O Movimento e a Consciência

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

 

A composição do mundo físico da matéria, em sua intimidade, é uma construção anômala e transitória, produzida pelo hálito do espírito que caiu. É o próprio espírito que, através da evolução, trabalhará para desfazê-la completamente, de modo a retornar a seu original estado de pureza.

Deus aguarda nosso reencontro e para atingir as alturas celestiais precisamos, além de expandir os sentimentos rumo ao amor, crescer também em entendimento e sabedoria. Falta-nos, porém, um enorme caminho a percorrer para que nos inteiremos devidamente dos reais panoramas fenomênicos em que estamos mergulhados (…).

O amor é a mola mestra de nossa ascese espiritual, contudo a sabedoria deve integrar igualmente uma das asas da angelitude para que nosso voo rumo ao Infinito se equilibre.

Por isso, sem o devido esforço em aquilatar nossa compreensão da mecânica do universo e da vida, não alcançaremos grandes altitudes do espírito. Recordemo-nos de que a aquisição de verdades eternas, além de permitir-nos conhecer a nós mesmos, aproxima-nos igualmente de Deus. Afinal, Jesus disse-nos que o conhecimento da verdade nos libertará das injunções da matéria.

Tudo o que existe em nossa realidade está feito unicamente de movimentos. E movimento de algo que, na verdade, não detém em si substrato físico algum, mas apenas um potencial de realização.

Esclarece-se que nossa realidade, embora concreta aos nossos olhos, nada mais são que produtos da mais genuína imponderabilidade. O movimento cria a energia e a matéria, e o movimento, por sua vez, não tem uma base estrutural, porém unicamente ideológica.

O movimento é a única potência existente no cosmo, responsável por todas suas admiráveis criações. Sem o movimento nada existiria. Ele cria galáxias, estrelas, mundos, a própria vida e em nós faz-se ainda o sustentáculo da consciência. Em seu grau mais intenso possível, ele gera a matéria, em seus diferentes estados de apresentação.

O movimento nada mais é que a segunda grandeza da Divina Trindade em ação na realidade fenomênica, a vontade operante, o verbo que se faz realidade, como nos afirmou João, o evangelista, em seu famoso versículo. Como já vimos, é o elemento intermediário da famosa trilogia, que une a primeira potência, o espírito, o idealizador e criador de tudo o que existe, ao terceiro instante da trindade, a estrutura, que em nossa realidade terminou por se fazer matéria.

Portanto, o que se move para tudo formar, é exatamente a substância, o substrato que sustenta os três momentos, o puro estrato do pensamento divino, que a tudo constrói e confere as propriedades do existir. Este é o verdadeiro e último estofo da realidade, com base no qual são moldados o espírito, a energia e a matéria.

A substância no estado puro está feita de imobilidade, porém não de inércia, definindo o espírito; ao agitar-se gera a energia, que, ao contrair-se em seu máximo estado de compactação, produz a matéria.

O que moveu a substância de seu estado de íntima pureza e imobilidade foi o desejo do espírito de retirar-se do Absoluto, onde inexiste movimento algum.

A substância nada mais é que um fragmento da Consciência divina.

Como compreender a existência de fragmentos do pensamento de Deus?

Esta pergunta não tem resposta, mas sabemos apenas que qualquer fração do infinito continua sendo um infinito, portanto, ao referir-nos a um fragmento de Consciência divina não estamos impondo limites a esse potencial de realização que a tudo forma. O tecido da consciência não é suscetível de barreiras, sequer as dimensionais. Não tem medidas, como não admite referenciais. Podemos considerar que tudo no universo, desde o espírito à matéria mais bruta, está feito de tecido consciencial, em diversos graus de condensação.

Não podemos, porém, até então, definir o que seja a consciência. Precisaremos ainda muito caminhar para compreender sua essência e sua composição, pois não temos até agora subsídios para isso. Sendo o fluxo do pensamento de Deus, é o verdadeiro sustentáculo da substância, o fundamento do espírito e a base do existir.

Portanto, a máxima aproximação possível à nossa razão no presente, consiste em compreender que a consciência em estado puro entretece o espírito; em movimento, forma a energia e, se adensada ao máximo, gera a matéria. Essa é a fórmula do universo,

Se tudo é consciência em movimento, todo movimento, por sua vez, está impregnado da mente divina. Portanto, tudo está feito do pensamento de Deus, moldado pela vontade das consciências menores, filhas da Consciência maior.

Essa a máxima aproximação que nossa razão nos permite na atualidade.

Devemos então contentar-nos com nossa limitação. Não somos ainda capazes de uma maior compreensão sobre o substrato da realidade. Conhecer a natureza íntima da “substância” pressupõe entrar em comunhão com o pensamento de Deus, coisa ainda impossível para o grau evolutivo em que nos encontramos.

Somente podemos entender que algo completamente abstrato move-se para produzir tudo o que existe.

Logo a matéria não é uma concreção isolada na criação. É uma forma aparentemente concreta, inflada e sustentada pela ideia, que, por sua vez, advém do espírito. A ideia, adquirindo movimento, gera a energia. A energia, fechando ainda mais seu movimento, forma a matéria.

A ciência terrena já reconhece que a matéria nada mais é que um pacote de movimentos. Ela já constatou que diminutos corpúsculos, feitos unicamente de energias, agitam-se no reduzido espaço intra-atômico, originando-nos a ilusão de massa e peso. Então, como já está claro, é a energia cinética que cria matéria. As fórmulas da matéria, reconhecidas pela ciência do mundo, demonstraram-nos exatamente isso.

Uma das mais simples diz-nos que a matéria é o produto de uma constante multiplicada pela frequência. Como veem, nada há na matéria, senão a abstração de um movimento intenso e fechado em si mesmo.

Observemos a hélice de um avião em seu rápido girar. Não a vemos como um disco? Se seu movimento for intensificado ainda mais, far-se-á uma perfeita e ilusoriamente compacta chapa. Assim está formada a matéria. Se detivermos seu movimento, veremos que a sensação de concretude que ela nos proporciona é mera ilusão de nossas percepções.

Os constructos físicos são nada mais que miragens de nossos sentidos.

Essa é uma das mais admiráveis compreensões com que já me deparei sobre a composição do universo, amigos!

Tudo o que existe tem como uma única origem a mente divina. Todos os elementos da Criação, do espírito puro à matéria bruta, unem-se em admirável identidade de origem. Todos são produtos diferenciados de um mesmo elemento constitutivo, a substância. Por isso, tudo se comunica e tudo se entrelaça no universo.

Essa premissa é a mais simples possível para se explicar a realidade cósmica que nos assiste. Assim podemos entender exatamente por que os elementos cósmicos tão perfeitamente se interagem, fato que não seria possível se não partissem de uma absoluta semelhança e origem única para todos. A identidade é que torna possível a interdependência entre eles. Exatamente por isso energia e matéria existem em conúbio tão íntimo, entretecido pelo espírito, na mais perfeita conjuntura fenomênica. É isso o que faz da Criação uma unidade, onde nada existe de forma isolada. E não poderia ser de outra maneira.

Portanto, na realidade divina, um objeto existe porque se sustenta em outro, este em outro ainda e assim ao infinito. Eis então que a Criação, do micro ao macrocosmo, é de fato uma grande teia de eventos, onde todos sustentam todos, por atributo de semelhança, gravitando em torno do centro máximo, Deus, origem e suporte de tudo e todos.

O universo funciona sob o império da perfeita unidade, a grande e primeira Lei da Criação. Se tudo se assemelha e tudo se entrelaça, então um mesmo conjunto de leis pode coordenar, por critério de identidade, toda a complexidade do cosmo, produzindo equivalência de ação a todos os seus produtos. É o monismo, o admirável conceito filosófico e sintético da Criação.

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