Evolvido X Involuído

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Na luta entre evolvido e involuído, cada um quereria anular o mundo do outro, para substituir-lhe o próprio. De um lado o separatismo egoísta, de outro o sentido unitário altruísta. Esforço e luta de ambos os lados, porque nenhum dos dois quer aceitar a verdade do outro plano que, para cada qual, torna-se um sofrimento, por não corresponder aos próprios instintos.

Esforço do evolvido para libertar o mundo da animalidade e fazê-lo evolver até a espiritualidade.

Esforço do involuído para conseguir satisfazer seus interesses sob as aparências do ideal, isto é, para neutralizá-lo e torná-lo inócuo na prática, anulando a ação que procura paralisar as necessidades da vida no plano animal. Esforço de astúcias para aparecer o que deveria ser, mas que não é esforço necessário para alcançar os fins que a lei do evolvido condena, mas que o involuído acha fundamentais para a sua existência.

Para ele o ideal é uma história inventada que ele sente não corresponder às medidas de sua vida. Ele não pode deixar que seu valor consista no deixar-se enganar, como lhe parece, pelos ideais, mas no de saber rebelar-se para defender-se do que lhe parece uma limitação. Usará, por isto, todos os seus recursos mentais neste sentido, alcançando, assim, a conquista daquela forma de inteligência inferior que é tudo aquilo que o seu plano de vida pode produzir.

Luta, pois, em todo lugar é sempre luta. Luta entre involuídos para sobrepujar-se, luta entre luz e trevas, entre futuro e passado, entre evolvido e involuído, entre planos de evolução e os biótipos que os representam. Tudo na terra existe em função da luta: a paz em função da guerra, o amor em função do ódio. A fraternidade nasce, e é mantida compacta acima de tudo, quando a união e imposta por um inimigo comum contra o qual há o interesse de lutar.

Os conceitos de universalidade e imparcialidade representam uma descentralização do egocentrismo que, na sua luta, pode resultar antivital. Transplantando-os do seu plano, que é o do evolvido, para aquele do involuído, estes conceitos são rejeitados ou contorcidos e invertidos para adaptá-los a um ambiente onde tudo é diferente. Dá-se, então, que o universalismo e a imparcialidade vêm a ser compreendidos e admitidos somente como um novo partido, pronto como os outros a lutar contra todos: o partido dos universalistas imparciais!

Assim é que o amor para com o próximo, na Terra, prefere nascer em função da luta, isto é limitado ao grupo onde se encontra o interesse próprio contra todos os outros. Trata-se de um amor restrito, que deve ser, antes de mais nada, útil a cada um dos componentes do grupo, o que significa contra os de fora, os da parte contrária.

Isto tudo não representa acusações, mas a lógica consequência dos princípios de egocentrismo separatista e, pois, de luta, vigentes no plano do involuído. Amor, somente para o próprio semelhante, isto é, aquele que se encontra nas nossas próprias condições e, portanto, tem interesse em ser nosso aliado na luta contra todos os outros que se encontram em outras condições de vida. Amor que esconde o ódio, paz que oculta a guerra. O amor da própria família implica a necessidade de defendê-la contra todas as outras famílias, o amor da pátria presume o dever de fazer a guerra contra as outras nações.

Os simples acreditam na existência de uma única moral, a proclamada oficialmente, e que a sua não observância importa em culpa. Mas por que, então, o homem deveria preferir a culpa? Ninguém é mau sem razão, tão só pelo gosto de sê-lo. Se o homem escolhe este caminho, dado o fato de que é guiado por um principio utilitário, quer dizer que nisto encontra uma vantagem. Torna-se esta vantagem ilusória por ser apenas imediata.

Dela, depois, derivará um dano. Mas para ele, que não sabe enxergar mais longe, não há melhor maneira de criar a própria utilidade. Pôr-se a proferir condenações significa permanecer na psicologia da luta; isto é dar prova de pertencer ao plano do involuído, cujos métodos continuaria a usar. Deste modo seria satisfeito um instinto mas não se resolveria o problema. Não há cura para os doentes com os cárceres ou o inferno. Isto possibilita cumprir funções defensivas de uma casta ou de determinados princípios, mas deixa-nos permanecer no campo da luta. E não obstante todas as ameaças do inferno, suas portas permanecem escancaradas, com entrada contínua.

A complicação do problema está em que, na terra, não há uma lei única e uma moral só, mas leis e morais de planos de vida diferentes, cada qual invocando os seus direitos e exigências imprescindíveis. Há guerra também neste sentido: a guerra de Cristo contra o mundo.

Não se pode satisfazer uma lei sem violar a outra.

O homem está entre dois fogos, impelido pelos ideais a sacrificar-se para subir, mas, ao mesmo tempo, retido pelas necessidades férreas da sua vida material, em que é preciso tudo calcular, uma vez que não há margem para o que não produz uma utilidade imediata. Assim é que têm explicação as tão lamentadas adaptações que exerçam o papel de freios da evolução e  escandalizem como contorções dos ideais, se existem, há uma sua razão, uma vez que na sabedoria da vida nada há existente sem finalidade.

Quem procura compreender, não pode condenar. Ser-lhe-á possível, em vez disto, chorar sobre tanta miséria humana, devida ao atraso no grau de evolução em que a mundo ainda se encontra. Mas a compreensão do ambiente em que nos encontramos, torna-se necessária para poder sair do charco.

Calar representaria um convite para permanecermos na ilusão. Enxergar o caminho é o primeiro ato necessário para percorrê-lo. É preciso armar o involuído com o conhecimento necessário para subir a um plano de vida superior.

O Evangelho não diz apenas “sede simples como as pombas”, mas acrescenta: “astutos como as serpentes”. Isto quer dizer, puros e honestos como os evolvidos, mas ainda conhecedores de todas as velhacarias humanas para não ser suas vítimas.

A fé de olhos escancarados é muito mais sólida do que a de olhos fechados. Deus não nos quer quais néscios credulões, mas crentes iluminados. Para praticar o bem é preciso conhecer também o jogo do mal. Trata-se de guerra e em toda guerra é necessário saber como funcionam as armas do inimigo e ensinar aos próprios soldados a usar as próprias.

Assim é que demonstraremos neste volume que as armas do evolvido evangélico são mais poderosas, tomam-no assim o mais forte, apto, como Cristo disse de si, a vencer o mundo. Isto é quanto, pelos meios da razão, procuramos fazer compreender ao tipo corrente do plano humano, a fim de que este, depois de haver compreendido a grande vantagem que representa o subir a um plano de vida superior, decida-se, no próprio interesse, a efetuar, para evolver, um esforço do qual será, depois, largamente compensado.

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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