Relação Evoluído e Involuído

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Cada plano de evolução está regido por uma ética sua, relativa, a ele particular, que gradativamente se transforma da ética do nível inferior, na ética do nível mais adiantado que o ser vai atingindo com a sua evolução. Estamos no terreno do ser decaído, onde a perfeição do absoluto desmoronou no transformismo do relativo, sempre em marcha no caminho de regresso á perfeição.

Eis que, ao longo da linha da evolução YX, ou linha da Lei de Deus, cada ponto e respectiva posição do ser representa um diverso tipo de ética relativa, ou regra que dirige a vida do ser conforme o seu grau de evolução. Chega-se assim da duríssima lei determinística da matéria e dos seres inferiores, a lei sempre mais livre e  feliz do espírito e dos seres superiores.

Todos esses diferentes tipos de ética, cada um relativo ao nível particular de evolução onde o ser se encontra, estão contidas na Lei que é o pensamento de Deus, que abrange e dirige tudo o que existe.

Marcamos em nossa figura, ao longo da linha YX da evolução, os pontos A1, A2, A3, A4, A5. Cada um expressa um nível evolutivo e plano de vida diferente e o respectivo tipo de ética que o rege. Na realidade o número desses pontos é muito maior, preenchendo a contínua transformação de um para o outro no seu trajeto de subida todas as posições intermediárias.

Este problema do evoluído e involuído representa um caso particular dessa transformação de um tipo de existência, e da sua correlativa ética para o outro.

Se imaginarmos o homem atual situado num grau de evolução que esteja mais ou menos na metade do caminho ascensional YX, poderíamos colocar o biótipo atual chamado normal, aquele que constitui hoje a maioria na Terra, no ponto A3. Então o selvagem estaria situado no ponto A2, e o mais evoluído no ponto A4. Cada uma dessas posições relativas representa um dado nível de existência regido em função de sua posição, por sua ética, donde se conclui que o melhor para um dado biótipo não o é para o outro, e que é justo e bom para o primeiro não o é para o segundo.

Eis então o que significa evoluído e involuído. O ser de nível A3 (hoje normal) é um evoluído em relação ao ser do nível A2 (selvagem); e ao contrário, o do nível A2 é um involuído em relação ao nível A3. E assim também o biótipo de nível A4 (hoje super-homem) é um evoluído se comparado ao ser do nível A3 (homem atual), e ao contrário, o do nível A3, é um involuído em relação ao biótipo do nível A4.

Temos assim três posições que reciprocamente se julgam de modo diferente, conforme o ponto de referência onde o ser esta situado. Elas são: A2, nível do selvagem; A3, nível do homem normal; A4, nível do evoluído. Dentro de nossa sociedade o homem do tipo A2 existe, qual subdesenvolvido nas camadas inferiores, como primitivo ou como criminoso e rebelde à ordem constituída. O homem do tipo A3 é o que domina pela força do número e estabelece tudo, leis e métodos de vida, tudo adaptando ao seu nível, entendimento e utilidade.O homem do tipo A4 representa uma minoria sem direitos, que tem de adaptar-se às leis e hábitos, para ele selvagens, da maioria.

Cada um dos três tipos concebe o outro, sempre colocado em seu relativo e diverso ponto de vista, julgando-se a si mesmo o tipo perfeito, modelo para todos aqueles que mais tem direito à vida.

O biótipo que domina em nosso mundo é o tipo A3, que por isso julga justo impor a sua ética a todos, inferiores como superiores. Observaremos agora os dois casos:

1) Quando a maioria, que faz as leis para si, se dirige aos inferiores involuídos.

2) Quando ela se dirige aos superiores evoluídos.

Escolhemos como ponto de referência o biótipo dominante porque é ele que, com a sua forma mental dada pelo seu plano de vida, estabelece as regras de conduta de nossa sociedade, as leis civis e religiosas, isto é, toda a ética, impondo-a aos outros.

Como trata então esse biótipo hoje dominante os outros dois que, em relação a ele, se encontram na posição de involuído e evoluído? Observemos primeiro o caso do involuído.

Quando ele é representado por outros povos em terras coloniais, em geral as relações são as do homem chamado civilizado que, obedecendo à ética do seu plano, explora pelo direito da força, inteligência e recursos materiais, quem é menos provido desses meios. Neste nível pertence ao mais forte estabelecer as leis e a ele é devido todo o direito. Ética de luta, pela qual tudo acaba nas mãos de quem sabe agarrá-lo.

Eis a consequência lógica dessa ética: os que não sabem defender-se e impor-se são esmagados. Esta é a realidade que de fato existe além das teorias políticas ou religiosas pregadas. Neste plano vigora o método do vencedor e vencido, que vai das invasões bárbaras à exploração do trabalhador analfabeto. E por isso que no mundo de hoje: enquanto estão pregando a paz, se preparam para a guerra. Esta é a única ética neste nível de vida. Este é o método e a base ela glória de todos os imperialismos. Método em que se concordam todas as raças e povos, de todos os tempos e países do mundo.

Mas em outra forma o involuído se encontra também dentro da sociedade dos povos que se chamam civilizados. Como trata aquela maioria dominante, esse biótipo subdesenvolvido?

Refiro-me aos que na ordem social não conseguiram encontrar o seu lugar para viver e o procuraram fora daquela ordem como rebeldes ou delinquentes. Ficando fora da organização coletiva, e representando eles só uma minoria, pelo menos nos períodos normais não revolucionários, sobre eles gravita o peso da maioria com a sua ética de domínio, que estabelece com as leis o que é direito e justiça. Esta minoria tem de ficar sujeita, quando não consegue romper os diques com as revoluções, às leis civis e religiosas que constituem a ordem que representa a defesa dos interesses da classe dominante.

Os fatos da realidade biológica nos mostram que neste nível a vida se baseia na luta de todos contra todos, vigorando o método do ataque e defesa para que sobreviva só o vencedor. Disto se segue que os conceitos de direito, de justiça, de punição em nome de princípios ideais, até em nome de Deus, são só aparências exteriores, enquanto a substância dos fatos é outra coisa. Não há ser humano que não deseje a ordem, assim como a unidade. Mas subentende-se que ele admite só a ordem onde é ele que manda, e a unidade onde são os outros que obedecem.

Estamos apenas observando o fenômeno imparcialmente. É claro que a coisa mais urgente para todos é antes de tudo defender-se e não há motivo para que a sociedade faça exceção a essa regra, tanto mais que os criminosos conhecem mais do que todos o método do ataque e defesa. Ninguém pode negar à sociedade esse direito à legítima defesa. Mas isto quer dizer que estamos no terreno da luta, onde a vitória pertence ao mais forte. O mal-entendido está no fato de que esta luta e defesa ficam escondidas sob o manto do direito e da justiça.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

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