Primeiras Encarnações e Desencarnações

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Somente após o advento da vida orgânica, o espírito passou a encarnar e desencarnar. Antes disso o espírito não experimentava a morte e o renascimento, tal qual os entendemos?

Enquanto o espírito dormia na matéria bruta, não experimentava ainda o fenômeno desencarnatório propriamente dito. “Morto” de fato, sua consciência jazia em  estado de completa obnubilação nos redemoinhos atômicos. Compreendamos que, nesse estado primordial em que a queda o remeteu, ele não se achava propriamente vestido de um conjunto de átomos físicos, porquanto estes eram nada mais que a própria expressão na realidade densa.

A matéria não lhe era exatamente um encaixe, mas sim o inerente e inseparável hálito. Desse modo, nesse plano ainda prístino e grosseiro, o espírito não se separava de seu corpo para tornar a ocupá-lo em ritmos de mortes e renascimentos. Portanto, não se concebe a reencarnação nesse estado ainda incipiente do ser que caiu na matéria. Logo, o espírito não desencarna da rocha bruta para nela renascer logo a seguir. A rocha é a própria manifestação e não sua roupa, repitamos, para que se faça claro o conceito.

Nesse reino ainda inorgânico, o espírito evolui muito lentamente, desenvolvendo-se na escala periódica dos elementos fundamentais, até as formações cristaloides. Amadurecendo nos compostos radioativos, finalmente “morre”, digamos assim, através do fenômeno da desintegração atômica, ressurgindo como emanações energéticas. Aí, sim, poderemos considerá-lo “desencarnado”, embora o termo ainda não se lhe aplique de fato, uma vez que ele não detém uma consciência livre e sequer um corpo de carne.

No reino dinâmico, ele evolui até adquirir a condição de raio vital. Nesse ponto, ele retorna sobre a matéria bruta remanescente no mundo denso para, enfim, elevá-la à condição de substância orgânica. Aí nasce a vida animal, e a partir dessa condição é que o espírito começa de fato os rápidos recâmbios de mortes e renascimentos, alternando sua existência entre a esfera física e a extrafísica. O ágil dinamismo palingenésico, próprio da vida carnal, surge então unicamente após o despertar da alma para as experiências nos reinos biológicos.

Nesse momento é que nos encontraremos com o espírito trajando instáveis e progressivas roupagens físicas, ao longo de seu passeio evolutivo por sucessivas vidas. Qual se fora um ciclone, ele arrebanha em sua passagem resíduos densos do mundo tangível, vestindo-se momentaneamente com eles, em seu rápido dinamismo, para logo os abandonar, repetindo adiante o fenômeno, inúmeras vezes, sem jamais extinguir-se de fato.

A morte e o renascimento orgânico surgiram como um atributo da vida animal, que até então inexistiam. Como todos os fenômenos biológicos, fez-se um evento abrupto, inserido no ágil metabolismo vital, muito distinto do letárgico dinamismo da matéria bruta. Nesse novo contexto, a visão do cadáver sem vida, como se fora uma massa inerte, levou o homem a considerar que o espírito era um constructo totalmente distinto da matéria, nela inserido senão para evoluir.

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