Instintos

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

A sabedoria de nosso Pai, sem inibir-nos a vontade, soube muito bem servir-se de nosso mal para convencer-nos da impropriedade de se praticá-lo em uma Criação que se alicerça unicamente no amor. Assim, vemos que a tremenda luta de interesses egoicos em que se estabelece a vida inferior transforma-se, nas mãos da sábia Lei divina, em poderoso estopim capaz de acender em todos as chamas da inteligência e da bondade.

O instinto de sobrevivência, cerceado pela fome, é sabiamente utilizado para desenvolver-nos habilidades; o de reprodução, servido pelo apetite sexual, transfaz-se nas relações de colaboração e afeto que fundamentam nossas relações. O impulso de preservação e o temor da morte garantem-nos, sob a orientação divina, a sobrevivência para a necessária experiência no grande laboratório da vida.

Privações e agruras impostas pela natureza ajudam-nos a afastar dos reinos inferiores. As dores típicas da carne, em suas mais diversas expressões, nada mais que danos consequentes à nossa falência, compelem-nos ao correto aprendizado da Lei de Deus. A degeneração orgânica, própria da instável matéria que nos veste, serve-se a seu necessário desgaste. E as aspirações impróprias, as quais nos integram o expansionismo egolátrico e atiram-nos à imperiosa satisfação dos baixos prazeres, terminam por orientar nosso crescimento no rumo adequado, devolvendo-nos a grandeza perdida.

Ao agregar a esse conjunto de ferramentas evolutivas os demais mecanismos que já aprendemos a identificar na dinâmica do progresso, como a técnica de estratificação por camadas, integrando o arquivo vivo das experiências vividas; a gênese dos automatismos, permitindo a fixação do aprendizado e os saltos criativos, tornam-se indispensáveis à superação dos desafios da vida. Todos igualmente compõem o imprescindível instrumental de que a evolução se utiliza para promover o avanço de todos os seres contraídos pela queda.

Existem muitos outros propulsores que até então não conseguimos identificar com precisão na mecânica evolucional, compreendendo que os dispositivos a serviço do devenir igualmente progridem, por sua vez, adaptando-se com justeza ao platô em que estagia o espírito. Ao projetar o ser no reino da razão, por exemplo, transformam-se em motores mais refinados e apropriados às exigências da condição humana.

O instinto de sobrevivência torna-se a motivação para o trabalho, que conduzirá o homem no desenvolvimento de novas e importantes habilidades, desconhecidas no reino animal. O impulso reprodutor converte-se em afetividade, prestando-se como o cimento da família humana. A aspiração expansionista do ego orienta-se para a correta dilatação interior da alma, rumo ao altruísmo.

Os entrechoques de vida e morte transvertem-se em competições saudáveis que visam não eliminar o opositor, mas a permitir o progresso de todos no cortejo social. E assim paulatinamente a luta transmuta-se em relações fraternas, prontas a induzir os entrelaces coletivos do amor. Através dessa maravilhosa alquimia evolutiva, a fera, produto da queda, refaz-se no anjo, o genuíno Filho de Deus.

Vemos, assim, que a ativa sabedoria divina, em preponderante ação na evolução, tornará infalível a recuperação do universo desmoronado, reconduzindo todos os filhos da revolta ao Reino de origem. E ovelha alguma se perderá, como nos prometeu o Cristo.

 

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