Erro e Sofrimento

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O homem está livre de fazer o que quer; mas ninguém pode impedir que fique vigorando o inviolável princípio da Lei pelo qual, com a injusta usurpação, não se pode conquistar felicidade. Apesar de que na superfície domine e pareça vencer o princípio da força e da astúcia, o que de fato continua dominando e vencendo, contra toda a vontade humana, na substância, é a Lei de Deus, a do merecimento e da justiça. Quem se quer evadir, leva consigo a autopunição, porque acaba na ilusão. A Lei permanece sempre perfeitamente lógica, e o absurdo fica nas mãos do homem que o quis.

Mas a sabedoria da Lei não se esgota somente com a perfeição de sua lógica. Ela não deixa o ser abandonado em sua ignorância a perder-se, mas sabe, para o bem dele, tirar daquela ignorância toda a vantagem possível. O método das ilusões pode ser útil para impulsionar um ser ignorante – mergulhado no AS e seguindo os seus desastrosos métodos – a voltar apesar de tudo, para o S, onde só é possível encontrar a almejada felicidade.

O homem deseja a felicidade com todas as suas forças, mas quem não sabe que ela, pela nossa insaciabilidade, se afasta de nós, quanto mais julgamos tê-la atingido e possuí-la? Parece que ela queira fugir de nós, de propósito, como uma miragem, só para nos impulsionar para a corrida contínua de quem tem sempre que procurar, porque nunca consegue encontrar.

Eis então que a ilusão produz um resultado útil que é esta corrida, impelindo o ser insatisfeito sempre para a frente no caminho da tentativa, da experimentação, da aprendizagem e por fim da evolução. Então a sabedoria da Lei deixa funcionar o método da ignorância, que quer furtar à força a felicidade, não para chegar a esta, mas para atingir um objetivo muito mais útil, o de evoluir, o que quer dizer aproximar-se cada vez mais da felicidade verdadeira, que poderá ser encontrada somente no fim do caminho da evolução, com o regresso ao S.

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Determinismo da Lei

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Continuemos desenvolvendo o nosso tema para cumprir a tarefa de demonstrar cada vez melhor o funcionamento da Lei aos que amadureceram a inteligência para compreender e aprender a arte da conduta certa, o único caminho que nos pode levar à felicidade.

Procuraremos agora expor um quadro mais completo do fenômeno da evolução, para melhor entendermos o segredo da sua técnica, estrutura e significação profunda. Na sua substância, a evolução é representada pelo caminho que vai do AS para o S, isto é, de um estado que tem todas as características do primeiro para um estado que possui as do segundo.

Para o ser, a que mais interessa, porque mais de perto o toca, é a da dor, qualidade do AS, e a da felicidade, qualidade do S. Isto é importante pelo fato de que representa o impulso fundamental que impele o ser, repelido pela dor e atraído pela felicidade, a cumprir o esforço que lhe é necessário para subir do AS para o S. De fato, o impulso que mais movimenta o ser neste seu duro caminho é a carência e, por isso, a desesperada procura da felicidade.

Este seu anseio responde a um ímpeto instintivo e irrefreável, devido a um vazio, à falta de alguma coisa grande e indispensável, que por certo o ser possuía no S, mas que depois foi perdido. Este seu anseio prova que se trata de coisa que ele bem conhecia, mas que agora não possui mais, da qual, porém, se lembra e de que sente infinita saudade.

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Formas Mentais

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Como o biótipo A3, hoje dono do planeta, trata o biótipo A4 que excepcionalmente aparece na Terra?

Estudemos agora o recíproco jogo de ações e reações entre estes dois biótipos. Se escolhermos como ponto de referência a posição A3, a do homem comum, o ser do nível A4 nos aparecerá um tipo de super-homem evolutivamente mais adiantado. Mas, se escolhermos como ponto de referência a posição A4, o homem comum situado no nível A3, nos aparecerá um involuído, evolutivamente mais atrasado. Este é o sentido que demos, neste livro e nos precedentes, às palavras: evoluído e involuído, escolhendo como ponto de referência a posição ocupada pelo homem atual na escala da evolução.

Cada uma dessas duas posições traz consigo a sua forma mental e a sua correlativa ética e particular lei de conduta, bem diferentes, das quais já falamos bastante. O evoluído queria que neste mundo a vida fosse regida pela sua ética. Mas esta não é a do biótipo dominante. Daqui nasce o choque. Ao involuído não interessa nada se o outro é evolutivamente superior.

Com a forma mental do seu plano e sua ética, ele sabe que o evoluído representa um caso isolado ou pequena minoria, e que por isso não tem direito algum; sabe que aquele tipo não está armado, não usa a força, e na prática é um fraco, um covarde, um vencido, com função somente de obedecer. Só a quem possui a força para dominar pertencem todos os direitos. Mas o evoluído não pode de maneira nenhuma viver conforme uma lei que para ele é de ferocidade.

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Lei igual para todos

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Se o criminoso furta ou mata, faz isso porque a experiência que adquiriu no ambiente em que nasceu e cresceu lhe ensinou que era mais provável conseguir vencer na vida pelos atalhos da desordem e revolta, do que pelo caminho direto e longo do trabalho e da ordem. E de fato a vitória no caminho da delinquência depende da inteligência, poder e recursos, como deles tudo depende na Terra. E o criminoso funciona conforme a ética vigorante. De fato quem cai na rede das leis é o delinquente simplório, desarmado, isolado, sem recursos e inteligência ou mentalmente doente. A rede em geral pega só os peixes fracos e pequenos. Os grandes tubarões me escapam. O lema é: “A lei é igual para todos”, ao qual alguns acrescentam: “os simplórios”.

E o que acontece, depois, com esse criminoso que a lei consegue agarrar?

Com uma pública e solene demonstração de justiça nos tribunais, isolam-se esses sujeitos, por um período de tempo arbitrário nas cadeias. Que faz o preso? Ele continua reagindo ainda mais contra a sociedade que, depois de haver gerado os ambientes onde tudo isto pôde nascer, agora pune o fruto deles com a prisão. Ele vai morar num ambiente saturado de criminalidade, onde quem nunca houvesse sido delinquente seria levado a tornar-se tal. Escola às avessas. E, quando ele terminar esse curso de mau exemplo e de revolta interior, a sociedade o considera curado e o aceita de novo, em seu seio, aquele indivíduo que se tornou pior, porque a pena atormenta, não convence, mas gera nova revolta. Isto, do ponto de vista educativo, revela uma grande ignorância. Explica-se, porém, enquanto é fruto do passado, quando os segredos da  psicologia humana eram desconhecidos, e vigorava aquela ética, descontrolado fruto do  subconsciente instintivo.

O resultado lógico de tudo isto é que a delinquência continua como câncer social permanente, o que revela a impotência dos métodos atuais para a solução do problema. Quando uma doença não se cura, em geral isto se atribui à ignorância do médico. Medicina repressiva – Mas a doença é uma fera a domar com a força, é antes um processo lógico que se penetra com a inteligência.

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Revoluções dos Rebeldes

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Quando nas revoluções são os rebeldes que estabelecem uma nova ordem para si, eles armam tribunais para condenar, conforme a justiça, os seus inimigos em nome da lei, como fazia antes contra eles a sociedade regularmente constituída. O espírito de luta, de agressividade e defesa é legítimo neste plano de vida e faz parte da lógica de sua ética. Estamos ainda na fase caótica do egocentrismo separatista, em que a defesa para a sobrevivência não pode ser confiada senão ao indivíduo isolado ou, por instinto gregário, unido em grupo com alguns semelhantes seus.

O Estado com a sua autoridade em nossa sociedade dita civilizada, apesar de democrático e representativo, é constituído por um desses grupos, formado pela classe dominante que defende, contra todos, os seus interesses e vida. Tudo isto se pode considerar lógico e justo se colocarmos a nossa sociedade no nível biológico ao qual ela pertence o da luta e da força.

 O engano se revela quando neste mundo queremos falar de verdadeira justiça, coisa que só aparece num mais alto nível de existência, ao qual o homem ainda não chegou.

Não há dúvida que todos têm o direito de viver, em todos os planos de vida e em todas as relativas formas de ética. Mas com a evolução se modifica o método para atingir essa finalidade. Então não é mais o indivíduo que se defende, mesmo usando as leis como arma na sua luta contra o próximo numa contínua peleja de ataque e defesa, onde só o mais astuto ou rico tem razão; mas é a coletividade para a qual o indivíduo faz tudo, aquela que faz tudo para ele e o defende no seio duma ordem não mais partidária, mas imparcial e universal. Mas isto poderá acontecer somente quando a humanidade houver atingido o estado orgânico e o indivíduo tiver adquirido a consciência necessária para saber viver nele.

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Relação Evoluído e Involuído

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Cada plano de evolução está regido por uma ética sua, relativa, a ele particular, que gradativamente se transforma da ética do nível inferior, na ética do nível mais adiantado que o ser vai atingindo com a sua evolução. Estamos no terreno do ser decaído, onde a perfeição do absoluto desmoronou no transformismo do relativo, sempre em marcha no caminho de regresso á perfeição.

Eis que, ao longo da linha da evolução YX, ou linha da Lei de Deus, cada ponto e respectiva posição do ser representa um diverso tipo de ética relativa, ou regra que dirige a vida do ser conforme o seu grau de evolução. Chega-se assim da duríssima lei determinística da matéria e dos seres inferiores, a lei sempre mais livre e  feliz do espírito e dos seres superiores.

Todos esses diferentes tipos de ética, cada um relativo ao nível particular de evolução onde o ser se encontra, estão contidas na Lei que é o pensamento de Deus, que abrange e dirige tudo o que existe.

Marcamos em nossa figura, ao longo da linha YX da evolução, os pontos A1, A2, A3, A4, A5. Cada um expressa um nível evolutivo e plano de vida diferente e o respectivo tipo de ética que o rege. Na realidade o número desses pontos é muito maior, preenchendo a contínua transformação de um para o outro no seu trajeto de subida todas as posições intermediárias.

Este problema do evoluído e involuído representa um caso particular dessa transformação de um tipo de existência, e da sua correlativa ética para o outro.

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