O Caminho da Evolução Universal

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Tudo se vai transformando com a evolução. Quanto mais o ser sobe na escala evolutiva, tanto mais o determinismo se abranda e suaviza, tende a desaparecer, reabsorvido na liberdade que sempre mais se amplia, se expande e prevalece, à medida que o ser se avizinha do seu estado de origem. A planta se liberta mais do que o mineral, o animal mais do que a planta, o homem mais do que o animal, independência e amplitude de movimento cada vez maior, da água dos mares à superfície da Terra, á atmosfera com o voo, e agora no mundo planetário.

O homem possui uma vastidão de escolha que os animais regidos pelo instinto não conhecem, mas isto só na sua parte mais adiantada, a espiritual, enquanto nele sobrevivem os determinismos, que ele tem de aceitar, dos mundos inferiores (estrutura atômica e molecular na parte mineral, o metabolismo no nível vegetal, os instintos no nível animal).

A grande liberdade começa a aparecer só em cima no espírito, gradativamente, em proporção ao desenvolvimento deste, tanto mais quanto mais o ser se aproxima do S. Como a nossa ética e mais adiantada que a das feras, assim a do homem de amanhã será mais adiantada que a do homem de hoje, que as gerações futuras julgarão selvagem, como nós julgamos os nossos antepassados das épocas primárias.

Quanto mais o ser sobe, tanto mais ele se torna consciente e com isso cada vez menos compulsoriamente e mais livremente obediente à Lei. Assim se vai transformando essa ética universal do seu ponto mais baixo no AS, até ao seu ponto mais alto no S. Não é estranha essa maneira de conceber a ética, porque tudo o que existe está fundido em Deus numa só Lei unitária.

Chegamos assim ao conceito duma ética cósmica, em que se revela a presença universal da Lei de Deus, ética que nos seus níveis diferentes sustenta, em todos os seus andares, o edifício do ser, regulando a existência e dirigindo a evolução para reorganizar o caos na ordem. Ela representa a assistência contínua de Deus, no Seu aspecto imanente, ao lado e em favor do ser para que ele siga o caminho fatal de sua salvação.

Ética viva, inteligente, sempre em ação. Ela dirige o contínuo transformismo do relativo, operando pouco a pouco, tudo disciplinando, para reconduzir o caos ao estado orgânico do S, onde tudo estava na devida ordem. Se a revolta tudo deslocou na desordem, é por esse caminho que tudo vai voltando àquela ordem. Os egocentrismos separados, filhos da revelia, têm de fundir-se para colaborar em unidades coletivas sempre maiores até reconstruir a organicidade do Todo, voltando ao S.

Ética estupenda que desce do infinito e do absoluto. Ela expressa a suprema vontade de ordem contida na Lei de Deus. Ética global, presente em todos os níveis da evolução, em formas diferentes, cada uma adaptada à posição de cada ser. Temos assim diversas formas de manifestação da ética: atômica, molecular, celular, dos grupos celulares reunidos em tecidos, de cada órgão, para cada organismo no seu conjunto, do sistema nervoso e cerebral, dos sentidos, psíquica, espiritual, reguladora da ordem de uma determinada unidade. Assim todos os seres, caminhando na grande marcha da evolução, são orientados para um objetivo único, e embora adaptando-se às exigências de cada caso particular do relativo a Lei, dirigindo-os todos por um mesmo princípio, os leva para a unidade.

Agora na Terra está nascendo a nova ética social, internacional, mundial, que terá de reger em unidade o novo organismo coletivo da humanidade. Se a ética do homem primitivo do passado teve de basear-se no princípio da seleção do mais forte, que leva à agressividade e à luta, e se ao ter usado essa ética o homem atual deve o fato de ser o vencedor, dono do planeta, eis que hoje os objetivos que a vida tem de atingir são diferentes e por isso tem de mudar a ética que dirige a conduta do homem.

Assim apareceu a civilização com as suas leis civis e religiosas, e com isso uma nova ética, pela qual furtar e matar, que no mundo selvagem eram virtudes do mais forte, são pelo menos em alguns casos oficialmente reconhecidos como culpa e crime. Isto porque a humanidade começou a encaminhar-se para o estado coletivo social orgânico o da convivência pacífica na colaboração. A humanidade, sem dúvida, está atingindo um novo plano de existência, com a mudança das regras que a dirigem: ética diferente, porque tem de atingir finalidades mais adiantadas, sendo necessário conquistar outras qualidades com outras normas de conduta. Eis por que o Evangelho que as representa não tem somente um significado religioso, mas também social e biológico.

Está sendo construída hoje a nova unidade coletiva constituída pelo estado orgânico da sociedade humana, fato que requer uma nova ordem e uma nova disciplina de cada indivíduo em função do interesse comum: conceitos antes desconhecidos e contraproducentes, hoje úteis e que por isso se valorizam, virtudes novas, mais adiantadas e inteligentes, que tomam o lugar das velhas, da força individual, desorganizada e destruidora, velhas virtudes superadas, socialmente negativas e criminosas, inadmissíveis nas novas condições de vida Ética diferente, em função de outras finalidades a atingir, porque a vida nunca para no seu trabalho de construção e agora quer levantar um outro andar do seu edifício e levar o homem para um mais alto plano de existência regido por leis diferentes, que têm de sobrepor-se ao passado, até apagá-lo.

Assim o método da luta entre egoísmos separados se tornará cada vez mais antivital e por isso condenado e repelido como desordem perigosa dentro da harmonia da nova ordem, dentro da qual é vantagem e interesse de todos ficar unidos em colaboração. A evolução progride pelo caminho da organização em unidades coletivas, cada vez mais vastas e complexas, dos seus elementos. O ponto final desse caminho é o estado orgânico completo do S, que abrange em unidade fundida em Deus todos os seres do universo.

O período da descida foi uma queda no separatismo, ou pulverização da unidade do S, num caos desordenado de elementos, no AS. O atual período de subida é representado por um inverso processo de reunião e fusão dos elementos separados, no originário estado orgânico do S. A humanidade não pôde deixar o caminho da evolução universal e agora tem de galgar um novo degrau em sua escada ascensional.

O Evangelho é exatamente a lei do “ama o teu próximo”, isto é, da convivência pacífica, da colaboração, do altruísmo que funde os egocentrismos rivais até agora em luta. O biótipo, modelo da raça, julgado o melhor, será quem tiver perdido as qualidades desagregantes do involuído egoísta de hoje, as virtudes da fera, substituindo-as pelas do homem civilizado.

É para explicar esse fenômeno e orientar o homem neste sentido, obedecendo às leis da vida, que a evolução está amadurecendo os novos destinos da humanidade. Tudo está pronto para se realizar, e se realizará esse novo destino, logo que a inteligência humana se desenvolver bastante para chegar a compreender.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

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