Fé e Ciência

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

O pensador terreno amadureceu sua inteligência e descobriu admiráveis princípios que regem o universo e a vida a seu derredor. Se ele permanece creditando a forças aleatórias a direção da evolução, não há dúvidas de que ele reconhece também a existência de leis fenomênicas coerentes, perfeitamente ajustadas às múltiplas necessidades da vida, às quais não sabe responder de onde provêm. Em breve, o estudioso do mundo denso não terá outra maneira de explicar essa ínsita sabedoria da Lei senão atribuí-la a uma Consciência cósmica, em ação na realidade em que vivemos. Até o momento, ele se nega a conferir sabedoria e criatividade ao processo evolutivo. Admitir qualquer lógica nesse processo forçá-lo-ia a reconhecer a existência de um Criador operoso e sábio.

Não obstante, não podemos negar que muitas de suas constatações não se coadunam de fato com a imagem de Deus que as religiões tradicionais lhe repassam, fundamentadas ainda em arcaicas concepções medievais. Trata-se de uma visão antropomórfica e infantilizada do Criador que não satisfaz, em absoluto, o moderno entendimento do homem atual, advindo daí sua natural rejeição aos preceitos religiosos. Quando a religião se modernizar, a ciência terminará por abraçar-se ao Sagrado como a única forma de se explicar a vida e o cosmo, meus queridos. É preciso, no entanto, aguardar o amadurecimento dos tempos na ribalta terrena.

Que isso não nos incomode, por ora. Façamos nossa parte, cuidando de dilatar nossa compreensão. Quiçá, começando por fazer avançar nosso entendimento, possamos, de alguma forma, contribuir com o progresso da civilização materialista que insiste em fazer-se protagonista da verdade. Que não nos indigne então a pobre condição do homem intelectualizado dos nossos dias. Ele não detém até então a chave para fundir ciência e religião. Com a mente fixada na profusão de dados que acumulou da observação científica da realidade, que não podem ser desmentidos, e o coração enrijecido pela concepção materialista, ele não tem outro caminho que padecer os terríveis males de seu frio agnosticismo. Falta-lhe no momento a visão intuitiva que somente o desenvolvimento moral pode lhe proporcionar. Quando ele conquistá-la, facilmente alcançará a síntese de suas infindáveis análises, fundindo-as com perfeição às revelações da fé, pois as verdades divinas são também científicas, evidentemente. Então ele reconhecerá a decisiva atuação do Criador no universo e na vida, oculta sob o véu da forma.

Vale ressaltar que já não podemos retirar de todo a razão da ciência hodierna, ao atestar que o acaso faz-se, sim, presença patente na realidade fenomênica. Existem de fato desordens nas engrenagens da evolução, as quais podem ser vistas nos inquestionáveis fracassos biológicos, facilmente constatáveis. Assim, não se pode negar que poderosas forças destrutivas, ignorando a complacência, agem indomáveis na natureza, produzindo aberrações e mortes. Justo assim que muitos se recusem a aceitar uma decisiva atuação de Deus nos proscênios do progresso, enquanto outros creem que, se Deus criou o universo, Ele não interfere mais em seu funcionamento, deixando-o conduzir-se pelo próprio automatismo. Do contrário, seremos forçados a irrogar-Lhe a autoria da destruição e do mal, patentes em nossa realidade, os quais quase sempre, com justa razão, parecem raiar ao despropósito, conduzindo-se nada mais que ao sabor do acaso.

O estudioso do espírito que ainda não absorveu os conceitos da queda ver-se-á em dificuldades para explicar a ação da desordem, do mal e da destruição em nosso universo, sem remetê-los à sabedoria de Deus, que a tudo deveria controlar com exatidão.

Enquanto o deísta, aquele que julga que o Criador não se preocupa mais com Sua criação, acredita que ela está entregue à gerência das próprias leis; o teísta, que crê na decisiva interferência do Altíssimo em sua obra, justifica que o caos presente na natureza é produto nada mais que de forças primitivas ainda operantes no universo.

O crente afirmará que a selvagem luta pela sobrevivência, no palco da criação progressiva, ainda que traga sofrimentos para seres inocentes, demarcados por egoísmos nascentes e ainda ignaros, resulta da inerente necessidade de impulsionar todos ao necessário crescimento. E justificará na premência do progresso a existência das fabulosas armas de ataques desenvolvidas pela natureza, bem como os curiosos ardis do parasitismo, como necessidade para que todos avancem na conquista da inteligência e do amor. Explicará então que as destruições em massa promovidas pelos fenômenos naturais advêm da necessidade de se manter o equilíbrio do mundo. Que a dor representa nada mais que fabuloso propulsor da evolução. Que, se o mal existe, este trabalha para que todos sejam conduzidos à perfeição, justificando-se assim sua presença na criação. E, enfim, se a matéria é uma realidade, e impõe-se como um obstáculo ao avanço do espírito, isso se deve à necessidade que detém o ser eterno de aprender a sujeitá-la segundo propósitos elevados, e assim galgar as dimensões elevadas.

Depois que aprendemos a realidade da queda do espírito, reconhecendo que nosso universo é produto de uma derrocada e não da perfeita ação divina, explicamos melhor suas incoerências. Elucida-se por que ele detém o mal e a dor, a desordem e a destruição em seus fundamentos. E entendemos que as ações aparentemente desastrosas da natureza são movimentos que buscam refazer uma estabilidade perdida e favorecer condições ideais de vida para todos. Aclarando-se que os fatores coibitivos e as forças indômitas de nosso cosmo, as quais terminam por impor sofrimentos a todos os seus seres, são produtos unicamente das intenções ególatras, ambientadas no campo de revolta dos espíritos que o habitam, ajuda-nos a conformar exatidão à da obra de Deus.

Sendo nosso mundo o próprio inferno criado pela queda, percebemos que ele não integra um plano natural de criação, pretendido pelo Criador. E chegamos à irrevogável conclusão de que habitamos as tristes paisagens de um universo desmoronado, situado nos antípodas do Reino de Deus.

O Altíssimo, sendo unicamente amor, não pode de fato ser imputado como autor de males e ações destrutivas, que levam a devastações imensas e dores indescritíveis. Vemos então que Sua sabedoria apenas cuida de aproveitar esses impróprios movimentos e equivocadas motivações, consentâneos à revolta primária do ser, para reconduzir todos à Sua presença. Isso confere à evolução um caráter muito distinto daquele que até então lhe demos.

Conhecendo a queda do espírito e determinando as origens e os fins, não só devolvemos a nosso Pai a sabedoria e o amor infinitos, como apressamos nossos passos na alçada do progresso.

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