O Despertar da Razão

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Filhos da Dor, nosso estudo da senda redentora penetra agora na edificação do homem. Após o demorado estágio nas liças do mundo animal, espíritos imbuídos de maior potencial evolutivo e selecionados pelo selvagem jogo de disputas de vida e morte achavam-se, enfim, prontos para viver uma nova e rica experiência: o despertar da razão.

Originário de uma antiga linhagem comum aos primatas, um seleto grupo ergue-se em meio às encaloradas planícies da África equatorial. Eles desceram das árvores e com olhares percucientes e assustadiços varrem os horizontes. Equilibram-se, ainda que de modo instável, sobre os membros inferiores, trazendo livres as mãos, preparadas pela evolução para obedecer aos clarões intelectivos que agora lhes brotam do cérebro, ainda pouco desenvolvido. A vida oferta-lhes uma nova e inusitada aventura: tomar consciência de si próprios e exercitar a inteligência.

Nesse mágico momento, acorda o espírito de seu milenar sono de insciência. Inaugurando o reino da razão, nasce o homem, como o mais primoroso produto da evolução planetária. Sua massa cerebral, herdada do reino animal, inundada pelas fagulhas do pensamento contínuo que se inicia, irá desenvolver-se como nunca, permitindo-lhe aflorar o extraordinário fluxo de consciência que o serve, até então abafado nas entranhas de seu ser pela intensa contração experimentada na queda.

Dedicados paleontólogos no mundo denso já encontraram os registros fósseis desse primeiro hominídeo, precursor da nossa espécie atual, e determinaram-lhe os traços principais. Evidentemente que outros ancestrais serão descobertos, mas aquele que a ciência humana contemporânea denominou de Homo habilis é de fato um de seus principais representantes. Essa primeva criatura pré-humana, forma com a qual todos nós já nos vestimos um dia, viveu em algumas partes do planeta, mas, sobretudo, no continente africano, onde há aproximadamente dois milhões de anos teve seu apogeu.

Em um longo período de paciente maturação, o espírito ensaiava os primeiros rudimentos da inteligência, aprendendo a construir toscas armas e utensílios elementares, feitos de pedra lascada, paus e ossos. Se caracterizarmos o homem como a espécie capaz de confeccionar instrumentos que o auxiliam nas variegadas tarefas da vida, então poderemos considerar esse primitivo “homem habilidoso” como o primeiro representante de nossa raça.

Na lenta elaboração dos evos, esse pequeno hominídeo, originando subespécies correlatas, desenvolveu-se até atingir as características do homem atual, há cerca de duzentos mil anos, segundo nossas melhores estimativas. Encontramo-nos, assim, com nossa configuração atual, onde situaremos nosso estudo. O espírito estava enfim preparado para viver a conscientização de si mesmo, facultando-lhe ricas e novas experiências que doravante viriam a acelerar-lhe em muito a velocidade evolutiva rumo aos páramos sublimados.

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