O Erro e sua Correção

queda-e-salva_ao-80_

Uma vez estabelecido o jogo da ação do ser contra a Lei, e da reação da Lei contra o ser, isto é, do erro e da dor, o problema da ética aparece por si mesmo, como norma de conduta indispensável para evitar esse choque, filho da revolta, conduzindo tudo para a ordem da Lei.

Esta é a gênese, o ponto de partida e a finalidade da ética.

Um dos efeitos da revolta foi a queda do estado orgânico do S no estado de separatismo do AS. A unidade se pulverizou em muitas unidades menores. Nasceram assim os “eus” não mais fundidos em unidade orgânica, mas separados uns dos outros, em posição de antagonismo, como os encontramos nas diferentes individuações de nosso universo, entre as quais a personalidade humana.

Nestes níveis inferiores, próximos do AS, vigora o princípio do egocentrismo e do separatismo, que o encontramos em nosso mundo. Esta é a razão pela qual este é regido pela lei da luta. É por isso que o homem, por sua natureza, é espontaneamente levado a agredir tudo para subjugar, para que vença somente o seu “eu”.

Que acontece então quando o homem se encontra perante, a Lei?

O homem, pelo seu método, entra em choque com tudo, porque não quer colaborar, mas só subjugar e dominar. Enquanto ele fica imerso no seu nível, este método pode ser útil para superar os seres do seu mundo. Mas quando, com este sistema de agressividade pelo triunfo apenas do seu “eu”, o homem enfrenta a Lei, a viola rebelando-se, então ele, com a sua conduta excita uma automática reação em forma de dor, da qual não há força que permita e o faça fugir.

É assim que se realiza a ação saneadora por meio da dor, porque o homem, realizando as suas experiências, vai aprendendo pelas reações dolorosas que recebe, e com isso, adquirindo uma sabedoria que lhe ensina a não mais se rebelar, ou seja, a não mais se desviar por meio do erro fora do caminho certo da Lei. A dor existe como método de ensino e educação na escola dos primitivos.

Os involuídos são ignorantes porque, decaindo no AS, perderam a luz da inteligência, que é qualidade das criaturas da S. Ora, para ensinar aos ignorantes não se podem usar os meios duma inteligência que eles não possuem. Por isso é necessária e aparece a dor, porque este é o único raciocínio que eles podem compreender. Não há outro meio para que na forma mental de um rebelde possa entrar o convencimento de que o caminho da desobediência não representa uma vantagem, mas é prejuízo, não leva à felicidade, como só um emborcado na lógica do absurdo pode acreditar, mas de fato leva à dor.

O ser ignaro, por falta de conhecimento, vai experimentando ao acaso, por tentativas, de todos os lados. E para ele aprender o caminho certo, é necessário, todas as vezes que entrar na porta errada, ser repelido para trás, porque ao invés de encontrar a almejada felicidade, encontrou a dor. Até ele, pelo muito experimentar, descobrir a porta certa e entrar nela. Isto se verifica quando o ser, cansado de todas as experiências realizadas no terreno do AS, desiludido por não ter aí encontrado a felicidade, acaba apercebendo-se de que esta é inatingível no AS. Então é constrangido a procurá-la alhures, com uma fuga do mundo inferior que o traiu.

Inicia então uma nova tentativa em direção diferente, evadindo-se nos céus, isto é, em superiores níveis de evolução. Verifica-se assim o fenômeno da sublimação dos instintos e aparece o homem superior e o santo. Quando o homem tiver assimilado todo o fruto da sua escola terrena, então não será mais ignorante e tão simplório que vá de encontro à Lei, errando, mas pelo contrário se terá tornado inteligente, e por isso acabará com a loucura de cometer erros, de modo que não receberá mais o seu efeito, que é a dor.

Esse choque entre tais impulsos opostos nos mostra de um lado a loucura do homem que quer procurar a felicidade, onde é absurdo que ela se encontre, e de outro lado a sabedoria da Lei que usa a dor como meio seguro para que o ser compreenda qual é o caminho para atingir essa felicidade. De um lado é lógico que o ser, porque é um revoltado, seja levado a percorrer o caminho às avessas. De outro lado é lógico também que a Lei, sábia e boa, o endireite com o único meio possível, a dor e, deste modo dirigindo-o para o único caminho que leva à felicidade.

Dada a estrutura do sistema do universo, é absurdo que esta possa ser encontrada pelos caminhos da revolta à ordem de Deus, enquanto é lógico que, procurando a felicidade no AS, isto é, às avessas, com a revolta, em vez da obediência, não se possa encontrar senão o oposto, isto é, uma felicidade, emborcada, o que quer dizer: a dor.

Esta é a estrutura da lógica desse jogo entre os dois impulsos opostos: o erro, da parte do ser, e a dor da parte da lei. O ser está livre de movimentar-se à vontade, mas só dentro das paredes da gaiola de ferro que é a Lei. Ele, com a sua experimentação, livremente tem de aprender a dirigir-se com exatidão, sem fazer movimentos errados que o levem a bater a cabeça contra as paredes.

Se o ser age em harmonia com a Lei, tudo corre bem, sem choques. Mas se vai contra a Lei, eis que se realiza o atrito que se chama dor. Quanto maior for a desobediência do ser e o seu desvio fora da ordem, tanto maior será o oposto impulso da reação da parte da Lei, na forma de dor, para restabelecer o equilíbrio. Quanto mais baixo o nível evolutivo do ser e mais rebelde ele é contra a ordem, tanto maior é a reação da Lei, para que tudo volte à ordem. Tudo automaticamente se equilibra em perfeita justiça.

O ser está livre e pode cometer à vontade todos os erros que quiser. A eles, porém, segue a dor que queima. Fica assim a regra absoluta à qual ninguém pode fugir, e o ser que não deseja cair na dor, logo tem de aprender e seguir as normas da boa conduta. O S é como um grande relógio que funciona com perfeição, porque cada roda está no seu devido lugar funcionando em devida ordem. O AS é um relógio cujas rodas se deslocaram emborcando os seus movimentos, numa desordem que gera atrito, isto é, dor.

Para sair desse estado de sofrimento, o ser tem, com o seu, esforço, de eliminar os atritos que o geram, e, para eliminar os atritos, é necessário reordenar toda esta desordem, colocando cada coisa no seu devido lugar e aprendendo a movimentar-se ordenadamente.

Este duro trabalho lhe pertence, porque foi ele que com a revolta gerou a desordem. Os seres são as rodas do relógio que saíram de posição e se atritam, gerando dor que não pode acabar enquanto não voltar ao seu lugar de origem, para funcionar em ordem.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

Faça seu comentário e participe de nosso grupo de estudos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s