As quedas menores

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As quedas menores laterais são as consequências dos afastamentos da linha da Lei, da ética, que estabelece qual deve ser a conduta correta. Estas quedas menores são o que chamamos de erro ou culpa.

Erro ou culpa possuem um significado positivo de deslocamento para a desordem, longe da devida posição de ordem estabelecida pela Lei: ordem que a universal lei de equilíbrio impõe seja reconstituída todas as vezes que for violada. Podemos assim dar um valor exato também às palavras expiação e redenção, em função desse processo de reordenação. Revela-se a valorização da dor, como meio de recuperação e elemento fundamental na lógica do fenômeno da salvação.

Essa linha da ética representa a espinha dorsal do processo de salvação. Este é o percurso dentro do qual está canalizado o caminho da evolução, que o ser tem de percorrer para recuperar o que com a queda perdeu. Todas as vezes que o ser se afastar dessa linha de retorno dirigido para o S, comete erro e terá de sofrer até ser neutralizado, tudo reconstruindo com o seu esforço e sofrimento.

No processo dos afastamentos laterais, temos uma linha verde de descida para a negatividade, representando o afastamento ou trabalho de destruição; e temos uma linha vermelha, de volta para a positividade, representando a aproximação de retorno ou trabalho de reconstrução.

Como a força de atração terrestre constrange tudo a ficar em equilíbrio aderente à superfície do solo, e voltar a ele quando se afasta, assim a Lei, que representa a divina bondade e vontade de salvação, constrange tudo a ficar em equilíbrio aderente à linha da Lei, e a voltar a ela se se afastar.

Essa é a função da linha da Lei. Ela representa um raio do pensamento e da vontade de Deus, que desce no próprio centro do universo dos rebeldes para libertá-los da destruição em que de outro modo acabariam.

Além da pequena redenção realizada por Cristo num dado momento em favor de uma das infinitas humanidades que povoam o universo, existe uma redenção muito maior, contínua, realizada por Deus no Seu aspecto imanente, em favor de todas as humanidades e de tudo que existe.

Essa maior redenção está expressa na figura pela linha da Lei, YX, que sustenta o triângulo da mesma cor vermelha e sinal positivo, e o respectivo campo de forças que esse triângulo com a sua superfície representa e contém. Ele com a sua base no S e a ponta dirigida para baixo, penetra todo o triângulo do AS até o fundo, como uma projeção da positividade lançada no campo da negatividade, para salvá-lo com o seu impulso reconstrutor do aniquilamento, que seria a conclusão lógica do processo.

Tudo o que na figura é vermelho representa o princípio de positividade do S, a presença de Deus, a salvação. De tudo isto deriva a grande importância de conhecer a Lei, o seu conteúdo, a técnica do seu funcionamento, as normas de ética com as quais ela nos dirige; porque conhecer tudo isto significa ver o roteiro a seguir, e ter nas mãos o leme para dirigir no oceano da evolução, o nosso barco para a salvação.

Nós existimos e temos de funcionar dentro dessa grande máquina do universo, e não conhecemos a Lei que a dirige. Assim a nossa conduta é a de um cego ignorante que vai sempre cometendo erro, e jamais acaba de pagar as consequências. Quantas dores se poderiam evitar, se o homem aprendesse a movimentar-se com inteligência, dentro dessa máquina, porque ela é dirigida com muita inteligência, a inteligência de Deus!

É necessário compreender essa máquina, para funcionar de acordo com ela, em disciplina, e não na desordem, violando-a a cada passo, batendo com a cabeça de encontro às suas sábias resistências. Enquanto não aprendermos a movimentar-nos deste modo, teremos que aceitar a dura lição da dor, necessária para aprender. Não se trata de teorias longínquas, mas dos mais vivos e próximos problemas de nossa existência. Trata-se de conhecer a Lei, o que não constitui só uma grande vantagem, mas também imenso consolo, porque ela representa o princípio do Amor de Deus, que tudo reordena, reconstrói e salva.

Este é o significado da linha da Lei.

O processo da queda repete-se nestas menores tentativas da revolta, dirigidas para a construção de menores anti-sistemas laterais, que se constroem e se destroem, se desenvolvem e são reabsorvidos com o mesmo método de ida e volta. Obedecendo ao impulso inicial da desobediência, o fenômeno avança ao longo da linha verde, até que o impulso se esgote. A reabsorção se realiza ao longo de uma paralela correspondente linha vermelha, que representa a correção dos valores negativos e a recuperação dos valores positivos. Na figura podemos controlar o fenômeno nos seus movimentos, posições e medida.

Vemos assim que o nosso erro tenta gerar um pequeno AS lateral, fugindo da linha da Lei YX, como na primeira queda o ser fugiu da linha WW1 do S. E igualmente esse processo tem de ser neutralizado por um equivalente caminho de regresso. O trajeto percorrido na ida pela linha verde lateral, tem de ser compensado por uma proporcional linha vermelha de regresso. Trata-se de um processo menor, dentro do maior da involução-evolução, regido pelo mesmo princípio.

Eis por que vemos aqui, novamente, aparecer o modelo dualista da oposição de contrários. Por isso este processo se desenvolve em forma de inversão recíproca, de erro e sua correção. A linha da desobediência sai da linha da Lei, e volta a ela transformada em linha de dor. O movimento que se iniciou com o sinal negativo, volta à fonte com o sinal positivo. O ser adoece para voltar à saúde. É o princípio de equilíbrio que aprisiona o fenômeno dentro do jogo de reciprocidade.

No Todo existia somente o modelo do S, em que existia Deus. Não possuindo a criatura poder de criar, era incapaz de gerar outros modelos; sendo efeito e não causa, ela não podia ser causa de efeitos novos. Tudo o que ela podia fazer era alterar o que já existia. Se o S era tudo o que havia, o que podia surgir era somente a sua negação. Como o S permaneceu o centro de tudo, a negação não pôde seguir outro caminho senão o seu endireitamento para o positivo, isto é, reafirmando o que foi negado.

Eis por que no caso ora observado, aparece primeiro a linha verde e depois a vermelha. Aqui também a primeira fase é a da queda, e a segunda é a da salvação. Tudo foi criado de tal modo que, para qualquer acontecimento ou negatividade do ser, nada se perde, tudo se resolve e se redime nos braços de Deus, sempre centro de tudo.

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Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

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