O Desejo de Expansão

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Nas recônditas paisagens interiores, a alma logo reconhecerá, ainda que inconscientemente, a lamentável condição que a queda lhe impôs, fazendo-lhe ver as graves restrições que agora a limitam. Ela sabe que na original dimensão divina era um ser completo e potente. Inconscientemente, percebe então que não conquistará a almejada alegria enquanto não refizer sua inata grandeza. Assim, em busca da bem-aventurança, ela permanentemente almejará crescer, fazendo expandir ao máximo o próprio eu, exatamente por reconhecer que somente na plenitude de todos os valores herdados do Pai realizará sua ambicionada alegria.

Seu segundo impulsor intrínseco, em ordem de importância, faz-se então o desejo de expansão, a funcionar como potente motor da evolução. Ele nada mais é que automática reação à contração que se seguiu à sua derrocada. E facilmente o identificamos ainda nos primórdios da manifestação do espírito na matéria, nas inestancáveis forças expansivas encerradas no cerne atômico.

Ao despertar para a vida orgânica, no entanto, é que a alma perceberá com maior clareza, embora ainda de forma inconsciente, o lamentável condicionamento em que se prendeu. Então lobrigará com maior ânsia o desejo de refazer sua grandeza original. Vendo-se nada mais que uma semente de um deus, contida no seio infecundo da matéria densa, a alma dá-se conta da majestosa árvore que um dia fora. Por isso vencerá todas as dificuldades que os proscênios da vida agora lhe impõem, para tornar a crescer e expandir seus galhos na atmosfera divina.

O desejo de expansão das potencialidades contraídas acompanhará então o espírito que caiu, excitando-o ao permanente crescimento evolutivo. Impor-se ao meio e realizar a si mesmo passam a ocupar todo o seu interesse na escola da vida. E, uma vez que o espírito caído colocou em vigência seu extremado egoísmo, ele utilizará a satisfação basilar do ego como propulsor essencial da almejada expansão e conquista da felicidade.

Dessa forma, a alma procurará por realizações que satisfaçam prioritariamente a si mesma, levando-a a roubar valores alheios e a saquear a alegria dos irmãos de jornada. Estabelecendo-se como indutor fundamental, essa expansão invertida irá então moldar, segundo inadequadas pretensões, as rudimentares personalidades dos seres caídos. Com isso, os egos presentes nos baixos escalões da vida entrarão inevitavelmente em franca disputa, pois todos intencionarão nada mais que a própria dilatação, ainda que para isso tenham de reprimir o crescimento dos demais. Eis o germe da luta que, como veremos, faz-se o regime permanente de sustento dos reinos inferiores, onde a sobrevivência de cada um dependerá essencialmente da morte do outro.

Firma-se assim o basilar anseio pela própria expansão como um dos prioritários propulsores a embalar o espírito na grande aventura do crescimento evolutivo. No entanto, identificamos dois tipos básicos de expansão em ação na mecânica evolutiva. Um primeiro, próprio dos estágios iniciais da vida, caracteriza-se pelos equivocados anseios do ego e tem por base a diminuição ou eliminação do semelhante, uma vez que limitar o outro transparece como o primeiro e aparentemente mais fácil modo de expandir-se, na relatividade das relações.

Nessa equivocada expansão, o ser impõe-se ao meio, destruindo-o em benefício próprio, na ilusão de assim mostrar-se maior do que aparenta ser. Chamamos a essa inapropriada fase de dilatação do ego, única possível para o espírito inferior, de expansão ególatra. Ela gera predominantemente crescimento exterior por agregar falsos valores ao núcleo do ser, resultando em aporte de massa e desenvolvimento físico, fadados inevitavelmente à degradação da morte, como sabemos.

O crescimento ególatra e invertido perdurará na aventura evolutiva do espírito até as culminâncias da santidade, quando então ele passa a compreender que somente a expansão interior, favorecida pelo exercício das virtudes sublimadas, permitir-lhe-á desenvolver-se na plenitude do Reino de Deus. Denominada expansão dativa ou divina, por dirigir-se ao interior do espírito, caracteriza aquela que realmente possibilitará o despertar de suas potências originais, adormecidas pela queda. Infelizmente essa segunda expansão tarda a estabelecer-se como motor prioritário da alma em evolução na escola da vida. Até que entre em pleno funcionamento, acionada pela força do amor, a expansão ególatra permanece ativa, responsabilizando-se pelo regime de lutas e dores que prendem o espírito nas paragens sombrias dos mundos primitivos e selvagens.

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