O Prejuízo Consciente do Ser

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3º caso. Poderíamos chamar desfavorável este caso, porque o caminho das linhas positivas sendo menor do que o das negativas, o balanço se fecha com prejuízo para o ser.

Posição a) do 3º caso.

O cálculo neste caso se baseia sobre três linhas: 1) verde negativa do erro, NN6; 2) a vermelha positiva da dor, N6N7; 3) a verde negativa da involução, percorrida em descida ao longo da linha da Lei, isto é, a linha NN7, que terá de ser corrigida em sentido oposto, positivo, evolução, como esforço de subida, N7N. Aqui na balança entre os valores negativos e positivos, vencem os negativos, pelo fato de que estes estão representados por duas linhas, contra uma positiva. Do lado da negatividade temos as linhas [NN6 ( – ) ] + [NN7 ( – )].

Do lado da positividade temos só a linha N6N7. Então à linha do erro ( – ) se junta outra linha negativa, a da descida involutiva. A diferença entre os caminhos destruidores de valores e os reconstrutores, é em sentido negativo. Então o movimento todo no seu conjunto se resolve em prejuízo do ser, pelo fato de que a soma das duas linhas negativas é maior do que a positiva. Se no fim do processo da posição a) do 2º caso o ser se encontrava em N3, com a vantagem do caminho percorrido em subida como progresso, agora no fim do processo da posição a) do 3º caso, o ser se encontra em N7, com a desvantagem do caminho percorrido em descida como involução, que depois é necessário pagar subindo de novo com o próprio esforço.

Então a fórmula desta posição a) do 3º caso tem de exprimir esta desvantagem (– ) em termos de valores negativos com dano para o ser, como acima mencionamos. Aqui nos encontramos na posição oposta à correspondente a) do 2º caso.

Expressemos com a letra D (– ) o conceito deste dano. Este significa tudo o que o ser perde em sentido de negatividade, de descida do S para o AS, em termos de involução e correlativo prejuízo.

Então a fórmula resolutiva da posição a) deste 3º caso é a seguinte :

D ( – ) = N6N7 ( + ) – [NN6 ( – ) + NN7 ( – )]

 Posição b) do caso. Nesta outra posição se repetem mais acentuadas e evidentes as condições da posição a) do mesmo 3º caso. É lógico então que os valores negativos prevaleçam ainda mais sobre os positivos, o que quer dizer para o ser aumento de desvantagem. A fórmula contém os mesmos elementos, mas ainda mais deslocados para os valores negativos, em desfavor do ser. Aqui vigoram os mesmos princípios, mas sempre piorando, o contrário da correspondente posição b) do 2º caso que iam sempre melhorando.

Aqui também o cálculo se baseia sobre três linhas: 1) a verde negativa do erro, NN8; 2) a vermelha positiva da dor. N8N9; 3) a verde negativa da involução, percorrida em descida ao 1ongo da linha da Lei, isto é, a linha NN9, que tem de ser corrigida em sentido oposto, positivo de evolução, como o esforço do ser, pelo caminho inverso N9N. Aqui vencem sempre mais os valores negativos, representados pelas duas linhas deste sinal, contra só uma positiva.

Do lado da negatividade temos as linhas [NN8 ( – )]+ [NN9 ( – )] . Do lado da positividade temos só a linha N8N9 (+). Aqui também a diferença é em sentido negativo e o processo se resolve todo em desfavor do ser, pelo fato de que à linha do erro ( – ) se junta outra linha negativa, a da descida involutiva, e a soma das duas linhas negativas é maior do que a linha positiva.

Se no fim do processo da posição a) do 3º caso o ser havia descido até ao ponto N7 da escala evolutiva, agora no fim do processo da posição b) do mesmo 3º caso, o ser desceu até ao ponto N9, o que exige depois um trabalho de recuperação muito maior.

Então a fórmula resolutiva da posição b) deste 3º caso é a seguinte :

D ( – ) = N8N9 ( + ) – [ NN8 ( – ) + NN9 ( – )]

Algumas observações.

Se no 2º caso vai cada vez mais aumentando a linha percorrida em subida evolutiva em favor do ser, no 3º caso o mesmo fenômeno se repete às avessas, e assim vai cada vez mais aumentando a linha percorrida em descida involutiva em desfavor do ser. No 2º caso tudo está orientado em sentido positivo construtor, no 3º caso em sentido negativo destruidor.

Trata-se de dois sistemas de forças opostas: um dirigido para o alto, o outro para baixo. No primeiro prevalecem os valores positivos, e é lógico então que o resultado final seja positivo: V(+). No segundo prevalecem os valores negativos e é lógico então que o resu1tado final seja negativo: D ( – ). Se no 2º caso, em subida, a linha verde ( – ) do erro resulta corrigida só pela linha vermelha ( + ) da dor, com a vantagem ( + ), porem, de ter atingido um ponto mais adiantado no caminho da evolução, no 3º caso, em descida, a linha do erro resulta corrigida pela linha vermelha ( + ) da dor, com a desvantagem ( – ), porém, de ter retrocedido para um ponto mais atrasado no caminho da evolução.

Para voltar ao ponto de partida N, recuperando o perdido, é necessário reconstruir o que foi destruído, isto é, com o próprio esforço ter de cumprir de novo o trabalho de percorrer em subida o caminho que foi percorrido em descida E por isso que no 3º caso o trabalho necessário para chegar ao resgate do erro é muito maior. Enquanto no 2º caso a linha em sentido evolutivo representa um abatimento na dívida do ser, o que constitui um crédito em seu favor, no 3º caso não somente não existe essa compensação, mas a linha percorrida em sentido involutivo representa um acréscimo na dívida do ser, enquanto gerou um novo débito a pagar, que vai aumentar o outro expresso pela linha do erro.

Se olharmos para as posições a) e b) do 3º caso, veremos a mesma tendência a um deslocamento de valores sempre maior que, se no 2º caso é em sentido positivo, pelo contrário neste 3º caso é em sentido negativo. Em outros termos, quanto no 2º caso a tendência é dirigida para um contínuo aumento em favor do ser, no 3º caso ela o é para um contínuo aumento em desfavor dele.

Continuando por este caminho, chega-se, como vimos no 2º caso, à posição limite do fenômeno. Nesta posição a linha do erro tanto se inclinou para baixo, que acabou sobrepondo-se à linha da Lei, mas às avessas, isto é, em sentido emborcado, todo negatividade, não em subida mas em descida.

Esta é o que podemos chamar a posição c) do 3º caso.

Se no 2º caso a anulação do afastamento da linha do erro da linha da Lei levou à anulação da linha da dor, e no fim ficou só o trabalho positivo realizado em sentido evolutivo, neste 3º caso a mesma anulação do referido afastamento leva à anulação da linha da dor em outro sentido.

Não há outros meios de recuperação que não sejam aqueles de repetir, sozinho, o esforço de quem, involuindo, caiu no fundo de um abismo e tem de subir novamente, escalando à sua custa as íngremes paredes. Não se trata mais só de uma penitência que neutraliza o pecado.

Pela sua descida o ser retrocedeu um mais baixo nível de vida, repetindo e confirmando com vontade de revolta um trecho do mesmo caminho da primeira grande queda.

Para o ser abismado nesta posição, ficou anulada até a linha vermelha da dor (+) com os seus poderes reconstrutores de positividade. Com isso desaparece a possibilidade do resgate pelo caminho do arrependimento e da dor, que representam o meio com que pode corrigir o erro quem ficou no mesmo nível de evolução.

O ser desta vez se tornou fera, porque involuiu num trecho do caminho para o AS e com isso adquiriu mais qualidades deste ao mesmo tempo perdendo as do S; perdeu o que tinha conquistado em conhecimento, felicidade, vida, liberdade, proporcionalmente decaindo para a ignorância, o sofrimento, a morte, o determinismo e o caos do inferno. Este é o justo galardão que recebe, porque merecido, quem cumpre o crime da revolta absoluta contra Deus, não por erro mas, como mencionamos, por orgulho, por espírito de revolta, com conhecimento e vontade de praticar o mal.

Este caso é mais raro que o do erro comum, porque requer um impulso muito mais decidido para a negatividade, impulso de revolta que tem de ser tanto mais poderoso quanto mais for inclinada a linha do erro, até ao caso limite em que ela não é mais lateral, mas só descida vertical, involução, posição de revolta absoluta para a vitória do AS, vontade do ser contra a da Lei.

Não se trata mais do pecado do homem, mas, como dissemos, do de Lúcifer, que não se resolve só com o arrependimento percorrendo a linha da dor, mas de novo transformando-se e amadurecendo pela profunda e dura fadiga redentora da evolução.

Neste caso não se trata de uma negatividade acidental, de superfície, fácil de corrigir, porque o erro por si só não subverte fundamentalmente a natureza do ser. Mas se trata, pelo contrário, de uma negatividade central, profunda, e para endireitar é necessário um renovamento igualmente central e profundo no sentido da positividade, pelo fato de que neste caso, por causa do regresso, acordam e voltam a desencadear-se as forças obscuras do AS.

Este é o caso oposto ao dos santos, acima mencionados, que erraram na procura da verdade e do bem, para acabar santificando-se. Neste 3º caso em descida se trata, pelo contrário, de seres que quiseram fazer o mal, pelo mal, em pleno conhecimento, não por erro, mas por vontade decisivamente resolvida a realizar o emborcamento do S no AS. Este não é só pecado secundário devido à ignorância e fraqueza do ser, erro que pode gerar somente um afastamento lateral, que a penitência da dor pode corrigir; mas é o pecado fundamental, o primeiro e maior, devido ao espírito de revolta, o que gerou o processo involutivo da queda e o desmoronamento de todo o nosso universo.

Eis o significado das duas posições limites c) do 2º e 3º caso. A primeira é toda em subida, fato que neutraliza o erro e acaba reabsorvendo a linha da dor. A segunda é toda em descida, fato que transforma o erro em crime, que não há arrependimento e sacrifício comum que possa facilmente apagar. A progressiva inclinação da linha do erro para o alto no 2º caso, até à referida posição limite, tende a transformar cada vez mais o erro (-) em trabalho da evolução (+); e esta transformação se realiza em cheio na posição limite c) do fenômeno, em  que triunfa toda a positividade. Ao contrário, a progressiva inclinação da linha do erro para baixo no 3º caso, até à sua posição limite, tende a transformar cada vez mais o erro (-) em trabalho de involução (-); e esta transformação se realiza em cheio na posição limite e) do fenômeno, em que triunfa toda a negatividade.

Na primeira destas duas posições limites venceu a Lei e, em obediência, o ser ganhou. Na segunda venceu o ser e, com a revolta, ele perdeu.

Nestas duas posições limites todo o movimento se realiza não de lado, mas dentro da linha da Lei. Adquire por isso, seja no sentido da positividade como no da negatividade, sentido resolutivo de progresso que é vida, ou de regresso que é morte. Nestes casos o deslocamento não é só afastamento lateral, que deixa o ser no mesmo plano de vida, mas é deslocamento de nível biológico para o S, ou para o AS, com todas as suas consequências. No 3º caso se trata do emborcamento dos valores fundamentais do existir, de regresso, de gênese do mal, como no caso da primeira revolta.

A inclinação da linha do erro para o alto expressa a boa vontade, que é tanto maior quanto maior for a inclinação, até ser toda completa, quando as duas linhas coincidem na posição limite. A inclinação da linha do erro para baixo expressa a má vontade, que é tanto maior quanto maior for a inclinação, até se completar quando as duas linhas coincidem na posição limite.

Erro e boa ou má vontade são elementos que todos conhecemos pela nossa prática quotidiana, e que de fato vemos misturar-se em cada ato nosso, em proporções diferentes. Eis que este estudo geométrico de nossa figura, apesar de poder parecer trabalho abstrato afastado da realidade, nos leva a compreender o valor e as consequências de nossa conduta, e a formular racionalmente as normas dessa nova ética, cujos alicerces estamos aqui construindo, com a enunciação dos seus princípios.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

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