Revoluções dos Rebeldes

queda-e-salva_ao-80_

Quando nas revoluções são os rebeldes que estabelecem uma nova ordem para si, eles armam tribunais para condenar, conforme a justiça, os seus inimigos em nome da lei, como fazia antes contra eles a sociedade regularmente constituída. O espírito de luta, de agressividade e defesa é legítimo neste plano de vida e faz parte da lógica de sua ética. Estamos ainda na fase caótica do egocentrismo separatista, em que a defesa para a sobrevivência não pode ser confiada senão ao indivíduo isolado ou, por instinto gregário, unido em grupo com alguns semelhantes seus.

O Estado com a sua autoridade em nossa sociedade dita civilizada, apesar de democrático e representativo, é constituído por um desses grupos, formado pela classe dominante que defende, contra todos, os seus interesses e vida. Tudo isto se pode considerar lógico e justo se colocarmos a nossa sociedade no nível biológico ao qual ela pertence o da luta e da força.

 O engano se revela quando neste mundo queremos falar de verdadeira justiça, coisa que só aparece num mais alto nível de existência, ao qual o homem ainda não chegou.

Não há dúvida que todos têm o direito de viver, em todos os planos de vida e em todas as relativas formas de ética. Mas com a evolução se modifica o método para atingir essa finalidade. Então não é mais o indivíduo que se defende, mesmo usando as leis como arma na sua luta contra o próximo numa contínua peleja de ataque e defesa, onde só o mais astuto ou rico tem razão; mas é a coletividade para a qual o indivíduo faz tudo, aquela que faz tudo para ele e o defende no seio duma ordem não mais partidária, mas imparcial e universal. Mas isto poderá acontecer somente quando a humanidade houver atingido o estado orgânico e o indivíduo tiver adquirido a consciência necessária para saber viver nele.

Se a substância do método atualmente vigorante em nossa sociedade é a da defesa, pode-se dizer que esse objetivo foi atingido. Mas aqui o mal-entendido reaparece quando, com tal método, essa sociedade pretende tratar e curar a doença da criminalidade. Perante esta, que deveria ser a suprema finalidade do poder judiciário, na atual conjuntura social, é uma falência.

Mas para que isto não aconteça seria necessário usar a forma mental e a ética de um outro plano, onde a tarefa de quem domina não é a de defender contra todos a sua posição de domínio, mas a de levantar os inferiores, de educar e remir os criminosos, eliminando a semeadura de tanto mal, a qual diariamente se está realizando em nosso mundo na mais completa inconsciência das consequências.

O atual método repressivo corresponde ao do cirurgião que procura curar cortando o tumor do câncer. Assim, com todas as providências da justiça humana, teoricamente perfeita, a doença da criminalidade, atravessando os séculos, ficou sempre de pé.

Infelizmente a realidade é que possuem todos a mesma forma mental, usam todos o mesmo método de luta, quem julga não está situado acima e fora da raça humana para que lhe seja possível julgar. Seguem todos o mesmo caminho, pelo qual à ordem não se pode chegar a não ser constrangido os rebeldes à obediência, porque o ponto de partida é o caos; não se pode chegar ao direito senão ordenando a força, e à justiça senão disciplinando a injustiça. E, seguindo este mesmo caminho, os diferentes grupos vencedores se alternam no palco da história, obedecendo aos mesmos instintos, os do seu nível biológico, usando as mesmas armas, para atingir as mesmas finalidades. Também na livre escolha democrática do pleito eleitoral, é sempre o poder da posição, da inteligência, dos recursos, o que permite que alguém vença os seus antagonistas políticos.

Eis qual é a luta entre o biótipo A2 e o A3, e ao contrário. Ambos querem e têm o direito de viver. Mas o segundo não quer reconhecer esse direito ao primeiro, que então tem de conquistá-lo com a força. Para o tipo A2 não há lugar no castelo dos vencedores Por isso ele tem de ficar fora como rebelde. Claro que se os revoltosos encontrassem um abrigo dentro do castelo, eles acabariam tornando-se homens da ordem.

Para acabar com os homens da desordem, seria necessário colocá-los dentro da organização da ordem, porque, se então se tornassem inimigos dela, se tornariam inimigos de si próprios. Que eles se tornem defensores da ordem é o que de fato acontece, logo que um deles enriquece e consegue ocupar posições elevadas na sociedade.

O mundo atual deveria compreender que é seu interesse que não haja expulsos, que é absurdo um banquete a sós, sem que aqueles que estão olhando não acabem furtando alguma coisa. A nossa sociedade não chega a compreender isso, porque não possui mais do que a forma mental do seu nível biológico, com a qual não sabe conceber tudo senão em função do eu particular e sua vantagem imediata. E assim que a coletividade fica continuamente repleta de rebeldes criminosos. Por este caminho o problema não se resolve, até que sejam suprimidas as causas primeiras que estão dentro do próprio corpo social dos vencedores, que assim continua sempre levando consigo a sua doença crônica.

Eis então o que acontece em nosso mundo. Justificando-se com um castelo teórico de princípios e leis, a classe dirigente que tem em mãos o poder, com a sua forma mental, estabelece uma ética, cujos conceitos abstratos de bem e mal na realidade significam só o bem ou o mal daquela classe.

Na substancia se trata só de justificar em nome de princípios superiores a necessidade de constranger à obediência os rebeldes. O restante é problema longínquo, que fica na sombra. Este constrangimento se baseia no princípio da satisfação ou do sofrimento, e atua por meio do prêmio ou da pena. Assim aparece nas religiões a ideia de paraíso e inferno que corresponde à das leis civis, das honras ou da cadeia. Mas isto nau educa, não melhora, somente estimula à luta egoísta para ganhar a própria vantagem ou evitar o próprio dano.

É lógico que a ética do egocentrismo não possa gerar a não ser frutos da mesma natureza. Acontece assim que o biótipo A3 não levanta o A2 para um mais alto nível evolutivo, mas fica abraçado com ele no mesmo pântano.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

Faça seu comentário e participe de nosso grupo de estudos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s