A Lei Periódica

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

A lei periódica, ou lei dos octetos, representa exatamente a maneira como a inteligência divina determinou que o processo de diferenciação e complementaridade gerasse tipos específicos, permitindo que o universo funcionasse como um sistema orgânico.

Como todo organismo, seus membros, uma vez diferenciados, são obrigados a viver em regime de interdependência e mútua colaboração, fazendo-se todos partes essenciais ao sustento do conjunto que os alberga.

Examinemos com mais detalhes a chamada tabela periódica dos elementos, estudada na Terra, para absorver um pouco mais seus interessantes princípios. Comecemos por recordar que os átomos, os menores organismos constitutivos de nosso mundo, tanto o físico quanto o extrafísico, são feitos por um núcleo, composto de prótons e nêutrons, ao redor do qual giram os elétrons.

Todos os elementos simples existentes na natureza são constituídos exatamente assim, formados então pelos mesmos prótons, nêutrons e elétrons que a todos integram. O que os diferencia e os fazem tão distintos entre si é unicamente o número de prótons que possuem no núcleo, o que se convencionou chamar de número atômico. Assim, a série dos elementos começa com o hidrogênio, que tem somente um próton no núcleo, portanto de número atômico um, o qual, ao agregar novos prótons a seu núcleo, forma a série completa dos elementos existentes. Ganhando um novo próton, o hidrogênio converte-se em hélio, de número atômico dois. Mais um próton, e temos o lítio, número atômico três, e assim sucessivamente até o urânio, de número 92, formado então pela fusão de 92 prótons em seu centro. A partir desse limite, a matéria entra em decaimento, iniciando sua morte através da espontânea decomposição do cerne atômico, fenômeno denominado radioatividade.

Uma vez compreendido esse conceito básico, devemos saber que, se enfileirarmos os elementos na ordem crescente de seus números atômicos, denotaremos um interessante fenômeno. Depois de uma série de sete elementos, ou sete números atômicos, o oitavo componente repetirá as características gerais do primeiro. Formam-se, desse modo, sete colunas de elementos, integrando sete famílias que compartilham entre si semelhanças de propriedades físico-químicas. Assim foi formada a tabela periódica dos compostos elementares.

Há no seu meio um terceiro grupo que pode nos confundir se não soubermos que ele reúne 10 colunas em uma só família, chamada metais de transição, dividida em dois subgrupos. E devemos levar em consideração ainda a existência de uma família a parte, a dos gases nobres, que não se misturam aos demais. Feito essas observações, encontraremos a exata sequência septenária sem interrupções, de tal forma que as famílias de elementos químicos se repetem depois de cada período de sete colunas.

Esse interessante fundamento levou os estudiosos da Terra a denominá-lo princípio periódico, lei dos octetos ou de repetição das oitavas. Esse é exatamente o mesmo princípio que estabelece a existência das sete notas musicais e faz a oitava repetir o mesmo tom da primeira em uma escala mais elevada, na família dos sons. Princípio que se impõe também ao reino das ondas eletromagnéticas. Identificamo-lo, por exemplo, nas sete cores básicas da luz visível.

Além das sete colunas, um estudo mais detalhado da tabela periódica mostra-nos que ela perfaz sete linhas horizontais, correspondendo aos sete planos de condensação dos elementos, chamados níveis estequiogenéticos, atribuídos às sete camadas de preenchimento eletrônico em torno do núcleo atômico. Compreendemos dessa forma que o reino das manifestações elementares nada mais é que uma das partituras a integrar a sinfonia da grande Lei universal.

Por que o número sete, perguntarão? Não sabemos. Apenas o identificamos como um dos numerais que a sabedoria do Criador elegeu para compor Seu concerto cósmico, tornando-o quesito de Lei, juntamente com o um, da unidade; o dois, da dualidade; e o três, da Santíssima trindade. Funcionando sob o princípio septenário que rege as vibrações, importa-nos considerar que a tabela periódica é a exata expressão da musicalidade dessa Lei.

Conduzido pelo grande maestro do Universo, Deus, sob os acordes inscritos na Sua grande Lei, o tema fundamental dessa composição universal, a ecoar pelos rincões do Infinito, repica-se em todas as suas multifárias execuções fenomênicas, sejam materiais, dinâmicas ou espirituais. No futuro, o homem aprenderá a ver a lei periódica expressa nos subsequentes reinos da natureza, ou seja, o vegetal, o animal e até mesmo o hominal, pois tal fundamento é a pura manifestação da lei de diferenciação, a mesma que outorga aos Filhos do Divino assumirem individualidades distintas uns dos outros no Reino celeste. Esse é um fundamento indispensável para se constituir sistemas orgânicos na Criação, em qualquer nível em que se manifestem, pois permite complementaridade de funções, fato essencial para o funcionamento orgânico de toda unidade coletiva.

Pergunta-se: Mas como a lei periódica foi descoberta pelos homens?

Assim como tantas outras, ela chegou ao mundo através de uma revelação do plano espiritual. Em 1869, o químico russo Dmitri Mendeleiev recebeu essa informação em visita ao plano espiritual, no momento da emancipação propiciada do sono físico. Ao acordar, ele se recordou perfeitamente da lembrança, e cuidou de verificar se correspondia à realidade. Na mesma época, em 1870, outro estudioso, o alemão Julius Lothar Meyer, também foi trazido à esfera dos mortos e de igual modo obteve a revelação do fenômeno. Assim, graças à ajuda do alto e o elevado cabedal intelectual desses cientistas, essa interessante lei deu-se a conhecer na Terra.

Mendeleiev, inclusive, uma vez que compreendeu esse princípio organizador da natureza, previu a existência de espécies químicas que ainda não haviam sido descobertas em sua época, por estarem faltando na sequência dos números atômicos. E pôde determinar com exatidão suas características físico-químicas, uma vez que as enquadrou nas respectivas famílias a que pertenciam. A subsequente descoberta desses elementos trouxe grande reputação às ideias do químico russo, estabelecendo-se a tabela periódica dos elementos como um retrato fiel da realidade.

Enfim, a lei periódica dos octetos, filha da grande Lei de diferenciação, permite então o estabelecimento da curiosa classificação dos compostos físicos em gêneros, famílias e espécies, da mesma forma como botânicos e biólogos classificam os seres vivos. O reino elementar, portanto, em nada se diferencia do mundo orgânico, pois no átomo, agora sabemos, encerra-se o mesmo espírito que mais tarde desperta para a vida.

Identificamos, assim, uma linha de desenvolvimento contínuo da matéria ao espírito, passando-se por todos os reinos da natureza. Postulado que, mais uma vez, confere ao universo a mais surpreendente e impreterível unidade.

Esta noção nos leva a ver a espiritualizar a matéria, uma vez que passamos a compreender que o átomo nada mais é que um ilusório constructo da consciência. O universo, portanto, em todas as suas instâncias, é produto nada mais que de ideias, oriundas em última instância da mente divina.

“Tudo é espírito no santuário da natureza”. É isso exatamente o que vimos na grande equação da substância. Trata-se, porém, de um conceito muito antigo. O filósofo grego Tales de Mileto, já no século VI a.C., dizia-nos que “todas as coisas estão cheias de deuses”, antevendo que o universo é pura manifestação do espírito. Mais uma vez chegamos à clara constatação de que todas as edificações e eventos encontrados no palco da existência são estados diferenciados de apresentação de um único elemento: o pensamento. Este, filho da consciência, então é tudo o que existe, o restante é ilusão, nada mais que vestimentas instáveis, a ocultar a real essência existente na Criação. Eis a expressão do mais puro monismo, concepção que nos aproxima do Criador, preparando-nos para a perfeita fusão em Sua unidade substancial.

Reforçando mais uma vez a importante síntese filosófica, religiosa e científica, guardamos a certeza de que esses revolucionários ensinamentos muito nos instruem sobre a natureza de Deus e de nós mesmos, favorecendo-nos sobremodo a caminhada evolutiva. Seremos doravante mais complacentes com a matéria que hoje nos pesa o espírito, mas igualmente nos empenharemos com maior afinco na ingente tarefa de desmantelá-la, transmudando toda sua inadequada potencialidade, fruto da queda, em puro poder espiritual. E, certamente, saberemos como melhor fazer isso, daqui em diante.

O Evangelho é a escola, não nos olvidemos. Jesus, em sua imensa sabedoria, já nos havia recomendado superar o mundo das formas, como Ele mesmo o fizera, através da renúncia aos falsos valores da matéria. Pelo exemplo, Ele nos suscitou a empregar todas as forças de nosso ser na reconquista dos atributos imponderáveis do Reino de Deus, acima de qualquer outro interesse.

Convencidos de que a palavra do Cristo tudo já nos havia revelado, em surpreendente e simples linguagem, acessível ao homem comum, Seu Evangelho contém, de fato, toda a verdade passível de ser absorvida pela nossa atual razão. Vemos, no entanto, que lamentavelmente o homem que se demora no sono da carne muito terá de caminhar para redescobrir todas essas revelações, tão antecipadamente propaladas por Jesus.

Felizmente, a própria ciência humana, em futuro próximo, já tem marcado seu encontro com a Boa-Nova, na qual descobrirá, de fato, todas as verdades de que necessita para servir-se com proveito à sua ascensão para Deus.

 

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