Dinâmica Evolucional

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Resumindo então nosso conhecimento atual da mecânica evolutiva, consideramos que todos os males que o espírito caído exterioriza no trânsito dos evos, nas sábias mãos do Criador, passam a trabalhar em favor de sua ascensão, transformando-se em infalíveis impulsores do progresso.

O regime de lutas, por exemplo, decorrente do embate de interesses antagônicos em que se converteu a vida inferior, e um dos maiores males a imperar no universo derrocado, ao desencadear o princípio de seleção natural, torna-se, sob a ação da Lei, poderoso agente da evolução.

A grande batalha da vida, que nasce não só da necessidade de sobrevivência, mas igualmente da ânsia de desmedido crescimento dos seres contraídos pela queda, é aproveitado como fator de desenvolvimento individual das potencialidades divinas adormecidas no âmago de cada um.

No enfrentamento, predadores e presas, inimigos pretensamente naturais na arena da evolução, terminam por se conhecer, preparando-se para amar e mutuamente se sustentarem através do afeto, no distante amanhã. Além disso, o acirrado combate proporcionará, como já vimos, o desenvolvimento de órgãos e habilidades necessárias à sobrevivência, sendo por isso considerado um dos mais importantes propulsores extrínsecos da evolução. A despeito de ser em si um mal, será utilizado pela sabedoria divina para fazer avançar o espírito, pois no perfeito funcionamento da Lei, tudo, até mesmo o mal, deve trabalhar em prol do bem e do amor.

Atiçado na guerra de vida e morte que a natureza lhe impõe, o espírito necessitará desenvolver destreza e inteligência para sobreviver e impor-se ao meio. E assim, os violentos entrechoques, onde vemos o germe do ódio e da maldade que acompanhará a alma por largo tempo no transe evolutivo, terminam por promover igualmente o necessário desenvolvimento de todos.

Todos esses poderosos impulsos trabalharão ativamente para levar de volta ao Absoluto o espírito que de lá partiu. Almejando a própria realização, lutando para crescer e sobreviver, experimentando a frustração e a dor, o ser fugirá do sofrimento que encontra nos baixos níveis da vida, em busca da felicidade que começa antever existir apenas nos reinos superiores do espírito. Assim, ele se evade dos círculos infernais que caracterizam a vida inferior e passa a aspirar pelos bens genuinamente divinos, que intuitivamente sabe estarem ocultos em seus panoramas íntimos. Intentando escapar a todo custo da morte e da destruição, que lhe provocam terríveis padecimentos; almejando superar os limites da matéria, que lhe frustram o anseio de expansão; esforçando-se por escapar da arena de lutas pela sobrevivência, que lhe é tremendo cansaço; persuadido a fugir da dor que os reinos inferiores lhe infligem; esquivando-se das sombras, que lhe obscurecem a consciência; e ansiando por libertar-se das agruras do mal, que lhe solapam a felicidade, o ser subirá sempre, embalde com enorme dificuldade, em busca da luz divina, rumo às supremas realizações do porvir.

Além de tudo isso, recordemos que a evolução é uma síntese cíclica. Por isso os seres são experimentados e reexperimentados na vida em numerosíssimos ciclos de renascimentos e mortes. Carreando em si eficiente instrumento de registro, a memória espiritual, a alma arquivará todas as suas ricas elaborações de vida.

Recapitulando sempre suas lições, terminará por fixá-las em forma de conhecimentos automáticos, cuja bagagem denominamos, em seu conjunto, de instinto. Portanto, a reciclagem permanente da evolução, por meio da reencarnação, imposta a todos os seres, promoverá a gênese de automatismos. O passado percorrido permanecerá na memória do ser e jamais será olvidado, nutrindo-o com os conhecimentos já aprendidos.

Obrigado a refazer o caminho percorrido ao fim de cada nova etapa, o ser recorda e fixa aprendizados. Dessa forma, seguro das conquistas do passado, ele poderá seguir adiante em busca das aquisições evolutivas que o futuro já lhe tem preparado.

Eis então que observamos a ontogênese repetir a filogênese orgânica a cada desenvolvimento embrionário do ser, no início de nova vida física no mundo denso, como já estudamos. E assistimo-lo, ao fim de toda etapa carnal, recapitular também a completa linha de progressão dos envoltórios dinâmicos que o servem, antes de reingressar nas esferas além do túmulo. Assim prosseguirá a alma, evoluindo agora em dois mundos distintos e complementares: a esfera densa e a sutil dimensão do além, entretanto, não menos física.

Destarte, no plano espiritual, a alma, nos primórdios da vida animal, não tem uma existência ativa.

Portando ainda o pensamento fragmentário e sem a clara consciência de si mesma, condição que somente conquistará no reino humano, o espírito permanece em repouso após cada desencarnação. Nessa etapa ainda primitiva, o ser vivo desencarnado encista-se, como já nos referimos, formando um condensado de energias, onde repousa, em estado de hibernação, até ser atraído novamente ao nicho da carne. Gravitam os seres, nesse estado límbico, em torno dos irmãos que permanecem nas lides físicas, aguardando o chamado para novo renascimento.

Somente com o pleno desabrochar da razão, no reino humano, é que nascerá de fato o mundo espiritual, tal como o conhecemos hoje, quando então a alma desencarnada, nutrindo-se com o pensamento contínuo, consegue manter a integridade de seu corpo dinâmico após o desenlace carnal. Sustentada pelo cérebro perispiritual que agora se mantém íntegro na nova realidade do além, a consciência prossegue desperta, pronta para continuar, a passos acelerados, seu progressivo desenvolvimento.

 

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