Instintos Fundamentais

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

A Lei de Deus, no entanto, aproveita a expansão ególatra, ainda que inadequada, para promover o crescimento do espírito, levando-o a desenvolver habilidades e angariar genuínos valores evolutivos. Nasce assim outro importante propulsor evolutivo em permanente ação na mecânica do progresso: o inato afã pela sobrevivência. Sobreviver e fixar-se vitorioso nas arenas da vida torna-se, desse modo, o empenho inicial de todo ser na grande aventura da evolução.

Para satisfazer esse afã, a natureza divina dotou-o de três instintos, também fundamentais, os quais visam a sustentar-lhe a sobrevivência: o temor da morte – filho da arquetípica sensação de não-ser que o espírito experimentou em sua queda; o instinto da fome – e para tanto a sabedoria divina aparelhou-o de um estômago que requer ser saciado; e, por último, o instinto de defesa – que o predispõe à permanente vigilância de sua integridade física, convidando-o ao exercício da autopreservação.

São esses os três instintos inatos do ser que o protegerão contra o dano físico e a morte, de modo a permitir-lhe a realização, ainda que momentânea, do instinto expansionista que fundamentalmente o move. A ação vitoriosa desses instintos mantém a vida em todas as suas instâncias, e não fosse a competição que também integra o jogo da existência, bastaria uma única espécie para ocupar todas os recantos do planeta.

Uma vez solucionados os problemas da sobrevivência, entra em funcionamento outro anseio a integrar a mecânica evolutiva do ser: o instinto de reprodução. Em atenção à lei de filiação ou reprodução que já estudamos, e ainda como extensão do desejo de expandir o próprio eu, o ser almejará migrar seus valores para os filhos, imprimindo-lhes o próprio estigma. Nascem, desse modo, promovidos ainda pela sabedoria divina, o apetite sexual e a hereditariedade fisiológica. Para satisfazê-los, os entes são levados ao conúbio sexual, a fim de perpetuar na prole a própria vida. Portanto, cada criatura buscará prioritariamente sua sobrevivência e depois a continuidade da espécie, como extensão de uma Lei natural imposta a todos e que a todos almeja reconduzir à perfeição perdida.

Embora o indivíduo herde em última instância de si mesmo, fazendo-se continuador das próprias conquistas, a hereditariedade facultada pelo beneplácito da Lei divina muito o auxiliará na manutenção do progresso, à medida que o predispõe ao pronto refazimento das etapas já percorridas, a cada retorno à carne.

Recebendo de seus genitores, no código genômico, o cuidadoso registro de seus moldes proteicos básicos, mais facilmente ele reconstituirá seu novo organismo, aproveitando-se das inerentes aquisições anteriores. E assim, a herança genética contribui também como importante ferramenta da evolução, subordinando a vida orgânica a sábios e automáticos fundamentos, a benefício do ser.

Conduzido pela mão do Divino, o instinto de sobrevivência terminará por desenvolver mais tarde a habilidade do trabalho, propiciando ao espírito o aprimoramento da inteligência. Já o instinto sexual é o germe da afetividade e do amor ao semelhante, que logo favorecerão o estabelecimento dos laços familiares, sedimento das sociedades, com seus inquestionáveis benefícios sobre a existência solitária. São impulsores que logo se transformarão em importantes ferramentas da evolução, permitindo aos espíritos bestializados pela queda remodelarem-se a si próprios na grande oficina da vida, terminando por conduzir-se à angelitude.

 

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