Evolução Consciente: Erros e Dores

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Com o nascimento da razão, o homem experimenta novo atributo até então desconhecido nos primeiros reinos: o livre-arbítrio. Iluminado agora pela inteligência, ele já não será mais um cego a palmilhar a esteira da evolução, sob o indulto dos instintos, e poderá efetuar escolhas que determinarão seus rumos no grande oceano da vida. Penetrando na chamada fase consciente da evolução, o homem faz-se então o construtor do próprio destino, e uma nova faculdade, inexistente nos reinos inferiores, guiar-lhe-á doravante as aquisições do progresso: a responsabilidade.

A Lei, sábia e pródiga de recursos, cuidará de imprimir em seu caminho o móvel de seus desejos, concretizando-lhe os sonhos no campo da existência. Todavia, essa mesma Lei igualmente lhe exigirá a obrigatória colheita dos frutos semeados na leira da vida. Surge, assim, na senda redentora, novo e excepcional acúleo a orientar-lhes os passos: a dor expiatória ou provacional. Somando-se à dor evolutiva, esse novo aspecto da dor tratará de devolver ao espírito os mesmos sofrimentos que ele confere a seus semelhantes, reconduzindo-o mais apressadamente aos páramos da desejada perfeição moral.

Ingressando então na escola expiatória, sempre proporcionada às semeaduras, ser-lhe-á agora excepcional educandário de ascensão evolutiva. Suas escolhas são livres, mas o determinismo da Lei obriga-lhe a necessária colheita. Por isso, cônscio agora de seus atos, ser-lhe-á facultado, no exercício do livre-arbítrio, acelerar, retardar ou mesmo fazer retroceder seus passos na linha do progresso. Errando ele sofrerá, e sofrendo, aprenderá a não mais semear a causa de suas dores. Essa é a sabedoria da Lei que, trazendo de volta ao homem os padecimentos infligidos ao próximo, mais rapidamente o reconduzirá à conquista do primado do amor.

Identificamos, todavia, a existência de dois tipos fundamentais de dores expiatórias: a expiação do erro por ignorância e a expiação do erro pela revolta. Nos primórdios da razão, o homem, não detendo ainda sabedoria suficiente da Lei de Deus, será incapaz de efetuar escolhas sempre acertadas. Diante das exigências morais impostas à sua consciência, sua dor faz-se inevitável, porém lhe será produtiva, conduzindo-o a impreteríveis ganhos evolutivos. Com a dor ele aprenderá, e aprendendo, não mais incorrerá nos mesmos equívocos.

Portanto, o erro por ignorância termina por induzir o espírito ao progresso, porquanto, na escola reencarnatória, o homem ressurgirá na carne sob o apanágio do sofrimento provacional, levando-o a conhecer as mesmas dores que provocou no outro. E então a dor cuidará de eliminar a si própria, sob o sábio sufrágio da Lei.

Penetrando no domínio do conhecimento, o homem, ainda que ciente de seus enganos, persistirá, por automatismo de conduta, reincidindo nos mesmos desacertos do passado, aos quais soma sua inata e multimilenar aptidão pela revolta, filha do primeiro motim que o retirou do Absoluto. A rebeldia, no entanto, sendo grave reiteração do primevo mal, conduzir-lhe-á, por força de Lei, não a ganhos evolutivos, mas à contração involutiva, acarretando-lhe penosos prejuízos. Regredindo na linha do progresso, o espírito que faliu pelo desvario da revolta deverá reconquistar, com seu esforço, o patamar anteriormente alcançado, retardando em muito sua marcha. Além disso, a contração involutiva, cerceando-lhe a capacidade de empreender o mal, ser-lhe-á recurso defensivo expedido pela complacência divina, a qual se desvela, assim, com sabedoria para restringir-lhe a ação maléfica. O resultado último dessa inteligente ação da Lei será a redução de suas dores e a limitação das forças involutivas que o consomem.

Desse modo, enquanto o erro pela ignorância produz ganho evolutivo, a prática do erro por rebeldia induz a necessária contração involutiva. E ambas as dores terminarão por concitar o ser ao correto e desejável caminho ascensional.

Compreendamos, contudo, que o perfeito equilíbrio da Lei saberá proporcionar dores corretivas sempre nos limites da tolerância individual e ajustadas ao grau de responsabilidade própria, para que o sofrimento, além de reduzir-se ao mínimo necessário, faça-se também justo e meritório, pronto a produzir benefícios máximos. E assim assistiremos à sabedoria da Lei impor padecimentos e determinar destinos segundo resistências e necessidades particulares, perfeitamente adaptadas à posição evolutiva de cada um. Portanto, no âmbito da Lei, a exigência da responsabilidade será progressiva, deixando-nos a certeza de que a caminhada humana jamais estará entregue à fatalidade do acaso ou a descabidas exigências.

Além da habilidade de adaptar-se às condições individuais, as dores expiatórias não estão entregues ao mais absoluto determinismo. A Lei, orientada por ínsita sabedoria divina, possui patente maleabilidade, conformando-se sempre às mutáveis condições do espírito em evolução. Assim, se modificamos o campo íntimo onde atua a Lei, esta reconhecerá nossa nova posição, modificando-se substancialmente em favor de nossas necessidades e em respeito às nossas conquistas. Por isso, tenhamos a certeza de que não estamos subordinados à inexorável sina, pois determinismo e livre-arbítrio equilibram-se com perfeição na equânime justiça divina.

Pela misericórdia de Deus, todo destino pode ser minorado ou mesmo inteiramente modificado pela interposição de nossas novas escolhas, sob os favônios do amor. Exatamente por isso, o apóstolo Pedro asseverou-nos que o “bem pode cobrir a multidão de nossos pecados”.

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