Relação entre Evoluído e Involuído (1)

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Escolhemos como ponto de referência o biótipo dominante (A3) porque é ele que, com a sua forma mental dada pelo seu plano de vida, estabelece as regras de conduta de nossa sociedade, as leis civis e religiosas, isto é, toda a ética, impondo-a aos outros.

Como trata então esse biótipo hoje dominante os outros dois que, em relação a ele, se encontram na posição de involuído e evoluído?

Observemos primeiro o caso do involuído.

Quando ele é representado por outros povos em terras coloniais, em geral as relações são as do homem chamado civilizado que, obedecendo à ética do seu plano, explora pelo direito da força, inteligência e recursos materiais, quem é menos provido desses meios. Neste nível pertence ao mais forte estabelecer as leis e a ele é devido todo o direito. Ética de luta, pela qual tudo acaba nas mãos de quem sabe agarrá-lo.

Eis a consequência lógica dessa ética: os que não sabem defender-se e impor-se, são esmagados. Esta é a realidade que de lato existe além das teorias políticas ou religiosas pregadas. Neste plano vigora o método do vencedor e vencido, que vai das invasões bárbaras à exploração do trabalhador analfabeto. E por isso que no mundo de hoje: enquanto estão pregando a paz, se preparam para a guerra. Esta é a única ética neste nível de vida. Este é o método e a base ela glória de todos os imperialismos. Método em que se concordam todas as raças e povos, de todos os tempos e países do mundo.

Mas em outra forma o involuído se encontra também dentro da sociedade dos povos que se chamam civilizados. Como trata aquela maioria dominante, esse biótipo subdesenvolvido? Refiro-me aos que na ordem social não conseguiram encontrar o seu lugar para viver e o procuraram fora daquela ordem como rebeldes ou delinquentes. Ficando fora da organização coletiva, e representando eles só uma minoria, pelo menos nos períodos normais não revolucionários, sobre eles gravita o peso da maioria com a sua ética de domínio, que estabelece com as leis o que é direito e justiça.

Esta minoria tem de ficar sujeita, quando não consegue romper os diques com as revoluções, às leis civis e religiosas que constituem a ordem que representa a defesa dos interesses da classe dominante. Os fatos da realidade biológica nos mostram que neste nível a vida se baseia na luta de todos contra todos, vigorando o método do ataque e defesa para que sobreviva só o vencedor. Disto se segue que os conceitos de direito, de justiça, de punição em nome de princípios ideais, até em nome de Deus, são só aparências exteriores, enquanto a substância dos fatos é outra coisa.

Não há ser humano que não deseje a ordem, assim como a unidade. Mas subentende-se que ele admite só a ordem onde é ele que manda, e a unidade onde são os outros que obedecem.

É claro que a coisa mais urgente para todos é antes de tudo defender-se e não há motivo para que a sociedade faça exceção a essa regra, tanto mais que os criminosos conhecem mais do que todos o método do ataque e defesa. Ninguém pode negar à sociedade esse direito à legítima defesa. Mas isto quer dizer que estamos no terreno da luta, onde a vitória pertence ao mais forte.

O mal-entendido está no fato de que esta luta e defesa ficam escondidas sob o manto do direito e da justiça. Quando nas revoluções são os rebeldes que estabelecem uma nova ordem para si, eles armam tribunais para condenar, conforme a justiça, os seus inimigos em nome da lei, como fazia antes contra eles a sociedade regularmente constituída. O espírito de luta, de agressividade e defesa é legítimo neste plano de vida e faz parte da lógica de sua ética.

Estamos ainda na fase caótica do egocentrismo separatista, em que a defesa para a sobrevivência não pode ser confiada senão ao indivíduo isolado ou, por instinto gregário, unido em grupo com alguns semelhantes seus. O Estado com a sua autoridade em nossa sociedade dita civilizada, apesar de democrático e representativo, é constituído por um desses grupos, formado pela classe dominante que defende, contra todos, os seus interesses e vida. Tudo isto se pode considerar lógico e justo se colocarmos a nossa sociedade no nível biológico ao qual ela pertence o da luta e da força.

 O engano se revela quando neste mundo queremos falar de verdadeira justiça, coisa que só aparece num mais alto nível de existência, ao qual o homem ainda não chegou. Não há dúvida que todos têm o direito de viver, em todos os planos de vida e em todas as relativas formas de ética. Mas com a evolução se modifica o método para atingir essa finalidade. Então não é mais o indivíduo que se defende, mesmo usando as leis como arma na sua luta contra o próximo numa contínua peleja de ataque e defesa, onde só o mais astuto ou rico tem razão; mas é a coletividade para a qual o indivíduo faz tudo, aquela que faz tudo para ele e o defende no seio duma ordem não mais partidária, mas imparcial e universal. Mas isto poderá acontecer somente quando a humanidade houver atingido o estado orgânico e o indivíduo tiver adquirido a consciência necessária para saber viver nele.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

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