O Homem do Futuro

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Devemos avançar no estudo do futuro próximo que nos espera na senda evolutiva que todos percorremos. Examinemos os cimos da evolução para que mais prontamente possamos alcançá-los. E felicitemos ainda nosso intelecto com a alvissareira notícia de que dias gloriosos aguardam-nos na resolução do porvir.

Por graça de nosso Pai, atingiremos, todos, o objetivo final do progresso. A despeito dos imensos empecilhos que repetidamente antepomos à benéfica ação da Lei de retorno, por ingerência da inata revolta e da patente ignorância que nos assiste, a evolução far-se-á inexorável. A dor cumprirá seu papel de conduzir-nos com exatidão ao fim último pretendido pela Lei. E a misericórdia divina, que jamais nos faltou, seguirá proporcionando-nos benditas oportunidades para a correção dos milenares erros e o devido aprendizado, para levar-nos à almejada perfeição.

A tempestade das trevas precipita-se em seus últimos estertores e o rugido pavoroso da maldade humana não demora a se calar em nosso imo. A alvorada de uma nova era, a era da regeneração, acena-nos com um futuro brilhante e majestoso. Após a tormenta do mal e da dor, reinará a bonança da concórdia e da alegria. Um período de paz, de felicidade e de surpreendentes conquistas no campo do espírito imortal aguarda os homens de boa vontade, para transformar nossa bendita Terra no jardim de ventura que todos aspiramos. Temos motivos para sorrir, pois Jesus jamais nos abandonou e continua ao nosso lado, soerguendo-nos para a grande batalha contra os derradeiros arquejos da barbárie e da ignorância em que ainda nos comprazemos.

Em nosso último encontro, discorremos sobre a construção do edifício humano e introduzimo-nos no estudo dos principais impulsores de sua elaboração. Resta-nos agora cientificar-nos das ferramentas de moldagem do novo homem que se seguirá ao atual e identificar os traços principais que o caracterizam. Importa-nos sobremodo conhecê-los antecipadamente, pois precisamos com urgência soerguê-lo em nós mesmos.

Recordemo-nos dos três tipos básicos produzidos pela evolução humana:

O primeiro homem era um guerreiro, a viver em prol da satisfação de seu enorme egoísmo e atender seus instintos selvagens, mediante o emprego da força bruta. Próximo do animal, seus anseios objetivavam nada mais que a conquistas de territórios onde exercer seu poder, e de fêmeas para reproduzir. As mulheres, como verdadeiras fêmeas, buscavam machos fortes que as protegessem e lhes resguardassem a prole. Satisfeitos os anseios da fome, do sexo e do domínio do próximo, o combatente não tinha outros anelos senão lutar para manter sua posição de domínio no estreito mundo de seus interesses.

Esse rudimentar conquistador, a custa de muitas dores, evoluiu para a segunda subespécie humana, o tipo embusteiro. Fazendo modificar substancialmente a maneira como lutava, ele sutilizou suas armas, agora movidas por táticas de astúcia e não mais pela força bruta. Ele transformou os sanguinolentos campos de batalha do antigo mundo nos modernos ambientes de intensas competições nervosas e econômicas de nossos dias. Sua guerra agora é de nervos e habilidades intelectuais antes que de músculos e garras. Sua inteligência é posta a provas como refinada arma de combate. Vence agora o mais hábil na arte de ludibriar o próximo, em busca dos falaciosos louros das vantagens imediatas. Os derrotados já não são mais chacinados, porém explorados até seus últimos recursos. Naturalmente que a sociedade que esse tipo humano construiu contorce-se ainda sob o gládio da dor e do desespero, como necessária colheita produzida pela livre semeadura de enganos e interesses escusos.

O primeiro tipo humano, contudo, ainda não se acha definitivamente extinto. Ele sobrevive não só na sociedade hodierna como espécime remanescente do progresso, mas também se mantém ativo em nosso interior, onde se manifesta, sempre que a ocasião o exige. Quando nossa avidez é contrariada, evocamos esse antigo guerreiro, pronto a agredir brutalmente nosso semelhante, fazendo-nos momentaneamente retroceder na escalada evolutiva. Nesses instantes, torna-se evidente que essa subespécie ainda subsiste em nós, demonstrando-nos que os imperativos morais das últimas aquisições evolutivas até então não se fixaram em nossa bagagem espiritual como conquistas estabelecidas.

O biótipo humano primitivo evidencia-se ainda na rápida recapitulação que o espírito efetua ao reencarnar. Fenômeno que já estudamos, mas vale a pena recordar. Depois de resumir toda a evolução biológica que nossa espécie percorreu no trânsito dos milênios nos nove meses de desenvolvimento fetal, o espírito reencarnante continua sua revisão evolutiva, recordando, logo após o nascimento, as etapas de sua maturação psíquica e moral. Assim, surge o bebê no mundo denso como um rudimentar primata, gruindo e comportando-se como um verdadeiro chimpanzé. Logo ele reviverá com intensidade, dos três aos sete anos de vida, sua antiga fase guerreira, fazendo de suas manifestações nada mais que a rememoração do conquistador e combatente de outrora. Os meninos tornam-se príncipes, reis e cavalheiros, prontos a enfrentar inimigos, enquanto as meninas transformam-se em princesas e rainhas, lutando para fazerem-se centros de atração de todos os olhares. Aos sete anos, apresenta-se o espírito com suas últimas conquistas no campo ético e intelectual, preparando-se para angariar novos valores evolutivos no grande laboratório da vida. E assim, o estudioso da Terra poderá comprovar, nas etapas do desenvolvimento infantil, o interessante desenrolar da sequência evolutiva que atravessamos na longa jornada dos evos.

Nos nossos dias, a evolução prepara-se agora para produzir em massa na Terra seu terceiro e último tipo humano, o homem santo, aquele que ora nos interessa conhecer. Embora ainda seja uma exceção na face do planeta, todos o conhecemos, pois muitos deles, vanguardeiros do progresso, deixaram registros de suas passagens pelos palcos da vida.

O homem do futuro, contrariando as previsões dos observadores do mundo denso, não será sofisticado tecnólogo, a manipular aparelhos fantásticos e a pilotar naves espaciais, dotadas de canhões poderosos, capazes de destruir mundos e exterminar alienígenas. Não, irmãos, o porvir não será habitado por guerreiros estelares, mas sim pelo homem evangelizado. Esse é o novo ser que o devenir produzirá nas plagas planetárias.

Cristo o prenunciou ao anunciar as bem-aventuranças, traçando suas características principais. E ainda cuidou de lançar na Terra, com tamanha antecipação, seu código de conduta e as ferramentas para edificá-lo.

Segundo os claros preceitos evangélicos, o homem do futuro far-se-á grande na Terra, um gigante da inteligência e do coração, porém será pequeno de orgulho e humilde de espírito. Suas dores na carne serão amenizadas pela sua dilatada compreensão da vida, porém abraçará seus sofrimentos com boa vontade, encontrando na justa Lei de Deus o consolo, a orientação segura para seguir acertadamente seu caminho e a força necessária à superação de suas dificuldades. Será manso como os cordeiros, mas comandará a evolução planetária, orientando-a com sabedoria rumo a seus objetivos supremos. Estará farto de justiça, pois sua vida desenvolver-se-á nos moldes de impreterível honestidade. Alcançará a misericórdia, uma vez que semeará a mancheias a bondade e o perdão ao derredor de seus passos. Deixará a prisão do ego e, fazendo calar os ecos da revolta, expandirá as potências divinas que em si dormitam. Terá limpo o coração, pois, silenciando os aviltantes interesses do ego, não conhecerá mais a maldade. Purificado de todo mal, preparar-se-á para divisar a face de Deus.

Será ainda um pacificador que abominará a guerra e instalará a verdadeira paz na Terra. Nutrido por genuíno amor pelo próximo, não terá inimigos na vida. Libertar-se-á das sombras da ignomínia pelo conhecimento da verdade, que o guiará ao Absoluto. Fará do Evangelho seu código de ética e integrar-se-á ao aprisco do Cristo como um espírito regenerado. Os Céus alegrar-se-ão com sua presença maciça na Terra e grande será seu galardão porque estará preparado, enfim, para reconquistar a perdida condição de Filho de Deus.

Como podemos perceber, o divino Mestre conhecia com precisão os moldes espirituais e biológicos dessa nova espécie humana, a ser produzida pela evolução terrena, e anunciou-nos com sabedoria seus fundamentos para que pudéssemos construí-la em nós mesmos.

Destacamos na Terra um homem que, obediente aos preceitos enunciados pelo Messias, realizou previamente esse desiderato último da evolução biológica na Terra. Foi Francisco de Assis, aquele que incorporou em si os princípios apregoados no Evangelho e viveu-os no mundo denso, deixando-nos o modelo a ser seguido. Temos, portanto, no meigo Poverello, o protótipo do homem do futuro, no qual todos nós, por força da Lei de evolução, haveremos de transformar-nos em futuro próximo.

Esse novo tipo humano será dotado de poderes extraordinários, muitos ainda inimagináveis por nós.

Desenvolvendo a visão sintética e intuitiva, a famosa terceira visão que ainda nos falta e uma de suas principais características, ele solucionará de modo definitivo as intricadas questões filosóficas, religiosas e científicas que ainda nos acossam e impedem de alcançar a compreensão do Todo. Superando os limites da razão, mero conhecimento de superfície, ele poderá assim penetrar com sua inteligência intuitiva na complexidade fenomênica, sem auxílio de instrumentos, por percepção direta, aclarando com exatidão todos os seus enigmas.

E conquistando a superconsciência, a consciência volumétrica, ele irá desmantelar o cipoal de análises produzidas pela titubeante ciência humana, fundindo-as na síntese de todas as verdades possíveis de se conhecer na Terra. Será, portanto, um monista por excelência, habilitado em jungir informações aparentemente antagônicas e crenças divergentes em torno de verdades unitárias, tudo fazendo convergir para a Unção divina.

Sua visão monista, ampliada pelas lentes da sensibilidade desenvolvida e somada à exaltada capacidade de amar, prepará-lo-á ainda para a maior de todas as aventuras humanas: desvendar os mistérios últimos da Divindade.

Ele superará as éticas primitivas da força e da astúcia, ainda em voga no mundo, para estabelecer, depois de viver intensamente os fundamentos morais da honestidade e da retidão, a derradeira e maior das normas sociais: a ética do amor. Dominado pelo bem, ele fará romper as barreiras do ego inferior em que ainda nos prendemos, praticando, enfim, o verdadeiro amor ao semelhante. Portanto, será reconhecido por muito amar, como nos aferiu o Cristo, fazendo da bondade sua mais marcante característica, a demarcar todas as suas novas habilidades, prontas a expressarem-se no campo do espírito.

Ele depositará aos pés da Lei suas armas de domínio e superação do próximo, mas será poderoso o bastante para isentar-se do mal, pois as forças do universo precipitar-se-ão aos seus pés para conferir-lhe a necessária defesa na Terra. Não terá opositores na face do planeta senão as leis biológicas inferiores, que procurará superar com a armadura da bondade, a espada da obediência à Lei, o escudo da fé, a persuasão do amor e a leniência à vontade de Deus.

Reunindo sob a mesma bandeira do Cristo todas as instituições religiosas da Terra, esse homem do futuro terá como máxima a unitária religião do amor. Até que conquiste essa superior unidade religiosa, superando as amarras do dogmatismo sectarista, ele seguirá respeitando todas as crenças, reconhecendo que todas seguem caminhos que levam a Deus, eximindo-se de impor qualquer delas como a representante exclusiva da verdade.

Viverá com imenso respeito à natureza orgânica que o serve, zelando com ardor pela bênção do corpo físico, isentando-se dos vícios e abusos que caracterizam o homem atual.

Terá a tolerância e a bondade como instintos naturais, fazendo extinguir por completo a fera que ainda habita nossas entranhas.

Eis delineado os principais atributos que definirão o novo homem, a dominar as paisagens terrenais nos tempos vindouros. Fato a assegurar-nos que a evolução é um processo conduzido por um inesgotável manancial de sabedoria, que conhece objetivos superiores a atingir, e leva todos a realizá-los, no contínuo hastear do tempo. E ao demonstrar que o homem progride nitidamente de uma moral aguerrida e selvagem para a concórdia, do hedonismo para o colaboracionismo e da egolatria para o primado do amor comprova-nos, para nosso grande consolo, que seu resultado final é a vitória do bem supremo e a plena reconstituição da perfeição perdida.

Alegremo-nos, pois temos a garantia absoluta de que o destino nos acena com o Reinado de Deus no coração de todas as criaturas, garantindo-nos a ventura eterna e a plenipotência absoluta de todos os valores que herdamos do Pai.

 

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