A Crucificação do Evolvido

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O que acontece do lado oposto, qual é a atitude natural do involuído como resposta ao ato de amor e de sacrifício com que o evolvido vai ao seu encontro?

É evidente que o evolvido nunca desceria á terra para sua satisfação e que, se ele enfrenta tal sofrimento, é por ser sua missão. Esta é que explica e justifica a sua presença em nosso mundo. Ora, missão quer dizer oferecimento completo de toda a própria atividade e sacrifício, para o bem alheio. Cada qual age conforme sua natureza. Assim o evolvido comporta-se de acordo com a lei do seu plano, lei de amor e de unidade. Mas o que é que podemos, então esperar do involuído, se a lei do seu plano é egocentrismo e separação, é luta e revolta?

Eis, pois, que a resposta natural do involuído é a crucificação do evolvido. Do exame do fenômeno resulta que isto é uma lei biológica natural, fatalmente consequente de todos os elementos que o compõem. O próprio Cristo teve que se submeter a esta lei, como lhe ficam submetidos quantos descem à terra em missão.

O que significará, então, o tão repetido conceito de Cristo ter vindo ao mundo e sofrido a sua paixão para redimi-lo, tomando sobre si os pecados deste?

A evolução é um processo de fatigante ascensão com que o ser, decaído, por sua revolta, no Anti-Sistema, deve, por meio de sua própria experimentação dolorosa, retomar o caminho da evolução até reintegrar-se na ordem do Sistema. Decorre disto que o ser esta automaticamente condenado ao sofrimento, porque o retomar o caminho não é fácil nem gratuito. O sofrimento, assim, constitui a chave da evolução.

Eis, que, agora, poderemos compreender muitas coisas. Segundo a lógica do processo que observamos, Cristo não podia descer à terra senão em missão, e esta missão não se podia desenvolver senão culminando na forma de paixão. E a paixão, por sua vez constituía o que mais valorizava a missão, porque, como já dissemos, o sofrimento é a chave da evolução. Assim é que se realizava a missão, cuja finalidade não podia deixar de ser senão a de melhorar o mundo, ou, em outras palavras, fazê-lo evolver.

Cristo, pois, quis ser um pioneiro neste duro caminho da dor, porque sendo este um meio de evolução, também é meio de redenção. O Cristianismo não o explica, mas torna-se evidente que a redenção não se pode realizar, no seio da mais ampla biologia que explicamos, senão por meio da evolução. E qual a significação de haver Cristo, para redimir o mundo, tomado sobre Si os seus pecados? Quer dizer que Ele, inocente, aceitou a dor necessária para evolver, dor que não pertencia a Ele, que não era um decaído, uma vez que Ele nada devia pagar porque nunca se havia rebelado contra a ordem. Ele que não havia descido na involução, não devia redimir a Si mesmo e por isso, não estava sujeito à pena da evolução. Todavia Ele sofreu. Entretanto o sofrimento é necessário para redimir-se e, se Ele nada tinha do que se redimir, eis que Seu sofrimento não podia ser senão para a redenção dos outros.

Eis em que sentido Cristo tomou sobre Si os pecados do mundo, isto é, Cristo sofreu a fim de se realizar a evolução alheia, pondo-se à testa dos outros neste duro caminho, com o exemplo e o ensinamento, tomando sobre Si o nosso fardo de dor não Seu, levando-o Ele por primeiro, com o fim de ser seguido pelos outros. Depois, por aquela psicologia das acomodações de que já falamos, pela preguiça do mundo, achou-se mais cômodo acreditar que Cristo houvesse tomado sobre Si os nossos pecados para pagá-los em nosso lugar. Isto, entretanto, lesaria a justiça da lei de Deus e estaria em contradição com as leis da vida.

Seguindo o exemplo e o sacrifício de Cristo, descido entre nós para nos ajudar, mas não para nos substituir, uma vez que o amor não pode chegar até a injustiça; seguindo-o teremos de enfrentar a nossa paixão, eis que sem sacrifício não há evolução e sem evolução não há redenção. Para ser nossa a evolução, há de haver uma paixão nossa.

Eis, pois, em conclusão, como se desenvolve a mecânica do fenômeno da descida do evolvido, ultimando com a crucificação. Esta é a consequência natural do encontro entre as leis de dois planos diversos.

Conforme o sistema vigente no seu nível, o evolvido desce com espírito de unificação e de amor, para colaborar e, naturalmente, transportara na sua ação esta sua psicologia e métodos, agindo em plena conformidade com estes. O involuído, por sua vez, não poderá deixar de recebê-lo, senão comportando-se conforme ele é; isto é, com a sua psicologia e métodos respectivas. Estes são os da luta e da agressão, manifestados desde logo, uma vez que o involuído conforme o seu sistema, exige, em primeiro lugar de qualquer um que entre no seu plano, a prova do seu valor, de conformidade com a sua tábua de valores, isto é, no terreno da luta para o ataque e a defesa.

O que pediram a Cristo os seus crucificadores, senão que Ele desse uma prova de força salvando a si mesmo? Quem não oferece esta prova, de nada vale, e merece ser destruído. Eis o choque. O recém-chegado é um intruso e, para ter direito de viver no plano a que desceu, deve provar saber viver conforme as leis deste.

O involuído está em sua casa, numa casa feita para ele, em que se acha bem ambientado, e sente-se com força e direito de expulsar os estranhos se estes não obedecem aos usos vigentes naquela casa, talvez primitiva, mas da qual acha-se dono.

O evolvido, lá dentro, não tem razão, e se não souber adaptar-se e obedecer, deve voltar para sua casa. Isto é, de fato, o que o involuído procura fazer desde logo, desembaraçando-se dele, liquidando-o. O que deve acontecer nessas condições, quando a natureza do evolvido é ao contrário, a da bondade e do amor, é fácil prever, por ser uma consequência fatal dos elementos do fenômeno. A conclusão, pois, é a liquidação do evolvido que com o seu sacrifício paga a sua imperdoável culpa de querer amar os inferiores.

Falamos de Cristo e de redenção. Eis como, também os maiores fenômenos religiosos, podem ser explicados e enquadrados no seio de uma mais ampla ciência da vida, numa biologia que abarque também o seu vir-a-ser evolutivo.

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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