Relação entre Evoluído e Involuído (3)

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Como o biótipo A3, hoje dono do planeta, trata o biótipo A4 que excepcionalmente aparece na Terra?

Se escolhermos como ponto de referência a posição A3, a do homem comum, o ser do nível A4 nos aparecerá um tipo de super-homem evolutivamente mais adiantado. Mas, se escolhermos como ponto de referência a posição A4, o homem comum situado no nível A3, nos aparecerá um involuído, evolutivamente mais atrasado. Este é o sentido que demos, neste livro e nos precedentes, às palavras: evoluído e involuído, escolhendo como ponto de referência a posição ocupada pelo homem atual na escala da evolução.

Cada uma dessas duas posições traz consigo a sua forma mental e a sua correlativa ética e particular lei de conduta, bem diferentes, das quais já falamos bastante. O evoluído queria que neste mundo a vida fosse regida pela sua ética. Mas esta não é a do biótipo dominante.

Daqui nasce o choque. Ao involuído não interessa nada se o outro é evolutivamente superior.

Com a forma mental do seu plano e sua ética, ele sabe que o evoluído representa um caso isolado ou pequena minoria, e que por isso não tem direito algum; sabe que aquele tipo não está armado, não usa a força, e na prática é um fraco, um covarde, um vencido, com função somente de obedecer. Só a quem possui a força para dominar pertencem todos os direitos. Mas o evoluído não pode de maneira nenhuma viver conforme uma lei que para ele é de ferocidade.

Nem pode ele, pela sua própria natureza, impor ao mundo com o método da força ou direito armado a sua ética feita de compreensão e bondade. Ninguém quer nada dele; no mundo não há lugar para ele. Aqui pode ser apenas um expulso, posto fora da vida.

Os dois tipos de personalidade são tão diferentes, que uma parece o emborcamento da outra. Esclarecemos com um exemplo. O evoluído encontra-se completamente deslocado no ambiente humano, como um homem civilizado que tivesse de morar numa aldeia de antropófagos no centro da África. Ele teria muito que adaptar-se para sobreviver naquele ambiente. Tudo o que é natural e justo para os selvagens não o é para ele. Que faria um homem das nossas cidades se, saindo do seu apartamento, em vez de cumprimentar o seu vizinho, visse que era hábito normal o agredi-lo para matá-lo e cozinhá-lo, para devorá-lo no almoço? Da mesma forma o evoluído fica horrorizado quando vê que em nosso mundo é na prática lícito e comum, violando as leis penais e civis, religiosas e morais, enganando e esmagando, aproveitar o próximo mais fraco, só para a sua vantagem egoísta, semeando ruína ao seu redor.

O involuído faz isso não na forma, mas na substância, não por maldade, mas por sua natureza, porque esta é a lei do seu plano, a sua ética espontânea. Para ele as qualidades de bondade do evoluído são ingenuidade condenável e fraqueza inadmissível, porque vale a força e a astúcia, que no mundo levam à vitória. Quem não atinge essa finalidade não tem valor, é coisa negativa e contraproducente, o que se chama com muito respeito: a loucura dos santos.

Assim o evoluído é julgado um grande menino inexperiente, um utopista que vive de sonhos fora da realidade. A conclusão rápida à qual chega o involuído, é que o evoluído seja um simplório, cuja fraqueza é justo aproveitar e explorar. Assim é a ética do involuído, a sua forma mental e como ele concebe coisas, e delas não sabe fugir. Não o poderá, senão quando conseguir evoluir, subindo para um mais adiantado plano de vida.

O problema é o de subir, e não o de julgarem-se, por orgulho, mais adiantados, sem o serem de verdade. Quem em seu nível atual renuncia a sua própria supervalorização? Isto faz parte da forma mental do ser deste plano, corresponde ao seu impulso egocêntrico e instinto de luta. Pelo contrário, o ser verdadeiramente adiantado se reconhece pelo seu constante dinamismo construtor, pela ausência de negatividade, pela sua bondade e inteligência. A consequência lógica desta, como do  valor real do evoluído, é a falta de orgulho.

Quem é de fato superior não precisa de se inchar de vento para aparecer maior, porque já o é, e por isso fica espontaneamente humilde. O evoluído é fundamentalmente honesto. Não pode por isso aceitar os métodos da mentira e engano vigorantes no mundo. Tudo isto é lógico, porque ele se encontra mais próximo do S, e mais afastado do AS.

O problema para o involuído não é o de sinceramente procurar não fazer o mal, mas o de conseguir escondê-lo com a astúcia, enquanto procura fazê-lo para atingir a sua própria vantagem. Ele usa o intelecto não no sentido de obedecer às leis para viver na ordem que representa vantagem de todos, mas o usa para evadir-se delas, escapando às suas sanções. Para quem está maduro para viver no estado orgânico de verdadeira sociedade humana, é duro ter de viver num estado caótico de egocentrismos desencadeados. Indivíduos desse tipo biológico, no plano de vida do evoluído, seriam isolados como criminosos, porque nesse nível é absurda e inadmissível a conduta descontrolada da ética do subconsciente, vigente em nosso mundo.

De fato, pelo caminho percorrido, o evoluído chegou a criar instintos diferentes, de modo que para ele é natural e fácil (virtudes, altruísmo, inteligência, atividade etc.), tudo o que para o involuído é esforço difícil; e é difícil o que é fácil, instintivo, as vezes irresistível, para o involuído (ataque e defesa, egoísmo, ignorância, ócio etc.). Para um selvagem é facílimo escalar uma árvore, correr vários quilômetros, viver na mata entre as feras. Seria, porém, muito difícil proferir uma palestra, escrever um livro, trabalhar em escritórios, viver num apartamento. E ao contrário. Que problema sério, se um tivesse que mudar para o ambiente do outro! Evoluído e involuído se repelem reciprocamente. Um não se adapta a viver a vida do outro.

O evoluído é evangélico, fraternal, compreensivo para cooperar. Ele usa a sua força e inteligência, não para lutar contra os seus semelhantes, mas contra a animalidade, para atingir a sua sublimação. Ele aparece no mundo como um anjo, cuja lei natural é o Evangelho. Mas a lei dos outros é diferente. Ele, que dá tudo, ama e perdoa, neste mundo não pode ser senão espoliado e desprezado. Tal mundo, depois de haver tirado dele toda a sua possível vantagem egoísta, o repete desdenhosamente, como se faz com um fruto espremido.

O involuído interessa-se pelo próximo para tirar dele proveito; o evoluído para beneficiar, ajudando-o a subir. Entretanto, uma vez que ele caiu no plano inferior da animalidade humana, tem de suportar o choque com a lei deste plano. Parece, porém, que a vida queira expulsá-lo de tal mundo, que não é o seu. Esta é a história de Cristo e de todos os que o seguem. O encontro entre os dois planos de vida não pode acabar senão no martírio do evoluído. O involuído quer expelir do seu reino o estrangeiro. E é a este que está confiada a função de ajudar o mundo na sua evolução! Este explora e atormenta quem trabalha e sofre para salvá-lo. Custa caro ser evoluído de verdade e, quem segue esse caminho só por vaidade, não pode deixar de fracassar ao primeiro passo.

Para a ciência o evoluído é um anormal. E princípio aceito em psicopatología que é psiquicamente doente o indivíduo rebelde ao ambiente, provido de forma mental diferente da maioria, enquanto é psiquicamente são o indivíduo que se adapta ajustando-se ao ambiente, com forma mental que corresponda à vigorante na coletividade Então o ponto de referência de todo o julgamento, a unidade de medida para todos, é a massa da maioria, que representa o modelo do biótipo ideal.

Essa igualdade entre os conceitos de ambiente, maioria e valor do indivíduo, nivela todos no mesmo plano, expelindo os que são de outra medida, seja maior ou menor. Eis como os biótipos A4, os mais adiantados, são repelidos, como o são os biótipos A2, os delinquentes.

É como se um sábio fosse morar num hospital de doenças mentais, onde a normalidade da maioria é a loucura, para não ser expulso como louco, tivesse que se tornar louco. Trata-se, porém, de um ser superior que compreende e julga a loucura de todos os outros, procurando, pelo contrário, ajudá-los a voltar à razão, e não pode de maneira nenhuma adaptar-se àquele ambiente de loucos.

Esse é o choque e o jogo de ações e reações, entre esses biótipos que pertencem a níveis evolutivos diferentes.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

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