Lei igual para todos

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Se o criminoso furta ou mata, faz isso porque a experiência que adquiriu no ambiente em que nasceu e cresceu lhe ensinou que era mais provável conseguir vencer na vida pelos atalhos da desordem e revolta, do que pelo caminho direto e longo do trabalho e da ordem. E de fato a vitória no caminho da delinquência depende da inteligência, poder e recursos, como deles tudo depende na Terra. E o criminoso funciona conforme a ética vigorante. De fato quem cai na rede das leis é o delinquente simplório, desarmado, isolado, sem recursos e inteligência ou mentalmente doente. A rede em geral pega só os peixes fracos e pequenos. Os grandes tubarões me escapam. O lema é: “A lei é igual para todos”, ao qual alguns acrescentam: “os simplórios”.

E o que acontece, depois, com esse criminoso que a lei consegue agarrar?

Com uma pública e solene demonstração de justiça nos tribunais, isolam-se esses sujeitos, por um período de tempo arbitrário nas cadeias. Que faz o preso? Ele continua reagindo ainda mais contra a sociedade que, depois de haver gerado os ambientes onde tudo isto pôde nascer, agora pune o fruto deles com a prisão. Ele vai morar num ambiente saturado de criminalidade, onde quem nunca houvesse sido delinquente seria levado a tornar-se tal. Escola às avessas. E, quando ele terminar esse curso de mau exemplo e de revolta interior, a sociedade o considera curado e o aceita de novo, em seu seio, aquele indivíduo que se tornou pior, porque a pena atormenta, não convence, mas gera nova revolta. Isto, do ponto de vista educativo, revela uma grande ignorância. Explica-se, porém, enquanto é fruto do passado, quando os segredos da  psicologia humana eram desconhecidos, e vigorava aquela ética, descontrolado fruto do  subconsciente instintivo.

O resultado lógico de tudo isto é que a delinquência continua como câncer social permanente, o que revela a impotência dos métodos atuais para a solução do problema. Quando uma doença não se cura, em geral isto se atribui à ignorância do médico. Medicina repressiva – Mas a doença é uma fera a domar com a força, é antes um processo lógico que se penetra com a inteligência.

A substância da penalogia é constituída por uma luta armada entre ações e reações da mesma natureza. Não é que defendemos o criminoso. Queremos só reconhecer que, enquanto esse método vigorar, nunca poderá acabar a luta entre o biótipo A3 e o A2, e ao contrário. Seria necessário antes de tudo educar os educadores. O método da luta não pode gerar senão luta, da guerra só pode nascer guerra. Seria necessário acabar com esse método, procurando compreender e ajudar, em vez de condenar e reprimir, reconhecendo que não se pode eliminar o direito à vida, sem que esta ressurja torcida em outra forma.

Em vez de se ocuparem a cobrir a realidade com um manto de hipocrisia falando de justiça, quando a realidade é apenas a da defesa própria na luta, seria necessário que mais honestamente se enfrentasse o problema, usando de sinceridade para resolvê-lo, eliminando os ambientes onde nasce o mal, cuidando dos criminosos através da educação, fazendo desaparecer assim as causas do fenômeno.

Dado o seu nível biológico, toda a nossa vida social se baseia não na compreensão e colaboração, mas na rivalidade e na luta. Todavia o problema das relações sociais não se pode resolver com tais métodos. O criminoso luta contra as leis, que são as armas dos seus naturais inimigos, com uma estratégia mais ou menos perfeita e poderosa, como qualquer guerreiro lutaria contra outros guerreiros. Assim se desenvolve a inteligência, mas no sentido das astúcias e enganos, por caminhos oblíquos. Explica-se assim a função biológica da mentira, até dessa hipocrisia de que agora falávamos, como meio de defesa da vida. Quem não desenvolveu esse ínfimo grau de inteligência, ou a desenvolveu demais para que lhe seja possível retrogradar até esse nível, será sempre julgado um deficiente que, por isso, merece e deve ser condenado.

A vida nos seus níveis mais evoluídos se baseia sobre princípios diferentes. Para quem vive neste plano não há gente fora do castelo dos vencedores, porque todos se ajudam fraternalmente e sabem que são elementos da mesma unidade orgânica. Só quando, superando o método atual de desconfiança, chegarmos à compreensão fraternal, os problemas que hoje nos atormentam poderão ser resolvidos. O sistema vigorante da luta é contraproducente. A severidade das penas demonstra a fraqueza dos dominantes, fruto do temor para que os rebeldes não permaneçam contra o poder. Até há poucos anos a justiça dava, como exemplo educador, público espetáculo, punindo ou matando os criminosos. E o povo corria para ver.

Mas o que passava como um exemplo educador, na realidade era um escândalo, e por isso gostoso e procurado. E, quanto mais feroz o espetáculo, tanto mais gente corria para gozar de tão saboreado petisco. Claro que assim se realizava uma educação às avessas, porque o povo aprendia a arte do crime, acrescentando a lição que ele se torna legítimo quando o comete quem tem o poder nas mãos.

Todos ficam satisfeitos: 1) os chefes, porque acreditavam dar um exemplo de sua força, confirmando o seu domínio; 2) os juízes, porque, agradando ao seu senhor e mostrando o seu poder, fortaleciam a sua posição, ao mesmo tempo que a pública encenação da justiça tranquilizava a sua consciência, porque tudo se havia realizado com o consentimento de todos, endosso universal que, deixando as condenações dentro dos limites da lei e da ética, as legitimava; 3) o povo ficava satisfeito porque podia estudar a arte de matar e vingar-se do próximo, e ao mesmo tempo com tão gostoso espetáculo de ferocidade, seguindo a sua ética de luta, satisfazer o seu instinto de agressividade e destruição, que é qualidade do involuído. Deste modo, chefes, juízes e povo todos ficavam satisfeitos porque, cada um verificando a sua utilidade particular, todos juntos podiam, assim unidos, libertar-se de um inimigo comum e isso sem perigo, porque se tratava de um fraco vencido.

Eis qual é, brevemente resumido, o jogo das ações e reações entre o tipo A3 e o A2, e ao contrário.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

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