Como Seguir o Evangelho?

AGB

Eram necessárias estas considerações, para a compreensão dos acontecimentos que estamos narrando. Para completar a experimentação até o fim, o nosso homem fora obrigado a adaptar-se numa posição de aceitação que o colocava num estado de sofrimento, que a longo andar, terminaria matando-o.

Quem segue o Evangelho na terra, coloca-se, com isto, na posição de carneiro entre os lobos; não pode, pois, deixar de acabar como mártir, por eles devorado. Continuando assim, o mundo teria vencido sobre Cristo. Havia-se chegado ao ponto do fenômeno.

Seria possível a derrota do Evangelho?

Se não acontecesse algum fato novo que não estava em poder daquele homem pôr em movimento, a doutrina de Cristo haver-se-ia demonstrado um engano. Em outras palavras havia chegado o momento em que as forças do Alto deviam manifestar-se e entrar em ação. Isto era o que impunha a lógica do desenvolvimento do experimento, sem o que este teria falido. O experimentador havia, de seu lado, posto em ação todos os elementos que dele dependiam. Agora, deviam ser movimentados todos os elementos que dependiam da parte contrária.

Ele continuava em observação. Como o astrônomo, depois de haver achado, com os seus cálculos, que num determinado ponto do firmamento há de existir um novo astro, e, depois, com o telescópio verifica-se que de fato, lá está, assim o nosso personagem estava observando para verificar se, na realidade; ocorreriam aqueles acontecimentos que os cálculos feitos com a lógica do Evangelho indicavam deveriam dar-se naquele momento. Deu-se então a maravilha: os cálculos do nosso experimentador de fenômenos espirituais no laboratório da vida, postos em confronto com os fatos, demonstravam-se exatos como os do astrônomo descobridor de estrelas. Assim foi que aconteceu o fato novo, decisivo, que inverteu a situação. Foi, então, possível dizer que o experimento havia tido pleno êxito, dando razão, no último, ao Evangelho, ainda que, no começo, tivesse parecido o contrário.

 Contra todas as aparências do momento, Cristo era verdadeiramente o mais forte, e havia vencido.

Acompanhemos, entretanto, o curso dos acontecimentos para bem compreender esta história nó seu momento mais significativo.

Independentemente da vontade de nosso personagem, impulsos interiores situados no fenômeno e, então, chegados a amadurecimento, certo dia, vieram a produzir uma grande mudança, dando a sua vida um curso completamente diverso. Circunstâncias imperceptíveis e, de começo, inadvertidas, agigantaram-se paulatinamente, movidas por uma espécie de força íntima, até dominar preponderantemente.

Como um feto que se vai formando, no começo eram apenas uma vontade de desenvolvimento, materializada em pequeninos elementos materiais. Dirigidos, porém, por aquela potência interior, como os componentes do feto, se multiplicaram e reforçaram, conforme um plano certo, preordenado e dirigido para fins precisos. Como se dá com o feto, que desse modo vem a nascer completo, como acontece com a avalanche, que o movimento de um punhadinho de neve, rodando, agrega outros elementos até alcançar a massa que pode destruir tudo o que encontra no caminho, tudo dependendo do impulso interior do fenômeno, do mesmo modo aquela tenacidade evangélica amadureceu o destino daquele homem e, por nele haver colocado o seu impulso, deu aquele destino uma direção toda própria.

 As células que se agrupam ao redor das primeiras do feto, os flocos de neve que aderem aos primeiros que geram a avalanche, são atraídos e guiados pela lei do fenômeno. Assim, também neste caso, outros elementos foram atraídos e guiados em redor daquele primeiro, que se tornara centro por haver superado a barreira ultra-sônica do experimento evangélico.

Estes elementos, como já explicamos, foram tomados neste movimento de forças sem que o compreendessem, já que, com sua forma mental, não o podiam. Vieram desse modo, a ser utilizados como instrumentos cegos, postos em movimento por miragens próprias, sendo estas o único meio que podia movimentá-los. Assim, pois, é que eles puderam cumprir a função necessária, seja mesmo em forma acidental, de passagem, para afinal, cumprida sua função, serem eliminados.

A mutação que se verificou no destino de nosso protagonista, foi relevante. Ingressamos na fase mais importante da história que estamos expondo, aquela em que o fenômeno amadurece até o ponto em que torna indispensável a manifestação da intervenção das forças do Alto, a fim de que o conflito em curso, entre Cristo e o mundo, seja resolvido em favor do primeiro.

A modificação operada por aquelas forças foi profunda, constitui uma verdadeira inversão. O sujeito foi lançado longe, aos antípodas, não só geograficamente, mas ainda com relação a todos os hábitos da sua vida anterior. A palidez de isolamentos estagnantes de introspeções profundas, substituiu-se o torvelinho de uma grande corrida pelo mundo, imprevisível lance para uma milagrosa afirmação. A manifestação das forças espirituais do Alto aparecia bem evidente. Estas, situadas no íntimo das coisas, manobravam tudo dentro do mundo das causas, gerando aquele turbilhão em que, chegada a hora, e como efeito exterior, o nosso personagem foi tomado, sem que nada houvesse preparado, nem imaginado. Ele estava desprovido de tudo e aquelas forças tudo providenciaram. Por elas foram chamados todos os elementos imprescindíveis e foram postos em função como instrumentos perfeitos, a fim de que, atraídos por suas miragens, realizassem os fins superiores para os quais, sem que o soubessem, haviam sido chamados. Cada qual, embora perseguisse aparentemente seus próprios planos, marchava enquadrado ordenadamente noutro plano que não conhecia, tornando-se, sem sabê-lo, colaborador involuntário de outro trabalho bem diverso.

Desse modo, movido e guiado pelo Alto, pôs-se em movimento a grande engrenagem, em cujo centro aquele pobre homem, até então tão atormentado, se encontrou. Tudo isto podia parecer um conjunto de ilusões fantasmagóricas, convergentes apenas para fins temporâneos e particulares. Mas, atrás dessas aparências, que constituíam tudo o que o mundo percebia, se estava realizando um plano orgânico dirigido por aquelas forças do Alto, plano que viria a manifestar-se só mais tarde, quando, completada sua função de lançamento material, os elementos convocados a efetua-la, seriam repelidos por se haverem tornado contraproducentes.

Ia, assim, cumprindo-se, em completa logicidade, o desenvolvimento do destino do protagonista. Antes, longo período de duras provas, para experimentar sua resistência e conduzi-lo à maturação, período escuro de maceração interior. Depois, lançamento na palestra da realidade concreta do mundo, para colher o fruto daquela preparação. Mudando-se nesta outra fase todo o trabalho a ser efetuado deviam realizar-se condições diversas de vida e, para isso, são chamados a cena elementos outros, necessários no momento. Não se conhecem um ao outro, trabalham para fins próprios, e, no entanto, escalonam-se sem sabê-lo, para colaborar ordenadamente, em fila, para um único fim.

A maior maravilha desta fase é esta organicidade da colaboração de elementos heterogêneos, visando a outros fins, e entretanto, mantidos, sem que o saibam, no trabalho conjunto para um mesmo fim, não deles, e liquidados uma vez terminado o trabalho. As forças do Alto haviam demorado para descer, tanto que tudo parecia perdido, mas agora trabalhavam poderosamente e com sabedoria segura. Tudo corria tão bem que o nosso indivíduo acreditou ter encontrado um novo mundo de bondade e verdadeira amizade. Mas tratava-se de uma descida no mundo e, como pode uma coisa terrena ser outra coisa que não uma ilusão?

Porém, se a aparência era ilusória, atrás dela havia a ajuda de Deus e esta não era ilusão. A vestimenta exterior era falsa, porquanto aparente, mas o corpo que nela estava era bem firme. Ele estava construído por um destino amadurecido a luz do Evangelho, até tornar-se, agora, em missão, até o ponto de se dever manifestar a intervenção das forças do Alto, se não quisesse que a doutrina do Evangelho viesse a ser desmentida neste caso. Estas, as forças interiores que determinaram e regiam todo aquele movimento de pessoas, de meios materiais e de acontecimentos exteriores. O Evangelho preparava-se para dar, em verdade, uma prova experimental da sua plena atualidade também no plano humano de nosso mundo. É este fato o que dá valor de exemplo a história que estamos expondo e, somente por isto, é que aqui a contamos, isto é, para demonstrar que, contrariamente a quanto se crê e afirma, o Evangelho, como com este caso podemos provar experimentalmente, não é utopia irrealizável na terra, mas contrariamente, é o melhor sistema de vida, e que deveria ser preferido, no seu próprio interesse, pelas pessoas inteligentes.

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

Faça seu comentário e participe de nosso grupo de estudos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s