Saltos Evolutivos

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Não há dúvida, a evolução torna-se não só fascinante quando estudada sob a ótica da queda, mas extremamente clara e, ao contrário do que afirmam os estudos do mundo, a evolução caminha aos saltos e não propriamente através de adaptações graduais.

Darwin e seus seguidores não se referiram à existência dessas abruptas transposições evolutivas, e afirmaram categoricamente que o gradualismo adaptativo seria o único fator a responsabilizar-se pela diversidade das espécies e seus avanços no palco da evolução…

A existência desses súbitos saltos criativos na esteira do progresso faz-se fato inquestionável. E eles muito nos esclarecem sobre a forma como se desenvolve a ascese evolutiva.

É inegável que encontraremos os dois movimentos, a adaptação gradualista e os saltos criativos, presentes na dinâmica do devenir. Enquanto a ação divina está plena de criatividade, atuando em modificações abruptas que comparecem na vida como formações já prontas, a inteligência menor do espírito caído cuida de promover pequenas e paulatinas acomodações de seus organismos às condições ambientes. Ambos os processos são importantes e integram os mecanismos evolucionais. No entanto, sem a criatividade promovida pela sabedoria de Deus, o gradualismo por si só não seria suficiente para levar adiante o progresso. Para se avançar é preciso inovar, apresentando soluções já prontas que somente a engenhosidade e a inteligência podem produzir.

Seres intermediários, portando modificações completamente ao acaso, não sobreviveriam para transmitir aos seus descendentes suas alterações. Portanto, as mutações graduais e ainda ao acaso, como sugeridas pelos estudos darwinianos, produziriam nada mais que aberrações e seriam completamente inviáveis. Somente as mutações completas, coerentes e inteligentes apresentam-se viáveis no inclemente jogo da vida, que jamais trataria com benevolência seres intermediários e incompletos, ainda incapacitados para a luta.

Imaginemos, por exemplo, as transformações que um ser aquático exigiu para se tornar um animal terrestre. Embora uma etapa de transição tenha existido, o progresso promoveu verdadeiro salto evolutivo entre um estágio e outro, criando um animal dotado de plenos recursos para sua imediata sobrevivência no novo meio. Qualquer ser dotado de formações intermediárias e incompletas sucumbiria de imediato ante as exigências da nova experiência de vida. Para que isso se tornasse possível, incalculáveis modificações fizeram-se necessárias, as quais deveriam, além de ser simultâneas, estar perfeitamente coordenadas entre si. A fim de que nadadeiras se convertessem em patas; a bexiga natatória, em pulmão; e todo o metabolismo do novo organismo fosse adaptado às novas exigências do meio ambiente, sábias modificações necessitaram ser concomitantemente incrementadas em feixes musculares, inserções de tendões, alavancas ósseas, novas engrenagens articulares, reposicionamento dos grandes vasos cardíacos e incrementada irrigação sanguínea para nutrir todos esses diferentes componentes, além de novos ramos nervosos e diferenciada massa neuronal central para coordenar todo o novo conjunto em ações harmônicas.

Tamanha conjuntura de fatores seria impossível de se produzir não só aleatoriamente, como também não poderia decorrer de um lento e gradual processo adaptativo. Não sabemos como pôde a acanhada mentalidade humana moderna julgar que tão hábeis e inteligentes movimentos, coordenados em um conjunto de eficazes peças orgânicas que se encaixam com perfeição, teriam sido produzidos ao acaso. Somente o orgulho humano pode justificar a negação de uma evidente e sábia interferência na ordem do progresso, sem a qual não estaríamos hoje presentes na vida para então analisá-la.

Portanto, somos forçados a admitir que, embora o gradualismo atue na fase adaptativa do processo evolutivo, promovendo pequenas e lentas moldagens nos seres, uma sabedoria criativa é que determina e orienta os grandes avanços do progresso. Assim caminha a evolução. Ela tem soluções prontas e inteligentes para os diversos desafios da vida, pois a providência divina, que a todos guia, tem pressa em reconduzir-nos de volta ao Lar.

Basta examinar nossa própria história para constatar que as conquistas sociais avançam também aos pulos. As civilizações, depois de atravessar lentos períodos de acomodação, são agitadas periodicamente por grandes revoluções que fazem precipitar de súbito as aquisições que o futuro lhes reserva. E não precisamos buscar longe os exemplos, pois a revolução francesa ainda reverbera na comunidade moderna sua súbita investida contra a velha ordem social e política da monarquia, acomodada há séculos na ampola do tempo. A revolução científica mudou de um dia para outro a face do planeta. E, no campo fideísta, insurge o Espiritismo, outro forte exemplo de salto evolucionário, derruindo longevos e entorpecidos conceitos religiosos.

Assim é que se faz a evolução, seja no campo humano ou mesmo biológico. Ela caminha por insurreições, a emergirem de inopino de um dia para outro nas paisagens do mundo. Entrando em franca luta contra hábitos e conhecimentos estagnados, elas impõem, às vezes pela coerção da força, a renovação de hábitos e valores, em todas as áreas de expressão da vida. Na ascese progressiva, o arcaico, embora relute, deve morrer para dar lugar ao novo. Essa é a grande batalha da evolução, a qual, em última análise, consiste na superação dos estigmas da queda, ainda ativos nos recessos conscienciais do ser.

A força das ideias que atingem seu tempo de maturação, irrompem como impetuosos levantes, mais poderosos que os exércitos, como nos ensinou Victor Hugo.

É bastante evidente que ninguém pode negar que as revoluções integram a Lei do progresso, desde suas expressões puramente biológicas até as sociais e espirituais. Então, mais uma vez, ambas as visões da evolução estão corretas. Está certo o darwinismo que identificou a ação do gradualismo em suas lentas acomodações no tempo, mas está também coberta de razão a visão criacionista e religiosa que ressalta a existência de súbitas criações inteligentes na condução do progresso.

Leibniz deixou-nos a famosa afirmação de que “a natureza não dá saltos”. Torna-se evidente agora que, nesse caso, as correntes espiritualistas que adotaram e continuam enfatizando o enunciado do filósofo alemão deverão rever suas posições. Faz-se inevitável admitirmos que se trata de uma verdade incompleta. Ei-nos diante de mais um dogma a ser superado pelas escolas espiritualistas do mundo.

É impossível ao homem, ainda que no campo de suas mais sagradas revelações, evoluir sem ter de corrigir frequentemente seus equívocos, inexoravelmente presentes em sua escalada rumo ao Absoluto. Fato evidenciado pela nossa patente ignorância perante a magna Ciência Divina, que supera em tudo os limites de nossa parca razão. Por isso, a custa de decepções, estamos convencidos de que, em todas as áreas de atuação do pensamento, nossas verdades são sempre insuficientes e relativas, encontrando-se sujeitas à natural renovação que o necessário progresso a tudo impõe.

Nos tratados de evolução até então desenvolvidos nas paisagens conceituais da Terra, observamos ainda que todos eles trataram de eliminar a ocorrência da transmissão de caracteres adquiridos durante a vida pelos seres em desenvolvimento. Essa possibilidade, admitida pelo estudioso Lamarck, foi veementemente negada pelos geneticistas em experiências simples, como a constatação de que o corte da cauda de um camundongo jamais faz que sua progênie incorpore na raça essa modificação. Passou-se, assim, a postular que apenas os caracteres impregnados no código genético poderiam passar à descendência.

Tal pressuposto inviabilizaria a evolução da forma como a estamos vendo. Sob o ângulo de nossa visão, se as habilidades desenvolvidas no esforço de superação das dificuldades naturais da existência, empreendidas pelos seres vivos, não migrassem para a progênie, o progresso não se efetivaria.

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