A Lei da Força e a Lei do Amor

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Das duas leis, qual é a mais poderosa e a qual delas pertence a vitória final?

O homem poderá liquidar materialmente o evolvido, destruindo o seu corpo físico, mas com isto, não é possível anular a lei de um plano de vida e o poder que o faz funcionar. Em sua ignorância o involuído pode acreditar que se trata de encontro de homens, uma vez que não sabe enxergar além da forma exterior. Mas, aqui, trata-se de embate de ideias, e as ideias não podem ser mortas. Aqui acha-se empenhada a lei que rege o universo na sua evolução e a nenhum ser é dado sequer abalá-la.

As duas leis estão face a face. Sobrevivem elas, indestrutíveis, aos episódios em que se manifestaram. De um lado a lei da força, de outro, a lei do amor. Qual das duas é mais poderosa: a da força ou a do amor?

Trata-se de uma luta, não entre os indivíduos do mesmo plano para sobrepujarem-se usando a mesma estratégia e permanecendo no mesmo sistema, mas entre indivíduos de planos diversos para combinarem-se, usando estratégias diferentes, filhas de sistemas diversos. É uma luta, de um lado, de seres que odeiam para destruir, com seres que, do outro lado, amam para criar. O abraço, em que não podem deixar de se estreitarem todos os lutadores, é de rivalidade exclusiva de um lado, de amor fraterno do outro. De um lado a violência destruidora do egoísmo, de outro o poder construtivo do amor.

Atrás da luta dos seres que o representam, há uma luta de princípios que os sustentam. Qual é mais poderoso, a quem pertence a vitória? À força do egoísmo que dá vida apenas a um eu separado, semeando a morte para todos os outros, ou à força do amor que dá a vida a todos juntos, semeando, em colaboração, vida para todos?

O primeiro impulso acredita ser mais poderoso por estar contraído em si mesmo, concentrado num eu só, mas representa um impulso de morte para os demais, como é lógico, por estar mais vizinho do separatismo destruidor do Anti-Sistema. Outro impulso parece mais débil por estar expandindo além de si mesmo, descentrado em todos os outros seres, mas representa um impulso de vida para os demais, como é lógico por estar mais perto do colaboracionismo reconstrutor do sistema.

O involuído parece o mais forte por estar armado até os dentes, mas é, tão só, mais violento e feroz. Com todo esse armamento de guerra, ele procura em vão suprir a sua fraqueza fundamental representada pela sua posição de indivíduo isolado e desorganizado. O evolvido parece mais fraco, por estar individualmente desarmado, mas a sua força é muito maior que a de um ser que está sozinho e consiste no fato de não estar ele nem isolado, nem desorganizado. Isto quer dizer que, enquanto o involuído não pode contar sendo com suas próprias armas e forças, permanecendo isolado de todo o restante, o evolvido está jungido, por relações estreitas de colaboração, com as forcas positivas do universo. Estas são as que provêm de Deus, as que querem a vida, o triunfo de todos, integrados na ordem do sistema.

O evolvido está deste lado e isto constitui a sua força maior, porque com isto está ao lado da vida e de Deus. O involuído, ao contrário, está ao lado do Anti-Sistema, e isto constitui a sua maior fraqueza, porque isto significa estar do lado da negação da vida e de Deus, isto é da morte e das forças negativas da destruição.

O embate entre involuído e evolvido não é somente encontro de dois tipos biológicos e de dois planos de vida, mas tem uma profunda significação cósmica. Atrás deste encontro, que não e senão um episódio, está a maior batalha do universo, constituída pelo enfrentar-se do Sistema com o Anti-Sistema; encontro apocalíptico, em que todo o Sistema, em que está Deus e a parte incorrupta da criação, empenha-se a fundo para a redenção do Anti-Sistema em que se precipitou toda a parte rebelde e caída em ruína.

Temos, pois, de um lado, o exército dos poderes positivos aliados na reconstrução; de outro, o dos poderes negativos, tendentes à destruição.

Entretanto é lógico que os primeiros sejam os mais poderosos, já que com eles está Deus, que não pode deixar de ser o mais poderoso porque, se não o fosse, ruiria toda a lógica e toda a lei que rege o Universo. Mas as forças positivas do Sistema, que querem a vida, devem ser mais poderosas também, porque a elas está, precisamente, confiado todo o trabalho de reconstrução, no Sistema, do universo decaído no Anti-Sistema. Sem esta sua maior potencialidade, que desde o início estabelece que elas devem ser vencedoras, não seria possível a salvação por evolução, que elas dirigem, e que nunca poderia ser levado a efeito pelas forças negativas da destruição.

A conclusão está em que, se o involuído fosse mais poderoso que o evolvido, Deus ficaria vencido pela revolta das suas criaturas rebeldes, e o Seu universo, na queda, ficaria insanável, a testemunhar a inaptidão de Deus, provada pela falência da Sua obra. Mas sendo da Lei de Deus que tudo se reconstitua com a evolução, poderemos concluir que o princípio ao qual é destinada a vitória, por ser o mais poderoso, não é o da força com que se arma o involuído, mas o do amor com que o evolvido tende a reconstruir.

Faz parte de todo o plano da criação que deva triunfar a vida e não a morte, e a vida está do lado do Sistema, isto é, do evolvido e não do lado do Anti-Sistema, isto é, do involuído. Isolar a vida, contraindo-a no egoísmo do próprio eu, é ir contra a vida, contra o sistema, contra Deus. Por isto o evolvido deve vencer. Contra todas as aparências, é, pois, o involuído o mais débil e o evolvido o mais forte.

Confirmação disto encontramos no caso de Cristo. A vitória dos seus crucificadores foi uma vitória fechada no tempo, momentânea, da qual permaneceu apenas uma sua história de vergonha que, sem Cristo, ficaria desapercebida como tantas outras. Contrariamente a vitória de Cristo, que eles venceram, é vitória de milênios. Levantado na cruz, Cristo venceu o mundo que o havia crucificado em nome do egoísmo e do ódio, venceu-o com o poder do sacrifício e do amor.

Com este estudo queremos, também, demonstrar e dar-nos, com isto, a alegria de compreender, que o amor é mais forte do que o egoísmo e que, na luta entre a força e a bondade vence a bondade por ser esta mais forte do que a força. Deus, que é vida, por meio desta, rechaça todas as forças negativas que quereriam destruí-la. Esta, de fato, tão logo alcançados os fins da luta pela seleção do mais forte, inicia imediatamente outra luta entre evolvido e involuído, a fim de que o primeiro vença o segundo num terreno bem diverso: o do amor. Quem se prende ao amor é o mais forte, por que se prende à força central e vital do todo, prende-se a Deus. O triunfo final não pertence aos prepotentes dominadores, mas àqueles que mais amam, porque quem ama dá vida e quem domina oprime.

O último ato de todo o drama daquela grande paixão do universo, que se denomina a evolução, é o ilimitado abraço de amor. É no amor que, através do sacrifício, o universo encontrará a sua redenção. Subir o Gólgota significa, também, uma ascensão para o céu. O levantamento da cruz é, também, um levantamento acima do plano inferior da vida do mundo. É com o amor que se se reabsorve o ódio, se organiza a ordem, se reconstrói a vida. É no triunfo do amor que se ultimará este nosso volume de estudo de tantas misérias humanas, a par da história que iremos expondo.

O triunfo do amor constitui a última fase da paixão do evolvido que desce à terra em missão de sacrifício para salvar os seus irmãos mais atrasados. Aqui, também, trata-se de uma lei geral, à qual está sujeito o ser, toda vez que se põe a percorrer estes caminhos. Chegados à última fase em que o fenômeno amadurece, dá-se a inversão da lei do plano inferior na do plano superior, esta vencendo a outra, substituindo o amor ao egoísmo. Assim o evolvido impõe a sua lei no lugar da do involuído, sendo este vencido. Este é o epílogo de todo o processo, isto é, a apoteose do evolvido vencedor e a catarse biológica dos involuídos que, assimilada a lição, conseguem transformar-se em evolvidos. Assim triunfa o bem, a alegria, a vida. Este é o grande milagre que o amor realiza na terra, quando desce do alto.

Milagre de transubstanciação, em que do ódio nasce o amor. Milagre de contínua reconstrução, o qual deixou pensar que a criação seja contínua. Tal criação, aparentemente continua, é devida a este processo contínuo de reconstrução pelo qual as forças positivas do Sistema só terão descanso quando houverem reabsorvido e corrigido, com a redenção, todas as forças negativas do Anti-Sistema. Assim é que a contínua presença de Deus, também no Anti-Sistema, continuamente corrige-o, redime-o, salva-o, até sará-lo e, deste modo, reabraçá-lo depois de havê-lo reconduzido todo ao Seu seio.

Eis o grande liame de amor que une entre eles os diversos planos da evolução. Eis como, por este liame, para efetuar a salvação dos mais atrasados e elevá-los ao alto, o evolvido desce ao plano inferior ao involuído. Eis o destino dos mais adiantados, de sacrifício por amor, destino escrito na lei de Deus, que quer a salvação de todos. Eis como, por meio do amor, realiza-se o milagre da redenção do mundo.

Observamos todas as fases da batalha: a condição deplorável dos involuídos e a sua lei de egoísmo e de luta; depois a lei de amor que impera nos planos mais elevados, em cuja obediência o evolvido deve descer à terra, em missão para ajudar e, finalmente, a resposta tremenda dos involuídos: crucificação. Liquidação material do evolvido. Ele morreu, mas, nem por isto a sua lei extinguiu-se. É ela lei de amor e de vida, a própria lei de Deus que rege o Universo, e, como tal, não pode deixar de ser a mais forte e de vencer a grande batalha. Assim é que, no fim, o evolvido, com o amor, vence sem outras armas o armadíssimo involuído e o conduz, do plano da luta e da força, ao da união e do amor. Eis como se desenvolve todo o processo com que se reduz a grande fratura do universo decaído; eis a forma com que o Sistema se redobra sobre o Anti-Sistema para redimi-lo da queda e reconduzi-lo ao estado perfeito originário de Sistema; eis como realiza-se, através da dor e do amor, aquele tremendo esforço da subida, que se chama evolução.

Amor e dor. Amor é a lei de Deus, com que, na origem, estava feita a criação. Dor é impulso oposto, negativo, introduzido pela criatura rebelde com a sua revolta. Constituem eles as duas leis opostas, do Sistema e do Anti-Sistema. São seus símbolos as duas traves que formam a cruz: a horizontal, estática, negativa em face da ascensão, feita para apoiar-se, representando a dor, lei do Anti-Sistema; a vertical, dinâmica, positiva como ascensão, feita para subir em direção ao céu, representando o amor, lei do Sistema. Os dois encravam-se unidos na mesma cruz, firmando o que é a inexorável lei da evolução: sacrifício. Por isto, sobre o mundo rebelde, eleva-se a cruz como símbolo de salvação, porque só com a própria crucificação a humanidade poderá salvar-se.

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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