O Evangelho posto à Prova

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Voltemos, agora, ao centro da batalha onde está situado o protagonista, para estudar o centro da estratégia da mesma, porque é exatamente naquele ponto vital que se desferram os maiores ataques e mais ferve a luta. Trata-se aqui do ponto mais vital da missão e não de elementos acessórios que, representando funções secundarias, podem, sem prejuízo ser facilmente substituídos ou liquidados. O que constitui o verdadeiro fulcro da missão, da batalha e da sua estratégia, é um centro espiritual que esta além do instrumento terreno, mero executor material. Este centro é o Evangelho, e atrás do Evangelho está Cristo que, nos momentos decisivos, intervém e resolve, oferecendo-nos aquele maravilhoso fenômeno que vamos estudando, da descida à terra das forças do Alto.

Trata-se de um experimento vivido, levado a efeito para observar a tão discutida aplicabilidade real do Evangelho na pratica de nossa vida. Experimentação vital para o nosso protagonista, que, porém, tem importância amplíssima, por ter uma significação de interesse geral. Enfrentaremos  o problema da Grande Batalha  debaixo deste seu outro aspecto da experimentação evangélica, isto é, de missão cumprida, também para demonstrar que, contra todas as aparências, o Evangelho é aplicável completamente em nosso terreno humano e, ainda que isto pareça absurdo, com muita vantagem. Veremos os fatos conduzir-nos à conclusão de que o Evangelho é verdadeiro e que sua palavra, de fato, se realiza.

Ir adiante pelo caminho retilíneo da sinceridade, significa chegar muito antes do que tomando a estrada da mentira e do engano. Muitos preferem esta última por parecer um atalho, mas é um atalho em que se escorrega a cada passo e que, por isto, exige mais tempo para ser percorrido que a via mais comprida da honestidade onde não se escorrega, porque se coloca o pé não na lama, mas sobre a pedra firme.

Trabalhar a luz da inteligência de onde nasce o conhecimento, exclui a incerteza da tentativa e do erro, fornece a calma, a tempestividade e a segurança da ação, o que conduz ao bom fim. Contrariamente, quem trabalha com as forças do mal, trabalha nas trevas da ignorância, que não lhe fornecendo o conhecimento, deixa-no em poder da tentativa e do erro, o conduzem a uma pressa repleta de orgasmo, à intempestividade e incerteza na ação, o que arrasta para a falência.

Não basta a afirmação teórica que o bem é o mais forte e triunfa. É preciso explicar como se desenvolveu a experimentação que prova ser isto verdadeiro; é necessário penetrar sua técnica, o método de desenvolvimento, observar a oposição entre as psicologias e estratégias do evolvido e do involuído, observar por quais defeitos este é levado a perder, e por quais qualidades o outro é levado a vencer.

De outro lado seria forçoso ser cego para não ver o contraste existente na terra entre a teoria, representada por um Evangelho proclamado e pregado, e uma pratica feita com a sua negação continua.

Qual dos dois teria razão? Cristo ou o mundo? Por que não tentar esta suprema experimentação? Fascinante tornava-se estudar seriamente uma tão difundida loucura e verificar por que, não obstante tão pregada, é tão pouco aplicada. Tornava-se preciso controlar diretamente, com a experiência pessoal, quem teria razão entre os dois opositores: Cristo, com suas afirmações enunciadas em nome ao Pai e confirmadas com o martírio, ou o mundo que acha sábio fazer pouco caso, rindo-se de Cristo e acreditando de fato no contrario.

A experimentação era muito mais interessante que outras com que é costume preencher a vida: riqueza, poder, sensualidade, orgulho etc.. Como acreditar ainda nestas coisas, cair dentro delas somente para perceber depois que tudo é vaidade e ilusão? Oceano de enganos em que gostam de navegar os primitivos inexperientes para colher desilusão. Quanto, em vez disso, valeria, também para os outros, como exemplo, mas acima de tudo para si, possuir uma prova experimental própria acerca de argumento tão escaldante que abarca toda a conduta humana!

Desde jovem o nosso protagonista havia compreendido, por instinto, o truque das coisas humanas. Então, sem esperar o fim da vida para compreendê-lo e para chorar sobre a vaidade das coisas, instintivamente rebelde contra a aceitação da vida como a fazem os demais, certo dia ele tomou na mão o Evangelho e disse: quero pô-lo à prova, experimentando-o sobre minha própria vida.

Se é verdadeiro, Cristo ajudar-me-á. Se não o for, então tudo há de cair comigo. Uma das duas: ou o Evangelho tem razão, e, assim, este não me matará, mas, em vez, salvar-me-á. Não sei como isto possa dar-se, mas, por certo, este será um prodígio como o seria o do cordeiro vencer os lobos indo desarmado a abraça-los. Ou, contrariamente, o Evangelho não tem razão, tendo-a o mundo e matar-me-á. Mas nesse caso, não terei morrido pelas estúpidas e comuns malvadezas humanas, mas por algo digno, por haver querido seguir a Cristo. Terei, nesse caso, a grande vantagem de não ter morrido pela minha imbecilidade ou malvadez, mas inocentemente, por haver crido em Cristo e Sua será a responsabilidade. Solução, também esta, de elevado interesse.

Como comportar-se-ia o Alto, seja no deixar realizar-se um caso semelhante, seja, depois, no julga-lo, permitindo as respectivas consequências?

Tudo isto representava uma espécie de desafio ao Alto, a fim de que se manifestasse diretamente uma exigência de provas evidentes, aptas a fornecer um testemunho experimental irrepreensível da verdade do Evangelho. Estas provas depois poderiam sobrepujar o caso particular, próprio do experimentador, para elevar-se como exemplo coletivo de significação universal, para todos. E, quem sabe, essa experimentação inusitada viesse a fazer parte integrante daquela missão que estamos expondo, uma prova positiva demonstrativa e confirmativa da sua verdade!

Certo é que o mundo de hoje não pode mais satisfazer-se com uma fé cega e tem necessidade de provas convincentes. Para os homens positivos, práticos, que com a ação dirigem o mundo, e que são a maioria, é preciso abrir uma janela para outros mundos superiores que para eles parecem utopia. Se não fizermos entrar esses novos elementos no mundo para a sua salvação, não restara hoje senão o desespero, ou a destruição recíproca.

No estado de inércia mental dos séculos anteriores estes problemas não surgiam e era possível adormecer em paz, encobrindo-os com a tradicional mentira. Mas, hoje, o acicate da dor bate nos ombros do homem moderno, e a este tudo é permitido, fora adormecer. A dor impõe novas perguntas e respostas e obriga a inteligência a desvenda-las. Chegou a hora dura do destino do mundo para impor a todos, bons ou maus, viver seriamente, enfrentando e resolvendo os problemas, num sentido ou noutro, mas sempre à luz da razão, dando-se conta e assumindo a responsabilidade do que se fizer.

A bela comédia dos séculos transcorridos, com que tranquilamente o mundo havia se acostumado a zombar de Deus e da Sua Lei, esta tornando-se hoje, uma tragédia, uma nova experiência dura em que entra em jogo a própria vida.

Também por estas razões o nosso homem entregou-se à experimentação.

Ressentia-se ele mesmo deste estado d’alma geral, de uma necessidade absoluta de clareza e sinceridade em qualquer caminho, ainda que fosse aquele que os antepassados denominaram do mal: viver de olhos abertos, sabendo as  razões e as consequências da própria conduta; compreender e saber as razões do bem como as do mal, e, escolhendo-se as sendas deste último, nunca fazê-lo cegamente, por instinto como os primitivos, mas vendo bem claramente, por haver feito o cálculo exato das vantagens da própria escolha.

Se o bem então é verdadeiramente bem, este deve revelar-se à razão como o caminho mais conveniente por ser o que conduz à nossa maior utilidade. Se nos for vedado enfrentar os problemas morais e religiosos com esta franqueza honesta, quer dizer que a solução oferecida hoje ao mundo é um artifício que esconde algo que não se quer descobrir.

Numa hora de geral revisão de todos os valores humanos, a experimentação que o nosso protagonista impunha a si mesmo correspondia, não só as suas condições particulares, mas, outrossim, a exigências de ordem geral. Evidentemente a dor, chave da evolução, esta despertando a inteligência do mundo para encaminhá-lo a um novo amadurecimento.

 

 

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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