Processo do erro e sua correção

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Entramos agora no terreno específico da ética, para estabelecer as suas bases positivas. Colocando-nos perante a figura, escolhemos ao longo da linha vermelha YX da Lei o ponto N, situado num dado nível de evolução, uma posição intermediária ao longo do caminho da evolução do homem.

A linha YN representa o caminho percorrido, a NX o caminho ainda a percorrer. Este é trecho que lhe falta para acabar de cumprir a sua redenção, e ele o deveria seguir porque constitui o caminho direto, o mais curto para voltar ao S. Mas eis que retorna o motivo da revolta, de modo que, como uma vez o ser se afastou do S para o AS, agora ele se afasta da linha da Lei.

Até que tudo o que pertence ao AS seja neutralizado pela evolução, este impulso secessionista pode continuar ecoando em casos menores, até que tenha desaparecido. No primeiro caso, o da queda, o ser desceu a linha XY e agora tem de subi-la às avessas. Neste segundo caso menor o ser percorre a linha NN1 a do afastamento, para depois ter de seguir a da revolta, N1N. O ponto de partida desse processo é N, onde se manifesta o impulso da revolta. O ponto onde esse impulso se esgota é N1, onde sobre ele leva vantagem a atração da Lei que, por um processo inverso, tudo restaura na sua ordem. Esse é o esquema do fenômeno que aqui estamos estudando.

Temos assim dois momentos ou elementos fundamentais neste processo: o da linha verde NN1, e o da vermelha N1N. Ambas juntas constituem o ciclo completo de ida e volta: NN1N, correspondente ao ciclo completo da queda e salvação: XYX. Trata-se do mesmo processo de emborcamento e endireitamento que, no caso da queda vemos desenvolver-se na figura em sentido vertical de descida e subida, e que neste caso se cumpre em sentido horizontal de afastamento e aproximação.

O princípio é sempre o mesmo: um erro devido à vontade da criatura, e depois uma reintegração devida à vontade de Deus.

O ponto de referência do fenômeno é a Lei. Foi em relação a este ponto que a linha verde do afastamento da linha da Lei tomou o sinal negativo e que a linha vermelha de aproximação a ela tomou o sinal positivo. O primeiro trecho verde é negativo porque nele opera o impulso do ser contra a Lei. O segundo, vermelho, é positivo, porque nele opera o impulso da Lei contra o do ser.

A negatividade expressa a atividade destrutiva dos valores positivos da Lei; a positividade expressa a atividade reconstrutiva daqueles valores. Tudo o que na figura tem a cor verde ou o sinal negativo é fruto da vontade rebelde da criatura e se dirige em posição emborcada para o AS. Tudo o que tem cor vermelha ou sinal positivo é fruto da vontade de Deus e se dirige para as posições emborcadas pela revolta, para endireitá-las no S.

A nossa figura está concebida em função desse ponto fundamental de referência que é Deus, o S, a Lei que o representa. É em relação à positividade desse ponto de referência, que todos os movimentos gerados pelo impulso da revolta tomaram o sinal negativo.

É possível escolher como ponto de referência a criatura rebelde, ou o AS, ou anti-Lei. Então tudo adquire um valor oposto, porque está correlacionado não com a positividade, mas com a negatividade. Neste caso tudo o que na figura é positivo, se torna negativo. Por outras palavras, se o ser com a sua revolta quer o contrário do que Deus quer, tudo concebendo com a sua função e não em função de Deus, é lógico que os valores se emborquem, adquirindo o valor oposto.

O homem, doente de antropomorfismo crônico, costuma erguer-se em centro do universo, substituindo o seu “eu” ao de Deus, o que acontece a toda hora e representa a maior prova da teoria da revolta. Tal é o ponto de referência humano e é lógico que seja às avessas, porque o ser que decaiu no AS se encontra em posição emborcada e não pode conceber senão nessa posição, que é a sua forma mental.

Temos então, frente a frente, dois centros opostos, que querem impor-se como “eu” absoluto: o “Eu” de Deus e o “eu” da criatura. A oposição nasceu com a revolta, pela qual o segundo “eu” se mudou da posição de coordenação dentro do S, para a de insubordinação fora e nos antípodas dele.

Ora, se aceitamos como centro o “Eu” de Deus, o fenômeno se nos apresenta na sua posição direta; se aceitamos como centro o “eu” individual da criatura, o mesmo fenômeno, observado do seu polo oposto, se nos apresenta na sua posição emborcada.

 É lógico que aqui temos de estudar o fenômeno na sua posição direta, em função de Deus e da Lei, e não em posição emborcada, em função do ser que se faz centro de tudo, com seu “eu” separado e egoísta. A nossa figura foi concebida em relação ao ponto de referência: Deus, ou S, ou Lei. É por isso que a linha NN1 tomou o sinal negativo, e a N1N o sinal positivo.

O objetivo de Deus é o S, o do ser rebelde é o AS. O primeiro leva o sinal positivo, enquanto o segundo recebe o sinal negativo, na realização do objetivo de cada um. Como duas vontades opostas, o caminho de ida XY ou NN1 vai do + para o -, e é negativo em relação ao S, porque gera o AS. Paralelamente o caminho de volta YX ou N1N vai do – para o + e é positivo em relação ao S em que tudo se reconstrói para a salvação do ser, destruindo o AS.

A posição direta em que aqui observamos o fenômeno, escolhendo como ponto de referência a positividade de Deus, é verdadeira e básica, é a predominante. A posição do ser representa somente um desvio lateral, um deslocamento fora da ordem, uma exceção à regra, uma desordem, um erro, infelizmente, porém, é esta estranha posição emborcada a que o homem mais usa.

Nós, humanos, estamos mergulhados no AS; somos por isso levados a conceber tudo em função do nosso “eu”, usando o segundo dos dois pontos de referência, o que foi efeito da revolta. A nossa posição atual nasceu da vontade de emborcar o S, e representa o antagonismo entre o nosso “eu” e o “Eu” de Deus. O nosso instinto nos levaria a estudar o fenômeno às avessas, construindo uma tábua de valores não em função de Deus, mas do nosso “eu”, e dando o primeiro lugar não à ordem do estado orgânico do Todo, mas ao separatismo individualista da vantagem egoísta (a lei da seleção do mais forte).

Se a afirmação de Deus é: “Eu sou o senhor teu Deus (….), Não terás outros deuses diante de mim”; a afirmação do homem é: “Eu sou o senhor de tudo. Não terás outros senhores diante de mim”. Afirmação emborcada, que diante de Deus é uma negação. A afirmação do homem é a negação de Deus, como a afirmação de Deus é a obediência do homem.

O modelo é só um, e o fenômeno se baseia sobre o processo do seu emborcamento, se o olharmos de cima para baixo, ele toma o sinal +, porque é Deus que afirma. Se o olharmos ele baixo para cima, o modelo toma o sinal -, porque é o homem que nega. Por isso pode parecer que a concepção mosaica de um Deus que quer dominar sozinho, cioso de todos os rivais, seja a reprodução da psicologia de qualquer rei humano, cuja primeira preocuparão é a de defender o seu reino matando todos os rivais do seu trono. Mas isto é lógico, porque o modelo é um só, o do egocentrismo, que com a revolta se tornou em dois polos, que alternativamente podem funcionar como pontos de referência: o egocentrismo positivo de Deus e o negativo do ser rebelde. O mesmo modelo quer dizer o mesmo tipo de forma mental, que impõe o próprio “eu” ser o centro de tudo.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

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