O Esforço da Reconstrução

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A sabedoria da Lei nos mostra que, com a revolta, surgiu não somente o modelo do fenômeno da queda, mas também do endireitamento-salvação, que o corrige. Esse segundo modelo estava implícito no primeiro, contido, latente, à espera de tornar-se atual, logo que o ser apertasse o botão da revolta.

Observamos que o universo, assim como, mais de perto de nós, a natureza, funcionam por repetição dos tipos de fenômenos ou modelos que antes construíram, e que depois voltam como hábitos adquiridos, e assim continuam ecoando em série na economia do todo. Podemos por isso considerar o caso erro-dor, que aqui estudamos, uma repetição menor do modelo do fenômeno da revolta-endireitamento ou queda-salvação.

Como no ciclo involutivo-evolutivo o ser está constrangido a voltar para o S para fugir aos sofrimentos que encontrou no AS, assim no deslocamento de ida e volta do fenômeno erro-dor, o ser está constrangido a voltar para a Lei pela dor, que não pode terminar até que tenha acabado todo o trabalho de recuperação. Em ambos os casos vigora a mesma lógica pela qual não se pode fugir aos efeitos do mau funcionamento da máquina, até que seja eliminada a causa que é a desordem. Para quem sai do caos não é fácil funcionar organicamente na ordem.

Com o seu esforço o ser tem de reconstruir a sua inteligência, a qual é necessária para chegar àquele funcionamento. Ele quer fugir a este esforço, mas não pode, até que, com a sua dura experiência, conquiste de novo a inteligência perdida; ele, com seus movimentos errados, continuará chocando-se com a Lei e recebendo dor.

Para afastar-se do inferno do AS e atingir o paraíso do S, há só um  caminho: o da evolução. Quem não quer com a sua luta ir para a frente e subir, tem de ficar no sofrimento. Se o ser quer libertar-se da dor, tem de reconstruir para si a ordem que destruiu.

O binômio erro-dor é um momento do dualismo universal em que, com a revolta, se despedaçou a unidade do todo. Não existe mais uma felicidade duradoura em posição estável de equilíbrio, mas felicidade instável, porque fruto desequilibrado de deslocamentos contínuos no sentido do erro, depois corrigido pela dor.

Eis de onde nasceu essa oscilação erro-dor, que caracteriza a nossa vida. No reino da revolta, carregado de negatividade, não é possível um tipo de felicidade contínua, toda  positividade, mas só temporária, dívida a pagar, sempre misturada com o seu termo oposto (AS) no dualismo, isto é, a dor.

Se esta oscilação erro-dor representa os contínuos deslocamentos dum estado de desequilíbrio, a Lei esta no meio para equilibrar a cada passo a balança e restituir tudo à ordem conforme a justiça. Quando funciona o erro (revolta), a agulha da balança se desloca para a esquerda, no sentido da negatividade. Quando funciona a dor (em obediência), a agulha da balança se desloca para a direita, no sentido da positividade, assim corrigindo e equilibrando o deslocamento oposto.

É lógico então que, quanto maior for o erro e seu deslocamento para a esquerda, tanto maior terá de ser a dor, isto é, o deslocamento para a direita. A medida da dor é estabelecida pela medida do erro. Quanto mais o ser com a revolta  se afasta da positividade e se aprofunda na negatividade, tanto mais cai no sofrimento e maior será o trabalho necessário para sair dele. É o homem que, com a sua conduta errada, determina a quantidade das suas dores. Nisto ele está totalmente livre, dono de sofrer à vontade. Mas ele, porque filho do S, não gosta de sofrimento, e isto é o que constrange o ser para a sua salvação.

Ele, livremente, não pode deixar de cumprir o duro esforço da subida, porque se não o fizer, terá de sofrer até o fim do seu resgate.

Se o erro representa o afastamento da positividade para a negatividade, é lógico que, quanto maior for o erro, ou o afastamento da positividade para a negatividade, tanto maior terá de ser o caminho a percorrer da negatividade para voltar à positividade. É lógico também que, como e a negatividade da revolta que destrói a positividade da obediência à Lei, assim e a positividade da obediência que neutraliza a negatividade da revolta e recupera o que foi perdido.

É a Lei quem tudo domina e, a respeito dela, é negatividade a revolta que afasta e destrói, e é positividade a dor que de novo aproxima e reconstrói. Eis o valor e o significado ao qual está confiada a função da reconstrução dos equilíbrios deslocados. Eis como a dor corrige o erro. Neutralizando o efeito do erro, ou seja a dor, ela não somente corrige o erro, mas destrói-se a si mesma. Com o seu funcionamento ela se consome, se autodestrói, se elimina como negatividade, deixando o lugar livre para o seu oposto, a positividade da alegria.

É assim que se realiza, automática e fatal, a correção do caso particular, a qual no conjunto leva à salvação final. Foi-nos possível aqui contemplar a maravilhosa sabedoria da Lei que se revela neste jogo de equilíbrios entre opostos, e que no contraste entre impulsos contrários chega a reordenar a desordem, por choques compensados que, quer seja repelindo, quer seja atraindo, sempre impulsionam o ser para a sua salvação.

A revolta foi o erro maior e a evolução representa o esforço maior que o ser tem de cumprir para corrigir aquele erro. A dor é o peso que o ser tem de carregar, percorrendo todo o caminho da subida, e só esse peso de um lado pode equilibrar o outro prato da balança saturado de erro. A evolução corrige a involução, a dura obediência corrige a louca desobediência, a culpa tem de ser reabsorvida pelo sofrimento.

Cada afastamento da linha da Lei gera uma carência de positividade, um vazio feito de negatividade que é necessário encher de novo, se não quisermos ficar para sempre nesse estado, que e dor. Esta nasce da exigência de satisfazer essa carência, de saciar o pedido desse abismo esfaimado de equilíbrio compensador da sua negatividade em que a vida morre. Por isso a dor, no organismo universal, representa a função da recuperação, um meio de salvação.

Tivemos que explicar tudo isto, porque só assim e possível compreender a função benfazeja da dor, o seu valor positivo, o único que lhe podemos atribuir num sistema perfeito que tem de ser o de Deus, regendo o universo. O mundo concebe a dor em sentido oposto, como empecilho ao invés de uma ajuda, como um inimigo, não como um amigo; e isto porque o ponto de referência do homem não e a Lei do S, mas o seu “eu” rebelde. Esta maneira de conceber às avessas prova que o homem em relação à Lei vive em posição emborcada, à espera de ser retificada pela evolução.

Eis o sentido deste jogo de contradições e compensações entre os dois Opostos, erro e dor, que vamos estudando sempre mais de perto. Por isso chamamos a este volume de: Queda e Salvação. Por isso vemos estes dois elementos contrários e complementares correr um atrás do outro, inimigos abraçados e indivisíveis, em contínua luta um contra o outro só com o fim  de colaborarem juntos para reconstruir a unidade despedaçada, ponto de partida e de chegada do imenso ciclo da queda e salvação.

Vamos explicando estas verdades tão vivas e tão pouco conhecidas, que tanto nos tocam de perto e que tão pouco levamos em conta em nossa conduta, mas das quais, se errarmos, temos depois de pagar as duras consequências. Não há, quem não tenha reparado que na solução dos acontecimentos de nossa vida há uma parte que escapa ao nosso conhecimento e vontade, e que obedece a outras forças e leis, que chamamos de imponderável. Um imponderável bem ponderável nas suas consequências, porque resolve contra os cálculos humanos, de modo diferente do que pensamos e queríamos.

 Qual é o conteúdo desse misterioso imponderável?

Esta outra inteligência e vontade, que está além do conhecimento e vontade do homem, é a Lei. Se o homem conhecesse a Lei, não haveria mais para ele imponderável. Ele está imerso nesta Lei, que é um mundo de forças poderosas que tudo dirigem para as suas finalidades bem definidas, forças que reagem contra quem faz movimentos errados violando a sua ordem, forças contra as quais o homem, pela sua ignorância e espírito de revolta, se vai chocando a cada passo, para depois ter de pagar. Eis como aparece o binômio erro-dor.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

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