Novas Ferramentas Evolutivas

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Preparado pela escola dos milênios no grande laboratório da evolução, o surgimento do homem não foi um ato acidental da vida, mas fruto de intenso labor construtivo, que contou com a participação dos prepostos do Senhor e o esforço dos próprios espíritos que, amadurecidos, atingiram as condições exigidas para participar da grande aventura humana. No reino da razão, a Lei brinda agora o ser com o surgimento de  novas e eficazes ferramentas evolutivas, apropriadas a impulsioná-lo mais rapidamente à conquista de diferentes habilidades, prontas a arremessá-lo aos altiplanos do espírito.

A consciência, brotando das entranhas do ser, inaugura um novo reino no mundo biológico: o reino do espírito. Ainda sustentado pelos dois reinos inferiores, o físico e dinâmico, esse novo império da vida  terminará por reconduzir a alma a seu estado de grandeza original, projetando-o na plenipotência de si mesmo.

O espírito está agora preparado para conhecer mais detidamente o ambiente que o rodeia e iniciar o percuciente exame das extensas paisagens que se desfraldam em seu âmago. Um novo propulsor evolutivo acende-se em seu interior, excitando-o na caminhada ascensional: o apetite intelectual. Depois de resolver os problemas básicos de sobrevivência e reprodução, favorecido pelo novo aparelho cognitivo que a vida agora o brinda, o homem atira-se ao trabalho de desvendar os segredos ocultos na natureza que o acolhe, ávido, na verdade, por conhecer a si mesmo e acelerar o próprio progresso. Nasce a cultura como nova ferramenta da evolução, indispensável para se alcançar a amplitude do pensamento de Deus.

Com o desenvolvimento da consciência, a sensibilidade, outra delicada flor, já ensaiada pelas experiências da alma nos reinos vegetal e animal, desabrocha com vigor, emitindo novos e vigorosos tentáculos, prontos a propiciar à alma as mais surpreendentes aventuras no terreno das sensações. Emoções até então desconhecidas ser-lhe-ão propiciadas pela sensibilização aguçada, fazendo acelerar ainda mais seus passos na faina da evolução. E com seus instrumentos sensoriais afinados e desenvolvidos, o espírito interagir-se-á mais ativamente com o meio em que vive, fazendo aflorar as potencialidades divinas adormecidas em seu imo.

Os impulsores fundamentais que o movem desde os primórdios da vida, os quais já enumeramos, ver-se-ão dinamizados pela exaltada capacidade sensória, propiciando então ao ser diferentes motivações para expressar seu primordial e incontido desejo de expansão. Sua insaciabilidade básica aguça-se, ao fazer-lhe perceber, com maior exatidão, a sofreguidão pelos bens divinos perdidos. E a nostalgia pela Casa paterna crescerá em demasia, excitando-o à edificação de um inusitado domínio na dimensão do ser: a espiritualidade.

Poderosa instância da alma, de expressões ilimitadas, a espiritualidade cuidará de evocar a presença do Criador na vida humana. Surge, assim, a religião, com o poder de acelerar  sobejamente as conquistas do espírito rumo à imponderabilidade. A alma, enfim, estava preparada para aprender a proferir o nome sagrado de seu Pai: Deus.

Com a sensibilidade excitada, outra genuína ferramenta evolutiva germina na gleba do espírito: a arte.

Nas suas mais variadas manifestações, desde a moldagem de peças decorativas à construção de edifícios, da escultura à pintura, da poesia à música, a expressão artística auxiliará a alma na sua incansável busca pela harmonia suprema das formas, que lhe façam recordar as belezas que um dia presenciou nas paisagens do Absoluto.

Munido desses novos e refinados instrumentos evolutivos, a Lei do progresso conduzirá o espírito ao mais rápido desenvolvimento de suas potencialidades contraídas pela queda. Razão e inteligência, cultura e arte, sensibilização e religiosidade canalizam agora seus esforços para fazer emergir na alma humana outro sentimento até então obscurecido pela densa cortina do ego: a comiseração. Delicada e nobre emoção que os reinos inferiores não conheceram, esse novo sentimento prepara o espírito para uma das mais belas edificações da alma humana: as florações da ética e da justiça. Introduz-se na eira de seu comportamento a noção moral, imprescindível para equilibrar-lhe os trunfos da inteligência com os genuínos valores do bem, impedindo-se que se resvalem pelos despenhadeiros do mal. Estava, enfim, aberto o caminho para que o espírito reassumisse o primado do amor, última e maior de todas as suas conquistas no transe evolutivo, capacitando-o ao reencontro definitivo com seu Pai.

Estabelecem-se, desse modo, os rudimentos das duas grandes asas da angelitude, a sustentar o voo da alma aos píncaros do Infinito: inteligência e ética, prontas a se transformarem respectivamente em sabedoria e amor. Habilitada então a plainar nas altitudes da santidade, a alma terminará por alcançar o fim a que se destina: a unção divina.

Não obstante, a sensibilidade exaltada e o conhecimento que agora detém de si mesmo proporcionarão ao espírito, a trafegar pelas estradas humanas, uma maior percepção das inerentes dores e patentes necessidades.

Exatamente por isso, o ser consciente sofrerá com maior intensidade seus padecimentos, próprios da evolução, até que consiga superá-los definitivamente, ao inteirar-se das exigências absolutas da Lei do amor. Com a exaltação da dor evolutiva, contudo, a alma expandirá seus limites, raiando sem demora os páramos sublimes da santidade.

E não só suas dores físicas se multiplicam, mas igualmente seus sofrimentos morais, pois o espírito conhece melhor agora suas ameaças e conscientiza-se da exiguidade de seus instrumentos para enfrentá-las, experimentando com maior intensidade temores e sensações de fragilidade. Aterrorizado pelo ataque das feras, acossado pela fome, intimidado pelas imposições climáticas e mesmo pelos conflitos entre seus semelhantes, o homem, inseguro, avança na busca de superação dos grandes desafios que a escola da vida impõe-lhe. E logo ele incorporará nova aflição até então não vivida: a dor pela perda de entes queridos e a angústia ante a inexorabilidade da própria morte. Sentindo-se, ainda que de forma inconsciente, herdeiro da Eternidade, a alma humana não se conforma com o intrigante fenômeno do túmulo, fazendo do medo da morte outro impulsor de inovadoras conquistas, no campo profundo da espiritualidade.

Distraído, no entanto, ante as prementes necessidades de sobrevivência e sobrepujamento de suas adversidades, o homem será conduzido ao desenvolvimento de novas habilidades práticas, ínsitas em sua bagagem espiritual. Trabalhando ativamente para defender-se, ele se adestra na produção de armas, na construção de abrigos seguros e no domínio dos elementos naturais a seu alcance, como o cultivo agrícola e a domesticação de animais. Do exercício dessas primitivas habilidades surge o trabalho, novo e útil instrumento evolutivo que lhe permitirá ilimitada ampliação de todos os atributos divinos, a integrar-lhe os painéis interiores.

Outros novos e interessantes aspectos do desenvolvimento humano despontarão à medida que ele progride, acelerando-lhe os passos na estrada dos séculos. O instinto de reprodução, agregando almas afins,  prepara-as para o alvorecer da afetividade, outro indispensável motor evolutivo, propiciando-lhes a edificação do núcleo familiar, a célula-mater das grandes sociedades que logo surgirão. E a necessidade de se viver em comunidade suscita-lhes o incremento de normas de conduta social, que logo serão canalizadas para o desenvolvimento do Direito.

 

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