Os Prazeres da Santidade

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Se no passado, todavia, eles foram absolutamente indispensáveis para tolher os excessos do homem medieval, que agora não se convertam em renúncias vazias e improdutivas, capazes de solapar o potencial humano em vez de excitá-lo na direção que convém. A alma requer abastecer-se de prazeres que a nutram no longo périplo de retorno ao Pai, por isso, a simples abdicação de suas alegrias, sem que sejam substituídas por outras de maior vulto moral, poderá terminar por sofrear-lhe o necessário progresso.

Ante a premência de abandonar as satisfações da carne, abjurar a fortuna ilícita e sujeitar-se às ordenações exteriores, pergunta-se o homem comum o que lhe restará de deleites na vida superior do espírito.

Desconfiado de que o regozijo do santo não lhe convém, ele se afasta das aquisições nobres e da prática das virtudes, temeroso de perder os parcos gozos que a existência inferior ainda lhe propicia. Desconhecendo o que o aguarda no porvir, prefere o homem continuar entregando-se à luxúria, aos benefícios imediatos da exuberância econômica, à comodidade das posições de mando e destaque na sociedade em que vive.

No entanto, afirmamos, sem sombras de dúvida, que a Lei de evolução garante-nos felicidades mais significativas à medida que nos afastamos dos reinos inferiores. Basta compararmos a satisfação que hoje fruímos com aquelas próprias dos animais. Desfrutamos da vida muito mais que eles. Logo, estejamos convictos de que os júbilos que nos esperam no reino da santidade serão muito mais expressivos do que imaginamos e incomparavelmente superiores aos parcos contentamentos que o baixo nível humano pode proporcionar-nos.

Recordemo-nos de que a satisfação do ego inferior contamina-se sempre com os dissabores que semeia em seu caminho. Por força de Lei, a vitória dos poderosos deve degustar o mesmo dissabor dos vencidos.

Os favores da riqueza ilícita estão fadados a provar também a miséria que deixa em seu rasto. E todo contentamento que se sustenta na desdita alheia está envenenado em sua origem, pronto a reproduzir em si a mesma agrura induzida ao semelhante. Assim é da Lei, de modo que podemos aferir que o novo homem do futuro desfrutará felicidades inigualáveis, pois, além de receber de volta todo o bem semeado nos corações alheios, será brindado com os deleites próprios da santidade, inconcebíveis ainda pela vã razão humana.

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