Vantagem ou Prejuízo do Ser

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Analisemos mais de perto o problema, escolhendo agora como ponto de referência, o ser, a sua verdadeira vantagem ou prejuízo.

Com a ajuda de nossa figura procuramos chegar ao cálculo geométrico dos fenômenos da ética. Colocamos aqui os seus princípios fundamentais, suscetíveis de desenvolvimento com teoremas, demonstrações e conclusões racionais.

Voltemos a observar o 2º e o 3º caso, nas suas duas posições a) e b), para resolvê-los em termos de débito ou crédito da parte do ser.

2º caso. Poderíamos chamar favorável este caso, porque o caminho das linhas positivas sendo maior do que o das negativas, o balanço se fecha em vantagem do ser.

 Posição a) do 2º caso.

O cálculo neste caso se baseia sobre três linhas: 1) a verde negativa do erro, NN2; 2) a vermelha positiva da dor, N2N3; 3) a vermelha positiva da evolução ao longo da linha da Lei, NN3. Na balança entre os valores negativos e os positivos, vencem os positivos, pelo fato de que estes são representados por duas linhas contra uma só negativa. Do lado da negatividade temos a linha NN2 ( – ). Do lado da positividade temos [ N2N3 ( + )] + [NN3 ( + )].

Então a linha do erro ( – ) fica compensada por duas linhas de sinal oposto, a da dor (+) e a da obediência (+). A diferença entre os caminhos destruidores de valores e os reconstrutores é em sentido positivo. Então o movimento todo no seu conjunto se resolve em proveito do ser, pelo fato de que a soma das duas linhas positivas é maior do que a negativa.

A fórmula da posição “a” do 2º caso tem de exprimir a vantagem ( + ) em termos de valores positivos em favor do ser, como no 3º caso, que é o seu oposto, a respectiva fórmula tem de exprimir, como veremos, o dano do ser ( – ) em termos de valores negativos. Assim, enquanto no 1º caso os dois valores opostos + e – se equilibram, sendo iguais, neste 2º caso há  uma diferença em sentido positivo favorável de vantagem, como no oposto 3º caso é lógico haja uma diferença em sentido negativo contrário, de prejuízo.

Expressemos com a letra V( + ) o conceito dessa vantagem. Ela significa tudo o que o ser ganha em sentido de positividade, de subida do AS para o S, em termos de evolução e correlativo melhoramento.

Então a fórmula resolutiva da posição a) deste 2º caso é a seguinte :

V( + ) = [ (N2N3 ( + ) + NN3 ( + ) ) – NN2 ( – )

 Posição b) do 2º caso.

Nesta outra posição se repete em medida e evidência maior o que temos observado a respeito da posição a) do mesmo 2º caso. A fórmula contém os mesmos elementos, mas ainda mais deslocados para os valores positivos em favor do ser. Aqui selecionamos só estas duas posições a) e b) para simplificar. Mas é possível imaginar entre elas quantas posições intermediárias quisermos, conforme a medida de deslocamento de valores que escolhermos.

Aqui também o cálculo se baseia sobre três linhas: 1) a verde negativa do erro, NN4, 2) a vermelha positiva da dor, N4N3; 3) a vermelha positiva da evolução ao longo da linha, NN5. Aqui também vencem os valores positivos, representados por duas linhas contra só uma negativa. Do lado da negatividade temos a linha NN4 ( – ). Do lado da positividade temos [N4N5 ( + )]+ [NN5 ( + )], Aqui também a diferença é em sentido positivo e o movimento todo se resolve em proveito do ser.

Então a fórmula resolutiva da posição b) deste 2º caso é a seguinte :

V( + ) = [N4N5 ( + ) + NN5 ( + )] – NN4 ( – )

 Algumas observações.

Observamos que, quanto mais vertical e menos obliqua é a linha do erro, e com isso é menor o seu afastamento da linha da Lei, tanto mais diminui o comprimento da linha da dor e aumenta a linha do progresso em subida, isto é, o comprimento do trajeto percorrido em sentido evolutivo em favor do ser. Isto quer dizer: 1) que diminui sempre mais o caminho de volta para a Lei (dor); 2) que o ser realizou um trabalho útil de progresso ao longo da linha da Lei em seu proveito.

Não esqueçamos o que há pouco mencionamos, isto é, que aqui estudamos o fenômeno em função da vantagem ou dano do ser, e que por isso estes são agora os nossos pontos de referência.

Na posição a) deste 2º caso temos então que, se para corrigir o erro expresso pelo comprimento da linha NN2 é necessária a dor expressa pelo comprimento da linha N2N3 (dano), ao mesmo tempo o ser percorreu em sentido evolutivo o comprimento da linha NN3 em seu proveito. No 1º caso, NN1N o ponto de chegada é N, o mesmo que o de partida. Mas no 2º caso o ponto de partida é N, e o ponto de chegada é N3, o que quer dizer que, embora errando pelo caminho do mal, o ser realizou alguma coisa no caminho do bem, Isto não é absurdo nem impossível na realidade de nosso mundo, onde vemos que bem e mal muitas vezes se misturam no mesmo ser e na mesma obra.

Acontece assim que o pagamento por meio da linha da dor não somente neutraliza a do erro, mas através desta experimentação deixa no fim o ser numa posição mais adiantada. Isto representa uma vantagem que compensa e anula parte do dano produzido pelo erro. Este trecho que foi ganho como progresso constitui como um abatimento na dívida que o ser tem de pagar para se resgatar do erro com a sua dor. Eis aí o significado da fórmula resolutiva da posição a) do 2º caso.

Na posição b) deste 2º caso as características do fenômeno vão sempre aumentando em favor do ser. A linha da dor, ao invés do comprimento NN3, fica reduzida à linha N4N5; e a linha do progresso em subida, ao invés do comprimento NN3, resulta aumentada a NN5. Desta vez o ponto de chegada é N5, o que quer dizer que foi percorrido em subida um caminho ainda maior, e que por conseguinte no fim o ser se encontra numa posição ainda mais adiantada. Isto representa uma vantagem maior em favor do ser. Este trecho a mais que foi ganho como progresso constitui um abatimento maior na dívida que o ser tem de pagar com a sua dor, ao mesmo tempo que o comprimento da linha da dor foi diminuindo. Eis aí o significado da fórmula resolutiva da posição b) no 2º caso.

Estas duas posições a) e b), como há pouco dizíamos, são só dois exemplos escolhidos para a nossa demonstração entre os muitos possíveis, que cada um pode multiplicar à vontade.

Mas estes dois, como na figura, já bastam para nos mostrar a tendência do fenômeno de deslocar os seus valores no sentido de que, à posição cada vez menos oblíqua e inclinada da linha do erro, corresponde uma progressiva diminuição do comprimento da linha da dor (dano), e um progressivo aumento do comprimento da linha do progresso em subida (vantagem).

Esta tendência nos leva a considerar a posição limite deste processo, e a poderíamos chamar a posição c) deste 2º caso.

Esta tendência significa que o fenômeno está dirigido para uma quantidade de valores positivos conquistados, sempre maior, para a vantagem do ser, e para uma quantidade de valores negativos cada vez menor, a cargo e para o dano do ser. Não há somente o fato de que os primeiros funcionam em favor do ser, como resgate do seu erro; mas ao mesmo tempo há também uma diminuição progressiva do comprimento da linha da dor.

Ora, é claro que, se levarmos esse processo até ao seu caso limite, atingiremos uma posição em que a quantidade dos valores positivos conquistados será máxima, e com isso o será a vantagem do ser; e a quantidade dos valores negativos será anulada, e com isso o será o dano do ser. Acontece que no fim desaparece a linha da dor, e o erro não foi mais erro, mas só uma tentativa bem sucedida que se resolveu num progressivo caminho de subida.

Isto é lógico, porque a crescente inclinação da linha do erro para o alto, cada vez mais a aproxima da linha da Lei, até anular todo afastamento e com isso a linha da dor que é a sua consequência, porque representa o caminho de volta à Lei. É lógico que, não havendo mais afastamento, não haja também linha de dor. Neste caso limite o fenômeno chega então a esta posição: não mais afastamento, nem dívida a pagar, nem dano e dor para o ser, nem valores negativos a resgatar, restando somente a vantagem da evolução realizada.

Este é o caso dos santos que, como Agostinho e Francisco de Assis, pecadores na sua juventude, do erro souberam tirar a experiência útil para realizar um progresso espiritual e, assim, transpuseram um nível de vida mais alto.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

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