A Ética do Sistema

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Descortina-se então um mundo novo, que a Terra não conhece e onde tudo é claro, justo e bom, duma sabedoria e duma beleza indescritíveis. Aparece então todo o absurdo da corrente concepção de Deus, pela qual não se pode chegar à obediência a não ser pelo caminho do terror, como exigem os selvagens, enquanto, pelo contrário, é vantagem e festa tornar-se, mesmo que seja em medida mínima, conforme as próprias forças, operários colaboradores de Deus na grande obra da evolução redentora da criatura decaída.

Se o homem concebe tudo às avessas, isto é devido ao fato de que ele está situado no AS. E a sua posição de emborcado que o leva a imaginar um Deus emborcado, que domina à força, que faz mau uso do Seu poder, nos atormentando com punições dolorosas, enquanto a causa dos nossos sofrimentos não é Deus nem a Lei Dele, mas a nossa desordem e desobediência a Ele e à Sua Lei. Deus não pune. Somos nós que nos punimos a nós mesmos.

Somente nós que estamos no AS podemos fazer alguma coisa de negativo, que vai contra a vida e a nossa felicidade. Representa o maior absurdo acreditar que alguma coisa desse gênero possa sair das mãos de Deus, que existe no S, representando o centro de toda a positividade.

Mas quem está situado no AS não pode conceber tudo o que se encontra perfeitamente lógico no S, senão emborcado no absurdo de que está feito o AS. Tal é a lógica do AS, a lógica do absurdo. Eis a ética atual e as suas bases psicológicas.

O tipo de ética que aqui explicamos é diferente. Nela não há lugar para enganos. Encontramos finalmente uma ética sem escapatórias. Ela é sincera, evidente, claramente demonstrada. Nela funciona em toda a hora e lugar, automática e infalível, a justiça de um Deus, que não é fruto pequenino da forma mental do homem, mas está bem acima de nosso mundo, porque junto de Sua bondade.

Deus é tão inteligente que não há astúcia humana que O possa enganar. Embora o primeiro desejo do homem seja o de aproveitar-se da bondade alheia, porque a julga fraqueza, Deus tudo isto previu e arrumou as coisas de maneira tão justa e perfeita, que Ele pode continuar infinitamente bom, sem que por isso seja possível aos seres inferiores explorar esta Sua bondade. Pelo contrário, como estamos demonstrando neste livro, substancialmente vigora uma lei de justiça, soberana e absoluta, pela qual tudo volta à fonte que o gerou e quem faz o mal o faz a si mesmo.

Quem entendeu a lógica e a técnica desse fenômeno sabe uma grande verdade que o mundo não conhece, ignorância que lhe custa caro, isto é, que fazer o mal nunca pode levar à própria vantagem, mas só ao próprio dano; sabe que querer ser astuto para lograr a Deus, significa só querer ser astuto para enganar a si mesmo. Perante tal sabedoria da Lei as armas humanas da força e da astúcia não têm poder algum.

 Finalmente a Lei corta as garras da fera e a justiça triunfa. Os inferiores podem gerar o inferno só para si. Que Deus se possa enganar é um absurdo em que só o involuído na sua ignorância pode acreditar. O que de fato vigora na substância é a lei do merecimento. Isto quer dizer o triunfo da sinceridade, bondade e honestidade, qualidades hoje tão desvalorizadas em nosso mundo que, seguindo a Lei do mais forte, as considera quase imperdoáveis fraquezas de doentes. Este é um Deus em que se pode confiar porque dá prova de ser de fato invencível, mais inteligente, cuja Lei não pode ser torcida: pode-se acreditar Nele e segui-Lo porque Ele sabe garantir a vida a quem segue a Sua Lei, que o inundo julga loucura; pode-se segui-Lo em segurança porque Ele é inviolável justiça que tudo retribui segundo o merecimento.

É interessante observar a técnica dessa luta em que, contra a força e a astúcia do homem, vence a sabedoria e a justiça de Deus. O ponto fraco do método do homem é a sua posição emborcada de cidadão do AS. Ele é forte e astuto, mas o seu egocentrismo separatista o expulsa do terreno do S, que é o do conhecimento, e o deixa isolado na sua ignorância. E no fundo dessa sua ignorância ele continua acreditando saber tudo. A revolta, filha do egocentrismo, significa orgulho; e o orgulho tira a visão. Mas, apesar de cego, o homem se julga bem apto a dirigir-se. Isto o faz um alucinado que acredita nas ilusões do mundo, nas miragens criadas pelos seus desejos, pronto a cair em todas as armadilhas de que o seu ambiente terreno está cheio.

É o exagerado crescimento do “eu”, é o orgulho deixando-o acreditar que bastam a força e a astúcia individual para vencer, sem levar em conta o fator merecimento. Mas só este pode constituir os alicerces firmes da construção de nosso destino e posição na vida, porque só o merecimento representa o verdadeiro valor. Apoiando-se sobre estas bases certas, respeitando os princípios de equilíbrio e ordem da Lei, qualquer posição pode resistir, porque é real e não arrancada com a força ou fingindo fruto de mentira.

Sabemos que esta ética não pode satisfazer os fortes e os astutos do mundo, ser compreendida e aceita por eles, mas somente pelos maduros que a merecem. Nada se pode ganhar de graça e os que não fizeram o esforço necessário para subir, têm de ficar em sua ignorância, com erros e sofrimentos, até ter aprendido toda a lição. Seria fácil demais resolver o problema da evolução e da salvação só porque alguém nos explicou o método com palavras. Os mestres ensinam, mas nós mesmos temos de fazer o trabalho de nosso amadurecimento, temos de aprender à nossa custa pagando as consequências dos erros para não cometê-los mais. É assim que os fortes e os astutos ficam surdos aos conselhos, e, acreditando saber tudo, não querem abrir os olhos para ver e, como é justo, ficam imersos no inferno que merecem.

Acontece então que todos encontram no mesmo ambiente terreno as mesmas oportunidades e os mesmos perigos, mas cada um escolhe segundo o seu tipo, assim revelando a sua natureza e acolhendo as consequências que merece. É lógico que quem entendeu o jogo das ilusões da vida não cai mais nelas. É justo que quem tem cobiça seja por ela atraído e caia nos perigos e que os que não têm cobiça os evitem, porque isto é o que cada um merece e porque é bom que quem não sabe, aprenda.

Assim quem ainda não subiu tem de subir. Quanto mais o ser se encontra atrasado em baixo na escala evolutiva, tanto mais para ele a lei é a força. Mas quanto mais ele progride, tanto mais esta se transforma em justiça. Assim à lei do “eu” separado e rebelde, se substitui a lei do “eu” organizado e disciplinado. A primeira é a dura lei do AS, a segunda é a do S. Tudo isto também é lógico e justo, e corresponde ao merecimento. Para quem com o seu esforço subiu, acima de todas as prepotências humanas funciona uma lei de justiça, que ninguém pode torcer ou enganar. Se o passado e o presente pertencem ao mal, por lei de evolução o futuro pertence ao bem, que não pode deixar de ser o vencedor final. Das profundidades da vida responde uma voz que satisfaz a procura desesperada dos honestos em busca de justiça. Esta voz nos diz que há para todos uma lei de justiça à qual ninguém pode escapar, torcendo-a ou enganando-a.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

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