A Queda não foi igual para Todos

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Compreendamos que o fenômeno da insurreição original ocorreu em instâncias inacessíveis à nossa razão atual e não conseguimos ainda penetrar na essência do fenômeno. Como já nos referimos, tudo nos leva a crer que a queda deu-se uma única vez, fora do tempo, no campo da pura dimensão divina. Logo não há, como não houve, seguidas quedas. Assim, a graduação progressiva, inquestionável realidade da vida em nosso universo, só pode ser explicada pelo fato de o declínio na matéria não ter sido igual para todos.

Segundo o conceito de fator de queda, a primeira precipitação deu-se em distintos potenciais, ou seja, uns caíram mais profundamente que outros, ocasionando por isso diferentes velocidades de retorno. Não sabemos exatamente a causa disso, apenas imaginamos que a revolta do espírito foi proporcional à posição hierárquica que cada um ocupava no Absoluto.

Sendo essa hierarquia perfeita, compreendemos que ela não pressupunha propriamente distintas “posições”, bem como variação de importância para os Filhos de Deus, no Reino etéreo.

No entanto essa hierarquia, necessária ao justo funcionamento da primeira Criação, terminou por favorecer a criação progressiva que se dá no Relativo, onde sim, os primeiros a cair serão os últimos a voltar ao Universo absoluto, e os últimos, far-se-ão os primeiros, como nos aferiu o Cristo, esforçando-se para nos fazer compreender  o fenômeno.

Eis a razão de a evolução se estender como um escalonamento de seres enfileirados em todas as posições possíveis. Enquanto os mais ágeis vão adiante, os mais comprometidos com a Lei seguem em ritmo lento. Estudiosos do espírito em nosso plano chamaram esses seres remanescentes da evolução de filtros do transformismo. Tal denominação faz-nos compreender que a evolução terrena foi percorrida inicialmente por Espíritos vanguardeiros, dotados de maior potencial evolutivo. Estes desbravaram os caminhos, deixando demarcadas suas pegadas, aproveitadas então pelos mais vagarosos que lhes seguem os passos. Essas almas retardatárias sobem pelas trilhas abertas, aproveitando-as como uma via facilitada e já traçada. Aparentemente detidos nas paisagens do progresso, eles continuam seus avanços individuais e coletivos, cabendo-lhes realizar da mesma forma a marcha evolucional comum a todos.

Logo a evolução é um movimento inexoravelmente relativizado no tempo e por isso admite primeiros, intermediários e últimos, coisa impossível de se considerar no Reino de Deus, como nos explicou Jesus.

No Reino dos Céus os últimos são iguais aos primeiros, pois aí não há tempo ou espaço. No relativismo das formas, porém, os filhos de Deus degenerados pela queda distribuíram-se em uma esteira progressiva, onde, sim, há primeiros e últimos. Desse modo se estabeleceu a árvore evolutiva em nosso planeta.

A incontestável permanência desses remanescentes do progresso, os filtros do transformismo, evidencia-nos que a evolução se processou em diferentes velocidades pelas paisagens da vida terrena. Como não podemos negar esse fato, deduzimos que esse é o comportamento geral da evolução, porquanto não poderíamos representar uma exceção na Lei. Concluímos então que a sabedoria divina aproveita os diferentes ritmos de ascensão dos seres para criar uma cadeia ascensional progressiva, que sustente a si própria, porquanto os retardatários servem-se como apoio para os mais intrépidos seguirem à frente.

Avançamos um pouco em nossa compreensão, contudo, devemos reconhecer que apenas estamos iniciando nossos estudos da evolução sob a ótica da queda e muito ainda nos falta para deslindá-la por completo.

Embora tenhamos caminhado bastante, não temos até então como explicar exatamente como a hierarquia original existente no Absoluto terminou por acarretar velocidades evolutivas tão disparatadas como as que observamos ao nosso derredor. Vemos espíritos apartados por intervalos de bilhões de anos, pois enquanto alguns já retornaram ao estado de pureza, uma infinidade de seres jaz ainda estacionada no cerne da matéria bruta.

Tampouco saberemos responder como se dará o retorno dos elementos remanescentes da evolução, aqueles que na atualidade sustêm o progresso de todo o nosso universo. Acomodemo-nos com o que já absorvemos até aqui dessa inquestionável fenomenologia e aguardemos o próprio crescimento. Somente a visão de síntese, que nos aguarda no futuro próximo, poderá proporcionar-nos a solução dos mistérios últimos que ainda nos acossam a inteligência.

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