O ser humano pertence ao AS

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O homem, porque vive na negatividade do AS, acredita que a vida e o “eu” consistam no corpo. Para ele a morte é morte e não libertação. A verdadeira ressurreição está nessa destruição material, que liberta o espírito. A sobrevivência física é morte. Mas, para o homem que concebe a sobrevivência às avessas, é necessário que esse corpo saia do túmulo, para continuar vivendo.

O homem concebe tudo à sua imagem e semelhança, porque não pode pensar senão com o seu cérebro e a sua forma mental, que é filha do plano físico onde ele se encontra. Tudo o que sai desse seu mundo desaparece como morto, não existe mais, porque não é percebido. As ideias do homem saem do seu cérebro para satisfazer as suas necessidades.

Ele assim tudo transforma em mito para o seu uso conforme as suas exigências mentais. E isto é justo porque as religiões são feitas para o homem. O mito é uma adaptação dos fatos às necessidades de sua psicologia humana, que assim os transforma. A verdade é outra coisa, que existe de modo independente da maneira como o homem a vê. Prova-o o fato de que as interpretações que dela o homem faz mudam e evoluem com o seu cérebro, o que prova o ponto de referência é o “eu” humano. Isto quer dizer antropomorfismo, que é egocentrismo, demonstrando que o ser humano pertence ao AS.

O mundo, pelo fato de que está imerso no AS, é ignorante E por isso que vive enganado e acredita que a vida, seja vida, enquanto é morte, que o caminho da desobediência o leve à felicidade, enquanto o leva à dor. E quanto mais ele se apega a essa sua vida de emborcado em busca de gozo, tanto mais se aproxima do sofrimento. Tudo isto se explica com plena logicidade e justiça, porque para quem vive na negatividade, não observa senão o contrario do que aparece, porque todas as afirmações se tornam negações. Por isso o mundo foi definido como a Grande Maya2 ou ilusão. Quem tem a sua forma mental, que é emborcamento na negatividade, ao invés de vida encontra a morte.

Acontece que, quando o herói da forca acredita obter vida vencendo na Terra, de fato ele obtém morte, porque endividando-se, depois tem de pagar; com a violência lucra e triunfa, mas involuindo, isto é, descendo a dor do AS, positividade aleatória que é dívida de negatividade, vida temporária que amarra à necessidade de morrer. E quando o mártir do sacrifício perde vida vencido na Terra, de fato ele ganha vida porque dá, assim adquirindo crédito, pelo qual terá de ser compensado; com a bondade e o seu sofrimento perde, é vencido, mas evoluindo, sobe para a felicidade do S, positividade estável que não é empréstimo a devolver, vida eterna, onde a morte não existe. O primeiro método parece certo, mas esta errado porque é contraproducente, isto é, gera dano ao invés de vantagem. O segundo método parece errado, mas está certo porque é produtivo, isto é, gera verdadeira vantagem e não dano como parece, e não pode ser de outro modo. No terreno do emborcamento não pode existir senão verdade às avessas, isto é, engano. Tal é o método do mal, o de prometer vantagem, e fazendo o contrário.

E lógico que as vitórias do mundo sejam contraproducentes, porque o caminho é o da negatividade. Os triunfos do mal são como o afirmar-se da vida do câncer. Quanto mais ele cresce e vence, tanto mais se aproxima da morte, porque é negativo, não tem vida própria e não pode viver senão destruindo a vida dos outros. Esta é a automática punição dos vencedores à custa dos outros, dos que com a força ou a astúcia, quereriam furtar-se à justiça da Lei. Nada se pode ganha ganhar com o roubo. O que é fictício não pode dar senão frutos fingidos. Mais cedo ou mais tarde cada um tem de ficar reduzido aos seus valores substanciais. O que é negativo e quereria viver à custa da positividade dos outros, tem de acabar aniquilado no vazio da sua negatividade, Quem age, positivamente, ganha vida, quem age, negativamente, ganha morte. O primeiro evolui para o S e vai-se enchendo de vida e enriquecendo de todas as qualidades positivas. O segundo involui para o AS e vai-se esvaziando de vida e empobrecendo de todas  as qualidades positivas e adquirindo as negativas. Por isso, como já há pouco nos referimos, as conquistas do mundo nunca chegam a satisfazer a insaciável fome de nossa negatividade.

O vencedor no mundo não é vencedor. Na sua vitória está a sua condenação, porque com ela ele penetrou mais e se tornou rei no reino do AS, que é o reino das dores. As vitórias humanas vacilam e acabam caindo, porque não têm base Não se pode adquirir coisa alguma furtando-a aos equilíbrios da Lei. A felicidade só pode ser atingida permanecendo-se na ordem do S, com o método positivo. Pela própria estrutura do fenômeno, com o método da negatividade, nunca se poderá encontrar senão felicidade emborcada, isto é, dor. A condenação do rebelde está no fato de que ele não pode seguir outro caminho. A sua meta natural e fatal é o fracasso. Furtar felicidade não pode dar felicidade, mas carência de felicidade. A punição está no fato de que o rebelde pela sua própria posição tem de acreditar no absurdo, e na possibilidade de se realizar alguma coisa ao negativo. Com o método da revolta se pode atingir  somente a falta do que procuramos. O absurdo está em acreditar que equilíbrios estáveis se  possam manter a poder da força e não com a justiça. A primeira gera desequilíbrio ainda maior,  enquanto a segunda vai gerar o verdadeiro equilíbrio. Com a mentira não se pode encontrar a verdade, posições estáveis não se podem basear sobre valores falsos. Só com a sinceridade e honestidade se pode construir. Com a astúcia e a mentira se pode realizar apenas uma pseudoconstrução, que parece construção, mas é destruição. Os efeitos não podem ser de natureza diferente das causas que os geraram.

É lógico que a felicidade do mundo acabe no sofrimento. É lógico que ao procurar a felicidade em direção negativa, não se possa encontrar senão felicidade ao negativo, isto é, sofrimento. Com a revolta o ser saiu desse estado feliz que no S é natural, espontâneo, fundamental, e caiu na carência dele, guardando no instinto a saudade insaciável do seu estado de origem. A fuga do S, como da Lei, é uma procura de satisfação fora da posição certa. Por que NN1 é a linha do erro, a procura de felicidade em sentido emborcado é lógico que gere dor.

Quando o movimento chega em N1, atinge a plenitude da negatividade e o ser caiu em cheio no inferno da dor. Para libertar-se deste e não sofrer mais, não tem outro caminho senão o do  regresso ao seu ponto de partida, percorrendo às avessas para a positividade o trajeto que foi percorrido para a negatividade. O esforço da subida tem de pagar a fácil descida, a luta no sofrimento tem de compensar o roubo de alegrias não merecidas. Só o trabalho de reordenação na ordem poderá libertar o ser da desordem que o atormenta.

Só nos apercebendo que vivemos num mundo emborcado podemos compreender essas verdades e encontrar uma explicação das ações humanas e seus resultados. Nesta posição a verdade parece erro e o erro verdade. As conquistas reais fazem-se obedecendo a Deus, na ordem da Lei, e não impondo-se à força ao próximo com o próprio egoísmo; a riqueza conquista-se com o desapego e o desejo de usá-la para o bem dos outros. As aparências nos mostram a face oposta à da verdade: o que é absurdo se apresenta como lógico; o que é lógico se apresenta como absurdo. Mundo estranho em que tudo está disfarçado em formas enganadoras, e as portas se fecham, abrindo-as, e se abrem, fechando-as. O corpo em que vemos a vida representa a morte de nosso verdadeiro “eu” espiritual, e o fim deste corpo, isto é, o que chamamos de morte abre as portas à vida.

As religiões e a ética conhecem e ensinam estas conclusões, dirigindo a nossa conduta, nos mostram o caminho da salvação. Não dizem a razão pela qual temos de segui-lo, parecendo não saber por que isto acontece e o que justifica essas normas, qual é o jogo íntimo do fenômeno de nossa redenção que estamos vivendo e por que temos de realizá-la. O fato é que o ser se encontrava no paraíso do S, e que pela desobediência saiu dele e caiu de cabeça para baixo no inferno do AS. O ser está agora saindo deste inferno e tem de reconquistar o paraíso perdido, atravessando um purgatório de penitência constituído de um imenso oceano de dores. Estamos encontrando sempre novos fatos que nos confirmam esta teoria.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

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