Determinismo da Lei

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Continuemos desenvolvendo o nosso tema para cumprir a tarefa de demonstrar cada vez melhor o funcionamento da Lei aos que amadureceram a inteligência para compreender e aprender a arte da conduta certa, o único caminho que nos pode levar à felicidade.

Procuraremos agora expor um quadro mais completo do fenômeno da evolução, para melhor entendermos o segredo da sua técnica, estrutura e significação profunda. Na sua substância, a evolução é representada pelo caminho que vai do AS para o S, isto é, de um estado que tem todas as características do primeiro para um estado que possui as do segundo.

Para o ser, a que mais interessa, porque mais de perto o toca, é a da dor, qualidade do AS, e a da felicidade, qualidade do S. Isto é importante pelo fato de que representa o impulso fundamental que impele o ser, repelido pela dor e atraído pela felicidade, a cumprir o esforço que lhe é necessário para subir do AS para o S. De fato, o impulso que mais movimenta o ser neste seu duro caminho é a carência e, por isso, a desesperada procura da felicidade.

Este seu anseio responde a um ímpeto instintivo e irrefreável, devido a um vazio, à falta de alguma coisa grande e indispensável, que por certo o ser possuía no S, mas que depois foi perdido. Este seu anseio prova que se trata de coisa que ele bem conhecia, mas que agora não possui mais, da qual, porém, se lembra e de que sente infinita saudade.

A involução, produto da queda, foi um movimento em direção errada, porque procurou a felicidade às avessas, isto é, não na obediência, mas na revolta. E lógico então que, com tal método, por esse caminho emborcado, o ser não pudesse chegar senão a um resultado emborcado: a dor, exatamente o contrário da felicidade. Ora, o endireitamento desse processo involutivo se faz através da evolução, que representa o caminho em direção certa, o único apto a recuperar a felicidade perdida.

Qual é então a posição do homem atual a este respeito?

Todos lamentam que na Terra a felicidade é inatingível, que ela se resolva numa ilusão. Por que razão o prêmio, depois de tanta luta e corrida, deve ser só a amargura desse engano? Por que motivo o homem tem de ser traído no seu maior anseio? Somente com a teoria da queda isto se explica.

O ser, no S, era feliz. Com a revolta ele transformou a felicidade de que gozava no S, na sua infelicidade, no AS. Explica-se assim, e é lógico, o seu desejo de voltar à felicidade de origem, e de fugir da dor em que caiu, o que revelando a sua natureza de cidadão do S, agora desterrado no AS, do qual quer fugir para voltar à sua pátria, o S.

Há, porém, também o fato de que esse cidadão esta abismado no AS, possui, por isso, a respectiva forma mental da revolta que o leva, não para a almejada felicidade, mas para a dor.

Eis então que o homem se encontra em contradição consigo mesmo: procura uma coisa que deseja desesperadamente, seguindo, no entanto o caminho que leva para o seu contrário: quer atingir o que ele, com os seus métodos, impede que seja atingido. Ele quer chegar à felicidade, mas sem usar as qualidades construtivas do S, que são as de obediência na ordem, utilizando antes a revolta que é qualidade destrutiva, que pertence ao AS. É a mesma coisa que querer abrir uma porta, não empurrando-a no sentido em que ela se abre, mas no sentido em que se fecha.

O mal está todo no princípio errado do emborcamento que o ser com a revolta, introduziu na sua existência. Foi assim que ao lado da perfeita lógica do S, pôde nascer este absurdo: para satisfazer o seu instinto certo de felicidade a qual se pode encontrar só no S, o homem usa a sua forma mental errada, própria do AS, aquela que o leva para o sofrimento.

Como pode o homem procurar a felicidade para atingir o seu objetivo?

É lógico que conduza ao seu contrário, como de fato acontece. Eis por que o homem lamenta que a felicidade na Terra é inatingível, e sua busca é uma ilusão. Mas é lógico que, quando procuramos uma coisa em sentido emborcado, não seja possível encontrá-la senão em posição emborcada, isto é, no seu contrário.

O erro não está na estrutura do sistema do universo, mas somente no homem, no seu espírito de revolta, no fato de ele querer usar a psicologia do AS. E lógico que um processo absurdo acabe no absurdo, isto é, que neste caso, procurar a felicidade se resolva num engano e, em vez de gerar felicidade, gere dor.

O que de fato vemos acontecer no mundo é que o homem quer substituir o seu eu a Deus, a sua lei à Dele, isto é, o princípio da usurpação à força, fora da ordem estabelecida, ao princípio justo do merecimento dentro daquela ordem. O pecado que leva para uma felicidade emborcada no engano, é o querer chegar a ela não legitimamente, merecendo-a, mas ilegitimamente, furtando-a. O que emborca todo o processo em prejuízo do homem em vez de um seu favor é apenas o seu método errado. O engano que ele lamenta está no escolhido por ele. Quando um erro está nas premissas, não pode deixar de aparecer também nos resultados.

Ninguém pode impedir que o efeito seja de natureza idêntica a da causa. O absurdo que o homem quer realizar, o qual na sua ignorância não compreende, está no fato de querer chegar a possuir uma qualidade que pertence ao S, usando os métodos que a negam, e não os do S. Os do AS, pela sua própria natureza, não podem levar senão ao objetivo oposto ao almejado. Claro que uma alegria arrancada à força ou com o engano, não pode produzir senão veneno.

Se o homem fosse inteligente deveria compreender a simples lógica de tudo isto. Mas também a ignorância é qualidade do AS em que ele está situado. A sua astúcia é a do ignorante, que termina em loucura. Explica-se, assim, como ele prefira praticar o absurdo de procurar a felicidade, e somente encontrar o sofrimento.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

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