Baixa Frequência

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Quanto mais energia emprega o espírito nas construções físicas, ou seja, quanto maior é a frequência que ele imprime aos seus veículos dinâmicos, tornando-os mais materializados, menor será a expressão de sua consciência. Podemos entender que parte da constante divina que alimenta a consciência transfere-se, assim, para a dimensão densa. Logo o único que nos importa é viver segundo o espírito, uma vez que a matéria apenas lhe rouba o íntimo dinamismo, como nos afirmou o divino Mestre. Por isso o trabalho da evolução consiste precisamente em fazer transferir o potencial retido em nossos envoltórios exteriores para o âmago de nosso ser, onde reside nossa essência eterna e imutável, até que nos manifestemos unicamente como consciência pura.

Por isso os seres mais embrutecidos são também os mais ignorantes, pois o espírito elevado trabalha em menor frequência de energias. Difícil admitir essa revelação, pois associamos poder à alta vibração de nosso dinamismo.

Quanto mais energia o espírito translada aos seus veículos físicos de expressão, mais rouba da consciência, pois o manancial de forças que ele herdou do Pai está encerrado em inalterável soma de valor absoluto. Além disso, a alta frequência aglomera a substância que nos constitui e cria matéria. Basta observarmos como funciona a vida.

Na infância, o espírito é altamente dinâmico, pleno de  vontades, agitado e operoso no mundo das formas, expressando-se em alta frequência vital. A alquimia da existência, não obstante, desgasta essa elevada frequência biológica, fazendo-a transmutar-se em potências psíquicas. Por isso, se o jovem está farto de vitalidade, o velho, experimentado pela vida, plenifica-se de quietude e sabedoria. Logo, a degradação física e dinâmica da velhice não representa verdadeira perda de valores, mas simplesmente uma transmigração de potenciais do plano físico para o campo psíquico.

O resultado final desse processo, que se repete a cada reencarnação, é a permanente dilatação da consciência. Diz-nos então a Lei de conservação de energia que a redução da frequência vital implicará sempre em compensador aumento do vigor consciencial. Através dessa maravilhosa técnica evolutiva, o espírito alcançará sua plenitude, unificando-se com o Criador, objetivo último da evolução.

No mundo físico, as energias de alta frequência, portanto de curto comprimento, como as ondas da radioatividade e os raios X, são aquelas de maior capacidade de penetração na matéria e maior poder físico, sendo, inclusive, as mais danosas ao ser vivo. Comportando-se como se fossem verdadeiros dardos rígidos, apresentam-se quase materializadas. Já as ondas de baixa frequência e longo comprimento são manifestações de menor materialidade, portanto, mais sutis, brandas e de alto alcance.

Notemos o correspondente disso nas nossas músicas: as de frequência alta, como os ritmados batuques guerreiros, são altamente excitantes. Elas estimulam as baixas paixões do espírito e induzem-no às guerras, chegando a ser irritantes para as almas evoluídas. Já as sonoridades suaves e de frequência lenta elevam o espírito, fazendo-o conectar-se com esferas sublimadas. Exatamente porque, à medida que reduzimos nossa íntima oscilação, despertamos as forças contidas da consciência, extraindo-lhes extraordinário potencial que ainda desconhecemos.

Portanto evoluir, pressupõe desacelerar a matéria, libertando o fantástico poder nela retido, transferindo-o para o espírito, nada mais que isso.

A frequência é inversamente proporcional à potência espiritual, pois no estudo das vibrações psíquicas, as chamadas ondas psi, registradas por um eletroencefalograma, demonstra que as ondas de frequência alta, da ordem de 30 a 14 ciclos por segundo, chamadas ondas beta, estão associadas à tensão, ao estresse, à ansiedade e à preocupação intensa. Próprias do estado de vigília e trabalho, elas refletem o alto grau de hiperatividade do cérebro. Ondas de frequência superior a 30 ciclos são francamente patológicas, próprias dos quadros epilépticos. A meditação, a prece e a tranquilidade desaceleram a massa neuronal que passa a oscilar em ondas alfa, dotadas de 13 a 9 ciclos por segundo, em seu primeiro estágio. Trazem grande paz interior e elevação espiritual. Evoluindo na redução frequencial, chega-se às ondas teta, correspondentes a estágios ainda mais profundos de meditação, com 8 a 4 ciclos por segundo.

Assim, à medida que a onda mental desacelera-se, a consciência profunda potencializa-se e liberta-se de sua couraça energética. Com a redução da frequência das ondas psi não produz, em absoluto, apatia e morte, como se poderia pensar, uma vez que permite a dilatação do potencial espiritual contido em nós. A consciência expande-se, fazendo dilatar suas percepções, abrindo-se as portas da alma.

É, portanto, nas baixas frequências mentais, porém de grande alcance, que despertam os estados ampliados de consciência e funcionam também as mediunidades elevadas, altamente inspirativas. O subsequente nível de 3 a 1 ciclo por segundo das ondas mentais, chamado delta, é o estágio de profunda sintonia com as forças divinas que dificilmente pode ser alcançado pelo ser humano atual e somente será conquistado com a evolução espiritual. Ao zerar a vibração da onda psi, o ser atinge o nível crístico, no qual se funde ao Criador, extrapolando as dimensões do tempo e do espaço, alcançando a chamada “Vida eterna”, a estabilidade plena do espírito.

É então “morrendo, que nascemos para a Vida eterna”, como nos afirmou Francisco de Assis em sua famosa prece.

O frenesi da luta nos baixos níveis agita e imprime maior frequência ao espírito, da mesma forma como o fazem o temor, a ansiedade e as emoções inferiores de modo geral. Já a confiança, a fé e a aquisição de verdades elevadas, que têm o sabor de eternidade, asserenam-nos o psiquismo. É fato patente para todos nós, somente não havíamos atinado que tudo isso produz redução da oscilação que nos faz funcionar o psiquismo.

O egoísmo e a maldade aumentam a frequência vibratória do espírito, provocando o adensamento de seus veículos de manifestação. Vemos no plano espiritual que as entidades muito inferiores detêm perispíritos densos, próximos da matéria bruta. E, por extensão, o bem e o altruísmo apaziguam e reduzem o tônus vibrátil das vestes da alma, produzindo-se corpos perispirituais mais diáfanos, que nos propiciam maior liberdade, acalmia dos sentimentos e mais dilatada amplitude de consciência.

Lembramos do Cristo dormindo no barco, em meio à tempestade. Jesus, certamente, estacionado em poderosas energias longas e de baixa frequência, permanecia alheio à agitação ambiente, ao contrário dos discípulos que, movidos pelo temor, convulsionavam-se na frequência elevada e distônica do desespero.

Vemos que a figura de um lago nos é outro exemplo ilustrativo. Suas ondas agitadas não lhe permitirão refletir a serenidade do céu, somente possível se suas águas estiverem acalmadas.

Esse mesmo raciocínio devolve-nos à dedução inicial, de que no Absoluto divino não há movimento, pelo menos no que diz respeito à oscilação entre polos opostos, como o que aqui conhecemos. Não confundamos isso com morte ou inércia.

A matéria, que somente existe enquanto vibra, no Reino de Deus é mero potencial de realização; o espírito, porém, que aí vive em estado de plenitude, submetido à inimaginável estabilidade, está dotado de um poder fantástico que não podemos ainda aquilatar. Erroneamente aprendemos a associar potência a dinamismo vibracional, o que não corresponde à realidade divina.

Por isso o espírito puro não detém agitação alguma, de qualquer natureza que seja. Ele não se veste de nenhum tipo de irradiação possível, ainda que represente o maior poder existente na obra divina. Portanto, o espírito puro caracteriza-se por frequência zero e potência espiritual infinita. Somente assim pode ele experimentar a real Vida eterna, o estado de máxima quietude, no reino da imobilidade absoluta, o qual Jesus nos indicou como sendo o fim último da evolução. Para a matéria, tal estado adinâmico é de fato a morte, para o espírito, porém, é a verdadeira e plena existência.

Por isso que o Cristo nos ensinou ser preciso que a matéria morra para que o espírito vivifique, referindo-se ao exemplo do grão de trigo que, caindo na terra, dever fenecer para que dele brotem frutos.

Não confundamos, no entanto, o declínio da matéria com a imobilidade que existe no Reino divino. A quiescência celeste, longe de ser apatia ou morte, é um estado caracterizado por um tipo de dinamismo pleno, que ainda escapa à nossa compreensão. A fenomenologia do espírito puro ainda nos escapa à compreensão e nesse terreno nada podemos afirmar, somente perquirir. Desconhecemos a plenipotência através da qual o ser perfeito se manifesta e somos ainda ignorantes na Ciência do Absoluto.

Somente guardamos a certeza de que o poder do espírito é inversamente proporcional à flutuação energética e à correspondente densidade de matéria que transporta, uma vez que vibração e movimento nada mais são que produtos de sua queda. Por isso, quanto mais profunda foi a falência do ser, mais intensa é sua íntima oscilação no universo derrocado, e consequentemente mais densa e mais bruta é também sua apresentação exterior.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s