Fases da Caminhada Humana

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Observadores atentos da evolução humana asseveram que nossa jornada ascensional pode ser dividida em dois grandes períodos: a etapa inconsciente, na qual somos conduzidos como cegos pela inteligência divina através das estradas do progresso; e a etapa consciente, aquela em que adquirimos a capacidade de interferir, com nossa vontade, no roteiro e no ritmo de nossa caminhada.

A etapa inconsciente ou amoral representa o estágio primitivo da humanidade, a infância humana, caracterizada pela permanência dos hábitos ainda selvagens que o homem traz dos reinos inferiores, a demarcar todos os seus atos e sentimentos. Predominando sobre a razão e a vontade, tais remanescentes e bárbaros costumes induzem-no à franca prática da crueldade. Fazem-se-lhe lícitos o assalto, o roubo, o assassinato e a subjugação dos mais fracos pela imposição da força bruta. Nesse nível, o homem está mais próximo da animalidade e não conhece ainda os preceitos morais.

Já a etapa consciente é demarcada pelo instante em que a razão passa de fato a prevalecer sobre os instintos. Direcionado pela vontade e o livre-arbítrio, o homem assume então paulatino e inteiro controle sobre os próprios passos. Inicia-se nessa fase o soerguimento de uma virtude antes ignorada: a moralidade. É então o estágio de soerguimento do edifício moral, caracterizado pelo respeito ao direito alheio e pela compaixão, no qual o homem, movido por nascente sensibilidade ética, passa a sobrepujar a selvageria, abrandando-se o prélio em que vive.

Esse período demarca o nascimento da justiça social e do Direito, prenunciando o futuro reinado do amor. A vinda de Jesus à Terra assinala para nossa civilização justamente esse instante, no qual deixávamos a primitiva animalidade humana para penetrar no período de construção de uma ética superior, necessária à nossa libertação definitiva dos reinos físicos. Superando o império dos impulsos instintivos, o homem assume o domínio de si mesmo e, exercendo o livre-arbítrio, faz-se inteiramente responsável pela edificação do próprio destino.

Sob as rédeas das forças evolutivas, o homem é impreterivelmente conduzido com êxito a essa nova etapa, levando-o a estabelecer uma ética superior de vida, constituindo uma nova civilização, a civilização moral. É o período em que nos encontramos no momento, mas ainda não concluímos. Embora outros povos a tenham experimentado e vivido antes de nós, para a grande massa da primitiva raça terrestre, como dissemos, esse estágio é inaugurado sob os alvitres do Evangelho, e se estende ao longo dos subsequentes três mil anos, quando então termina por sedimentar-se como conquista definitiva.

Nesse período de edificação moral, podemos demarcar novamente a existência de outros três nítidos intervalos menores, com duração aproximada de mil anos cada um. O inicial, a perfazer o primeiro milênio da Era Cristã, é chamado de conscientização do mal. Nele nos inteiramos devidamente da maldade que praticamos, e passamos a ensaiar as noções de uma vida superior. Não obstante, prosseguimos lutando contra a reverberação da animalidade, ainda forte presença em nosso imo, obstaculizando-nos a preponderância do bem.

Permanecemos semeando infrenes crueldades e fazendo de nossas vidas um campo de cruentas batalhas.

No segundo intervalo, que se inicia então por volta do segundo milênio da Era Cristã, despertamos em nós um novo sentimento até então pouco expressivo: a culpa. Oprimidos pelo intenso remorso que então passa a dominar nossas paisagens interiores, começamos a sofrear a prática da barbárie que até então nos caracterizava.

Um sentimento moral mais elevado começa a ser moldado nos recessos de nosso ser, e já não mais praticamos atos indignos sem uma forte razão que os justifique. Esse é o período que irá caracterizar o típico homem medieval, que se reconhece como um pecador, necessitado de penitenciar-se na dor para aplacar seus muitos pecados, a despeito de prosseguir como um guerreiro. Com a ativação do remorso, a necessária dor expiatória, outro importante fenômeno, emerge então de seu terreno consciencial, a fim de permitir-lhe expurgar os males livremente semeados na anterior fase de selvageria. Em decorrência desse fato capital, denominamos esse segundo intervalo evolutivo de período de expiação do mal, também conhecido como expiatório ou provacional.

Nele nos demoramos por outros mais mil anos aproximados, demandando o segundo milênio depois de Cristo. É o trecho no qual a maior parte de nossa humanidade ainda se encontra, percorrendo seus momentos finais.

Nos nossos dias estamos penetrando, finalmente, no terceiro e último intervalo de nossa ascese consciente, a fase de regeneração, que se cumprirá neste terceiro milênio de nossa extensa viagem. Nesta etapa encetamos a construção do Reino de Deus em nós, pondo fim à maior parte de nossas dores expiatórias. E, deixando definitivamente os hábitos da animalidade, preparamo-nos para assumir, enfim, o primado do amor como norteador mor de nossos sentimentos e condutas.

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