Mecânica da Salvação

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O ser rebelde é louco. A Lei é sábia. O ser quer encontrar as qualidades positivas nos caminhos das negativas. A Lei, para  salvá-lo, o reconduz com a dor aos caminhos da positividade. Esse é o jogo da mecânica da salvação. O ser rebelde quer encontrar a luz nas trevas, mas a Lei o reconduz à luz; quer encontrar a vida na morte, mas a Lei o leva novamente para a vida.

Problemas que nos tocam de perto e nos interessam, porque se trata de nosso sofrimento ou bem-estar. Com a revolta o ser foi à procura de felicidade, mas fora da ordem, da regra e justa medida, o que representa um absurdo. É lógico então que, seguindo o caminho da revolta que é emborcamento, o ser encontrasse o sofrimento.

Por que motivo o caminho da volta, a reconstrução, é feito de dor?

Porque o ser procurou a felicidade, que é qualidade positiva, no terreno da negatividade, com a desobediência na desordem e não com a obediência na ordem, no AS fora do S, isto é, às avessas. É lógico que ele encontrasse felicidade às avessas, isto é, dor. Aqui está a tragédia da revolta.

Eis o erro fundamental do ser, o que o fez fracassar no absurdo. Para crescer demais fora da ordem, ele entrou na desordem; para se afirmar além dos limites devidos, entrou a negação. Para se estender além da lei da sua existência, o ser saiu do S, isto é, da positividade e de todas as suas qualidades, e entrou no AS, isto é, na negatividade com todas as suas qualidades.

Assim, do bem o ser caiu no mal, da luz nas trevas, da vida na morte, da felicidade na dor etc. Tudo é lógico. Então ele tem de ficar no mal, nas trevas, na morte, na dor, imerso nesse mar de tristeza, até o ter atravessado todo, reabsorvendo a negatividade que passou a ter com a revolta e, assim neutralizando-a, voltar à Lei, reintegrando-se na positividade perdida.

Com a revolta, quis fazer de si mesmo centro e ponto de referência, enquanto o centro só pode ser Deus e nada pode existir senão em função desse ponto de referência. Eis por que com a revolta o ser não podia adquirir senão qualidades negativas. Elas agora são suas e não há outro caminho para libertar-se delas senão a marcha à ré da reabsorção da negatividade e da recuperação da positividade.

Para endireitar-se, é necessário que o ser cumpra à sua custa o trabalho de redimir-se e com o seu retorno cumprir, no caminho da fuga da ordem, a fadiga de voltar atrás em disciplina, assimilando a sua culpa. Isto é dor, e eis porque ela adquire qualidades positivas de recuperação. Eis a sua origem, a razão da sua presença, a função que cumpre, o objetivo que deve atingir.

O impulso fundamental do existir é sempre o do S, isto é, positivo, o da própria vantagem. Mas o ser tinha de realizar esse impulso positivo neste sentido, dentro da ordem. O erro do ser foi querer realizá-lo em sentido negativo, fora da ordem, dai o seu dano.

Eis por que a linha NN1, a do erro, é também a linha de prejuízo do ser, enquanto a linha N1N, a da dor, é a de sua vantagem. Assim pelo fato de que a linha do erro é a do emborcamento ( – ), e a dor é a do endireitamento ( + ).

A primeira é a linha dos rebeldes, dos criminosos, dos guerreiros, dos chamados fortes que, à disciplina de todos os seres no estado orgânico do S, ao redor do centro único ou “Eu” de Deus, substituíram a revolta na desordem do caos, cada ser por si mesmo, ao redor de tantos pequenos centros ou egocentrismos individuais das criaturas. O método delas nessa sua posição, não é a espontânea colaboração, mas a imposição pela força.

Podemos agora compreender por que existe na Terra a lei do mais forte, o que ela significa e por que se pratica esse método de vida. Podemos compreender como o princípio vigorante em nosso mundo, o da luta e da vitória do mais forte,  represente um princípio separatista e, por isso, próprio do AS e não do S. Isto quer dizer um estado primitivo, involuído, mais próximo da animalidade que do homem evoluído.

Então essa lei biológica não é uma expressão de positividade, isto é, de poder construtor, como se acredita, mas de negatividade, isto é, de poder destruidor; já que é uma sobrevivência de estados involuídos do passado, perante a Lei que quer o evoluído do S e não o involuído do AS, representa não força, mas fraqueza, não virtude, mas defeito, não vitória, mas derrota. O principio da força parece ser de afirmação, mas o é só em função do ponto de referência: homem. Mas isso significa caminhar às avessas, contra a Lei. Perante Deus, quer dizer afastamento ao longo da linha do erro.

De fato, o método do triunfo do mais forte leva a ganhar não em sentido positivo, gerando e construindo, para o bem dos outros, o que conduz para o S, mas em sentido negativo, escravizando, destruindo, matando, semeando para os outros, como acontece em todas as guerras, mal e sofrimentos, o inferno do AS. O vencedor não cria nada, mas só ganha espaço vital subtraindo-o aos demais. Tal é o método das rivalidades, oposto  o da concórdia.

Estamos no caminho da negatividade, no qual se conquista a vida própria tirando-a dos seus semelhantes enquanto que no caminho da positividade para conquistar a vida é necessário procurá-la para os outros. Eis os dois tipos: o do guerreiro, egoísta e agressivo, e o do homem pacífico do Evangelho, altruísta, pronto a colaborar.

O primeiro é positivo só em relação à gota de água, que é o seu mundo, do qual ele se faz centro; mas ele é negativo em relação ao universo, do qual sem saber faz parte e cujo centro é Deus. O mártir do sacrifício para o bem de todos é negativo dentro da gota d’água humana, mas é positivo dentro do universo perante Deus.

Tudo está emborcado em nosso ambiente terreno e, por isso, se julga fraco e se condena como tolo quem se sacrifica para o bem do próximo. Explica-se assim por que há um absoluto antagonismo entre o mundo e o Evangelho, porque existem, e o que significam esses dois métodos opostos. O homem do dever sacrifica-se, mas constrói na ordem, o homem da força triunfa em proveito próprio, mas destrói porque é rebelde à ordem; o mártir morre, mas semeia vida, o herói do mundo vence e vive, mas semeia morte.

O sacrifício em obediência à Lei reconstrói ao longo da linha positiva da dor; a força na revolta à Lei destrói ao longo da linha negativa do erro e do mal. O triunfo do mundo é emborcado ao negativo, nos antípodas do triunfo positivo, nos céus; representa a vitória das células do câncer; e não a das células sadias do organismo. O triunfo do mundo se constrói esvaziando e destruindo e não gerando e construindo valores. Por isso o homem fica sempre insaciável, porque aquele nutrimento é fingido, negativo, não satisfaz, mas apenas dá fome.

Verifica-se então esse fenômeno: o caminho representa como um trabalho que aspira fora do S ou da linha da Lei uma quantidade de substância (a que constitui os espíritos rebeldes), a qual se inverte em negativa. Este processo gera um espaço negativo que se vai enchendo (AS) fora do campo da positividade (S); e paralelamente um vazio correspondente dentro desse campo da positividade (S).

Tudo isto gera um desequilíbrio que é necessário equilibrar de novo. Isto quer dizer que o deslocamento da positividade para a negatividade tem de ser compensado por um equivalente caminho de regresso da negatividade para a positividade. Então o vazio que se formou dentro do campo da positividade (S), tem de ser preenchido com o que saiu dele, esvaziando o terreno da negatividade (AS), com sua reintegração no estado positivo do S.

Eis por que existe a linha da dor. Explica-se dessa forma, a marcha à ré compensadora de todo o afastamento, o caminho de ida e volta, a necessidade de recuperação.

Compreende-se, também, como a linha do erro, que vai para o mal, não pode representar senão uma pseudo-vantagem, uma perda, porque é ganho ao negativo. É uma dívida, um enriquecer momentâneo que depois é necessário pagar. É uma fácil descida que depois temos de subir de novo com o nosso esforço, um atalho para uma felicidade mentirosa que se resolve no engano, e não podemos sair senão recuperando tudo com o nosso sofrimento.

Tudo isso, nos mostra a verdade e nos ensina que a desobediência é erro. Infelizmente não há outro meio. O raciocínio que demonstra e convence não tem valor para o rebelde, porque quem vive neste estado de negatividade não possui a forma mental da lógica, mas a do absurdo. É necessária a dor que se pode imprimir no subconsciente; só ela queimando tem o poder de fincar nos instintos um marco indelével.

Eis a razão e a técnica dessa justiça compensadora, pela qual automaticamente todo afastamento tem de se endireitar com o regresso à Lei. O ser que quis gerar o impulso do emborcamento tem de ficar sujeito a esse mesmo princípio até ao fim, isto é, até à completa reconstrução da ordem violada. Trata-se do mesmo impulso de emborcamento que por inércia tem de continuar, automaticamente, até ao seu  desemborcamento, retificando tudo.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

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