Dor: Ferramenta Inevitável

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

O Poverello deixou-nos ainda outras importantes lições, indispensáveis à nossa caminhada evolutiva rumo à santificação. A forma como ele aceitava suas dores é-nos do mesmo modo inigualável exemplo de vida para a superação de nossa relutante inferioridade. Seus biógrafos relatam-nos diversas passagens, corroboradas pelos registros espirituais, nas quais o meigo santo demonstrava a mais absoluta calma e sujeição aos padecimentos que a vida impunha-lhe, acolhendo-os sem revoltas ou o mínimo lamento.

O homem atual, no entanto, rejeita veementemente a dor porque não aprendeu ainda a reconhecer seu tremendo e indispensável valor evolutivo. Movida por essa incompreensão, a ciência humana determinou renhida luta contra a dor. Cega diante dos objetivos sublimes do sofrimento humano, ela ilude-se com a possibilidade de estancar seu inexorável movimento por meios exteriores, momentâneos e irrisórios, os quais jamais alcançam sua real e profunda origem. Sendo necessidade premente da evolução, a dor retornará sempre até que suas causas sejam sanadas no campo profundo da alma.

A fonte primeira de todos os nossos padecimentos está na substância do espírito e sua inata revolta contra a Lei de Deus. Inútil tergiversar em busca de pretensas causas, advindas de fora de nós mesmos. A dor não é uma imperfeição orgânica e muito menos obra de casual fracasso biológico. A impecável Lei divina não permitiria que ela existisse na vida de seus amorosos filhos, sem justa razão e imprescindível necessidade. Afinal, entendemos agora que somente a dor pode agastar os inadequados veículos com os quais o espírito se vestiu, extraindo-lhes recursos para a desejável expansão da consciência. Por isso, não se pode esperar sufocá-la mediante imposições químicas, como o faz insistentemente a moderna medicina dos homens.

Como pretender suprimir a inevitável ação do cinzel sobre a pedra bruta, necessária para devolver ao diamante preso em suas entranhas o fulgor de origem? O resultado final dessa desastrosa atuação, verdadeira loucura coletiva que a civilização hodierna somente se dará conta em futuro próximo, é o deslocamento da dor para as regiões mais profundas da unidade humana, onde seus efeitos se veem multiplicados pelos tormentos próprios da morbidade psíquica.

Movida por instintiva rebelião diante da dor, a ciência humana não pôde até então ver que ela desempenha ainda necessária função no equilíbrio da vida, indispensável para que o homem aprenda a coibir todos os seus excessos e a dirigir com equilíbrio sua existência. No afã por silenciá-la, emprega expressivos compostos químicos, estranhos ao metabolismo orgânico, que terminarão, sem dúvida, por adulterar a sagrada e sábia fisiologia da vida, a qual, em todos os tempos, sempre possibilitou sua exitosa sobrevivência no mundo denso.

Não estamos negando o valor dos recursos desenvolvidos pela inteligência humana para se minorar seus efeitos, permitindo maior conforto àquele ao ser que padece, nos limites do bom senso. Dizemos, sim, que falta ao homem a coragem de saber sofrer para angariar na dor genuínos valores educativos, prontos a fazê-lo superar com êxito sua renitente inferioridade. Como ela existe para educar-nos na ciência da Lei, enquanto permanecemos nutrindo-nos com os excessos de toda natureza, continuaremos a sofrer a cada dia a coerção de novas dores, imprescindíveis para nos devolver a harmonia orgânica e espiritual voluntariamente rompida.

O homem evangelizado do futuro reconhecerá na dor uma força amiga, a auxiliá-lo na necessária redenção. Ele aprenderá a utilizá-la como uma das mais importantes ferramentas evolutivas a seu dispor, pronta a orientar-lhe os passos na conquista do progresso espiritual. Abraçando-a com boa vontade, sua alma agigantar-se-á como nunca, em vertiginosa rapidez, superando prontamente os remanescentes grilhões que ainda a prendem ao reino animal inferior.

Nobre alavanca da evolução, os choques da dor representam, assim, o maior estímulo evolutivo para libertar o espírito da prisão da matéria, fazendo despertar o tremendo potencial divino que dorme em seu imo. E como a vida o quer grande nos atributos que o Pai confiou-lhe, ele não poderá escapar dos aguilhões da dor até que cresça e aprenda a correta maneira de se comportar diante da magna Lei de Deus.

A dor vivida com sabedoria e resignação condiciona alegria e proporciona verdadeira saúde ao espírito.

É salutar convite à conquista de insupríveis equilíbrios, despertando forças curativas no âmago da alma. É ferramenta de aperfeiçoamento moral do espírito, capaz de resgatá-lo das plagas abissais em que se demora, para a excelsitude da vida celestial. Ela molda na substância do ser as faculdades herdadas do Pai e ensina-o a praticá-las segundo as exigências da Lei do amor. Por isso a dor fará de todo espírito um Filho do Altíssimo, transformando-o em verdadeiro deus.

Sob os auspícios desses novos conceitos, compreendemos agora que a verdadeira cura da dor será proporcionada ao homem unicamente pela sua evolução. Como todas as causas de seus padecimentos residem na rebeldia e na ignorância que o caracterizam, à medida que ele avançar na escola da vida, aprendendo a agir nos limites da Lei, transporá os patamares da inferioridade espiritual que lhe assiste, superando em definitivo todos os seus padecimentos. Até que isso ocorra, todos os sofrimentos que lhe obstaculizam o bem-estar e a felicidade serão justos e necessários.

 

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