Reformar sem Destruir

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Continua a luta que abarca também as relações entre o legislador e os seus súditos. O primeiro parte do princípio de que o homem é um involuído cujos instintos inferiores é preciso domar. Os pontos de referência terrenos da ética humana são a animalidade e os instintos egocêntricos de revolta. O pressuposto natural do moralista é que o homem é um pecador a ser corrigido.

Cristo não veio a terra para redimir a humanidade?

Esta era uma pecadora, carregada de culpas. Mas por quê? Não é possível dar a isto outra explicação razoável, senão a de involução. A finalidade do legislador de normas éticas deve ser, pois, o de fazer emergir do estado de involução, isto é, o de guiar o homem ao longo do caminho da evolução, com uma ética progressiva, adaptada ao grau de desenvolvimento que paulatinamente vai alcançando. O Novo Testamento, que reforma o velho sem destruí-lo, mas levando-o para a frente, confirma este conceito.

Exatamente para fazer evolver é que o legislador se dirige; em primeiro lugar, a combater a animalidade.

Os próprios mandamentos de Moisés são tão aderentes à natureza humana que permanecem, ainda, em vigor. Combatem, antes de mais nada, os instintos do involuído, de revolta e de egoísmo em dano do próximo. Os pais ensinam a seus filhos a não se. rebelarem contra Deus, não matar, não cometer adultério, não furtar, não mentir, não desejar as coisas ou a mulher alheia. Ou seja, não fazer aquilo a que o instinto espontaneamente conduz.

Este instinto é que leva a rebelar-se contra todos, a matar, a trair, a furtar, a mentir, a tomar as coisas e a mulher alheia. Como é claro, os pontos de referência estão no plano do involuído, são suas próprias qualidades definidas pelo próprio Moisés: as da animalidade.

O discurso é dirigido ao involuído, com a linguagem dele, a que pode compreender porque é a sua, e não se dirige ao evolvido possuidor de outras qualidades. Os mandamentos não dizem: faça o que faz o evolvido e seja como ele. O involuído não o poderia compreender, eis que lhe faltam os pontos de referência no plano do evolvido.

Assim é que Moisés não podia dizer “seja evolvido”, porque ninguém o teria compreendido. Mas teve de dizer: “não seja involuído” uma vez que o seu povo não conhecia outro tipo, se não este que constituía a ele próprio. E se os mandamentos permanecem ainda os mesmos, quer dizer que os povos permaneceram mais ou menos os mesmos e que o quadro que Moisés nos oferece do involuído, permanece ainda  plenamente fiel. Todo mandamento quer corrigir e, por isto, nos diz o que está escrito na natureza do involuído.

Descrição melhor não poderia ser feita num documento de maior valor.

Assim é que legisladores e moralistas tiveram que erguer-se contra o instinto humano de revolta e ordenar: “não faça“. E o “faça” corresponde ao comando dirigido a um rebelde para que faça o que ele não quer fazer. Esta cor policial de uma ética armada de sanções, indica claramente tratar-se de um mundo de involuídos. Naturalmente isto será percebido somente por quem observa com o olhar do evolvido, porque o involuído está tão certo que a sua natureza e as respectivas sanções estão assim estabelecidas, que não pode sequer pensar seja possível diversamente.

Assim, em nosso mundo tudo é lógico e proporcionado. De um lado o involuído rebelde, com os seus instintos, pronto a não se deixar dobrar por ninguém. De outro a lei moral bem munida com suas sanções, por saber que se dirige a um rebelde, cuja resistência é calculada e prevista e em cujas reações foram exatamente formuladas as normas.

Luta também entre legislador e povo. Tudo qual lógica consequência dos princípios que regem o plano de vida do involuído. Os dois impulsos contrários presumem-se reciprocamente e equilibram-se. A dosagem de impulso evolutivo emitido naquele grau de desenvolvimento, está proporcionada às capacidades receptivas e de assimilação do tipo biológico ao qual aquele impulso é dirigido.

A veste da lei com a qual o legislador cobre o seu povo deve ser feita sob medida, e, quando a lei tem que disciplinar instintos primitivos e ferozes, deve adaptar-se ao material humano de que deve tratar.

Explicamo-nos desse modo como a própria Bíblia, abertamente declara com ingenuidade plena, como coisa justa diante de Deus, sem qualquer sentido de vergonha ou de terror, qual sentida hoje diante de fato semelhante, que Moisés, em nome de Deus, descendo do Monte Sinai, fez trucidar três mil homens. Aquela era a psicologia dos tempos dos quais todos eram parte, legislador e povo. Agir daquele modo, que hoje produz escândalo, representava o único raciocínio verdadeiramente convincente por basear-se na força, único valor que incutia respeito, e no dano pessoal, que era aquilo a que mais se era sensível. Método que, numa sociedade civil, produz efeito contrário, mas que, naqueles tempos e condições, era necessário e, em proporção ao grau de evolução alcançado, era também justo. Tudo é relativo ao próprio plano de vida.

Deixaremos de nos escandalizar quando pensarmos que, naquele plano, onde tudo é luta, se o legislador se torna débil, os involuídos que ele deve guiar e que obedecem somente à força, estão prontos a rebelar-se e liquidá-lo.

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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