A  Concepção de Planos de Vida

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Que é o homem atual? Ele nos aparece antes de tudo em sua roupa exterior, coberto com o traje imposto pela moda dos civilizados. Dentro dessa roupa existe aquilo que a medicina considera, com os critérios com que estuda todo organismo animal, uma complicada maquina por meio da qual funciona a vida. Mas esse organismo vive junto a muitos outros semelhantes na coletividade social. Daí uma complexa rede de relações, de direitos e deveres, de leis e normas que disciplinam a atividade daquele ser, tentando enquadra-lo no mais vasto funcionamento de um organismo maior, ainda em formação, o da humanidade.

Esse ser esta submetido a outras leis, das quais não pode escapar. Sua existência esta ligada a um sistema atávico, pelo qual ela não pode desenvolver-se senão através de uma trilha já traçada: concepção, nascimento, desenvolvimento físico da infância, geração dos descendentes, madureza velhice e morte. Ninguém jamais o poderá tirar deste esquema preestabelecido. Cada qual poderá introduzir aí pequenas variantes, nada mais.

Assim caminha a maré da vida, fechada nesse esquema. É sempre o mesmo e a humanidade tem que caminhar por aí. Não foi ela que fez essa lei. Só lhe cabe aceitar, sem possibilidade de escapar. Mas essa lei não é estática. Mediante lentíssimos deslocamentos ao longo de seu ilimitado repetir-se, ela a pouco e pouco se vai transformando, por aquele fenômeno que se chama evolução.

Evolução quer dizer subida, e subida implica a ideia de níveis e alturas diversas, que se atingem nesse processo de ascensão. Então, a concepção de planos de vida diferentes e sobrepostos não é arbitraria, mas a consequência direta do conceito de evolução. Não existimos nós num plano de vida superior ao das plantas e animais, que nos precederam nesta subida da vida? E ninguém nos proíbe — ao contrário, está na lógica de todo sistema da evolução — que os degraus desta escada continuem a subir, sobrepondo-se, tal como os vemos escalonados no passado.

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O Imponderável

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Eis que vemos entrar em cena na batalha um fator novo: o imponderável. Esta é a nova arma que defende o indefeso. Trata-se de forças sutis e profundas, lentas a movimentar-se, mas poderosas e irresistíveis. O mundo continua a armar-se com seus meios e a lutar com sua psicologia, escapando-lhe estas outras armas que fazem parte da estratégia do invisível. Elas são constituídas de equilíbrios complexos entre ações e reações em organismos cósmicos de forças, que o mundo não vê. Não as vendo, nega-as, o que as torna por isso muito mais perigosas, porque ele não as leva em conta.

O mundo se desobriga, dizendo que elas não existem, o que não as impede de continuar a funcionar. Escapa-lhe assim completamente a estratégia do inimigo, e ele comporta-se como um cego que avança sem saber onde caminha. Acontece então, que o mundo se arma de modo errado, que só vale para a luta em seu plano, e nada vale na luta contra outros planos de vida. Acontece também que o mundo usa uma estratégia de guerra adequada apenas ao seu ambiente, e que nada vale diante da mais sutil e poderosa estratégia do imponderável. Ora, só se pode enfrentar um inimigo cuja natureza, psicologia e métodos da ação não se conhecem, em posição de grande desvantagem.

Se tudo isto é penoso e perigoso, não deixa de ser lógico. Uma das primeiras qualidades do involuído é sua cegueira, que o faz crer apenas no poder das forças materiais de seu mundo, não o deixando ver e computar o que esta além dele. A ignorância cresce com a involução, quanto mais baixo se desce, paralela à força bruta, à ferocidade. Acredita-se poder suprir vantajosamente a falta de luz, com a falta de escrúpulos; a falta de justiça, com a prepotência; a desordem, impondo o próprio eu. Chega-se assim, sem dúvida, à potência da explosão das forças elementares, fenômeno grandioso, mas primitivo e caótico.

Embora reconhecendo que esta é a única manifestação da vida nesse nível, por que ela aí nada sabe fazer melhor, alcança, entretanto, manifestações de muito maior potência e valor, com o aperfeiçoamento realizado pela evolução, ao fazê-la subir a planos superiores.

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Psicologias e Métodos de Ação: do Evangelho e do mundo

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Interessa a todos conhecer a técnica da descida das forças do Alto, a Terra, as armas de que elas dispõem e a estratégia que usam para vencer. Pode ser instrutivo observar como, neste caso, ocorreu o choque entre duas psicologias e métodos de ação os do Evangelho e os do mundo. Pode ser útil, depois de haver visto qual dos dois é verdadeiramente o mais poderoso, aprender sistemas mais evoluídos de vencer. Cada um usa sua forma mental e seus meios, de acordo com o diverso comportamento de sua natureza.

O mundo humano é um cenário complicado de aparências, entre as quais o homem evangélico deve mover-se com simples sinceridade. Aparentemente tudo é bondade, estima, desinteresse, nobre sacrifício pelo ideal, magnânima generosidade. De todos os lados esse exemplo nobre, estimulando á imitação. Nosso personagem encontrara esse ambiente e ficara encantado. Mas infelizmente, havia por baixo uma realidade diferente, havia a natureza humana que funcionava segundo as leis de seu plano biológico. A realidade era a luta feroz pela vida, conluios bem organizados de interesse, o velamento dos próprios objetivos para vencer melhor, dissimulando a verdadeira estratégia usada na batalha. Jogo sutil, recoberto de ideais desfraldados, para escondê-lo melhor. Sempre no mundo o mesmo tipo, os mesmos métodos estandardizados.

Esse o antagonismo que nosso personagem devia vencer: homens unidos em alianças, para se tornarem mais fortes, senhores do campo porque aí tinham nascido e vivido, conhecedores do terreno da batalha e armados de todos os meios, quer do poder econômico, quer do social, quer da astúcia: em outros termos — ao menos na opinião do mundo — os mais fortes indiscutivelmente, e portanto, segundo sua lógica, destinados ao triunfo, e eles mesmos antecipadamente certos da vitória.

Do outro lado a simples realidade descoberta: um homem pacífico, sozinho, sem planos manifestos nem ocultos, incapaz de enganar a quem quer que seja; um homem sozinho, desconhecedor do terreno da batalha completamente novo e desconhecido para ele; um homem pobre, evangelicamente indefeso, sem meios de qualquer espécie, desprovido de tudo e a mercê de todos. Indiscutivelmente — ao menos na opinião do mundo — ele era o mais fraco, e portanto, segundo a lógica dominante, destinado a derrota, considerado vencido antecipadamente por todos.

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As Forças do Alto

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Procuremos compreender melhor a técnica usada neste caso pelas forças do Alto para descer no ambiente humano. O que mais impressiona é a observação da organicidade do método na execução do plano. Tantas pessoas de temperamento, posição social, e recursos materiais diversos contribuíam, perseguindo cada qual fins diferentes, muitas vezes desconhecendo-se uma a outra!

Todas estas pessoas, no entanto, funcionam alinhadas em perfeita colaboração, seguindo sem saber e sem querer, as diretrizes de um plano orgânico que não conheciam e ao qual, se o tivessem conhecido, ter-se-iam rebelado por ser contrário a suas finalidades. Estas pessoas apareciam em cena no momento certo, para executar o trabalho particular para elas designado e desaparecer logo depois, logo que sua presença se tornava inútil aos fins do plano geral.

A observação destes fatos não podia conduzir senão a conclusão de que, como causa de um desenvolvimento tão ordeiro do fenômeno, não se poderia aceitar o acaso, nem a vontade dos elementos que nele trabalhavam. O plano era vasto e complexo, desconhecido por ser diverso daquele em que os executantes acreditavam desconhecido até pelo seu principal ator, o nosso protagonista que nada programava e só corria, como por eles arrastado, atrás dos acontecimentos.

Quem, pois, dirigia tudo? Quem encontra diante de si um efeito, deve presumir que este derive de uma causa e que esta seja da mesma natureza e qualidade do efeito. Neste caso ela devia ser inteligente e, dado que não era encontrável na terra, era preciso procurá-la alhures. Ora, em outro lugar, uma causa de tal natureza, inteligente, não podia ser encontrada senão no mundo espiritual. E, como já demonstramos antes, estava na lógica de todo um sistema de forças que, neste momento, fossem as dos mundos superiores as que deveriam manifestar-se tornando-se ativas no plano da vida humana.

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Como Seguir o Evangelho?

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Eram necessárias estas considerações, para a compreensão dos acontecimentos que estamos narrando. Para completar a experimentação até o fim, o nosso homem fora obrigado a adaptar-se numa posição de aceitação que o colocava num estado de sofrimento, que a longo andar, terminaria matando-o.

Quem segue o Evangelho na terra, coloca-se, com isto, na posição de carneiro entre os lobos; não pode, pois, deixar de acabar como mártir, por eles devorado. Continuando assim, o mundo teria vencido sobre Cristo. Havia-se chegado ao ponto do fenômeno.

Seria possível a derrota do Evangelho?

Se não acontecesse algum fato novo que não estava em poder daquele homem pôr em movimento, a doutrina de Cristo haver-se-ia demonstrado um engano. Em outras palavras havia chegado o momento em que as forças do Alto deviam manifestar-se e entrar em ação. Isto era o que impunha a lógica do desenvolvimento do experimento, sem o que este teria falido. O experimentador havia, de seu lado, posto em ação todos os elementos que dele dependiam. Agora, deviam ser movimentados todos os elementos que dependiam da parte contrária.

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Viver o Evangelho

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Assim, nosso protagonista decidiu a grande experimentação. Qualquer que viesse a ser o resultado dela, ele teria procurado utilizar a vida para finalidades mais elevadas que não as baixamente estúpidas de tantos outros. Pô-la a serviço de instintos animais, guiando-se por estes e não pela inteligência, era método impróprio ao seu biótipo.

Sua natureza era diversa e o levava a uma espécie de inconciliabilidade com os métodos dominantes. Procurava adaptar-se com um sentido de respeito aos sistemas do próximo, mas deste seu respeito o próximo se aproveitava para impor-se a ele. Enquanto ele procurava colaborar, os outros avizinhavam-se para dominar. Sacrificara-se para coadjuvar e encontrava quem só queria explora-lo.

O que, afinal, queriam dele? Era possível que, para viver naquele plano, fosse necessária a revolta e que fosse esta a resposta exigida por ser a única que os outros podiam compreender?

Assim foi que aquele homem estranho começou a viver o Evangelho. A experimentação, pelos perigos implícitos e por suas consequências, assim como pelas conclusões a que conduzia, devia ser efetuada com seriedade e precisão, como uma pesquisa de laboratório, observando exatamente todas as condições e reações.

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O Evangelho posto à Prova

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Voltemos, agora, ao centro da batalha onde está situado o protagonista, para estudar o centro da estratégia da mesma, porque é exatamente naquele ponto vital que se desferram os maiores ataques e mais ferve a luta. Trata-se aqui do ponto mais vital da missão e não de elementos acessórios que, representando funções secundarias, podem, sem prejuízo ser facilmente substituídos ou liquidados. O que constitui o verdadeiro fulcro da missão, da batalha e da sua estratégia, é um centro espiritual que esta além do instrumento terreno, mero executor material. Este centro é o Evangelho, e atrás do Evangelho está Cristo que, nos momentos decisivos, intervém e resolve, oferecendo-nos aquele maravilhoso fenômeno que vamos estudando, da descida à terra das forças do Alto.

Trata-se de um experimento vivido, levado a efeito para observar a tão discutida aplicabilidade real do Evangelho na pratica de nossa vida. Experimentação vital para o nosso protagonista, que, porém, tem importância amplíssima, por ter uma significação de interesse geral. Enfrentaremos  o problema da Grande Batalha  debaixo deste seu outro aspecto da experimentação evangélica, isto é, de missão cumprida, também para demonstrar que, contra todas as aparências, o Evangelho é aplicável completamente em nosso terreno humano e, ainda que isto pareça absurdo, com muita vantagem. Veremos os fatos conduzir-nos à conclusão de que o Evangelho é verdadeiro e que sua palavra, de fato, se realiza.

Ir adiante pelo caminho retilíneo da sinceridade, significa chegar muito antes do que tomando a estrada da mentira e do engano. Muitos preferem esta última por parecer um atalho, mas é um atalho em que se escorrega a cada passo e que, por isto, exige mais tempo para ser percorrido que a via mais comprida da honestidade onde não se escorrega, porque se coloca o pé não na lama, mas sobre a pedra firme.

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A Intervenção do Alto

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Continuemos a estudar a técnica do desenvolvimento de uma missão e especialmente como se verifica o fenômeno da descida das forças do Alto. Na amplitude do movimento o protagonista desaparece como um dos elementos entre tantos, investidos pelos impulsos que move a missão. Deixemos de lado, por um momento, o indivíduo, para ocuparmo-nos do movimento geral em que funcionam os outros elementos menores. Colocando-nos diante do fenômeno da intervenção do Alto, estudemos qual é a técnica usada por estas forças para descer na terra e arrastar assim os seus instrumentos para fazê-los agir de conformidade com os fins prefixados.

Nunca vemos Deus intervir diretamente, manifestando-se nos eventos humanos, mas sempre através do concurso interposto por pessoas. Para poder descer do Alto, as forças espirituais necessitam de processos de transformação, de redução, que lhes permitam manifestarem-se em nosso plano de vida.

Deus que é a causa imaterial de tudo, não pode manifestar-se diretamente no nível sensório de nosso mundo. Ele é causa e, como tal, não pode descer no terreno dos efeitos, mas somente manobrá-los da profundeza onde Ele está situado. Estes seus agentes exteriores que descem no campo da matéria, denominam-se instrumentos. Mas, como Deus os movimenta? O que agora nos interessa conhecer é a técnica desta ação de Deus na terra, por meio desses instrumentos.

Para o cumprimento de uma missão são precisos instrumentos de todo gênero e cada um é utilizado conforme suas qualidades. Aqueles que devem executar a parte mais elevada, espiritual, são adestrados, amadurecidos com treino preciso, como o são os primeiros atores de uma ópera. Os outros são comparsas, aos quais são confiadas as partes secundárias, não de conceito diretivo, mas de execução material, assim mesmo necessárias para o cumprimento da missão. Para os primeiros atores é necessária a compreensão do trabalho respectivo que lhes é oferecido e que eles aceitam por livre adesão. Mas, para os outros, ainda não amadurecidos e incapazes de compreensão, isto não é possível.

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Os Mártires da Evolução

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As leis que observamos são as que marcam o caminho da existência dos vários tipos biológicos conforme sua natureza. Isto é o que forma o destino próprio de cada um, mas acima de tudo do evolvido.

Destino! Pode este constituir o drama de uma vida, drama tanto maior, quanto mais for titânico aquele destino. Há destinos simples, cinzentos, insípidos, que se arrastam terra a terra, presos a pequenas coisas. Mas há, também, destinos tremendos, apocalípticos, feitos de dores, alegrias e conquistas poderosas de dimensões gigantescas, destinos em que se embatem o céu e a terra, numa luta que arrasta e esmaga o indivíduo numa tempestade cósmica.

Há destinos constituídos de poucas ideias, de realizações elementares, que não vão além das dores e das conquistas suportáveis por um menino. Mas há, outrossim, destinos em que se agitam os maiores problemas do universo, em quem através de grandes paixões devem realizar-se as maiores conquistas, e no meio das maiores dores é preciso saber dar escalada ao céu. Destinos feitos de tormenta criativa para os titãs do coração e do pensamento. Destinos de tormento proporcionado àquela potência, em que a dor bate duramente sobre a bigorna daquelas almas, para fazer emergir aquela potencialidade em centelhas que iluminem o mundo.

Assim conquista-se o porvir por obra dos pioneiros do progresso, os mártires da evolução. Executam eles o grande esforço, acima de tudo, para os outros, sua maior paixão é fazer subir o homem para seu próprio bem. O mundo responde, muitas vezes, com a inveja e perseguição em vida, com a crucificação em morte, e com a exploração depois da morte.

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A Lei da Força e a Lei do Amor

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Das duas leis, qual é a mais poderosa e a qual delas pertence a vitória final?

O homem poderá liquidar materialmente o evolvido, destruindo o seu corpo físico, mas com isto, não é possível anular a lei de um plano de vida e o poder que o faz funcionar. Em sua ignorância o involuído pode acreditar que se trata de encontro de homens, uma vez que não sabe enxergar além da forma exterior. Mas, aqui, trata-se de embate de ideias, e as ideias não podem ser mortas. Aqui acha-se empenhada a lei que rege o universo na sua evolução e a nenhum ser é dado sequer abalá-la.

As duas leis estão face a face. Sobrevivem elas, indestrutíveis, aos episódios em que se manifestaram. De um lado a lei da força, de outro, a lei do amor. Qual das duas é mais poderosa: a da força ou a do amor?

Trata-se de uma luta, não entre os indivíduos do mesmo plano para sobrepujarem-se usando a mesma estratégia e permanecendo no mesmo sistema, mas entre indivíduos de planos diversos para combinarem-se, usando estratégias diferentes, filhas de sistemas diversos. É uma luta, de um lado, de seres que odeiam para destruir, com seres que, do outro lado, amam para criar. O abraço, em que não podem deixar de se estreitarem todos os lutadores, é de rivalidade exclusiva de um lado, de amor fraterno do outro. De um lado a violência destruidora do egoísmo, de outro o poder construtivo do amor.

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