A Intervenção do Alto

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Continuemos a estudar a técnica do desenvolvimento de uma missão e especialmente como se verifica o fenômeno da descida das forças do Alto. Na amplitude do movimento o protagonista desaparece como um dos elementos entre tantos, investidos pelos impulsos que move a missão. Deixemos de lado, por um momento, o indivíduo, para ocuparmo-nos do movimento geral em que funcionam os outros elementos menores. Colocando-nos diante do fenômeno da intervenção do Alto, estudemos qual é a técnica usada por estas forças para descer na terra e arrastar assim os seus instrumentos para fazê-los agir de conformidade com os fins prefixados.

Nunca vemos Deus intervir diretamente, manifestando-se nos eventos humanos, mas sempre através do concurso interposto por pessoas. Para poder descer do Alto, as forças espirituais necessitam de processos de transformação, de redução, que lhes permitam manifestarem-se em nosso plano de vida.

Deus que é a causa imaterial de tudo, não pode manifestar-se diretamente no nível sensório de nosso mundo. Ele é causa e, como tal, não pode descer no terreno dos efeitos, mas somente manobrá-los da profundeza onde Ele está situado. Estes seus agentes exteriores que descem no campo da matéria, denominam-se instrumentos. Mas, como Deus os movimenta? O que agora nos interessa conhecer é a técnica desta ação de Deus na terra, por meio desses instrumentos.

Para o cumprimento de uma missão são precisos instrumentos de todo gênero e cada um é utilizado conforme suas qualidades. Aqueles que devem executar a parte mais elevada, espiritual, são adestrados, amadurecidos com treino preciso, como o são os primeiros atores de uma ópera. Os outros são comparsas, aos quais são confiadas as partes secundárias, não de conceito diretivo, mas de execução material, assim mesmo necessárias para o cumprimento da missão. Para os primeiros atores é necessária a compreensão do trabalho respectivo que lhes é oferecido e que eles aceitam por livre adesão. Mas, para os outros, ainda não amadurecidos e incapazes de compreensão, isto não é possível.

Como, então, fazê-los agir? Para movimentá-los é preciso falar-lhes não com a linguagem espiritual que não compreendem, mas na fala terrena comum. É preciso ver como são feitos e, então, para fazê-los agir, tocar as teclas às quais se sabe que eles obedecem, pôr a alavanca sobre os instintos que os fazem mover. Somente assim poder-se-á obter a sua colaboração, e conseguir deles, em resposta, as reações desejadas.

Que molas movimentam o homem comum, submergindo no plano biológico da animalidade, quisemos esclarecer antes, nos capítulos precedentes, para ter pronta agora a chave que nos explica o funcionamento desta técnica. No presente caso, para que a missão se pudesse realizar, o Alto devia servir-se precisamente de seres comuns, do biótipo involuído, dotado de instintos e qualidades comuns, dada a necessidade de servir-se do material corrente.

Para fazer agir este material ao fim de um trabalho superior que ele não compreende, é lógico que não há outro meio senão a via indireta. Vimos como esse biótipo se comporta em face dos ideais. Se, para movimentar esses seres, colocarmos diante de seus olhos o verdadeiro fim para o qual devem agir, isto é um fim espiritual superior, nada se conseguiria. Vimos suas características e quais os impulsos a que eles respondem. É necessário inserir-se no seu egocentrismo, oferecer-lhes a ideia de uma vantagem pessoal, a satisfação daqueles instintos, somente aos quais eles respondem. É inútil, pois, revelar-lhes a verdadeira função de instrumentos em relação ao cumprimento de uma missão. Eles não desejam obedecer e fariam mau uso de qualquer conhecimento, utilizando-o para evadir-se de sua tarefa que, entretanto, deve ser absolutamente executada. Dado que eles também são instrumentos necessários, dado que eles são bem munidos com todas as armas humanas das quais são mestres, não há outro modo para fazê-los funcionar em serviço de uma missão senão deixá-los em sua ignorância.

Se eles compreendessem, poder-se-ia dizer-lhes a verdade. Mas eles não podem compreender a lei de seu plano que é diversa, pensam de acordo com ela e a ela querem reduzir tudo. Nem é possível transformar o seu biótipo e destino, tanto mais que se trata, para eles, de dar somente uma contribuição momentânea, acessória, ainda que necessária para realizar a missão. Como, então, fazê-los agir, respeitando, como é necessário, sua liberdade? Há um meio: a miragem. Desse modo as forças do Alto os farão mover, fazendo nascer diante deles aquela imagem que pode interessá-los, atrás da qual irão correr. A imagem é fictícia e, como todas as miragens e ilusões da vida, cairá em breve. Mas fez movimentar aqueles instrumentos, para executar aquela parte de trabalho mecânico exterior necessário para a realização dos fins do Alto.

Tudo isto permanece dentro da justiça. Ninguém pode obter mais do que merece. O que fazem eles para o ideal? Se soubessem estar sendo utilizados como instrumentos para fins não próprios, o que fariam? Estamos no plano do egocentrismo, em que se não aceita esforço senão para a própria utilidade.

Então, dado que é difícil, aliás seria daninho para a missão, dar-lhes compreensão porque se compreendessem nada mais fariam, então torna-se justo sejam mandados quais cegos, guiados por quem sabe ver.

Assim eles executam o trabalho útil para a missão, mas, conforme a justiça não colhem nenhum merecimento, porque aquele trabalho não o fazem para a missão, mas somente tendo em vista a sua miragem.

Como agir diversamente se sua obra é necessária e sem a miragem eles nada fariam? E o que se pode pretender sejam as miragens senão ilusões? E o que mais se pode achar nesse plano de vida inferior?

Assim o resultado final é que estes instrumentos são utilizados para finalidades de que é impossível dar-lhes compreensão, utilizados por ser o seu concurso necessário, tudo isto sem a sua vontade, sem sua adesão e sem merecimento. Disto segue que, de seu lado; eles recebem uma utilidade material proporcional ao trabalho executado, como é justo, mas com isto recebem a sua paga na moeda de seu mundo. Depois disto é justo, também, que sejam distanciados de uma obra da qual nada compreenderam e que sejam liquidados. Não podem ter o direito de ingressar no giro dos méritos eternos, e de manter a própria posição de instrumentos estáveis, juntos a uma missão a que permaneceram estranhos.

Eis, então, como, no cumprimento da missão que aqui estamos observando, comparecem para trabalhos acessórios materiais necessários a ela. Depois eles desaparecem, quando o trabalho está terminado, como figuras secundárias, chamadas, dentro do plano maravilhoso do desenvolvimento da obra, a executar a sua parte em posição subordinada. Podemos, desse modo, explicarmos o caso que estamos contando Assim, tão logo este ingressou na fase prática de realização terrena, aparece uma espécie de conflito: de um lado uma missão verdadeira, querida por Deus, longamente preparada, tornada fatal, e irresistivelmente lançada, para o seu cumprimento; de outro lado miragens terrenas, queridas pelo homem para fins particulares, que dizem respeito somente ao interesse particular dos indivíduos que as vislumbraram. O resultado final não podia ser senão aquele cujas razões explicamos aqui, isto é, liquidação, tão logo aqueles instrumentos houvessem completado a sua função.

Esta é a conclusão lógica do encontro entre as forças em ação, conforme sua natureza.

Liquidação dos instrumentos, porque era necessário distanciá-los de uma obra que não haviam compreendido mas que, todavia, procuraram pôr a serviço de seus fins particulares, por haver ingressado nela momentaneamente; distanciá-los porque, esgotada a sua função, eles podiam tornar-se nocivos à missão, já que, antes de ajudá-la eram levados a submetê-la às próprias diretivas diversas, assenhoreando-se da obra, desse modo fazendo-a deslocar-se das finalidades estabelecidas na missão.

Neste momento eles feriam um dos pontos nevrálgicos mais sensíveis da lei de evolução, procurando, por finalidades particulares, paralisar o seu funcionamento. Natural é, pois, que uma lei de tão alta potencialidade, haja reagido inexoravelmente, esmagando todos os obstáculos que os instrumentos procuraram opor à realização da missão. Eis como se explica que seres poderosos e armados de todos os meios, hajam sido definitivamente afastados, não por um homem que nada pode, mas milagrosamente, pela irresistível intervenção das forças do Alto.

Passaram eles, deste modo, perto de uma obra e de uma missão, sem vê-la; deram sua contribuição, sem compreendê-la e, no fim, recaíram no giro das coisas do seu plano de vida normal. Desapareceram, assim, da cena onde nada mais lhes restava fazer. Eliminação por eles mesmos provocada, porque, de meios, se haviam transformado em força negativa contra a missão. Ela, entretanto, não devia dobrar-se, nem podia adaptar-se, razão pela qual eles desejariam destruí-la. É perigoso desafiar o Alto, porque este é o mais poderoso. O erro deles consistiu no parar à superfície e não ver na profundeza, noacreditar estar tratando com um homem e não com o instrumento de uma missão. O que vale e pode um só homem? Isto era tanto mais verdadeiro neste caso em que se tratava do mais inerme, desprovido de meios e de qualquer poder, inimigo de lutas, desejoso somente de amar e abraçar. E foi mesmo esta sua fraqueza humana que os induziu em erro. Entretanto, um homem a quem está confiada uma missão não é de ser considerado sozinho, porque atrás dele movem-se invisíveis mas poderosas forças espirituais  que querem alcançar seus fins e contra as quais é loucura lutar, não havendo forças humanas que as possam vencer. Assim, em sua cegueira, não compreenderam por nada o que eles estavam enfrentando, isto é forças e planos que a ninguém na terra é dado dobrar. Ataque perigoso, porque, depois, ricocheteia sobre o agressor, tanto mais violentamente quanto mais forte o ataque. Se não houvesse este sábio jogo de forças, não haveria na terra nenhuma defesa para quem se ocupa das coisas do espírito. E, então, como se realizariam as missões? A ação do Alto, então, ficaria paralisada na terra, à mercê da vontade humana. No conflito, Deus seria vencido, e às forças do mal seria concedido fechar-lhe o caminho.

Tudo isto faz parte da técnica usada pelas forças espirituais para descer à terra. Nelas está inserido o poder de paralisar todos os ataques e de derrubar todos os empecilhos. As forças do bem são as mais fortes e as do mal não podem prevalecer contra elas. Não é possível modificar isto, por estar escrito na lógica da Lei de Deus.

Assim, no momento decisivo em que o êxito da missão era ameaçado de ficar comprometido, as forças do Alto tiveram de se manifestar claramente também em nosso plano humano e, podemos dizer, em forma milagrosa, isto é excepcional, absolutamente fora do comum, do sistema habitual conforme o qual costumam acontecer as coisas. Na terra, de fato, não é normal que os débeis e os inermes vençam.

Assistimos ao encontro entre duas estratégias: a da força e a da ideia. Venceu a segunda. Os lutadores da primeira foram vencidos pelo seu próprio erro, o de acreditar que a estratégia da força e do astúcia, que na terra se demonstra a mais poderosa, sempre o fosse de modo absoluto, ainda contra as forças do céu. Mas estas, ainda quando descem à terra, são sempre regidas por outras leis. É raro que a mão de Deus se manifeste abertamente na terra. Mas certo é que ela é muito pesada e que os meios humanos nada podem opor-lhe.

Prosseguiu, desse modo, o desenvolvimento da missão, que continuou fatalmente o seu caminho. Mais uma vez ninguém conseguiu paralisá-la, e o trabalho de construção retomou o seu ritmo regular conforme os planos preestabelecidos. Como em todos os momentos decisivos para a construção da obra, aparecera a figura salvadora de Cristo, desta vez para acalmar a tempestade e conduzir a nave ao porto. E a missão salvou-se.

 

 

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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