Sob a Ética da Força

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Não obstante haver-se introduzido na conquista das virtudes superiores, o homem primitivo seguirá vivendo sob os remanescentes e ainda ativos impulsos da animalidade de onde proveio. Caracterizando-se como um guerreiro, ele se deixa inicialmente embalar pela mais rudimentar das éticas de inter-relacionamento: a força.

Mediante o emprego da força bruta, a fundamental aspiração por expansão converte-se no anseio por domínio dos semelhantes e apropriação de bens alheios, habituado que se achava ao roubo e ao assalto, frutos do milenar condicionamento a que se adestrara no reino animal. Nasce a guerra e a arte da supremacia do homem sobre o próprio homem, como genuíno movimento evolutivo do espírito ainda selvagem. Nesse patamar inferiorizado, o ser almeja como alegria fundamental subjugar o próximo, conquistar territórios e apossar-se do direito de  reproduzir, por imposição de armas e músculos. Embalado essencialmente pela egolatria, seguindo a mesma diretriz que o impulsionara no reino animal, ele prosseguirá fazendo de sua vida uma arena de sangrentos prélios, acreditando que a máxima felicidade possível na Terra é a falaciosa supremacia sobre seus semelhantes e a superação de suas adversidades.

O guerreiro vitorioso congrega clãs a seu derredor, prenunciando a edificação de núcleos sociais, prontos a evoluírem para as grandes cidades e Estados do futuro. Estavam lançadas as bases da civilização humana. Agasalhadas pela civilidade, o trabalho, a cultura, a arte, a ética social e a religião seguiriam desenvolvendo-se, contribuindo para que a caminhada humana se acelerasse cada vez mais rumo às aquisições superiores do espírito.

Sob o impulso da força bruta, suas edificações sociais, no entanto, enlaivam-se com o sangue daqueles que sucumbem à imposição das armas. A história humana segue, assim, ao mesmo infausto ritmo de destruições e dores que lhe caracterizara a caminhada, empreendido em resposta ao insuprível e básico desejo de expansão do espírito. Reflexo de seu erro primário, a rebeldia original encontra agora novas motivações para se expressar no campo da vida, fixando-se como o permanente impulsor de lutas e competições, a caracterizar a jornada das civilizações. Regime inferior de vida que pronto desencadeia dramas e sofrimentos para o homem, leva, não obstante, as sociedades a desenvolver leis e sanções jurídicas, colimando inibir o abuso e o crime. Nasce a Justiça humana e o direito social de punir, para que o homem coibisse no próprio homem sua predisposição natural a extrapolar todos os limites que a Lei divina lhe impõe.

A despeito da luta constante, da sofreguidão, da barbárie e do clamor das dores, irrompem os primeiros e grandes impérios do passado, edificados sob os escombros de guerras e disputas fratricidas, plenificados, porém, de novas e ricas oportunidades para que o espírito restaure a divindade que em si dormita. E com o curso da civilidade, ele não mais se deterá, subindo em rápida ascensão até os dias atuais, quando então se prepara para o ápice de seus triunfos, no coroamento da razão: a conquista da santidade.

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