais espertos e menos honestos.

A vida é utilitária e neste ambiente convém mais aparentar, o que produz estima e confiança, do que realmente ser.

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A fecundação dos ideais

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Eis como se verifica o fenômeno da descida dos ideais na terra. Trata-se de um processo que lembra o da fecundação, pelo qual é sempre o elemento positivo, mais poderoso porque está a testa do caminho da evolução, que agarra e arrasta consigo o elemento negativo que, como mais fraco, é arrastado e dessa forma conduzido para frente. Evolvido e involuído são os dois termos desta união.

São três as grandes finalidades da vida que as alcança através de três formas de união, pondo no ser, para esse fim, instinto adequado.

1º) a conservação do indivíduo, pelo que este se une ao seu alimento, impelido pelo instinto da fome.

2º) a conservação da espécie, pelo que o macho se une à fêmea, impelido pelo instinto no amor.

3º) A ascensão do tipo inferior, pelo que o evolvido se une ao involuído, impulsionado pelo instinto da evolução.

Três finalidades a alcançar, três uniões a serem efetivadas, três instintos a serem saciados. Em cada caso há um recobramento do mais para o menos, estendendo a mão, ajudando a levantar-se para o alto. E, então, o menos torna-se instrumento do mais, como meio para sua realização. Isto mostra-nos como a vida é uma, não obstante os seres se distanciem nos seus diversos planos. Mostra também como, dividida nos seus particulares, permanece compacta por ser regida por princípios uniformes que estabelecem uma rede universal de relações que entrelaçam tudo a tudo.

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